{"id":348214,"date":"2026-04-18T18:49:10","date_gmt":"2026-04-18T18:49:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/348214\/"},"modified":"2026-04-18T18:49:10","modified_gmt":"2026-04-18T18:49:10","slug":"o-dia-em-que-a-mulher-de-oscar-tomou-as-dores-dele-comigo-18-04-2026-o-mundo-e-uma-bola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/348214\/","title":{"rendered":"O dia em que a mulher de Oscar tomou as dores dele comigo &#8211; 18\/04\/2026 &#8211; O Mundo \u00c9 uma Bola"},"content":{"rendered":"<p>No <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/jornalismo\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">jornalismo<\/a>, t\u00e3o marcante quanto transmitir e\/ou publicar a not\u00edcia em si s\u00e3o as mem\u00f3rias guardadas das pessoas, dos eventos, dos lugares.<\/p>\n<p>Em meu in\u00edcio de carreira na editoria de Esporte desta <strong>Folha<\/strong>, na segunda metade dos anos 1990, fui designado para fazer reportagens de esportes ol\u00edmpicos, com enfoque principal no <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/basquete\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">basquete<\/a>.<\/p>\n<p>Desse modo, tive chance de acompanhar treinos e jogos de equipes, conversar com atletas e treinadores, deslocar-me para algumas cidades paulistas (Santo Andr\u00e9, Franca, Ribeir\u00e3o Preto, Americana, Campinas) para a cobertura de finais.<\/p>\n<p>Entrevistei gente que cresci vendo na TV, como os treinadores H\u00e9lio Rubens, Cl\u00e1udio Mortari, Maria Helena, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1997\/1\/18\/esporte\/13.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Antonio Carlos Barbosa e Antonio Carlos Vendramini<\/a> e \u00eddolos como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/esporte\/2026\/04\/a-gente-acha-que-nossos-idolos-sao-eternos-mas-nao-sao-diz-hortencia-apos-morte-de-oscar.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Hort\u00eancia<\/a>, Paula, Janeth&#8230; e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/oscar-schmidt\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Oscar Schmidt<\/a>.<\/p>\n<p>Foi um baque quando chegou a not\u00edcia, nesta sexta-feira (17), da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/esporte\/2026\/04\/morre-aos-68-anos-oscar-schmidt-o-maior-cestinha-do-basquete-brasileiro.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">morte do camisa 14<\/a>. Quando eu era garoto, nos anos 1980, camisa 14 famosa era a do Oscar, ala do basquete, n\u00e3o a do <a href=\"https:\/\/omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br\/2016\/03\/24\/futebol-perde-cruyff-o-mais-reluzente-dos-cavalos-do-carrossel-holandes\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Cruyff, craque holand\u00eas<\/a> do futebol.<\/p>\n<p>Eu jogava <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/futebol\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">futebol<\/a> e adorava ver futebol. Mas curtia tamb\u00e9m o basquete, os jogos do S\u00edrio (que rivalizava com o Monte L\u00edbano e com o Corinthians em S\u00e3o Paulo), com o Oscar e o piv\u00f4 Marquinhos Abdalla (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/esporte\/2026\/03\/primeiro-brasileiro-draftado-pela-nba-marquinhos-abdalla-morre-aos-73.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">que morreu neste ano, em mar\u00e7o<\/a>), e principalmente as partidas da sele\u00e7\u00e3o brasileira, de Oscar, Marcel, Marcelo Vido, Nilo, Cadum.<\/p>\n<p>O Oscar era espetacular, sempre foi. Ra\u00e7udo, vibrante, atl\u00e9tico. Era um show quando ele finalizava, na chamada &#8220;ponte a\u00e9rea&#8221;, com uma enterrada um passe do Carioquinha.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando na profiss\u00e3o, cerca de 15 anos depois, deparei-me com o Oscar, eu levava na carteira uma invis\u00edvel &#8220;carteirinha de f\u00e3&#8221;. Vis\u00edvel fosse, n\u00e3o seria mostrada. Meu profissionalismo nunca me permitiu tietar ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Foram poucos os encontros com o M\u00e3o Santa, que retornava ao Brasil depois de longa temporada europeia para, ainda em alt\u00edssimo n\u00edvel, encestar, encestar, encestar, por Corinthians, depois por Barueri, depois por Flamengo. N\u00e3o era incomum fazer mais de 40 pontos por jogo. Fazia muito n\u00e3o s\u00f3 porque era craque, mas porque era fominha. A bola laranja vinha e n\u00e3o voltava.<\/p>\n<p>Uma vez estive na casa dele, espa\u00e7osa e bonita, no bairro nobre de Alphaville, no final dos anos 1990, e fui muito bem recebido. N\u00e3o me lembro da pauta, por\u00e9m marcou-me ele ter relatado que seu sucesso, sua precis\u00e3o, devia-se basicamente ao esfor\u00e7o p\u00f3s-treinos, quando ficava arremessando, arremessando, arremessando.<\/p>\n<p>Disse-me que, na \u00e9poca em que migrou para a Europa, onde jogou por 14 anos (1982 a 1995), primeiro na It\u00e1lia e depois na Espanha, s\u00f3 evoluiu, para tornar-se o especialista nos arremessos de tr\u00eas pontos que todos conhecemos, porque a esposa, Cristina, ficava dia a dia ao seu lado, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/esporte\/fk08039835.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">passando-lhe as bolas<\/a>. Sem ela, assegurou-me, n\u00e3o teria conseguido.<\/p>\n<p>Outra vez, em 1998, fui ao gabinete no qual ele despachava como secret\u00e1rio de Esportes, Lazer e Recrea\u00e7\u00e3o da cidade de S\u00e3o Paulo. Achou um jeito, e tempo, de se dividir <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/esporte\/fk08039836.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">entre o esporte e a pol\u00edtica<\/a>. Era para falar sobre a proximidade dos 40 mil pontos. J\u00e1 estava, naquele momento, atr\u00e1s somente do lend\u00e1rio norte-americano Kareem Abdul-Jabbar.<\/p>\n<p>Sa\u00ed de l\u00e1 com esta conclus\u00e3o: n\u00e3o havia como se comprovar a pontua\u00e7\u00e3o que ele tinha acumulado, devido ao levantamento ser incompleto. Al\u00e9m disso, a Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Basquete n\u00e3o validava a marca.<\/p>\n<p>Contei a hist\u00f3ria nas linhas do jornal, s\u00f3 que o editor carregou a tinta no t\u00edtulo: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/esporte\/fk08039831.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">&#8220;Oscar prepara-se para \u2018falsos&#8217; 40 mil&#8221;<\/a>. Para qu\u00ea? Em um evento na semana seguinte, o de comemora\u00e7\u00e3o pela chegada aos 40 mil, fui impedido de chegar perto do Oscar. Pela Cristina. Que se doeu pelo marido. &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Tentei explicar o &#8220;falsos&#8221;, em v\u00e3o. Ela estava, se n\u00e3o ao ponto do furor, irritad\u00edssima. Percebi que Oscar tinha ci\u00eancia do que acontecia, bem como os meus colegas de of\u00edcio. Toda a imprensa tinha encampado, dado como certa, a grandiosa marca. S\u00f3 a <b>Folha<\/b> que n\u00e3o. O olhar geral para mim era condenat\u00f3rio, como se dissessem em pensamento: &#8220;Como voc\u00ea p\u00f4de? Ele \u00e9 nosso \u00eddolo!&#8221;.<\/p>\n<p>    Colunas<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Receba no seu email uma sele\u00e7\u00e3o de colunas da Folha<\/p>\n<p>Felizmente, o tempo cura certas m\u00e1goas, e Oscar voltou a falar comigo. Continuei a acompanhar sua carreira enquanto ele esteve na Grande S\u00e3o Paulo, e em uma conversa falei estar impressionado com seu novo estilo nos tiros de tr\u00eas pontos: usando a tabela. Passou a fazer isso com frequ\u00eancia, e com elevado \u00edndice de acerto. Ningu\u00e9m fazia, s\u00f3 ele.<\/p>\n<p>Dias depois, em uma partida no clube Pinheiros, eu via o jogo da arquibancada. N\u00e3o estava cheio, e Oscar me notou l\u00e1. Na jogada seguinte, recebeu a bola, a longa dist\u00e2ncia da cesta. Mirou em um segundo. Arremessou. Tabela. Barbante. Tr\u00eas pontos.<\/p>\n<p>Fiquei admirado. Ao voltar para a defesa, olhou para mim e, do alto dos seus 2,05 m, deu um aceno cordial, sorriso discreto e maroto no rosto. A mensagem: &#8220;Viu? \u00c9 f\u00e1cil&#8221;.<\/p>\n<p>Ao vivo, \u00e9 minha lembran\u00e7a mais marcante do Oscar. Junto com o pito da Cristina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"No jornalismo, t\u00e3o marcante quanto transmitir e\/ou publicar a not\u00edcia em si s\u00e3o as mem\u00f3rias guardadas das pessoas,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":348215,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[142],"tags":[57500,114,115,236,3804,1428,59604,32,33,151],"class_list":["post-348214","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-tv","tag-basquete","tag-entertainment","tag-entretenimento","tag-folha","tag-imprensa","tag-jornalismo","tag-oscar-schmidt","tag-portugal","tag-pt","tag-tv"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116427211961936697","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/348214","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=348214"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/348214\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/348215"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=348214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=348214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=348214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}