{"id":349520,"date":"2026-04-19T21:06:39","date_gmt":"2026-04-19T21:06:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/349520\/"},"modified":"2026-04-19T21:06:39","modified_gmt":"2026-04-19T21:06:39","slug":"leao-xiv-chega-a-angola-com-um-discurso-contra-a-exploracao-capitalista-dos-recursos-papa-leao-xiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/349520\/","title":{"rendered":"Le\u00e3o XIV chega a Angola com um discurso contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista dos recursos | Papa Le\u00e3o XIV"},"content":{"rendered":"<p>No seu primeiro discurso em Angola, terceira etapa da sua viagem a \u00c1frica, depois de Arg\u00e9lia e Camar\u00f5es, e que inclui ainda a Guin\u00e9 Equatorial, Le\u00e3o XIV elogiou a alegria do povo angolano, que \u201cnem mesmo as circunst\u00e2ncias mais adversas conseguiram extinguir\u201d, e pronunciou-se contra aqueles que s\u00f3 olham para Angola e para o continente africano com olhos de rapina.<\/p>\n<p>\u201cDemasiadas vezes se olhou e se olha para as vossas terras para dar, mas, mais frequentemente, para tirar algo\u201d, disse o Papa falando em portugu\u00eas com ligeiro sotaque brasileiro. \u201cQuanto sofrimento, quantas mortes, quantas cat\u00e1strofes sociais e ambientais acarretam essa l\u00f3gica extractivista. Em todas as partes do mundo, vemos como ela, no fundo, alimenta um modelo de desenvolvimento que discrimina e exclui, mas que pretende impor-se como o \u00fanico poss\u00edvel\u201d, acrescentou o santo padre.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio quebrar esta cadeia de interesses que reduz a realidade e a pr\u00f3pria vida a uma mera mercadoria\u201d, essa \u201cl\u00f3gica extractivista\u201d do capitalismo que mata e destr\u00f3i, acrescentou o santo padre perante uma plateia de diplomatas, governantes e membros da sociedade civil que encheram o novo sal\u00e3o protocolar da presid\u00eancia de Angola, inaugurado em Novembro na nova marginal de Luanda.<\/p>\n<p>Esta urg\u00eancia visa evitar que se extingam definitivamente a alegria e a capacidade de sonhar que ainda restam nas sociedades africanas, \u201conde os seus jovens, os seus pobres, ainda sonham, ainda esperam, n\u00e3o se contentam com o que j\u00e1 existe, desejam reerguer-se, preparar-se para grandes responsabilidades, empenhar-se na primeira pessoa\u201d.<\/p>\n<p>Colocando-se humildemente \u201cao servi\u00e7o das melhores for\u00e7as que animam as pessoas e as comunidades de que Angola \u00e9 um mosaico colorido\u201d, o Papa agostiniano estendeu o convite: \u201cDesejo ouvir e encorajar aqueles que j\u00e1 escolheram o bem, a justi\u00e7a, a paz, a toler\u00e2ncia e a reconcilia\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, com milh\u00f5es de homens e mulheres de boa vontade que constituem a principal riqueza deste pa\u00eds, pretendo tamb\u00e9m invocar a convers\u00e3o dos que, escolhendo caminhos opostos, impedem o seu desenvolvimento harmonioso e fraterno.\u201d<\/p>\n<p>Lembrando que a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de agora, mas j\u00e1 vem de longe e urge resolver, citou o Papa Paulo VI que, \u201cinterpretando de forma penetrante as inquietudes do mundo juvenil, denunciava j\u00e1 h\u00e1 60 anos o aspecto senil, totalmente anacr\u00f3nico, de uma civiliza\u00e7\u00e3o comercial, hedonista, materialista, que ainda tenta passar por portadora do futuro\u201d.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>\u201cEsta gera\u00e7\u00e3o aguarda outra coisa\u201d, disse Le\u00e3o XIV. Aguarda mais di\u00e1logo, porque \u201cno princ\u00edpio est\u00e1 o di\u00e1logo\u201d. Capaz de devolver a harmonia, \u201cde superar situa\u00e7\u00f5es e fen\u00f3menos de conflitualidade e inimizade que dilaceram o tecido social e pol\u00edtico de tantos pa\u00edses, fomentando a pobreza e a exclus\u00e3o\u201d. Um di\u00e1logo que \u201cn\u00e3o exclui a diverg\u00eancia\u201d, procura \u00e9 evitar o conflito.<\/p>\n<p>E aqui citou o seu antecessor, Francisco, e a sua \u201cinterpreta\u00e7\u00e3o inolvid\u00e1vel\u201d, de que uns odeiam o conflito e passam de largo, como se nada fosse \u2013 \u201clavam as m\u00e3os para continuar com a sua vida\u201d; enquanto outros, \u201centram de tal maneira no conflito que ficam prisioneiros, perdem o horizonte, projectam nas institui\u00e7\u00f5es as suas pr\u00f3prias confus\u00f5es e insatisfa\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Uma mensagem que ressoa em Angola, onde 22 anos depois da guerra civil, ainda se carrega o peso do conflito como uma assombra\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem permitido a reconcilia\u00e7\u00e3o, como <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/04\/18\/mundo\/entrevista\/arcebispo-saurimo-memoria-passado-sangrento-intolerante-exorcizada-2171423\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">referiu<\/a> o presidente da Confer\u00eancia Episcopal de Angola e S\u00e3o Tom\u00e9 (CEAST), o arcebispo de Saurimo, D. Jos\u00e9 Manuel Imbamba: \u201cVivemos muito do nosso passado sangrento, intolerante, de viol\u00eancia, e esta mem\u00f3ria deve ser exorcizada para que tenhamos coragem e ousadia de encarar os nossos novos problemas sem esses assombramentos.\u201d<\/p>\n<p>A mensagem que o sumo pont\u00edfice traz a Luanda \u00e9 que \u201ch\u00e1 uma terceira forma\u201d, que considera \u201ca mais adequada, para enfrentar o conflito\u201d: aceit\u00e1-lo, resolv\u00ea-lo e transform\u00e1-lo \u201cno elo de liga\u00e7\u00e3o de um novo processo\u201d. E dirigindo-se aos presentes na sala: \u201cN\u00e3o temais as diverg\u00eancias, nem extingais as vis\u00f5es dos jovens e os sonhos dos idosos. Saibam, sim, gerir conflitos, transformando-os em caminhos de renova\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"No seu primeiro discurso em Angola, terceira etapa da sua viagem a \u00c1frica, depois de Arg\u00e9lia e Camar\u00f5es,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":349521,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[8],"tags":[2713,1063,808,27,28,17807,15,16,59871,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,5599,811,32,23,24,33,4516,17,18,29,30,31],"class_list":["post-349520","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-principais-noticias","tag-africa","tag-angola","tag-argelia","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-camaroes","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-guine-equatorial","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-papa","tag-papa-leao-xiv","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-religiao","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116433413075634368","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/349520","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=349520"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/349520\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/349521"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=349520"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=349520"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=349520"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}