{"id":338725,"date":"2026-04-10T20:56:12","date_gmt":"2026-04-10T20:56:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/338725\/"},"modified":"2026-04-10T20:56:12","modified_gmt":"2026-04-10T20:56:12","slug":"franca-tirou-todo-o-seu-ouro-dos-eua-nao-confia-em-trump","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/338725\/","title":{"rendered":"Fran\u00e7a tirou todo o seu ouro dos EUA, n\u00e3o confia em Trump"},"content":{"rendered":"<p>O ouro franc\u00eas estava em Nova Iorque desde a Segunda Guerra Mundial por motivos de seguran\u00e7a e liquidez. Contudo, a incerteza pol\u00edtica nos EUA provocada pelos ataques de Donald Trump \u00e0 Europa acelerou a sua repatria\u00e7\u00e3o. Fran\u00e7a saiu a ganhar.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ouro_a_fugir_dos_eua_00-720x405.webp.webp\" alt=\"Imagem lingotes de ouro\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter wp-image-1113264 size-medium\"  \/><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Uma opera\u00e7\u00e3o acelerada por raz\u00f5es pol\u00edticas<\/p>\n<p>O Banco de Fran\u00e7a <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.banque-france.fr\/en\/news\/banque-de-france-2025-results\" rel=\"nofollow noopener\">confirmou ontem<\/a> algo que j\u00e1 vinha a ser preparado em sil\u00eancio: <strong>retirou at\u00e9 ao \u00faltimo lingote de ouro<\/strong> que tinha guardado nos cofres da Reserva Federal de Nova Iorque. Uma opera\u00e7\u00e3o que normalmente poderia ter demorado duas d\u00e9cadas, mas que, de repente, foi acelerada. O detonador tem nome pr\u00f3prio: <strong>Donald Trump<\/strong>.<\/p>\n<p>O que come\u00e7ou como uma opera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de atualiza\u00e7\u00e3o das suas reservas de ouro, com os \u00faltimos movimentos dos EUA face aos seus aliados europeus, incluindo Fran\u00e7a, transformou-se no primeiro grande movimento geopol\u00edtico que <strong>deixou meia Europa a olhar para si pr\u00f3pria<\/strong>. Al\u00e9m disso, a jogada deixou-os com <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.centralbanking.com\/central-banks\/reserves\/gold\/7975547\/banque-de-france-made-eu11bn-by-bringing-gold-up-to-standard\" rel=\"nofollow noopener\">mais dinheiro do que tinham<\/a>.<\/p>\n<p>Estrat\u00e9gia financeira em vez de transporte f\u00edsico<\/p>\n<p>O primeiro ponto a compreender \u00e9 que Fran\u00e7a <strong>n\u00e3o fretou nenhum avi\u00e3o carregado de ouro<\/strong> para o trazer de volta \u00e0 Europa. Em vez de <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/tag\/ouro\/\" rel=\"nofollow noopener\">mover fisicamente os lingotes<\/a>, o Banco de Fran\u00e7a tomou uma decis\u00e3o mais inteligente. Tal como explicava a entidade em comunicado, entre julho de 2025 e janeiro de 2026, foi vendendo as 129 toneladas de ouro antigo que armazenava na Reserva Federal de Nova Iorque no mercado norte-americano.<\/p>\n<p>Desta forma, os franceses aproveitaram os pre\u00e7os do ouro em m\u00e1ximos hist\u00f3ricos. Com essas receitas, <strong>Fran\u00e7a foi comprando lingotes que cumpriam o novo padr\u00e3o de maior qualidade no mercado europeu<\/strong>, onde os pre\u00e7os eram mais moderados, armazenando-os diretamente nos seus cofres em Paris.<\/p>\n<p><strong>Lucros recorde para o banco central:<\/strong>\u00a0A opera\u00e7\u00e3o foi conclu\u00edda em 26 transa\u00e7\u00f5es distintas e gerou receitas extraordin\u00e1rias de 11 mil milh\u00f5es de euros para o banco central franc\u00eas. Um resultado que transformou os 7,7 mil milh\u00f5es de euros de preju\u00edzo registados em 2024 num <strong>lucro l\u00edquido de 8,1 mil milh\u00f5es de euros em 2025<\/strong>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ouro_a_fugir_dos_eua_02-720x405.webp.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1113265\"  \/><\/p>\n<p>Ouro: uma hist\u00f3ria que remonta \u00e0 Segunda Guerra Mundial<\/p>\n<p>A presen\u00e7a deste ouro em Nova Iorque remonta ao final da <strong>Segunda Guerra Mundial<\/strong>. Ap\u00f3s o conflito, o d\u00f3lar tornou-se o eixo do com\u00e9rcio internacional, e manter reservas em Nova Iorque permitia aos pa\u00edses vend\u00ea-las rapidamente e obter divisas para facilitar pagamentos no com\u00e9rcio global.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, com a <strong>Guerra Fria em pleno e a URSS \u00e0 espreita<\/strong>, muitos governos europeus preferiam manter as suas reservas na distante Nova Iorque em vez de Paris ou Londres, <strong>protegendo o seu tesouro de poss\u00edveis invas\u00f5es<\/strong>.<\/p>\n<p>De Gaulle e as primeiras repatria\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Uma primeira redu\u00e7\u00e3o significativa ocorreu nos anos 60, quando Charles de Gaulle decidiu repatriar parte das reservas francesas, sendo seguido por outros pa\u00edses. Ainda assim, <strong>Fran\u00e7a manteve cerca de 5% das suas reservas do outro lado do Atl\u00e2ntico<\/strong>, uma fatia pequena em termos percentuais, mas enorme em volume.<\/p>\n<p>Com o movimento mais recente, <strong>Fran\u00e7a concentra agora a totalidade das suas 2.437 toneladas em Paris<\/strong>, tornando-se o quarto maior detentor mundial de ouro.<\/p>\n<p>Este ano, soube-se tamb\u00e9m que a \u00cdndia j\u00e1 repatriou 274 toneladas de ouro desde 2023, <strong>tendo atualmente cerca de dois ter\u00e7os das suas 880,8 toneladas em territ\u00f3rio nacional<\/strong>. A decis\u00e3o foi motivada por riscos geopol\u00edticos e pela necessidade de maior controlo e liquidez.<\/p>\n<p>Segundo a OMFIF, a localiza\u00e7\u00e3o do <strong>armazenamento do ouro voltou a ser uma prioridade<\/strong> para os bancos centrais, especialmente ap\u00f3s a apreens\u00e3o de ativos russos depositados em pa\u00edses terceiros na sequ\u00eancia da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>No entanto, a <strong>fa\u00edsca que acelerou a repatria\u00e7\u00e3o do ouro europeu<\/strong> foi a postura err\u00e1tica de <strong>Donald Trump<\/strong>. Os seus ataques p\u00fablicos a Jerome Powell e as tentativas de interfer\u00eancia na pol\u00edtica monet\u00e1ria geraram preocupa\u00e7\u00e3o crescente entre os bancos centrais europeus sobre quem controla realmente as institui\u00e7\u00f5es que guardam o seu ouro.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ouro_a_fugir_dos_eua_01-720x405.webp.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1113263\"  \/><\/p>\n<p>Alemanha e It\u00e1lia sob press\u00e3o<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o movimento franc\u00eas, a <strong>aten\u00e7\u00e3o virou-se para os bancos centrais da Alemanha e de It\u00e1lia<\/strong>, os dois pa\u00edses com <strong>maiores reservas de ouro em solo norte-americano<\/strong>.<\/p>\n<p>A <strong>Alemanha mant\u00e9m 1.236 toneladas nos cofres de Nova Iorque<\/strong>, o equivalente a 37% das suas reservas, enquanto <strong>It\u00e1lia possui 1.053 toneladas<\/strong>, cerca de 43% do total.<\/p>\n<p>Em conjunto, os dois pa\u00edses acumulam cerca de 245 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares em ouro armazenado em Nova Iorque.<\/p>\n<p>Michael J\u00e4ger, vice-presidente da Federa\u00e7\u00e3o de Contribuintes Alem\u00e3es (Bund der Steuerzahler) e presidente da Associa\u00e7\u00e3o Europeia de Contribuintes (TAE), afirmou que<\/p>\n<blockquote>\n<p>A imprevisibilidade de Trump e a sua constante procura de receitas fazem com que o nosso ouro j\u00e1 n\u00e3o esteja seguro nos cofres da Reserva Federal. Se a provoca\u00e7\u00e3o sobre a Gronel\u00e2ndia continuar, o risco de o Bundesbank n\u00e3o conseguir aceder ao seu ouro aumenta. Por isso, deveria repatriar as suas reservas.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Para j\u00e1, nenhum dos dois pa\u00edses anunciou uma decis\u00e3o oficial sobre o futuro do seu ouro nos EUA.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1097555\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ouro_venezuela00-720x405.webp.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"wp-image-1097555 size-medium\"  \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-1097555\" class=\"wp-caption-text\">Ao contr\u00e1rio de pa\u00edses como Alemanha ou It\u00e1lia, Portugal n\u00e3o depende de Nova Iorque para liquidez em d\u00f3lares, nem manteve historicamente uma fatia relevante das reservas na Reserva Federal de Nova Iorque.<\/p>\n<p>Portugal n\u00e3o tem o ouro todo dentro de portas<\/p>\n<p>As reservas de ouro de Portugal s\u00e3o geridas pelo Banco de Portugal e est\u00e3o maioritariamente guardadas em territ\u00f3rio nacional, com uma parte distribu\u00edda por outras institui\u00e7\u00f5es europeias para diversifica\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Tradicionalmente, o ouro portugu\u00eas est\u00e1<\/strong>:<\/p>\n<ul>\n<li>Em Lisboa, nas reservas do Banco de Portugal<\/li>\n<li>Em bancos centrais europeus, como o Banco de Inglaterra<\/li>\n<li>Em menor escala, noutros locais da zona euro<\/li>\n<\/ul>\n<p>Importante referir que <strong>Portugal possui cerca de 382 toneladas de ouro<\/strong>, o que o coloca entre os pa\u00edses com maiores reservas do mundo, especialmente tendo em conta a dimens\u00e3o da economia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O ouro franc\u00eas estava em Nova Iorque desde a Segunda Guerra Mundial por motivos de seguran\u00e7a e liquidez.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":338726,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[88,92,89,90,413,208,15644,32,33],"class_list":["post-338725","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-business","tag-donald-trump","tag-economy","tag-empresas","tag-eua","tag-franca","tag-ouro","tag-portugal","tag-pt"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116382413189468055","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/338725","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=338725"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/338725\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/338726"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=338725"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=338725"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=338725"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}