{"id":34577,"date":"2025-08-18T16:26:06","date_gmt":"2025-08-18T16:26:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/34577\/"},"modified":"2025-08-18T16:26:06","modified_gmt":"2025-08-18T16:26:06","slug":"prematuros-sao-mais-propensos-a-apresentar-atrasos-na-fala-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/34577\/","title":{"rendered":"Prematuros s\u00e3o mais propensos a apresentar atrasos na fala, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p>Crian\u00e7as prematuras \u2014 aquelas nascidas antes de 37 semanas de gesta\u00e7\u00e3o \u2014 s\u00e3o mais propensas a apresentar um desempenho inferior em habilidades de linguagem nos primeiros 18 meses de vida, quando comparadas \u00e0s nascidas a termo. \u00c9 o que aponta uma meta-an\u00e1lise que reuniu dados de 34 estudos conduzidos em diversos pa\u00edses, envolvendo mais de 1.800 beb\u00eas, publicada em julho no peri\u00f3dico <a href=\"https:\/\/publications.aap.org\/pediatrics\/article-abstract\/156\/2\/e2024070477\/202663\/Early-Expressive-and-Receptive-Language?autologincheck=redirected\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Pediatrics<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>O nascimento prematuro \u00e9 considerado um dos principais desafios de sa\u00fade p\u00fablica global, <strong>afetando mais de 13 milh\u00f5es de beb\u00eas por ano em todo o mundo \u2013 o equivalente a cerca de 10% de todos os nascimentos<\/strong>. Esses rec\u00e9m-nascidos enfrentam um risco aumentado de diversos problemas, inclusive no desenvolvimento cerebral, o que pode impactar diretamente suas habilidades de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre 2012 e 2022, o Brasil registrou 31,3 milh\u00f5es de nascimentos, dos quais 3,53 milh\u00f5es foram prematuros, segundo <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/centrais-de-conteudo\/publicacoes\/boletins\/epidemiologicos\/edicoes\/2024\/boletim-epidemiologico-volume-55-no-13.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/strong><\/a>. \u201cEsses rec\u00e9m-nascidos passam por v\u00e1rios desafios numa idade em que o desenvolvimento ainda deveria estar acontecendo dentro do \u00fatero\u201d, observa a pediatra Romy Schimidt Brock Zacharias, coordenadora m\u00e9dica do servi\u00e7o de Neonatologia do Einstein Hospital Israelita. \u201cEles podem sofrer interven\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, enfrentar complica\u00e7\u00f5es e ficar expostos a ambientes hospitalares que impactam diretamente a aquisi\u00e7\u00e3o de habilidades, como a linguagem.\u201d<\/p>\n<p>Primeiros 18 meses <\/p>\n<p>Os resultados do estudo indicam que os prematuros t\u00eam um desenvolvimento mais lento tanto na linguagem receptiva \u2014 ou seja, a capacidade de compreender palavras \u2014 quanto na linguagem expressiva, que \u00e9 a habilidade de se expressar com sons e palavras.<\/p>\n<p>Estudos anteriores j\u00e1 haviam mostrado que crian\u00e7as prematuras tendem a obter pontua\u00e7\u00f5es mais baixas tanto em linguagem expressiva quanto receptiva, em compara\u00e7\u00e3o com aquelas nascidas a termo. No entanto, muitos deles n\u00e3o inclu\u00edam beb\u00eas ou crian\u00e7as com at\u00e9 1 ano e meio de idade.<\/p>\n<p>A nova pesquisa refor\u00e7a que <strong>os primeiros 18 meses de vida s\u00e3o uma janela cr\u00edtica para o desenvolvimento cerebral, especialmente no que diz respeito \u00e0 linguagem.<\/strong> Nessa fase, o c\u00e9rebro do beb\u00ea est\u00e1 altamente sens\u00edvel \u00e0s experi\u00eancias ambientais, o que inclui o contato humano, a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 fala e aos est\u00edmulos auditivos cotidianos. \u201cQualquer d\u00favida ou preocupa\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento deve ser discutida com o pediatra. O acompanhamento pr\u00f3ximo \u00e9 essencial\u201d, frisa a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Isso significa que estar atento aos sinais iniciais de desenvolvimento da comunica\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 fundamental observar se a crian\u00e7a reage a sons, se mostra aten\u00e7\u00e3o \u00e0 fala humana, se responde ao pr\u00f3prio nome e se come\u00e7a a demonstrar compreens\u00e3o de ordens simples. A aus\u00eancia desses sinais pode indicar a necessidade de avalia\u00e7\u00e3o especializada\u201d, afirma Romy Schimidt.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 simples identificar precocemente atrasos na linguagem. At\u00e9 porque pode haver uma varia\u00e7\u00e3o entre cada crian\u00e7a. \u201cNo entanto, os <a href=\"https:\/\/www.correiodopovo.com.br\/bellamais\/saudefeminina\/7-pontos-para-entender-o-que-acontece-nas-primeiras-horas-de-vida-do-beb%C3%AA-1.1546159\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>rec\u00e9m-nascidos<\/strong><\/a> prematuros j\u00e1 saem da UTI [unidade de terapia intensiva] neonatal com triagens auditivas ampliadas, que ajudam a detectar precocemente qualquer altera\u00e7\u00e3o auditiva que possa interferir no desenvolvimento da linguagem\u201d, observa a pediatra.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos fatores biol\u00f3gicos no c\u00e9rebro do beb\u00ea causados pela prematuridade, o estudo tamb\u00e9m aponta o ru\u00eddo no ambiente hospitalar como um poss\u00edvel fator de risco para o desenvolvimento da linguagem. \u201cO barulho excessivo ou a exposi\u00e7\u00e3o prolongada a ru\u00eddos intensos pode interferir negativamente no desenvolvimento de um c\u00e9rebro ainda imaturo. Isso atrapalha o sono do rec\u00e9m-nascido, aumenta os n\u00edveis de estresse e dificulta a diferencia\u00e7\u00e3o entre sons ambientais e fala humana\u201d, explica a m\u00e9dica do Einstein.<\/p>\n<p>Da\u00ed porque muitas UTIs neonatais j\u00e1 adotam estrat\u00e9gias para minimizar esse impacto. \u201cHoje j\u00e1 vemos medidas como a centraliza\u00e7\u00e3o de alarmes, a instala\u00e7\u00e3o de sinalizadores de som excessivo e a ado\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rios de sil\u00eancio, como o chamado \u2018hor\u00e1rio do psiu\u2019, durante o qual evitamos manipula\u00e7\u00f5es, barulho e luz intensa. Essas s\u00e3o pr\u00e1ticas simples que ajudam a criar um ambiente mais prop\u00edcio ao desenvolvimento neurol\u00f3gico e lingu\u00edstico\u201d, relata Schimidt.<\/p>\n<p>Cada caso \u00e9 um caso <\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m aponta que, em alguns casos, os prematuros conseguem \u201calcan\u00e7ar\u201d seus pares ao longo do tempo, desde que recebam o acompanhamento e os est\u00edmulos adequados. \u201c<strong>Cada crian\u00e7a \u00e9 \u00fanica.<\/strong> Mesmo em gesta\u00e7\u00f5es gemelares, vemos comportamentos e ritmos de desenvolvimento diferentes entre irm\u00e3os\u201d, pontua a pediatra.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel estabelecer uma idade exata ou um momento certo em que a crian\u00e7a prematura vai igualar seu desenvolvimento ao de uma crian\u00e7a nascida a termo. \u201cIsso depender\u00e1 de in\u00fameros fatores, como a idade gestacional ao nascimento, a gravidade das complica\u00e7\u00f5es neonatais, as condi\u00e7\u00f5es ambientais e o suporte e interven\u00e7\u00f5es recebidos\u201d, detalha.<\/p>\n<p>Um dos pontos mais importantes levantados pelos autores da meta-an\u00e1lise \u00e9 que, embora alguns beb\u00eas prematuros possam atingir marcos semelhantes aos dos beb\u00eas a termo, o atraso inicial tende a impactar o futuro escolar e social dessas crian\u00e7as se n\u00e3o for abordado a tempo. \u201cA detec\u00e7\u00e3o e o tratamento precoces s\u00e3o fundamentais porque, nessa fase, o c\u00e9rebro apresenta alta neuroplasticidade, ou seja, grande capacidade de adapta\u00e7\u00e3o\u201d, frisa a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Veja Tamb\u00e9m <\/p>\n<p>Apesar de a pesquisa revelar um padr\u00e3o de atraso no desenvolvimento da linguagem entre prematuros, \u00e9 importante ressaltar que a maioria dos estudos inclu\u00eddos focou em beb\u00eas nascidos com menos de 32 semanas de gesta\u00e7\u00e3o \u2013 os chamados muito prematuros e prematuros extremos. Em diversos casos, os beb\u00eas avaliados nasceram por volta das 30 semanas ou antes. Na pr\u00e1tica, a maioria dos nascimentos prematuros no mundo ocorre entre 34 e 36 semanas, faixa conhecida como prematuridade tardia.<\/p>\n<p>Portanto, mais pesquisas s\u00e3o necess\u00e1rias. \u201cA meta-an\u00e1lise mostra que rec\u00e9m-nascidos prematuros apresentam escores menores de linguagem receptiva em geral, mas n\u00e3o analisa o grau de estimula\u00e7\u00e3o ou interven\u00e7\u00f5es aplicadas a esses beb\u00eas\u201d, observa Romy Schimidt. \u201cAl\u00e9m disso, n\u00e3o descreve detalhes sobre habilidades pr\u00e9-verbais ou linguagem precoce, como balbucios, sons guturais [aqueles produzidos espontaneamente pelos beb\u00eas nos primeiros meses de vida] e comunica\u00e7\u00e3o gestual, o que dificulta conclus\u00f5es mais precisas.\u201d<\/p>\n<p>*Fernanda Bassette \/ Ag\u00eancia Einstein<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Crian\u00e7as prematuras \u2014 aquelas nascidas antes de 37 semanas de gesta\u00e7\u00e3o \u2014 s\u00e3o mais propensas a apresentar um&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34578,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[10924,10923,7474,1061,7722,116,32,33,117,2268],"class_list":{"0":"post-34577","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-atraso-na-fala","9":"tag-bebe-prematuro","10":"tag-bebes","11":"tag-bella-mais","12":"tag-desenvolvimento-infantil","13":"tag-health","14":"tag-portugal","15":"tag-pt","16":"tag-saude","17":"tag-saude-feminina"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34577","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34577"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34577\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34578"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34577"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34577"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34577"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}