{"id":350819,"date":"2026-04-20T19:27:12","date_gmt":"2026-04-20T19:27:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/350819\/"},"modified":"2026-04-20T19:27:12","modified_gmt":"2026-04-20T19:27:12","slug":"paciente-com-doenca-renal-cronica-tem-dengue-mais-grave-20-04-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/350819\/","title":{"rendered":"Paciente com doen\u00e7a renal cr\u00f4nica tem dengue mais grave &#8211; 20\/04\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil vivenciou<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2024\/12\/no-brasil-mortes-por-dengue-em-2024-superam-total-dos-oito-anos-anteriores.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> em 2024 a pior epidemia de dengue j\u00e1 registrada na s\u00e9rie hist\u00f3rica<\/a>, iniciada no ano 2000. Foram 6,5 milh\u00f5es de casos prov\u00e1veis da doen\u00e7a e mais de 6.000 \u00f3bitos, segundo o <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/saude-de-a-a-z\/a\/aedes-aegypti\/monitoramento-das-arboviroses\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Painel de Monitoramento de Arboviroses<\/a>, uma plataforma digital do Minist\u00e9rio da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Sa\u00fade<\/a> que oferece dados atualizados de doen\u00e7as transmitidas por artr\u00f3podes, principalmente mosquitos.<\/p>\n<p>Diante de n\u00fameros t\u00e3o alarmantes, pesquisadores da Faculdade de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/medicina\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Medicina<\/a> de Botucatu (FMB), da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/unesp\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Unesp<\/a> (Universidade Estadual Paulista), em colabora\u00e7\u00e3o com a Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC), decidiram investigar o impacto da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/dengue\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">dengue<\/a> em pacientes com o sistema imunol\u00f3gico comprometido em raz\u00e3o da<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/03\/doenca-renal-avanca-no-pais-e-expoe-gargalos-de-acesso-a-diagnostico-precoce-e-a-dialise.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> doen\u00e7a renal cr\u00f4nica (DRC)<\/a>. Os resultados revelaram que indiv\u00edduos com DRC que contraem dengue t\u00eam at\u00e9 tr\u00eas vezes mais risco de morte, e duas vezes e meia mais chance de desenvolver uma forma grave da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Doen\u00e7a renal cr\u00f4nica \u00e9 um termo usado para descrever um conjunto de altera\u00e7\u00f5es na estrutura e na fun\u00e7\u00e3o dos rins, \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis por filtrar e eliminar as toxinas do organismo. A OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) avalia que, globalmente, a condi\u00e7\u00e3o afeta 10% da popula\u00e7\u00e3o. No Brasil, a preval\u00eancia em adultos \u00e9 estimada em 6,7%, triplicando em indiv\u00edduos com 60 anos ou mais. De evolu\u00e7\u00e3o lenta e muitas vezes assintom\u00e1tica, quando n\u00e3o tratada, a DRC pode levar \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o desses \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>Como a dengue \u00e9 uma doen\u00e7a de notifica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria, ou seja, todos os casos suspeitos ou confirmados devem ser informados ao Sistema de Informa\u00e7\u00f5es de Agravos e Notifica\u00e7\u00e3o (SINAN), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, os pesquisadores escolheram fazer uma an\u00e1lise populacional com base nos dados registrados no ano da epidemia. Os resultados foram publicados em janeiro deste ano na revista <a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosntds\/article?id=10.1371\/journal.pntd.0013927\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">PLOS Neglected Tropical Diseases<\/a>.<\/p>\n<p>Para o estudo, foram considerados apenas os casos confirmados de dengue por meio de exames laboratoriais ou avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, com informa\u00e7\u00f5es completas na plataforma, que totalizaram mais de 5,8 milh\u00f5es de registros. Dentre esses, foram identificados os pacientes com doen\u00e7a renal cr\u00f4nica: 30.527 ou 0,5% da amostra.<\/p>\n<p>A partir da an\u00e1lise dos dados, comprovou-se que a dengue apresenta piores desfechos em pacientes com DRC. &#8220;Para a popula\u00e7\u00e3o geral, o \u00f3bito por dengue foi de 0,1%. Quando se considera apenas os pacientes com doen\u00e7a renal cr\u00f4nica, essa porcentagem chegou a 2,2%&#8221;, afirma o m\u00e9dico Gabriel Berg de Almeida, docente do Departamento de Infectologia, Dermatologia, Diagn\u00f3stico por Imagem e Radioterapia da Faculdade de Medicina de Botucatu e um dos autores do artigo.<\/p>\n<blockquote class=\"c-quote\">\n<p class=\"c-quote__content\">Para a popula\u00e7\u00e3o geral, o \u00f3bito por dengue foi de 0,1%. Quando se considera apenas os pacientes com doen\u00e7a renal cr\u00f4nica, essa porcentagem chegou a 2,2%<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Outro dado importante obtido foi em rela\u00e7\u00e3o ao agravamento da doen\u00e7a. Enquanto o \u00edndice de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/02\/sobreviventes-de-dengue-grave-relatam-drama-vivido-por-diagnostico-correto-e-tratamento.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">dengue grave<\/a> na popula\u00e7\u00e3o geral ficou em 0,1%, entre os pacientes com doen\u00e7a renal cr\u00f4nica foi de 1,6%. Dados corroborados pelo \u00edndice de hospitaliza\u00e7\u00e3o. &#8220;Entre os pacientes com DRC, 14% necessitaram de hospitaliza\u00e7\u00e3o. Na popula\u00e7\u00e3o geral esse \u00edndice ficou em 4%, uma diferen\u00e7a bem importante&#8221;, pontua Berg.<\/p>\n<p>Tratamento dos n\u00fameros e resultados<\/p>\n<p>Os dados brutos, obtidos por meio da an\u00e1lise dos casos registrados no SINAN, indicaram uma diferen\u00e7a consider\u00e1vel na evolu\u00e7\u00e3o da dengue em pacientes com e sem doen\u00e7a renal cr\u00f4nica. Os autores do artigo explicam, entretanto, que foi preciso considerar que o paciente renal cr\u00f4nico \u00e9 comumente mais velho e apresenta outras comorbidades associadas, como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/03\/hipertensao-e-doenca-silenciosa-e-rastreio-e-falho-no-brasil-afirmam-especialistas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">hipertens\u00e3o<\/a> e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/03\/universalizacao-do-atendimento-e-desafio-para-tratar-diabetes-no-sus-dizem-especialistas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">diabetes<\/a>, o que poderia interferir nos resultados.<\/p>\n<p>Para evitar distor\u00e7\u00f5es, os pesquisadores utilizaram dois m\u00e9todos estat\u00edsticos para o tratamento dos dados brutos, a Pondera\u00e7\u00e3o pelo Inverso da Probabilidade de Tratamento (IPTW) e a Regress\u00e3o Log\u00edstica Multivariada. &#8220;Usamos o IPTW para balancear as popula\u00e7\u00f5es de forma a se tornarem compar\u00e1veis.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o geral e a popula\u00e7\u00e3o com doen\u00e7a renal cr\u00f4nica foram ajustadas para todas as outras vari\u00e1veis de sexo, idade, n\u00edvel socioeducativo e para as outras comorbidades, como hipertens\u00e3o, diabetes, doen\u00e7a hematol\u00f3gica&#8221;, explica Berg. &#8220;Ainda assim, quando fizemos a Regress\u00e3o Log\u00edstica Multivariada [segundo m\u00e9todo], vimos que a doen\u00e7a renal isolada tem um impacto importante&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, a conclus\u00e3o ap\u00f3s a an\u00e1lise estat\u00edstica \u00e9 de que a doen\u00e7a renal, por si s\u00f3, triplica o risco de morte e aumenta em duas vezes e meia a chance de a dengue se tornar grave, independentemente de qualquer outra condi\u00e7\u00e3o do paciente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, esse paciente tamb\u00e9m d\u00e1 sinais de que provavelmente precisar\u00e1 de acompanhamento mais especializado. Isso porque o estudo tamb\u00e9m identificou que portadores de DRC apresentam mais sintomas caracter\u00edsticos da dengue, como n\u00e1useas, dor nas costas, dor nos olhos e ocorr\u00eancia de prova do la\u00e7o positivo, nome dado para o exame que avalia a fragilidade capilar e risco de complica\u00e7\u00f5es hemorr\u00e1gicas. &#8220;Esses s\u00e3o sinais cl\u00ednicos que mostram que o paciente pode desenvolver um quadro mais grave da doen\u00e7a&#8221;, afirma o pesquisador da FMB.<\/p>\n<p>Apesar do volume de dados analisados, os autores do estudo tamb\u00e9m alertam para a necessidade de se considerar que, em raz\u00e3o de as informa\u00e7\u00f5es do SINAN serem alimentadas somente por profissionais da sa\u00fade, a doen\u00e7a renal cr\u00f4nica ainda pode estar subnotificada, com a indica\u00e7\u00e3o apenas de casos clinicamente reconhecidos, excluindo-se, por exemplo, indiv\u00edduos com graus leves de dano renal.<\/p>\n<p>Berg afirma que na literatura m\u00e9dica j\u00e1 haviam estudos que apontavam um risco maior de agravamento da dengue e \u00f3bito em doentes renais cr\u00f4nicos, mas nenhum com um n\u00famero t\u00e3o expressivo de pacientes analisados. &#8220;Apesar de serem dados secund\u00e1rios, obtidos por meio de base de dados, \u00e9 importante destacar que o Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses que t\u00eam essas bases mais robustas, por conta do tamanho do SUS, da sua capilaridade e do acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o&#8221;, destaca. &#8220;N\u00f3s somos um pa\u00eds privilegiado em termos de notifica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria e de an\u00e1lise epidemiol\u00f3gica&#8221;, ressalta o docente.<\/p>\n<p>Os autores destacam que estudos anteriores indicavam que indiv\u00edduos com doen\u00e7a renal cr\u00f4nica s\u00e3o mais suscet\u00edveis a desfechos adversos de doen\u00e7as infecciosas como a dengue, devido \u00e0 sua resposta imune enfraquecida, um estado de inflama\u00e7\u00e3o sist\u00eamica cr\u00f4nico e pela presen\u00e7a frequente de outras comorbidades, como diabetes e hipertens\u00e3o.<\/p>\n<p>Indica\u00e7\u00f5es a partir do estudo<\/p>\n<p>Diante do risco aumentado de morte e de agravamento da dengue, o estudo deixa claro que os pacientes renais cr\u00f4nicos precisam ser reconhecidos como uma popula\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel durante os surtos da doen\u00e7a no pa\u00eds. Uma das propostas de a\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica feita pelos pesquisadores \u00e9 a inclus\u00e3o dessa popula\u00e7\u00e3o no grupo priorit\u00e1rio para receber a vacina contra a dengue. No final do ano passado, a Anvisa autorizou a aplica\u00e7\u00e3o do medicamento e em janeiro deste ano ela come\u00e7ou a ser aplicada inicialmente em profissionais da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade. Posteriormente a vacina ser\u00e1 aplicada na popula\u00e7\u00e3o entre 12 a 59 anos.<\/p>\n<p>Outra a\u00e7\u00e3o sugerida pelos autores do estudo \u00e9 que os renais cr\u00f4nicos tenham prioridade nos atendimentos e sejam avaliados com rigor, seguindo o protocolo de atendimento sistematizado para pacientes com dengue.<\/p>\n<p>Atualmente, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade orienta que esses pacientes sejam divididos em quatro grupos cl\u00ednicos: A, B, C e D. No grupo A, explica o docente, est\u00e3o pacientes que n\u00e3o t\u00eam nenhuma comorbidade, enquanto no outro extremo, o grupo D, est\u00e3o pacientes grav\u00edssimos que precisam de UTI. O grupo B inclui os pacientes que est\u00e3o bem, mas t\u00eam algum fator que pode causar o agravamento do quadro, como gestantes, idosos, pacientes cardiopatas, hipertensos, diab\u00e9ticos. &#8220;Hoje n\u00e3o existe a inclus\u00e3o do doente renal cr\u00f4nico nessa categoria. Nossa sugest\u00e3o \u00e9 que esse paciente seja visto como as outras comorbidades dentro desse fluxo do programa de atendimento&#8221;, completa.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Brasil vivenciou em 2024 a pior epidemia de dengue j\u00e1 registrada na s\u00e9rie hist\u00f3rica, iniciada no ano&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":350820,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[1896,1891,236,116,15379,1208,32,33,117,15380],"class_list":["post-350819","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-aedes-aegypti","tag-dengue","tag-folha","tag-health","tag-jornal-da-unesp","tag-medicina","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-unesp"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116438685847553360","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/350819","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=350819"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/350819\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/350820"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=350819"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=350819"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=350819"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}