{"id":34778,"date":"2025-08-18T18:55:11","date_gmt":"2025-08-18T18:55:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/34778\/"},"modified":"2025-08-18T18:55:11","modified_gmt":"2025-08-18T18:55:11","slug":"bolsa-perdeu-grandes-cotadas-e-o-peso-do-psi-no-pib-caiu-a-pique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/34778\/","title":{"rendered":"Bolsa perdeu grandes cotadas e o peso do PSI no PIB caiu a pique"},"content":{"rendered":"<p>        O PSI perdeu grandes cotadas e desde 2010 o seu peso no PIB caiu cerca de 9 pontos percentuais, o que demonstra a tend\u00eancia decrescente da import\u00e2ncia do mercado bolsista nacional na economia.    <\/p>\n<p>A entrada em bolsa do Novobanco acabou no \u201cthe biggest IPO that never happened\u201d, com a venda ao grupo franc\u00eas BPCE a p\u00f4r fim ao sonho da Bolsa portuguesa de ter um segundo banco cotado.<\/p>\n<p>Na bolsa portuguesa s\u00e3o mais as empresas que saem do que as que entram, o que explica a perda de peso no PIB.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 15 anos o valor do mercado de a\u00e7\u00f5es portugu\u00eas tem vindo a perder import\u00e2ncia relativa na economia nacional.<\/p>\n<p>No fim de 2010 o valor de mercado do PSI (ent\u00e3o com 20 t\u00edtulos) era de 61,6 mil milh\u00f5es de euros e o Produto Interno Bruto portugu\u00eas era de 179,6 mil milh\u00f5es de euros. O peso da capitaliza\u00e7\u00e3o bolsista no PIB era ent\u00e3o de 34,29%. Nessa altura o principal \u00edndice da Bolsa de Lisboa tinha empresas como o Banco Esp\u00edrito Santo, a Portugal Telecom, o Banco BPI, a Brisa, a Cimpor, a Inapa e a Portucel (que viria a ser a Navigator). Todas desapareceram do \u00edndice, algumas delas deixaram mesmo de existir (P T, BES e Inapa ) e outras deixaram de estar cotadas (Brisa e Cimpor).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nessa altura a Sonae tinha tr\u00eas empresas no PSI20 \u2013 a Sonae SGPS, a Sonaecom, a Sonae Ind\u00fastria. Hoje no PSI est\u00e1 apenas a Sonae SGPS.<\/p>\n<p>Um ano antes, em 2009, a Teixeira Duarte fazia parte da principal montra da bolsa nacional e, um ano depois, o Banif entrava no PSI 20. A primeira deixou de ter condi\u00e7\u00f5es para se manter e o Banif, pura e simplesmente, entrou em liquida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O peso da capitaliza\u00e7\u00e3o bolsista da bolsa portuguesa no PIB nacional caiu 8,79 pontos percentuais nos \u00faltimos 15 anos.<\/p>\n<p>Em 2010 o valor de mercado do ent\u00e3o PSI20 era de 34,29% e no primeiro semestre de 2025 o peso do atual PSI caiu para 25,5% (tendo em conta um PIB estimado de 291 mil milh\u00f5es). Isto apesar de no primeiro semestre do ano o valor do PSI ter crescido 17% influenciado pela evolu\u00e7\u00e3o das cota\u00e7\u00f5es do BCP, da EDP e da Jer\u00f3nimo Martins.<\/p>\n<p>A queda do peso do PSI na economia \u00e9 ainda maior se tivermos em conta o ano passado, onde o r\u00e1cio Market Cap \/ PIB Nominal n\u00e3o chega a 24%. Em 2024, o valor de mercado do PSI (j\u00e1 com os atuais 15 t\u00edtulos) era de 66 mil milh\u00f5es de euros. O PIB, em termos nominais (a pre\u00e7os correntes) atingiu os 284,9 mil milh\u00f5es de euros, pelo que o peso do PSI no PIB no ano passado supera ligeiramente os 23%. Muito longe dos 34,3% no long\u00ednquo ano 2010.<\/p>\n<p>Se formos mais atr\u00e1s, a 2008 (ano da crise do subprime), vemos que os 20 t\u00edtulos que compunham o PSI-20 tinham um valor de mercado de 46,36 mil milh\u00f5es e o PIB nominal nesse ano era de 179,1 mil milh\u00f5es . O peso do PSI no PIB em 2008 era ent\u00e3o de 25,9%, acima do atual peso no PIB.<\/p>\n<p>Apesar da quebra suave de 0,3% do PSI em 2024, assistiu-se a uma redu\u00e7\u00e3o acentuada da capitaliza\u00e7\u00e3o bolsista, que sofreu uma diminui\u00e7\u00e3o de 17,5%, passando de 80 mil milh\u00f5es de euros no final de 2023 para 66 mil milh\u00f5es em 31 de dezembro de 2024. Em consequ\u00eancia, a capitaliza\u00e7\u00e3o bolsista passou de 30% do PIB nominal no final de 2023 para 23,5% do PIB de 2024.<\/p>\n<p>Segundo a Maxyield, que ajudou o Jornal Econ\u00f3mico neste trabalho, esta perda de posi\u00e7\u00e3o relativa da capitaliza\u00e7\u00e3o bolsista deve-se fundamentalmente ao universo EDP, \u00e0 Jer\u00f3nimo Martins, \u00e0 Mota-Engil e \u00e0 sa\u00edda da Greenvolt do mercado bolsista.<\/p>\n<p>Desde 2022 at\u00e9 ao primeiro semestre de 2025, assistiu-se tamb\u00e9m a um ligeiro crescimento do free float.<\/p>\n<p>Em 2024 o free float m\u00e9dio, ponderado pelo peso de cada cotada no PSI, passou de 43,2% em 31 de dezembro de 2023 para 44,8% no final de 2024. Esta evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 fortemente explicada pelo BCP \u2013 pela redu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o do acionista estrat\u00e9gico Fosun, que chegou a ser de quase 30% e reduziu para 20,03% \u2013 e pela Ibersol, acompanhados da diminui\u00e7\u00e3o dos CTT e Galp resultante da pol\u00edtica de share buyback (recompra de a\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>\u201cVerifica-se que quatro cotadas continuam com um free float [capital disperso em bolsa] superior a 50% (Galp, CTT, EDP e BCP), sendo que o conjunto constitu\u00eddo pela Altri, Jer\u00f3nimo Martins, REN, NOS, Navigator e Sonae SGPS tem um free float no intervalo de 30% a 50%\u201d, refere a Maxyield.<\/p>\n<p>Olhando pelo retrovisor para 2014, ano em que se d\u00e1 a Resolu\u00e7\u00e3o do BES e que arrasta consigo a Portugal Telecom, verificamos que pela primeira vez o \u00edndice da bolsa lisboeta fica reduzido a 18 t\u00edtulos. Era a primeira vez que o PSI 20 n\u00e3o tinha os 20 t\u00edtulos que o pr\u00f3prio nome indicava. Uma tend\u00eancia que vinha para ficar, j\u00e1 que desde essa altura o PSI nunca mais voltou a ter 20 a\u00e7\u00f5es na sua composi\u00e7\u00e3o. Em 2015 chega a ficar reduzido a 17 t\u00edtulos \u2013 ano em que \u00e9 a vez do Banif ser alvo de uma medida de Resolu\u00e7\u00e3o. Desde 2010 at\u00e9 agora as empresas que entraram para o \u00edndice principal da Bolsa de Lisboa s\u00e3o irris\u00f3rias. Os CTT entraram em bolsa em 2013 com uma oferta p\u00fablica inicial (IPO), na sequ\u00eancia do processo de privatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois temos o Banco Montepio que entrou no PSI em 2016, mas saiu da bolsa em 2017. A Sonae Capital que entrara em bolsa em 2008 passa a integrar o PSI-20 em 2016, mas em 2020 sai do \u00edndice e finalmente temos o grande IPO da \u00faltima d\u00e9cada \u2013 a Greenvolt que entrou em bolsa em julho de 2021. Mas em 2024 a empresa de energias renov\u00e1veis foi comprada pelo fundo de private equity norte-americano KKR e saiu de bolsa.<\/p>\n<p><strong>Em 2024 PSI passa a ter 15 cotadas<\/strong><\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia da sa\u00edda de bolsa da Greenvolt, em 2024, o PSI deixou cair o \u201c20\u201d e passou a incluir 15 sociedades cotadas no mercado regulamento do Euronext Lisbon. Composi\u00e7\u00e3o que se mant\u00e9m at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Hoje o PSI tem 15 t\u00edtulos, na sequ\u00eancia da mudan\u00e7a de regras da Euronext.<\/p>\n<p>As regras da Euronext exigem no m\u00ednimo 100 milh\u00f5es de euros de valor bolsista em free float (capital disperso). Sendo que esse valor pode cair para 75 milh\u00f5es sem que a cotada tenha de sair do \u00edndice na revis\u00e3o trimestral. S\u00f3 na revis\u00e3o anual do \u00edndice \u00e9 que um t\u00edtulo pode sair do PSIse n\u00e3o se verificar o crit\u00e9rio dos 100 milh\u00f5es em free float. Depois cada cotada do PSI tem de ter 15% do capital em free float, mas h\u00e1 toler\u00e2ncia para que dois t\u00edtulos no PSI possam ter entre 10% e 15% na revis\u00e3o anual.<\/p>\n<p><strong>Iniciativas para chamar empresas para a bolsa h\u00e1 muitas\u2026 mas<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o faltam iniciativas para chamar as empresas portuguesas para a bolsa. Recentemente, a CMVM avan\u00e7ou com a segunda edi\u00e7\u00e3o do Sandbox Market4Growth, com o intuito de atrair mais do que as 16 empresas da primeira experi\u00eancia (que foi considerada um fracasso). Este programa foi lan\u00e7ado em novembro de 2023 para permitir \u00e0s empresas simular o acesso ao mercado de capitais portugu\u00eas sem custos e com o acompanhamento especializado da CMVM e de mais de 20 parceiros.<\/p>\n<p>Este ano h\u00e1 ainda a registar a reuni\u00e3o de l\u00edderes de mais de 160 empresas de 11 pa\u00edses europeus no programa IPOready da Euronext. O objetivo do IPOready \u00e9 apoiar as empresas que considerem uma admiss\u00e3o \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o num mercado Euronext nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>As empresas tecnol\u00f3gicas dominaram claramente o programa, representando 67% dos participantes da edi\u00e7\u00e3o de 2025, dividindo-se entre 41% de techmedia e telecomunica\u00e7\u00f5es, 13% de cleantech e 13% de healthtech.<\/p>\n<p>No grupo de empresas que participaram no IPOready de 2025 havia 18 portuguesas, o n\u00famero mais elevado de sempre.<\/p>\n<p>O IPO do Novobanco era a grande esperan\u00e7a para este ano, mas falhou com a anunciada venda ao BPCE por 6,4 mil milh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>A OCDE publicou em 2020 um relat\u00f3rio sobre o mercado de capitais portugu\u00eas, o \u201cOECD Capital Market Review of Portugal 2020 \u2013 Mobilising Portuguese Capital Markets for Investment na Growth\u201d. Nesse relat\u00f3rio a OCDE dizia que esta redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de empresas cotadas \u00e9 uma tend\u00eancia europeia, no entanto, \u201cem Portugal a redu\u00e7\u00e3o foi mais acentuada\u201d. A OCDE diz ainda que em Portugal a queda pode ser explicada pelo saldo l\u00edquido entre as \u201cpoucas\u201d entradas em bolsa e o elevado n\u00famero de sa\u00eddas. Desde 2000 que o n\u00famero de empresas que saem da Bolsa de Lisboa supera o n\u00famero de novas entradas no mercado, \u201ccom excep\u00e7\u00e3o de 2008\u201d, constatou a OCDE.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O PSI perdeu grandes cotadas e desde 2010 o seu peso no PIB caiu cerca de 9 pontos&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34779,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[7273,88,89,90,97,32,9181,33],"class_list":{"0":"post-34778","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-bolsa","9":"tag-business","10":"tag-economy","11":"tag-empresas","12":"tag-mercados","13":"tag-portugal","14":"tag-psi","15":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34778","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34778"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34778\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34779"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34778"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34778"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34778"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}