{"id":341003,"date":"2026-04-13T04:07:29","date_gmt":"2026-04-13T04:07:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/341003\/"},"modified":"2026-04-13T04:07:29","modified_gmt":"2026-04-13T04:07:29","slug":"esquecido-por-muitos-este-filme-com-kate-winslet-e-alan-rickman-virou-achado-precioso-no-prime-video","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/341003\/","title":{"rendered":"Esquecido por muitos, este filme com Kate Winslet e Alan Rickman virou achado precioso no Prime Video"},"content":{"rendered":"<p>Alan Rickman dirige \u201cUm Pouco de Caos\u201d como um romance de \u00e9poca instalado no centro de Versalhes, com Kate Winslet, Matthias Schoenaerts, o pr\u00f3prio Rickman e Stanley Tucci \u00e0 frente do elenco. Sabine de Barra surge como vi\u00fava e profissional independente, figura deslocada num of\u00edcio dominado por homens e por regras de corte. Sua entrada j\u00e1 diz muito. Antes da entrevista com Andr\u00e9 Le N\u00f4tre, ela move um vaso de um arranjo geom\u00e9trico num corredor que leva ao trabalho do rei, e esse gesto breve j\u00e1 anuncia o atrito entre uma imagina\u00e7\u00e3o menos obediente e um mundo em que desenho, classe e etiqueta seguem a mesma linha reta.<\/p>\n<p>Le N\u00f4tre primeiro a rejeita e depois a chama para colaborar na expans\u00e3o dos jardins reais, e essa mudan\u00e7a d\u00e1 o tom da rela\u00e7\u00e3o entre os dois. Sabine n\u00e3o recebe uma tarefa discreta, mas um espa\u00e7o de baile ao ar livre com \u00e1gua e aparato cenogr\u00e1fico, assentado num terreno dif\u00edcil dentro de Versalhes. Terra, pedra, \u00e1gua. O interesse do filme cresce quando acompanha essa parte pr\u00e1tica, com a paisagista tentando se impor num canteiro vigiado por gente que pesa talento e sobrenome na mesma balan\u00e7a, como se at\u00e9 a escava\u00e7\u00e3o do solo precisasse obedecer ao cerimonial.<\/p>\n<p>Trabalho e corte<\/p>\n<p>A aproxima\u00e7\u00e3o entre Sabine e Le N\u00f4tre nasce desse conv\u00edvio de obra, da diferen\u00e7a entre o tra\u00e7o disciplinado dele e a sensibilidade menos r\u00edgida dela, e avan\u00e7a apesar do casamento dele e da dist\u00e2ncia social entre os dois. Nada ali desaparece. Helen McCrory, rondando essa rela\u00e7\u00e3o, ajuda a lembrar que Versalhes n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sede do poder, mas tamb\u00e9m lugar de mexerico, ci\u00fame e vigil\u00e2ncia, onde qualquer pausa entre tarefas pode chegar depressa a outros ouvidos. Por isso, as cenas entre Winslet e Schoenaerts t\u00eam mais for\u00e7a quando ficam presas \u00e0s inspe\u00e7\u00f5es de terreno, aos encontros no canteiro e \u00e0s brechas abertas pelo trabalho do que quando o melodrama pesa demais.<\/p>\n<p>O passado de Sabine entra nessa engrenagem por meio de flashbacks ligados \u00e0 perda do marido e da filha, trauma que interrompe o romance e tamb\u00e9m o avan\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o. O peso existe desde o in\u00edcio. A personagem j\u00e1 aparece como vi\u00fava, e o filme acerta ao n\u00e3o tratar isso como simples adorno biogr\u00e1fico, mas essas lembran\u00e7as reaparecem com insist\u00eancia, deslocando o centro de uma hist\u00f3ria que havia encontrado na corte, no jardim e no servi\u00e7o seus pontos mais firmes. Quando isso acontece, a tens\u00e3o entre o que Sabine constr\u00f3i em Versalhes e o que carrega fora dali perde nitidez, porque o drama \u00edntimo passa a disputar espa\u00e7o com a parte mais concreta do enredo.<\/p>\n<p>O rei em cena<\/p>\n<p>Rickman, como ator, parece mais seguro do que Rickman diretor quando Lu\u00eds XIV cruza o caminho da protagonista nos jardins e nos sal\u00f5es do poder. Nessas passagens, Sabine deixa de responder apenas a Le N\u00f4tre e passa a medir sua tarefa diante do rei, de sua amante e de uma corte acostumada a vigiar cada gesto, cada visita, cada pequena quebra de protocolo. Stanley Tucci quebra o cerimonial. Como Philippe d\u2019Orl\u00e9ans, ele aparece com ironia suficiente para tirar o pal\u00e1cio da moldura e devolver \u00e0queles passeios entre sebes, fontes e corredores uma vida menos decorativa, mais pr\u00f3xima do jogo de vaidade e desejo que sustenta aquele ambiente.<\/p>\n<p>\u201cUm Pouco de Caos\u201d acerta sobretudo quando n\u00e3o esquece que Versalhes foi erguida por m\u00e3os, caprichos e rela\u00e7\u00f5es desiguais, e n\u00e3o apenas por desenhos perfeitos vistos de longe. Sabine enfrenta sabotagem, desconfian\u00e7a por causa de sua origem e o risco constante de circular entre pessoas que decidem quem pode ou n\u00e3o ocupar aquele espa\u00e7o, enquanto tenta concluir um jardim que precisa juntar cerim\u00f4nia, \u00e1gua e imagina\u00e7\u00e3o. \u00c9 a\u00ed que o filme se sustenta. Sem se encantar demais com a pr\u00f3pria reconstitui\u00e7\u00e3o, encontra sua melhor medida ao manter os p\u00e9s no canteiro, onde barro, pedra molhada e trabalho bra\u00e7al pesam mais do que o verniz da corte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Alan Rickman dirige \u201cUm Pouco de Caos\u201d como um romance de \u00e9poca instalado no centro de Versalhes, com&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":341004,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[140],"tags":[937,114,115,147,148,146,32,33],"class_list":{"0":"post-341003","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-filmes","8":"tag-amazon-prime-video","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-film","12":"tag-filmes","13":"tag-movies","14":"tag-portugal","15":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116395432062683680","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/341003","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=341003"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/341003\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/341004"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=341003"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=341003"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=341003"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}