{"id":340605,"date":"2026-04-12T18:58:12","date_gmt":"2026-04-12T18:58:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/340605\/"},"modified":"2026-04-12T18:58:12","modified_gmt":"2026-04-12T18:58:12","slug":"remessas-de-emigrantes-pesam-cada-vez-menos-no-pib","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/340605\/","title":{"rendered":"Remessas de emigrantes pesam cada vez menos no PIB"},"content":{"rendered":"<p>        Apesar de terem batido sucessivos recordes desde 2020, as remessas de emigrantes portugueses est\u00e3o a ter cada vez menos import\u00e2ncia face \u00e0 riqueza produzida pelo pa\u00eds. Este artigo integra a rubrica Vis\u00e3o Perif\u00e9rica.    <\/p>\n<p>Todos os anos as remessas que os portugueses enviam do estrangeiro batem novos recordes. E, no entanto, valem cada vez menos quando as comparamos com a riqueza produzida por Portugal. T\u00e3o pouco que, se continuarem assim, v\u00e3o atingir nos pr\u00f3ximos anos o valor mais baixo em democracia.<\/p>\n<p>Em valor absoluto, os emigrantes enviaram 4.388 milh\u00f5es de euros no ano passado, segundo o Banco de Portugal, um crescimento de 2,14% face a 2024. Constitui um novo recorde, como foi noticiado em fevereiro; e como tinha sido em todos os anos anteriores desde 2020 \u2014 quando a pandemia come\u00e7ou, as remessas atingiram 3.768 milh\u00f5es de euros, superando ligeiramente um recorde com quase 20 anos.<\/p>\n<p>E o que se passou nesse interl\u00fadio? Ap\u00f3s 2001, houve um trambolh\u00e3o sem paralelo nas \u00faltimas cinco d\u00e9cadas: em dois anos, at\u00e9 2003, os emigrantes passaram a enviar um ter\u00e7o a menos de remessas (2,4 mil milh\u00f5es). Do valor mais alto de sempre ao mais baixo desde 1986 foi um \u00e1pice. Porqu\u00ea? O Observat\u00f3rio da Emigra\u00e7\u00e3o, do ISCTE, j\u00e1 explicou que a quebra ter\u00e1 decorrido da entrada no euro (2002 foi o ano de transi\u00e7\u00e3o) e da mudan\u00e7a nos crit\u00e9rios de registo de transfer\u00eancias.<\/p>\n<p>Durante quase uma d\u00e9cada, com altos e baixos, o valor n\u00e3o sairia da casa dos 2 mil milh\u00f5es, at\u00e9 que, em 2010 (um ano antes da Troika), as remessas recome\u00e7aram uma escalada que n\u00e3o mais seria interrompida: 16 subidas consecutivas at\u00e9 2025, igualando o n\u00famero de subidas registadas entre 1976 e 1991.<\/p>\n<p>Contudo, estes valores carecem de contexto. Os 3,7 mil milh\u00f5es de 2001, por exemplo, equivaleriam a 6 mil milh\u00f5es no ano passado se ajustados \u00e0 infla\u00e7\u00e3o (socorremo-nos do conversor do INE). Ou seja, quase 2 mil milh\u00f5es a mais do que o valor registado em 2025.<\/p>\n<p>Mas mais relevante ainda \u00e9 perceber qual a depend\u00eancia do pa\u00eds face a essas remessas. E a verdade \u00e9 que caiu no ano passado pelo quinto ano consecutivo \u2014 de 1,87% do PIB em 2020 para 1,43%. \u00c9 o valor mais baixo desde 2011 (1,38%). Mais: em todo o per\u00edodo democr\u00e1tico, as remessas s\u00f3 tiveram um peso menor de 2008 a 2011 (que apanha a crise financeira global e a quase fal\u00eancia do pa\u00eds): entre 1,3% e 1,39%.<\/p>\n<p>Depois, no per\u00edodo da Troika, o PIB andou pelas ruas da amargura \u2014 incluindo tr\u00eas recess\u00f5es consecutivas entre 2011 e 2013 \u2014 e as sa\u00eddas do pa\u00eds registaram n\u00fameros sem precedentes nas \u00faltimas d\u00e9cadas: mais de 40 mil novos emigrantes permanentes por ano entre 2011 e 2015 (incluindo mais de 50 mil em 2012 e 2013), segundo dados do INE. Com menos PIB e mais emigrantes, o peso das remessas na riqueza do pa\u00eds s\u00f3 podia aumentar. Passou de 1,35% para 1,85%, o segundo maior valor desde 2002 e ligeiramente abaixo dos 1,87% de 2020, ano de profunda recess\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1396757 size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/48__Dinheiro_dos_emigrantes.jpg\" alt=\"\" width=\"1386\" height=\"1014\"  \/><\/p>\n<p><strong>Remessas \u201csalvadoras\u201d<\/strong><\/p>\n<p>No s\u00e9culo XX, \u00e9 toda uma outra conversa. As remessas pesavam 3,97% em 1975, logo a seguir \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o de Abril, tendo saltado para um valor m\u00e1ximo de 9,36% do PIB em 1979. Depois, cairia a pique (17 descidas intercaladas por tr\u00eas subidas) at\u00e9 atingir 2,6% em 1999.<\/p>\n<p>Em nenhum outro per\u00edodo as remessas tiveram maior import\u00e2ncia, na sequ\u00eancia de uma vaga migrat\u00f3ria de 1,2 milh\u00f5es de portugueses entre 1965 e 1973. No livro A Grande Transi\u00e7\u00e3o da Economia Portuguesa, Ant\u00f3nio Manzoni e Jos\u00e9 F\u00e9lix Ribeiro mostram que as remessas chegaram a representar 12,2% de todo o investimento entre 1978 e 1985; e 40% dos dep\u00f3sitos dos residentes neste \u00faltimo ano.<\/p>\n<p>Durante uma d\u00e9cada, desde 1974, \u201cos emigrantes foram, mesmo que indiretamente, dos agentes econ\u00f3micos mais relevantes da economia portuguesa\u201d, com as remessas a funcionarem como \u201cmais-valia oculta\u201d. Sem esses dep\u00f3sitos nos bancos nacionais, continuam os autores, \u201co n\u00edvel de endividamento externo e a contrac\u00e7\u00e3o da actividade econ\u00f3mica teriam sido mais acentuados\u201d, o que, \u201cno limite, poderia ter adiado ou inviabilizado o processo de integra\u00e7\u00e3o na CEE em 1985\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 um cen\u00e1rio long\u00ednquo. As remessas enviadas por emigrantes de Fran\u00e7a para Portugal no ano passado (1,37 mil milh\u00f5es) at\u00e9 foram o terceiro maior fluxo de remessas da Europa (abaixo dos marroquinos e espanh\u00f3is a partir do mesmo pa\u00eds; e acima dos turcos da Alemanha). Mas longe v\u00e3o os tempos em que este dinheiro era essencial para o pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Apesar de terem batido sucessivos recordes desde 2020, as remessas de emigrantes portugueses est\u00e3o a ter cada vez&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":340606,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[2534,88,476,89,1764,90,36109,32,33,58723],"class_list":["post-340605","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-25-de-abril","tag-business","tag-economia","tag-economy","tag-emigracao","tag-empresas","tag-pib-produto-interno-bruto","tag-portugal","tag-pt","tag-remessas-de-emigrantes"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116393273262729619","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/340605","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=340605"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/340605\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/340606"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=340605"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=340605"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=340605"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}