{"id":339143,"date":"2026-04-11T08:35:46","date_gmt":"2026-04-11T08:35:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/339143\/"},"modified":"2026-04-11T08:35:46","modified_gmt":"2026-04-11T08:35:46","slug":"pequena-dose-de-antibiotico-tem-bons-resultados-em-tratamento-de-ataques-de-panico-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/339143\/","title":{"rendered":"Pequena dose de antibi\u00f3tico tem bons resultados em tratamento de ataques de p\u00e2nico"},"content":{"rendered":"<p>\n                Ler Resumo<\/p>\n<ul class=\"resume-list\" id=\"resume-list\" aria-hidden=\"true\">\n<li class=\"section-item section-intro\">\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Um estudo brasileiro, com apoio da Fapesp, indica que pequenas doses do antibi\u00f3tico minociclina podem tratar o transtorno do p\u00e2nico. Pesquisas em camundongos e humanos revelaram efeitos similares ao clonazepam, agindo como anti-inflamat\u00f3rio cerebral e com menor risco de efeitos colaterais e resist\u00eancia bacteriana.<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"section-item section-topicos\">\n<ul>\n<li>Estudo aponta minociclina, um antibi\u00f3tico, como poss\u00edvel tratamento para transtorno do p\u00e2nico em baixas doses.<\/li>\n<li>A pesquisa foi realizada em camundongos e humanos, mostrando efeitos similares ao clonazepam.<\/li>\n<li>A a\u00e7\u00e3o da minociclina se deve ao seu efeito anti-inflamat\u00f3rio cerebral, e n\u00e3o antibi\u00f3tico.<\/li>\n<li>O tratamento com minociclina apresenta menor risco de efeitos colaterais e resist\u00eancia bacteriana.<\/li>\n<li>A descoberta abre portas para o avan\u00e7o de estudos cl\u00ednicos e novas terapias anti-inflamat\u00f3rias.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li class=\"section-item section-info\">\n<p style=\"margin: 0;\">Este resumo foi \u00fatil?<\/p>\n<p>\n                            \ud83d\udc4d<br \/>\ud83d\udc4e\n                        <\/p>\n<p>                    Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela reda\u00e7\u00e3o da Editora Abril.\n                <\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Um estudo apoiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo a Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp) mostra que pequenas doses de um <strong>antibi\u00f3tico<\/strong> podem ajudar a tratar o <strong>transtorno do p\u00e2nico<\/strong>.<\/p>\n<p>Os experimentos em camundongos, realizados na Universidade Estadual Paulista (Unesp), e em humanos, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostraram que a minociclina tem efeito similar ao do <a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/rivotril-efeitos-colaterais\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>clonazepam<\/strong><\/a>, antipanicog\u00eanico mais receitado nesses casos e mais conhecido pelo nome comercial Rivotril.<\/p>\n<p>O trabalho foi publicado na revista Translational Psychiatry.<\/p>\n<p>As doses de antibi\u00f3tico necess\u00e1rias para tratar os ataques de p\u00e2nico no estudo foram menores do que as usadas para tratar infec\u00e7\u00f5es por bact\u00e9rias, o que reduz as chances de desenvolvimento de<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/a-ameaca-crescente-e-oculta-das-superbacterias-no-brasil\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong> resist\u00eancia bacteriana.<\/strong><\/a><\/p>\n<p>\u201cNo nosso modelo experimental, que usa a inala\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono [CO2] para induzir um ataque de p\u00e2nico, os camundongos tratados com <strong>minociclina<\/strong> por 14 dias antes do experimento reduziram uma das respostas panicog\u00eanicas. Em humanos, o tratamento reduziu a intensidade das crises de p\u00e2nico provocadas pela inala\u00e7\u00e3o de CO2\u201d, conta Beatriz de Oliveira, primeira autora do estudo, realizado durante a inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica com bolsa da FAPESP na Faculdade de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias e Veterin\u00e1rias (FCAV) da Unesp, em Jaboticabal.<\/p>\n<p>O estudo integra o projeto \u201cFisiopatologia da sensibilidade ao CO2: papel do locus coeruleus\u201d, apoiado pela FAPESP e coordenado por Luciane Gargaglioni, professora da FCAV-Unesp.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>Como a minociclina atua no c\u00e9rebro<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 sabido que algumas condi\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas s\u00e3o resultantes da <strong>inflama\u00e7\u00e3o<\/strong> de c\u00e9lulas nervosas. Como a minociclina, em baixas doses, tem <strong>efeito anti-inflamat\u00f3rio<\/strong> e n\u00e3o necessariamente antibi\u00f3tico, a melhora nos sintomas provavelmente se d\u00e1 por meio da redu\u00e7\u00e3o dessa inflama\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma via diferente da usada pelo clonazepam, que atua inibindo receptores espec\u00edficos no c\u00e9rebro\u201d, explica Gargaglioni.<\/p>\n<p>Ainda que no tratamento com antibi\u00f3tico algumas respostas n\u00e3o sejam como as do clonazepam, usado como controle no estudo com humanos, a minociclina pode ser uma<strong> alternativa para pacientes que n\u00e3o respondem ao medicamento psiqui\u00e1trico<\/strong>, que s\u00e3o cerca de 50% do total.<\/p>\n<p>\u201cO clonazepam potencializa a a\u00e7\u00e3o do <strong>GABA<\/strong> [\u00e1cido gama-aminobut\u00edrico, um neurotransmissor] ao se ligar ao receptor de mesmo nome. Esses receptores est\u00e3o presentes em todo o enc\u00e9falo. Portanto, o uso do clonazepam reduz tamb\u00e9m as frequ\u00eancias card\u00edaca e respirat\u00f3ria, diminui a capacidade de decis\u00e3o e provoca outros <strong>efeitos colaterais<\/strong>, como a depend\u00eancia, o que o torna um medicamento de uso controlado\u201d, explica Gargaglioni.<\/p>\n<p>Uma vez que a minociclina j\u00e1 \u00e9 utilizada para outro fim e, portanto, segura para humanos, os estudos cl\u00ednicos poderiam avan\u00e7ar diretamente para a<strong> fase 2<\/strong>, com o aumento do n\u00famero de pacientes, testes de diferentes doses e avalia\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis efeitos colaterais, entre outros levantamentos feitos nesse tipo de estudo.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>A pesquisa abre caminho, ainda, para a busca por <strong>outras drogas com a\u00e7\u00e3o anti-inflamat\u00f3ria nas micr\u00f3glias<\/strong> que poderiam ter efeito semelhante ou ainda mais satisfat\u00f3rio do que a minociclina no tratamento do transtorno do p\u00e2nico.<\/p>\n<p>Experimentos com humanos e camundongos<\/p>\n<p>Os pesquisadores observaram, no sangue dos pacientes analisados, que aqueles que tomaram minociclina tiveram os n\u00edveis de <strong>citocinas pr\u00f3-inflamat\u00f3rias reduzidos<\/strong>, como os da interleucina (IL) 2sR\u03b1 e IL-6, al\u00e9m de um aumento da IL-10, que favorece a resposta \u00e0 inflama\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, houve redu\u00e7\u00e3o da citocina TNF\u03b1, ligada a diversos processos inflamat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Foram analisados 49 pacientes diagnosticados com <a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/coluna\/em-primeira-pessoa\/jornada-sindrome-panico\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>transtorno do p\u00e2nico.<\/strong><\/a> Eles inalaram ar enriquecido com 35% de di\u00f3xido de carbono no in\u00edcio do estudo e depois de sete dias tomando clonazepam ou minociclina. Nas duas ocasi\u00f5es, os <a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/mente-saudavel\/ansiedade-lidera-casos-de-dor-no-peito-no-pronto-atendimento-aponta-estudo\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>sintomas de ansiedade<\/strong> <\/a>foram medidos por psiquiatras treinados, utilizando m\u00e9todos adotados nesse tipo de estudo.<\/p>\n<p>\u201cTanto essa concentra\u00e7\u00e3o de CO2 quanto a usada nos camundongos, de 20%, n\u00e3o s\u00e3o encontradas na natureza. No entanto, o excesso de di\u00f3xido de carbono provoca a mesma sensa\u00e7\u00e3o de sufocamento que o ataque de p\u00e2nico. Uma vez que \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o muito desagrad\u00e1vel, o grupo-controle foi o que tomou clonazepam. N\u00e3o seria \u00e9tico ter um grupo que tomou placebo nesse caso\u201d, diz Gargaglioni.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>Embora a literatura cient\u00edfica j\u00e1 tenha relatado diferen\u00e7as nos n\u00edveis de citocinas em camundongos sob diferentes tratamentos, no estudo atual n\u00e3o foram detectadas essas diferen\u00e7as, provavelmente por causa de limita\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>No entanto, ap\u00f3s o tratamento com minociclina, foram observadas <strong>respostas comportamentais significativas nos animais<\/strong>, com redu\u00e7\u00e3o dos saltos, uma das respostas ap\u00f3s serem induzidos ao ataque de p\u00e2nico com o enriquecimento do ar com 20% de CO2.<\/p>\n<p>An\u00e1lises do locus coeruleus, regi\u00e3o do c\u00e9rebro sens\u00edvel ao CO2, mostraram uma diminui\u00e7\u00e3o da densidade de micr\u00f3glias nos camundongos seis horas ap\u00f3s exposi\u00e7\u00e3o ao g\u00e1s, o que refor\u00e7a o papel dessa parte do c\u00e9rebro nos ataques de p\u00e2nico.<\/p>\n<p>\u201cTestamos diferentes intervalos em que as altera\u00e7\u00f5es no c\u00e9rebro poderiam ser observadas e conclu\u00edmos que seis horas ap\u00f3s 15 minutos de exposi\u00e7\u00e3o ao CO2 \u00e9 o ideal, o que \u00e9 um resultado importante para futuros estudos\u201d, diz Oliveira.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>A ado\u00e7\u00e3o da minociclina para este fim ainda depende de novos estudos. O atual, por\u00e9m, abre horizonte para uma <strong>nova forma de tratar essa e outras condi\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas<\/strong> que possam estar relacionadas ao aumento da inflama\u00e7\u00e3o em c\u00e9lulas nervosas.<\/p>\n<p>O artigo pode ser conferido <a rel=\"sponsored nofollow noopener\" href=\"https:\/\/nature.com\/articles\/s41398-026-03836-7\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>*Este texto foi publicado originalmente na Ag\u00eancia Fapesp<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ler Resumo Introdu\u00e7\u00e3o Um estudo brasileiro, com apoio da Fapesp, indica que pequenas doses do antibi\u00f3tico minociclina podem&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":339144,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[13478,109,116,3083,32,54194,33,2418,117,1030],"class_list":["post-339143","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-antibiotico","tag-ciencia","tag-health","tag-medicamentos","tag-portugal","tag-processo-editorial","tag-pt","tag-remedios","tag-saude","tag-saude-mental"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116385161287921440","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/339143","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=339143"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/339143\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/339144"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=339143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=339143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=339143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}