{"id":3417,"date":"2025-07-27T03:57:10","date_gmt":"2025-07-27T03:57:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/3417\/"},"modified":"2025-07-27T03:57:10","modified_gmt":"2025-07-27T03:57:10","slug":"avancamos-de-forma-impressionante-na-prevencao-do-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/3417\/","title":{"rendered":"Avan\u00e7amos de forma impressionante na preven\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<p>O <a href=\"https:\/\/www.folhavitoria.com.br\/tag\/cancer\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>c\u00e2ncer<\/strong> <\/a>\u00e9 uma doen\u00e7a assustadora e, \u00e0 primeira vista, parece mais mortal do que nunca. Ele vitima cerca de 10 milh\u00f5es de pessoas por ano, um n\u00famero que vem crescendo de forma constante nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Em pa\u00edses ricos, metade dos homens e um ter\u00e7o das mulheres desenvolvem a doen\u00e7a em algum momento da vida. Em muitos lugares, como Austr\u00e1lia, Reino Unido, Canad\u00e1 e Jap\u00e3o, as pessoas t\u00eam mais chances de morrer de c\u00e2ncer do que por qualquer outra causa.<\/p>\n<p>Esses <strong>n\u00fameros<\/strong> <strong>alarmantes<\/strong>, por\u00e9m, s\u00e3o em grande parte fruto da demografia. \u00c0 medida que a popula\u00e7\u00e3o mundial cresce, o n\u00famero de mortes por c\u00e2ncer tamb\u00e9m aumenta. O envelhecimento populacional tem o mesmo efeito, j\u00e1 que o c\u00e2ncer pode levar d\u00e9cadas para se desenvolver e, por isso, afeta com mais frequ\u00eancia os <strong>idosos do que os jovens.<\/strong><br \/>Se voc\u00ea excluir os efeitos do crescimento populacional e do envelhecimento, a taxa de mortalidade por c\u00e2ncer, na verdade, caiu significativamente nos \u00faltimos 30 anos. Ele est\u00e1 se tornando muito menos letal \u2014 e os r\u00e1pidos progressos no entendimento da doen\u00e7a por parte dos cientistas indicam que mais avan\u00e7os est\u00e3o a caminho.<\/p>\n<p>A queda na taxa de mortalidade \u00e9 fruto de uma s\u00e9rie de avan\u00e7os em preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico e tratamento. O maior impacto vem da redu\u00e7\u00e3o no tabagismo \u2014 respons\u00e1vel por cerca de 85% dos casos de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o e por 20% de todas as mortes por c\u00e2ncer no mundo.<\/p>\n<p>Exames como mamografia, colonoscopia e papanicolau, entre outras formas de rastreamento, ajudam a identificar les\u00f5es, p\u00f3lipos e outras altera\u00e7\u00f5es com potencial de se tornarem cancer\u00edgenos, mas que podem ser removidos antes disso, interrompendo a progress\u00e3o.<\/p>\n<p>T\u00e9cnicas cir\u00fargicas e melhores medicamentos tamb\u00e9m aumentam as chances de sobreviv\u00eancia para quem desenvolve a doen\u00e7a. Nos \u00faltimos anos, a imunoterapia \u2014 que estimula o sistema imunol\u00f3gico do pr\u00f3prio paciente a combater o c\u00e2ncer com mais efici\u00eancia \u2014 teve um avan\u00e7o surpreendente.<\/p>\n<p>Estima-se que esses avan\u00e7os tenham evitado 6 milh\u00f5es de mortes nos Estados Unidos entre 1975 e 2020. Essa estimativa considera apenas os casos de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, mama, intestino, pr\u00f3stata e colo do \u00fatero \u2014 que, juntos, representaram cerca de 70% das mortes por c\u00e2ncer no fim dos anos 1970.<br \/>Pouco mais da metade das mortes evitadas deveu-se \u00e0 redu\u00e7\u00e3o no tabagismo. Outros 23% foram atribu\u00eddos \u00e0 melhora no rastreamento precoce e 20%, aos avan\u00e7os nos tratamentos.<\/p>\n<p>O c\u00e2ncer de est\u00f4mago, que antes era comum em pa\u00edses ricos, tamb\u00e9m caiu drasticamente. Nos anos 1990, pesquisadores identificaram que ele era frequentemente causado pela bact\u00e9ria Helicobacter pylori. As infec\u00e7\u00f5es por ela j\u00e1 estavam em queda desde os anos 1950, devido \u00e0 melhoria das condi\u00e7\u00f5es de higiene e ao uso mais amplo de antibi\u00f3ticos, mas essa descoberta levou ao desenvolvimento de testes e tratamentos espec\u00edficos, reduzindo ainda mais a incid\u00eancia desse tumor.<\/p>\n<p>Um problema a menos<\/p>\n<p>Talvez o avan\u00e7o mais marcante diga respeito \u00e0 preven\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer do colo do \u00fatero. No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, ele era o c\u00e2ncer mais letal entre as mulheres nos EUA.<\/p>\n<p>O primeiro avan\u00e7o veio com a constata\u00e7\u00e3o de que certas altera\u00e7\u00f5es nas c\u00e9lulas do colo do \u00fatero, vis\u00edveis ao microsc\u00f3pio, frequentemente evoluem para c\u00e2ncer. Isso levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de programas de rastreamento para detectar e remover tecidos suspeitos antes que se tornassem malignos.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise das muitas amostras coletadas nesses exames levou \u00e0 descoberta de que quase todos os casos de c\u00e2ncer do colo do \u00fatero s\u00e3o causados por infec\u00e7\u00e3o pelo papilomav\u00edrus humano (HPV). O desenvolvimento de vacinas contra o v\u00edrus abriu caminho para a quase erradica\u00e7\u00e3o desse tipo de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>No Reino Unido, a vacina\u00e7\u00e3o levou a uma queda de <strong>90% nos casos de c\u00e2ncer do colo do \u00fatero <\/strong>entre mulheres na faixa dos 20 anos \u2014 considerando dados do primeiro grupo a quem o imunizante foi oferecido aos 12 ou 13 anos de idade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"596\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=\" http:=\"\" alt=\"\" class=\"wp-image-7446507\" data-lazy- data-lazy- data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/SQGQp6IA-Vacina-contra-a-gripe-1024x596.webp.webp\"\/>Foto: Freepik<\/p>\n<p>O sucesso no combate aos tumores no pulm\u00e3o e colo do \u00fatero tornou-se um modelo para que os cientistas buscassem maneiras de prevenir outros tipos de c\u00e2ncer.<br \/>Eles aprenderam que o primeiro passo \u00e9 identificar quem est\u00e1 em maior risco de desenvolver a doen\u00e7a e, em seguida, intervir da forma mais eficaz \u2014 convencer fumantes a parar de fumar e vacinar jovens contra o HPV, por exemplo.<br \/>\u00c9 verdade que a maioria dos c\u00e2nceres \u00e9 mais dif\u00edcil de enfrentar, pois suas causas s\u00e3o mais complexas e menos compreendidas. Apenas cerca de metade dos casos pode ser explicada por fatores de risco conhecidos.<\/p>\n<p>A grande quantidade de amostras de tecido coletadas ao longo dos anos, juntamente com os avan\u00e7os na biologia celular, contudo, tem tornado mais f\u00e1cil identificar padr\u00f5es e personalizar tratamentos.<\/p>\n<p>V\u00e1rias novas vacinas desenvolvidas a partir dessas pesquisas j\u00e1 est\u00e3o em andamento. Esses dados tamb\u00e9m ajudam na identifica\u00e7\u00e3o de medicamentos profil\u00e1ticos. A esperan\u00e7a \u00e9 que, em vez de tratar o c\u00e2ncer somente ap\u00f3s seu desenvolvimento, muitos tipos da doen\u00e7a possam ser prevenidos.<\/p>\n<p>Um longo caminho<\/p>\n<p><strong>\u201cO c\u00e2ncer n\u00e3o surge do nada\u201d<\/strong>, diz Sarah Blagden, da Universidade de Oxford. Ele se desenvolve lentamente ao longo de muitos anos, o que oferece amplas oportunidades para interven\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n<p>O processo come\u00e7a quando muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas fazem com que c\u00e9lulas normais se reproduzam de maneira anormal. \u00c0 medida que se dividem, algumas dessas c\u00e9lulas defeituosas adquirem caracter\u00edsticas que as ajudam a escapar do sistema imunol\u00f3gico, que normalmente elimina c\u00e9lulas danificadas ou doentes. Com o tempo, elas formam aglomerados de tecido chamados de les\u00f5es, p\u00f3lipos ou tumores.<\/p>\n<p>Essas les\u00f5es podem levar de 5 a 15 anos para se desenvolver. Quando atingem tamanho suficiente, podem ser detectadas por mamografias, colonoscopias e outros exames semelhantes. Algumas param de crescer ou at\u00e9 regridem, mas outras evoluem para um c\u00e2ncer plenamente desenvolvido. Assim, passam a invadir camadas de tecido al\u00e9m daquelas onde surgiram inicialmente e, eventualmente, se espalham pelo corpo (um processo chamado met\u00e1stase, que pode levar de 5 a 10 anos a mais).<\/p>\n<p>A maioria dos programas de rastreamento de c\u00e2ncer tem como objetivo detectar les\u00f5es e remov\u00ea-las antes que se tornem malignas. Mas ainda \u00e9 dif\u00edcil saber quem deve ser submetido a exames regulares e quais les\u00f5es, uma vez identificadas, realmente precisam ser retiradas.<\/p>\n<p>O rastreamento costuma ser baseado em crit\u00e9rios muito amplos \u2014 como idade ou hist\u00f3rico de c\u00e2ncer na fam\u00edlia. Com isso, muitas pessoas que n\u00e3o apresentam risco elevado acabam sendo submetidas a exames desnecess\u00e1rios, inclusive procedimentos invasivos que podem causar danos. Colonoscopias, por exemplo, podem perfurar o intestino; bi\u00f3psias da mama, do pulm\u00e3o ou de outros tecidos podem causar infec\u00e7\u00f5es e outras complica\u00e7\u00f5es.<br \/>Al\u00e9m disso, apenas cerca de 25% do tipo mais comum de les\u00e3o encontrada no tecido mam\u00e1rio evolui para c\u00e2ncer. Da mesma forma, embora a maioria dos c\u00e2nceres colorretais se origine a partir de p\u00f3lipos, apenas entre 5% e 10% dos p\u00f3lipos realmente se tornam c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Cientistas da University College London descobriram que, se n\u00e3o forem tratadas, 30% das les\u00f5es pulmonares de um tipo espec\u00edfico regridem espontaneamente com o tempo. Mesmo assim, todas essas les\u00f5es s\u00e3o tratadas como se fossem c\u00e2ncer em est\u00e1gio inicial, j\u00e1 que ainda n\u00e3o h\u00e1 como prever com seguran\u00e7a quais delas v\u00e3o se tornar malignas. O resultado \u00e9 um grande n\u00famero de cirurgias, radioterapias e quimioterapias desnecess\u00e1rias \u2014 tratamentos caros e desgastantes.<\/p>\n<p>Uma poss\u00edvel solu\u00e7\u00e3o para o \u201clado B\u201d desses exames de rastreio seria o desenvolvimento de m\u00e9todos de triagem mais baratos e menos invasivos para detectar les\u00f5es \u2014 e, de fato, muitos est\u00e3o em desenvolvimento, incluindo testes de ar expirado, sangue e urina.<\/p>\n<p>Melhor ainda seria identificar com mais precis\u00e3o quem realmente est\u00e1 em risco, para direcionar o tratamento apenas a quem precisa. Os cientistas tamb\u00e9m t\u00eam avan\u00e7ado nessa frente, de duas maneiras: identificando predisposi\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas e estudando quais prote\u00ednas no sangue ou nos tecidos podem servir como \u201cbiomarcadores\u201d de maior risco de desenvolver c\u00e2ncer.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"596\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=\" http:=\"\" alt=\"\" class=\"wp-image-7143630\" data-lazy- data-lazy- data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Emy7473F-quimioterapia-cancer-tratamento-pesquisas-oncologicas-1024x596.webp.webp\"\/>Foto: Freepik<\/p>\n<p>Cerca de 5% a 10% dos casos de c\u00e2ncer parecem ter origem gen\u00e9tica. Aproximadamente 1 em cada 200 pessoas possui muta\u00e7\u00f5es nos genes BRCA1 e BRCA2, que est\u00e3o envolvidos na supress\u00e3o de tumores, por exemplo. Em mulheres, essas altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas conferem um risco de 60% a 80% de desenvolver c\u00e2ncer de mama ou de ov\u00e1rio.<\/p>\n<p>Uma em cada 300 pessoas apresenta a s\u00edndrome de Lynch, causada por muta\u00e7\u00f5es em genes relacionados \u00e0 repara\u00e7\u00e3o do DNA. Essas pessoas t\u00eam de 40% a 80% de chance de desenvolver c\u00e2ncer colorretal, de endom\u00e9trio, entre outros.<\/p>\n<p>Embora sejam casos extremos, muitos outros genes tamb\u00e9m parecem aumentar o risco de certos c\u00e2nceres. Como os genes s\u00e3o herdados, \u00e9 f\u00e1cil identificar quem deve ser testado para essas muta\u00e7\u00f5es e, a partir da\u00ed, monitorar essas pessoas mais de perto em busca de sinais da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Estilo de vida<\/p>\n<p>Outro conjunto de pistas sobre quem est\u00e1 em risco vem de grandes estudos m\u00e9dicos conduzidos nas \u00faltimas d\u00e9cadas para examinar a rela\u00e7\u00e3o entre dieta, estilo de vida e c\u00e2ncer.<br \/>Alguns deles, como o projeto EPIC \u2014 que acompanha 500 mil europeus h\u00e1 quase 30 anos \u2014, criaram \u201cbiobancos\u201d de amostras de sangue. Isso permite que os pesquisadores analisem o sangue de participantes que desenvolveram c\u00e2ncer, bem como compar\u00e1-lo com o de quem n\u00e3o desenvolveu, para tentar encontrar caracter\u00edsticas distintivas.<br \/>Em especial, eles v\u00eam investigando prote\u00ednas que s\u00e3o mais comuns em pacientes que desenvolvem c\u00e2ncer. Essas pesquisas mostraram que pessoas com n\u00edveis elevados de uma prote\u00edna que estimula o crescimento celular \u2014 o fator de crescimento semelhante \u00e0 insulina (IGF) \u2014 t\u00eam maior risco de desenvolver c\u00e2ncer de mama e de intestino.<\/p>\n<p>As amostras de biobancos tamb\u00e9m ajudaram uma equipe liderada por Marc Gunter, do Imperial College London, a identificar novas prote\u00ednas que parecem ser marcadores de um risco elevado de c\u00e2ncer de mama. \u201cDe certa forma, elas surgiram completamente do nada\u201d, conta ele.<\/p>\n<p>Calculando o risco<\/p>\n<p>Essas descobertas, al\u00e9m de serem individualmente relevantes, podem ser integradas a outros dados para produzir estimativas de risco mais refinadas.<\/p>\n<p>Testes gen\u00e9ticos, exames de sangue, informa\u00e7\u00f5es sobre dieta, atividade f\u00edsica e outros fatores podem ser reunidos em calculadoras de risco de c\u00e2ncer \u201cmultimodais\u201d, que chegaram aos consult\u00f3rios nos \u00faltimos cinco anos. M\u00e9dicos utilizam-nas, por exemplo, para decidir quem deve come\u00e7ar a fazer exames preventivos de c\u00e2ncer de mama mais cedo ou tomar medicamentos preventivamente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"400\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=\" http:=\"\" alt=\"\" class=\"wp-image-6114753\" data-lazy- data-lazy- data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/0iNtrBzP-ebb90fb0-168e-0137-6238-6231c35b6685-1024x400.webp.webp\"\/><\/p>\n<p>R\u00e1pidos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos t\u00eam ajudado a aprimorar esses modelos de risco. Hoje, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel utilizar uma \u00fanica amostra de sangue para analisar a presen\u00e7a de milhares de prote\u00ednas \u2014 h\u00e1 uma d\u00e9cada, s\u00f3 seria poss\u00edvel investigar duas ou tr\u00eas.<\/p>\n<p>Pesquisadores investigam se a intelig\u00eancia artificial pode melhorar a predi\u00e7\u00e3o de risco ao identificar padr\u00f5es sutis em mamografias ou exames de corpo inteiro.<\/p>\n<p>O desenvolvimento da transcript\u00f4mica de c\u00e9lula \u00fanica, uma tecnologia que analisa a express\u00e3o g\u00eanica em n\u00edvel celular, tornou poss\u00edvel observar como as c\u00e9lulas de uma amostra de tecido interagem entre si. Antes, a extra\u00e7\u00e3o de DNA exigia triturar o tecido, o que levava \u00e0 perda de informa\u00e7\u00f5es sobre as c\u00e9lulas individualmente.<\/p>\n<p>Essa e outras novas t\u00e9cnicas de an\u00e1lise t\u00eam gerado informa\u00e7\u00f5es detalhadas sobre o funcionamento das c\u00e9lulas imunol\u00f3gicas, por exemplo, e sobre como detectar prote\u00ednas indicativas de c\u00e2ncer \u2014 o tipo de dado necess\u00e1rio para o desenvolvimento de medicamentos e vacinas preventivas.<\/p>\n<p>Um grupo de pesquisa liderado por Walid Khaled, da Universidade de Cambridge, descobriu, por exemplo, que as c\u00e9lulas imunol\u00f3gicas presentes nas mamas de mulheres saud\u00e1veis com muta\u00e7\u00f5es nos genes BRCA s\u00e3o t\u00e3o ineficazes quanto as encontradas em mulheres com c\u00e2ncer de mama avan\u00e7ado. O pr\u00f3ximo passo, diz Khaled, seria identificar terapias capazes de ativar essas c\u00e9lulas.<\/p>\n<p><strong>Mais do que uma cura<\/strong><\/p>\n<p>Os imunizantes s\u00e3o outra \u00e1rea que avan\u00e7ou \u201ctremendamente r\u00e1pido\u201d na \u00faltima d\u00e9cada, afirma Nora Disis, do Instituto de Vacinas contra o C\u00e2ncer da Universidade de Washington. \u201cHoje temos uma no\u00e7\u00e3o muito melhor do tipo de resposta imunol\u00f3gica necess\u00e1ria para erradicar o c\u00e2ncer\u201d, diz.<\/p>\n<p>H\u00e1 cinco anos, conta ela, o instituto estava focado quase exclusivamente em vacinas usadas como tratamento para casos avan\u00e7ados da doen\u00e7a. Agora, cerca de metade das pesquisas \u00e9 voltada para vacinas preventivas.<\/p>\n<p>Diversos grupos de pesquisa e empresas de biotecnologia nos Estados Unidos e na Europa est\u00e3o testando vacinas preventivas contra o c\u00e2ncer de mama, de c\u00f3lon e outros tipos de tumor maligno em pessoas com alto risco da doen\u00e7a \u2014 como aquelas com muta\u00e7\u00f5es nos genes BRCA, s\u00edndrome de Lynch ou les\u00f5es pr\u00e9-cancerosas.<\/p>\n<p>Esses imunizantes ainda est\u00e3o em fases iniciais de testes. Os primeiros resultados \u2014 que devem mostrar se reduzem a recorr\u00eancia de p\u00f3lipos ou outras les\u00f5es \u2014 s\u00e3o esperados para daqui a tr\u00eas ou cinco anos.<\/p>\n<p>Antes, diz Olivera Finn, da Universidade de Pittsburgh, havia receio de que vacinas aplicadas antes do desenvolvimento do c\u00e2ncer pudessem estimular o sistema imunol\u00f3gico a atacar c\u00e9lulas saud\u00e1veis. Mas a experi\u00eancia com pacientes em est\u00e1gios avan\u00e7ados da doen\u00e7a \u2014 para os quais os poss\u00edveis benef\u00edcios superavam esse risco \u2014 mostrou que o temor era infundado: o sistema imunol\u00f3gico, ao que parece, \u00e9 bastante eficaz em direcionar sua a\u00e7\u00e3o apenas contra as c\u00e9lulas cancer\u00edgenas.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio das vacinas terap\u00eauticas contra o c\u00e2ncer, que muitas vezes s\u00e3o personalizadas de acordo com as muta\u00e7\u00f5es do tumor de cada paciente, as vacinas preventivas devem funcionar para uma ampla gama de pessoas.<\/p>\n<p>Em um dos maiores estudos cl\u00ednicos sobre a evolu\u00e7\u00e3o de tumores pulmonares, cientistas da University College London descobriram que as c\u00e9lulas pulmonares de fumantes desenvolvem altera\u00e7\u00f5es espec\u00edficas associadas ao c\u00e2ncer anos antes de a doen\u00e7a surgir. Pesquisadores de Oxford desenvolveram uma vacina que tem essas altera\u00e7\u00f5es como alvo \u2014 os testes cl\u00ednicos devem come\u00e7ar no ano que vem.<\/p>\n<p>Outra vacina preventiva, criada pela Nouscom, uma empresa su\u00ed\u00e7a de biotecnologia, adota o que seus desenvolvedores chamam de abordagem \u201cfor\u00e7a bruta\u201d: a inje\u00e7\u00e3o tem como alvo 209 fragmentos diferentes de mol\u00e9culas presentes em tecidos pr\u00e9-cancerosos ou cancerosos, mas ausentes em tecidos saud\u00e1veis. A primeira rodada de testes, divulgada em abril, mostrou que ela \u00e9 capaz de estimular o sistema imunol\u00f3gico a atacar c\u00e9lulas cancer\u00edgenas \u2014 ao menos em experimentos realizados em placas de Petri.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e1 em testes cl\u00ednicos uma vacina para a preven\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer colorretal. Em 2023, a equipe de pesquisa de Olivera Finn divulgou resultados preliminares de uma vacina que tem como alvo uma prote\u00edna chamada MUC1, presente em 80% de todos os tipos de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Embora a vacina tenha provocado resposta imunol\u00f3gica apenas em uma subcategoria de pessoas com p\u00f3lipos no c\u00f3lon, esse grupo apresentou uma redu\u00e7\u00e3o de 38% na reincid\u00eancia deles em um per\u00edodo de um ano.<\/p>\n<p>Medicamentos<\/p>\n<p>A riqueza de dados provenientes de grandes estudos cl\u00ednicos tamb\u00e9m est\u00e1 acelerando a identifica\u00e7\u00e3o de medicamentos que podem ajudar a prevenir formas espec\u00edficas de c\u00e2ncer em determinadas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pesquisadores notaram, por exemplo, que pessoas que tomam aspirina para prevenir infartos ou metformina para tratar diabetes apresentam taxas reduzidas de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Ensaios cl\u00ednicos demonstraram que o anastrozol, um medicamento usado no tratamento do c\u00e2ncer de mama, reduz pela metade o risco de desenvolvimento da doen\u00e7a em algumas mulheres p\u00f3s-menopausa \u2014 o que levou o \u00f3rg\u00e3o regulador brit\u00e2nico a aprov\u00e1-lo, em 2023, para uso profil\u00e1tico.<\/p>\n<p>H\u00e1 estudos em andamento avaliando se esses medicamentos podem ser administrados com menos efeitos colaterais, como por meio de doses intermitentes, aplica\u00e7\u00e3o t\u00f3pica ou inje\u00e7\u00e3o diretamente no tecido de interesse.<\/p>\n<p>H\u00e1 esperan\u00e7a de que agonistas do receptor de GLP-1, como o Ozempic \u2014 medicamentos promissores com diversos benef\u00edcios al\u00e9m do controle do diabetes \u2014 possam tamb\u00e9m ajudar a prevenir certos tipos de c\u00e2ncer.<br \/>Algumas dessas terapias beneficiam grupos bastante restritos de pacientes. Em 2023, pesquisadores descobriram que o uso de metformina em mulheres que tiveram um tipo espec\u00edfico de c\u00e2ncer de mama \u2014 respons\u00e1vel por cerca de 20% de todos os casos \u2014 reduziu a recorr\u00eancia da doen\u00e7a. Por outro lado, o benef\u00edcio do medicamento n\u00e3o foi visto em pacientes que tiveram outros subtipos do tumor.<\/p>\n<p>Resultados como esse, que demonstram benef\u00edcios para subgrupos espec\u00edficos de pacientes, est\u00e3o come\u00e7ando a ser vistos como norma na busca por terapias preventivas contra o c\u00e2ncer, afirma Andrew Chan, de Harvard: \u201cDificilmente teremos algo como um tratamento \u00fanico para todos os pacientes.\u201d<\/p>\n<p>Complexo, mas trat\u00e1vel<\/p>\n<p>A complexidade do c\u00e2ncer \u2014 com sua desconcertante variedade de formas \u2014 torna dif\u00edcil o desenvolvimento de tratamentos. Criar vacinas ou testar medicamentos preventivos para uma doen\u00e7a que pode levar 15 anos para se manifestar \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, uma tarefa demorada.<\/p>\n<p>Esses obst\u00e1culos ajudam a explicar por que o progresso contra a doen\u00e7a costuma ocorrer de forma gradual, e n\u00e3o por meio de avan\u00e7os espetaculares. Os benef\u00edcios abrangentes das grandes medidas de sa\u00fade p\u00fablica \u2014 como a redu\u00e7\u00e3o do tabagismo ou a melhoria da higiene alimentar \u2014 j\u00e1 foram colhidos, ao menos nos pa\u00edses ricos.<\/p>\n<p>Desenvolver tratamentos preventivos, combinando subgrupos espec\u00edficos de pacientes com uma leque mut\u00e1vel de terapias, inevitavelmente exigir\u00e1 um esfor\u00e7o de tentativa e erro. Mas os cientistas est\u00e3o avan\u00e7ando, ainda que gradualmente, na identifica\u00e7\u00e3o dos grupos com maior risco e na personaliza\u00e7\u00e3o dos tratamentos.<\/p>\n<p>Como esse processo \u00e9 cont\u00ednuo e sem um ponto final definido, ele continuar\u00e1 gerando benef\u00edcios pelas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. O c\u00e2ncer j\u00e1 se tornou uma doen\u00e7a muito menos letal do que era h\u00e1 30 anos. E, dentro de 30 anos, ser\u00e1 quase certamente menos letal do que \u00e9 hoje.<\/p>\n<p>*<strong>Reportagem do jornal The Economist<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O c\u00e2ncer \u00e9 uma doen\u00e7a assustadora e, \u00e0 primeira vista, parece mais mortal do que nunca. 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