{"id":35697,"date":"2025-08-19T10:47:07","date_gmt":"2025-08-19T10:47:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/35697\/"},"modified":"2025-08-19T10:47:07","modified_gmt":"2025-08-19T10:47:07","slug":"explosao-de-burlas-portugal-corre-atras-do-prejuizo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/35697\/","title":{"rendered":"Explos\u00e3o de burlas. Portugal corre atr\u00e1s do preju\u00edzo"},"content":{"rendered":"<p>Haver\u00e1 algu\u00e9m que tenha escapado a burlas ou tentativas de burla nos \u00faltimos meses \u2014 ou que n\u00e3o saiba de casos a envolverem amigos e familiares? H\u00e1 dias, no parque de estacionamento do centro comercial Alegro, em Alfragide, nos sub\u00farbios de Lisboa, um automobilista foi acusado de embater num carro em que seguia um casal de \u00f3bvios burl\u00f5es. O casal, de 50 e muitos anos, parou o seu carro e apeou-se aos berros, acusando o outro condutor, pouco mais ou menos da mesma idade, de supostamente ter colidido contra o deles ao tentar estacionar. O acusado nem conseguia articular a sua defesa, de tal forma foi apanhado de surpresa pela situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quem assistiu ao epis\u00f3dio, e o relatou ao nosso jornal, garante que se tratou de um esquema. Os burl\u00f5es insistiam, com grande l\u00e1bia, que o outro lhes teria feito uma mossa no autom\u00f3vel. Mas a mossa que exibiam estava na parte frontal direita, precisamente o lado oposto \u00e0quele em que o acusado tinha tentado estacionar. Quando o casal disse ao homem que ele poderia pagar uma certa quantia em dinheiro para sanar ali o diferendo, ele decidiu chamar a pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Abordagens criminosas como esta est\u00e3o em crescendo. A PSP descreve-as como \u00abburlas por falsos acidentes de via\u00e7\u00e3o\u00bb e avisa que se trata de uma nova forma de burla, em fun\u00e7\u00e3o da \u00abevolu\u00e7\u00e3o dos tempos e da pr\u00f3pria sociedade\u00bb.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo a PSP, \u00aba burla por falso acidente \u00e9 exercida de modo presencial, elegendo aos seus autores caracter\u00edsticas psicol\u00f3gicas e comportamentais como manipula\u00e7\u00e3o, falta de empatia e persuas\u00e3o, caracter\u00edsticas estas que lhes permitem agir com destreza para enganar e surpreender a boa-f\u00e9 da sua potencial v\u00edtima\u00bb.\u00a0<\/p>\n<p>Os conselhos desta for\u00e7a de seguran\u00e7a s\u00e3o dois, essencialmente: desconfiar e n\u00e3o pagar nada. Al\u00e9m disso, a v\u00edtima deve reter o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para depois poder apresentar uma queixa fundamentada junto das autoridades: caracter\u00edsticas da viatura implicada e caracter\u00edsticas f\u00edsicas dos suspeitos \u2014 idade, altura, roupa, modo de falar, tatuagens, etc.<\/p>\n<p>Em 2021, houve 86 den\u00fancias de burla por falso acidente, dizem os registos da PSP. Em 2022, 109. Em 2023, 129. No ano passado registou-se o valor recorde de 190.<\/p>\n<p><strong>Sangria da contabanc\u00e1ria\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias de julho, dois suspeitos foram detidos pela PSP em Lisboa. Um de 24 anos e outro de 20. Alegadamente dedicavam-se a esta jogada de forma sistem\u00e1tica desde janeiro, em colabora\u00e7\u00e3o com outros visados no mesmo processo. Escolhiam alvos de idade avan\u00e7ada e pediam-lhes quantias em dinheiro ou coagiam-nas a irem a ag\u00eancias banc\u00e1rias para lhes transferirem elevadas somas.<\/p>\n<p>Ao cabo de sete meses, antes de serem apanhados, os suspeitos apropriaram-se de cerca de 60 mil euros de pelo menos 11 idosos. Num dos casos, a v\u00edtima ficou sem 25 mil euros na conta. At\u00e9 que os filhos se aperceberam da \u00absangria de dinheiro da conta banc\u00e1ria\u00bb do pai.<\/p>\n<p>Este \u00e9 apenas um exemplo de uma burla nova com atua\u00e7\u00e3o \u00e0 antiga: cara a cara, na rua, com o objetivo de subtrair dinheiro vivo \u00e0s v\u00edtimas. No entanto, \u00e9 atrav\u00e9s da internet que se tem vindo a criar um submundo de impostores que atacam milhares ou milh\u00f5es de pessoas, levando-as ao engano.<\/p>\n<p><strong>\u00abRecuperar valores \u00e9 dif\u00edcil\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>\u00abInfelizmente as burlas t\u00eam vindo a aumentar, sobretudo com o crescimento das tecnologias digitais\u00bb, sublinha ao Nascer do SOL a jurista Paula Eir\u00f3 Pratinha, da Quor Advogados, com escrit\u00f3rios no Porto, em Braga e Esposende. \u00abTodas as semanas temos reuni\u00f5es em que ajudamos e aconselhamos clientes a ultrapassar novas situa\u00e7\u00f5es. As redes sociais, o com\u00e9rcio online e a desmaterializa\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os criaram oportunidades para a pr\u00e1tica destes crimes\u00bb, revela a advogada. Al\u00e9m do mais, \u00aba desinforma\u00e7\u00e3o e a falta de literacia digital, e por vezes at\u00e9 a falta de literacia financeira, em algumas camadas da popula\u00e7\u00e3o tornam as pessoas mais vulner\u00e1veis\u00bb.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que muitas das v\u00edtimas s\u00e3o pessoas de meia-idade ou idosas, menos familiarizadas com o funcionamento das plataformas digitais. Mas n\u00e3o s\u00f3. \u00abAs fraudes e burlas podem acontecer a qualquer cidad\u00e3o que num momento de distra\u00e7\u00e3o ou confian\u00e7a excessiva acabe por ser enganado\u00bb, nota Paula Eir\u00f3 Pratinha. Quanto aos criminosos, \u00abpodem variar bastante, desde indiv\u00edduos isolados at\u00e9 redes organizadas, muitas vezes transnacionais\u00bb.<\/p>\n<p>Quem visita sites que prometem lucros extraordin\u00e1rios, ou adere a grupos em redes sociais para oportunidades de neg\u00f3cio, deve ter aten\u00e7\u00e3o redobrada. Porque depois de se cair num esquema destes \u00e9 complicado encontrar os autores e, mais ainda, reaver o dinheiro perdido.<\/p>\n<p>\u00abNa maioria dos casos, recuperar os bens ou valores \u00e9 dif\u00edcil\u00bb, explica Paula Eir\u00f3 Pratinha. \u00abOs autores utilizam m\u00e9todos para ocultar a identidade e dissipar rapidamente os valores obtidos. Mesmo encontrando os suspeitos e sendo constitu\u00eddos arguidos, mesmo o procedimento criminal sendo levado at\u00e9 ao fim e havendo uma condena\u00e7\u00e3o penal, a indemniza\u00e7\u00e3o c\u00edvel nem sempre \u00e9 eficaz, sobretudo quando o autor do crime n\u00e3o tem patrim\u00f3nio ou reside fora de Portugal\u00bb.<\/p>\n<p><strong>F\u00e9rias estragadas<\/strong><\/p>\n<p>O arrendamento de casas de f\u00e9rias \u00e9 um bom exemplo de burla atrav\u00e9s da internet. Segundo a GNR, entre janeiro e junho deste ano foram registados 44 casos \u2014 na \u00e1rea de responsabilidade territorial da Guarda. No topo da lista est\u00e3o os distritos de Faro, com 11 casos, e de Braga, com oito.<\/p>\n<p>Por regra, os criminosos publicam na internet an\u00fancios de arrendamento de im\u00f3veis com pre\u00e7os muito apelativos. Os an\u00fancios t\u00eam fotografias verdadeiras das casas, mas as informa\u00e7\u00f5es e o contexto s\u00e3o falsos.<\/p>\n<p>A v\u00edtima s\u00f3 percebe que foi burlada algum tempo mais tarde. Tenta contactar o suposto senhorio, mas o contacto j\u00e1 n\u00e3o funciona. Ou vai procurar e a morada que lhe foi fornecida n\u00e3o corresponde ao im\u00f3vel do an\u00fancio. Entretanto j\u00e1 transferiu para os burl\u00f5es um determinado montante que estes lhe pediram a t\u00edtulo de sinal.<\/p>\n<p>A GNR deteve, no primeiro semestre, 12 pessoas suspeitas de burlas com casas de f\u00e9rias e identificou 33 suspeitos. A Guarda garante estar \u00abatenta a este tipo de criminalidade\u00bb e levar a cabo \u00aba\u00e7\u00f5es preventivas e de sensibiliza\u00e7\u00e3o, sobretudo junto da popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel\u00bb.<\/p>\n<p>No ano passado houve 2.467 situa\u00e7\u00f5es de burla na aquisi\u00e7\u00e3o ou arrendamento de bens im\u00f3veis, mostram as Estat\u00edsticas da Justi\u00e7a, da Dire\u00e7\u00e3o-Geral da Pol\u00edtica de Justi\u00e7a. Estat\u00edsticas baseadas nos crimes registados pelas autoridades policiais, o que significa que h\u00e1 mais casos do que os denunciados, pois nem todas as pessoas apresentam queixa. N\u00e3o se consegue dizer como tem sido a evolu\u00e7\u00e3o porque at\u00e9 2024 este tipo de crime n\u00e3o aparece discriminado nas estat\u00edsticas.<\/p>\n<p><strong>EDP enfrenta burlas<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 bem conhecido \u00e9 o caso das falsas d\u00edvidas. A pessoa recebe um SMS com refer\u00eancias multibanco para pagar uma fatura da EDP Comercial, sob aviso de corte de energia. Em geral, as mensagens s\u00e3o enviadas em simult\u00e2neo para milhares de pessoas, mesmo que nem sejam clientes da eletricidade e do g\u00e1s daquela comercializadora. \u00c9 tudo falso. O objetivo \u00e9 o de sacar valores das supostas faturas pendentes \u2014 geralmente entre 115 e 150 euros.<\/p>\n<p>Por causa deste estratagema, que dura h\u00e1 anos, a EDP Comercial estabeleceu em janeiro uma \u00abparceria estrat\u00e9gica\u00bb com a SIBS, que gere a rede multibanco em Portugal. A parceria consistiu na \u00abcria\u00e7\u00e3o de um canal direto entre a EDP e a SIBS, levando a que esta entidade consiga cancelar as refer\u00eancias fraudulentas de pagamento que foram reportadas pelos consumidores \u00e0 EDP\u00bb, diz-nos uma porta-voz da empresa.<\/p>\n<p>A mesma fonte adianta que entre janeiro e julho a EDP recebeu cerca de 3.500 den\u00fancias de tentativas de burla em nome da empresa, o que representa uma redu\u00e7\u00e3o de 71% dos casos reportados, face ao mesmo per\u00edodo de 2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Haver\u00e1 algu\u00e9m que tenha escapado a burlas ou tentativas de burla nos \u00faltimos meses \u2014 ou que n\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":35698,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[27,28,2852,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-35697","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-principais-noticias","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-burlas","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-headlines","14":"tag-latest-news","15":"tag-latestnews","16":"tag-main-news","17":"tag-mainnews","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-portugal","23":"tag-principais-noticias","24":"tag-principaisnoticias","25":"tag-pt","26":"tag-top-stories","27":"tag-topstories","28":"tag-ultimas","29":"tag-ultimas-noticias","30":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35697","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35697"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35697\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35698"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35697"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35697"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35697"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}