{"id":35655,"date":"2025-08-19T10:15:07","date_gmt":"2025-08-19T10:15:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/35655\/"},"modified":"2025-08-19T10:15:07","modified_gmt":"2025-08-19T10:15:07","slug":"a-primeira-gravidez-um-misterio-com-100-milhoes-de-anos-que-a-ciencia-esta-a-desvendar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/35655\/","title":{"rendered":"A primeira gravidez: Um mist\u00e9rio com 100 milh\u00f5es de anos que a ci\u00eancia est\u00e1 a desvendar"},"content":{"rendered":"<p>Investigadores descobrem como surgiu a maravilhosa liga\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e beb\u00e9 \u2013 e sinais moleculares que ligam m\u00e3e ao feto<\/p>\n<p>Num estudo que parece sa\u00eddo de um livro de hist\u00f3rias sobre a vida, uma equipa internacional de cientistas, liderada pela Universidade de Viena, acaba de revelar pistas fascinantes sobre a origem da gravidez tal como a conhecemos \u2013 e o protagonista inesperado desta viagem evolutiva \u00e9 o pequeno e curioso gamb\u00e1, um marsupial que nos ajuda a recuar no tempo para entender como tudo come\u00e7ou.<\/p>\n<p>Publicado na prestigiada revista Nature Ecology &amp; Evolution, o estudo analisou o ponto onde duas vidas se encontram: o local m\u00e1gico no \u00fatero onde o beb\u00e9 (atrav\u00e9s da placenta) se liga \u00e0 m\u00e3e. \u00c9 ali que acontece um verdadeiro bailado biol\u00f3gico, em que se trocam nutrientes, hormonas e sinais gen\u00e9ticos \u2013 tudo sem que o corpo da m\u00e3e rejeite este \u201cpequeno estranho\u201d que carrega dentro de si.<\/p>\n<p>Uma conversa celular com 100 milh\u00f5es de anos<\/p>\n<p>Para descobrir como esta liga\u00e7\u00e3o t\u00e3o delicada evoluiu, os cientistas estudaram seis esp\u00e9cies de mam\u00edferos \u2013 de ratinhos e porquinhos-da-\u00edndia a humanos, passando por primatas e at\u00e9 um animal pouco conhecido chamado<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Tenrecidae\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> tenreque<\/a> \u2014 (um mam\u00edfero placent\u00e1rio primitivo). Mas o mais especial de todos foi o gamb\u00e1: como marsupial, ele separou-se do ramo dos mam\u00edferos placent\u00e1rios muito cedo, o que o torna uma esp\u00e9cie \u201cjanela para o passado\u201d.<\/p>\n<p>Ao analisar c\u00e9lulas individuais destes animais com uma t\u00e9cnica chamada transcript\u00f3mica de c\u00e9lula \u00fanica (que permite ver quais genes est\u00e3o ativos em cada c\u00e9lula), os investigadores criaram uma esp\u00e9cie de \u201catlas celular\u201d da gravidez nos mam\u00edferos. Assim, conseguiram identificar quais c\u00e9lulas s\u00e3o respons\u00e1veis por qu\u00ea \u2013 desde as que formam a placenta e invadem o \u00fatero, \u00e0s c\u00e9lulas maternas que respondem a essa presen\u00e7a fetal.<\/p>\n<p>E a surpresa? Certos padr\u00f5es gen\u00e9ticos ligados ao comportamento invasivo das c\u00e9lulas da placenta existem h\u00e1 mais de 100 milh\u00f5es de anos! Ou seja, muito antes de existirem seres humanos, j\u00e1 havia este tipo de comunica\u00e7\u00e3o sofisticada entre m\u00e3e e beb\u00e9 em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Gravidez: um pacto de coopera\u00e7\u00e3o (com pequenos conflitos!)<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m testou duas ideias sobre como m\u00e3e e feto se entendem (ou nem por isso):<\/p>\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>A Hip\u00f3tese da Desambigua\u00e7\u00e3o<\/strong>: sugere que, com o tempo, os sinais hormonais foram sendo claramente \u201crotulados\u201d como sendo da m\u00e3e ou do feto, para evitar mal-entendidos. E sim, os dados confirmam que certas mensagens (como prote\u00ednas WNT, hormonas e sinais imunit\u00e1rios) v\u00eam de uma origem bem definida.<\/li>\n<li><strong>A Hip\u00f3tese da Escalada<\/strong> (ou \u201cConflito Gen\u00f3mico\u201d): prop\u00f5e que existe uma esp\u00e9cie de jogo de for\u00e7as \u2013 o feto tenta crescer o mais poss\u00edvel, enquanto a m\u00e3e tenta controlar os recursos. Aqui, houve alguma evid\u00eancia, especialmente no gene IGF2, que estimula o crescimento. Mas no geral, os cientistas viram mais sinais de coopera\u00e7\u00e3o do que conflito.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Como explica Daniel Stadtmauer, um dos autores principais:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cTalvez n\u00e3o devamos perguntar se a gravidez \u00e9 conflito ou coopera\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Do laborat\u00f3rio para o futuro da medicina<\/p>\n<p>Mais do que um estudo sobre biologia antiga, esta investiga\u00e7\u00e3o mostra como t\u00e9cnicas modernas podem ajudar a desvendar os segredos da evolu\u00e7\u00e3o \u2013 e at\u00e9 a melhorar o nosso entendimento sobre complica\u00e7\u00f5es na gravidez, como a pr\u00e9-ecl\u00e2mpsia ou partos prematuros.<\/p>\n<p>\u201cA nossa abordagem permite ver a evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de esp\u00e9cies, mas de c\u00e9lulas e tecidos inteiros\u201d, afirma Silvia Basanta, coautora do estudo. \u201c\u00c9 como assistir a milh\u00f5es de anos de hist\u00f3ria acontecer ao microsc\u00f3pio.\u201d<\/p>\n<p>O trabalho foi desenvolvido em colabora\u00e7\u00e3o com investigadores da Universidade de Yale (EUA) e financiado por entidades como a Funda\u00e7\u00e3o John Templeton e o Fundo Austr\u00edaco para a Ci\u00eancia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41559-025-02748-x\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Estudo completo aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Investigadores descobrem como surgiu a maravilhosa liga\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e beb\u00e9 \u2013 e sinais moleculares que ligam m\u00e3e&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":35656,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-35655","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35655","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35655"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35655\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35656"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35655"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35655"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35655"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}