{"id":357044,"date":"2026-04-25T14:26:23","date_gmt":"2026-04-25T14:26:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/357044\/"},"modified":"2026-04-25T14:26:23","modified_gmt":"2026-04-25T14:26:23","slug":"se-aquilo-abrisse-era-o-fim-manuel-tinha-23-anos-quando-tirou-marcello-caetano-do-largo-do-carmo-na-bula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/357044\/","title":{"rendered":"Se aquilo abrisse, era o fim&#8221;. Manuel tinha 23 anos quando tirou Marcello Caetano do Largo do Carmo na &#8220;Bula"},"content":{"rendered":"<p>\t                No interior de uma chaimite fechada a ferros, cercada por uma multid\u00e3o em f\u00faria, a Hist\u00f3ria portuguesa fez-se em &#8220;sil\u00eancio absoluto&#8221;. De um lado, o homem que governara um pa\u00eds em ditadura; do outro um furriel de 23 anos, an\u00f3nimo at\u00e9 ent\u00e3o, com a ordem clara de garantir que ningu\u00e9m faria justi\u00e7a pelas pr\u00f3prias m\u00e3os. Entre gritos de &#8220;morte&#8221; e punhos a bater no metal, decidiu\u2011se o destino de um regime e abriu\u2011se o caminho para a liberdade. Esta \u00e9 a mem\u00f3ria viva de quem esteve no centro do 25 de Abril &#8211; onde o medo e a coragem caminharam lado a lado para mudar Portugal para sempre<\/p>\n<p>J\u00e1 passava das sete da tarde de 25 de abril de 1974 quando Marcello Caetano desceu os degraus do Quartel do Carmo e entrou na chaimite MG-48-04 &#8220;Bula&#8221;, que o esperava com o motor ligado, cercada por milhares de pessoas. A viatura era comandada por Manuel Correia da Silva, ent\u00e3o furriel miliciano de apenas 23 anos. Do homem que, horas antes, governava o pa\u00eds, ouviu apenas tr\u00eas palavras:<\/p>\n<p>\u00a0&#8220;\u00c9 a vida&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 dentro da viatura, fechadas as escotilhas, sentou-se\u00a0ao lado do chefe do Governo deposto, que recorda de gravata desapertada, visivelmente cansado, mas sem sinais de p\u00e2nico. &#8220;Vinha com um ar de muito cansa\u00e7o, mas com a pose de um verdadeiro estadista. Sabia que j\u00e1 n\u00e3o podia fazer mais nada&#8221;, descreve \u00e0 CNN Portugal.<\/p>\n<p>Uma multid\u00e3o a gritar &#8220;morte, morte, morte&#8221; <\/p>\n<p>\u00c0 sua volta, tamb\u00e9m dentro da &#8220;Bula&#8221;, o ambiente era, no entanto, outro. Ru\u00ed Patr\u00edcio e Moreira Baptista, at\u00e9 ent\u00e3o ministros dos Neg\u00f3cios Estrangeiros e do Interior, estavam &#8220;completamente aterrados, aos solu\u00e7os de tanto chorar&#8221;, enquanto do exterior chegavam gritos incessantes &#8211; &#8220;Morte ao fascismo! Morte ao Marcello Caetano! Morte aos ministros!&#8221;. &#8220;Uma viatura daquelas, com toneladas, abanava toda. Eram milhares de pessoas a empurrar.\u00a0Se aquilo abrisse, era o fim, o povo fazia justi\u00e7a pelas pr\u00f3prias m\u00e3os&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Correia da Silva lembra-se &#8220;como se fosse hoje&#8221; do barulho de punhos, p\u00e9s e de objetos a bater na chaimite. Apesar da robustez e da seguran\u00e7a garantida pelas escotilhas &#8211; que uma vez fechadas, a viatura n\u00e3o podia ser aberta por fora &#8211; o medo era inevit\u00e1vel para quem seguia detido: &#8220;Imagine aquelas milhares de pessoas todas a gritar &#8216;morte, morte, morte&#8217;. Aquilo batia medo, claro que batia medo. Quem ia assim preso n\u00e3o era para menos n\u00e3o estar com receio de ser linchado&#8221;.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"401\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/69eb7251d34e28842c834a42.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   O momento em que a chaimite &#8220;Bula&#8221; se prepara para sair do Quartel do Carmo. Fotografia de Alfredo Cunha publicada no livro &#8220;Os Rapazes dos Tanques&#8221;, editado pela Porto Editora (Cortesia Porto Editora) <\/p>\n<p>As ordens, dadas diretamente por Salgueiro Maia, eram claras: &#8220;Chamou-me ainda na rampa e disse-me: &#8216;Neste momento, a ordem \u00e9 para\u00a0total seguran\u00e7a dos membros do governo deposto. N\u00e3o se abre a porta a ningu\u00e9m at\u00e9 serem entregues no posto de comando'&#8221;.\u00a0E foi isso que o furriel cumpriu, limitando a sua intera\u00e7\u00e3o a uma tentativa de tranquilizar os ocupantes &#8211; &#8220;disse-lhes que n\u00e3o havia perigo nenhum&#8221; &#8211; enquanto, no exterior, a tens\u00e3o n\u00e3o cedia. Durante mais de uma hora, a chaimite permaneceu imobilizada\u00a0no Largo do Carmo, incapaz de avan\u00e7ar perante uma multid\u00e3o que n\u00e3o arredava p\u00e9. &#8220;Para sair foi um pandem\u00f3nio. Eram aos milhares ali a gritar&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 come\u00e7ou a desbloquear com a interven\u00e7\u00e3o do advogado e oposicionista Francisco Sousa Tavares, que, ajudado pelo pr\u00f3prio militar a subir a uma guarita met\u00e1lica da GNR, fez um apelo decisivo \u00e0 calma. &#8220;Estas m\u00e3os que est\u00e3o aqui seguraram nas pernas dele e ajudaram-no a subir. Ele tinha\u00a0o dom da palavra e fez\u00a0uma interven\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica. Disse que aqueles homens n\u00e3o dormiam h\u00e1 dias, que estavam sem comer, e pediu uma grande manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica.&#8221;<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"403\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/69ea62b9d34edcee7c636459.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   O momento do apelo de Francisco Sousa Tavares no Largo do Carmo (Foto: Carlos Gil\/ Casa Comum) <\/p>\n<p>A partir desse momento, abriu-se lentamente espa\u00e7o para a viatura sair em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Pontinha, onde funcionava o posto de comando do Movimento dos Capit\u00e3es. Depois de uma viagem feita em sil\u00eancio, os detidos foram entregues ao comandante, &#8220;que estava na entrada depois da porta das armas&#8221;, enquanto se confirmava que Ant\u00f3nio de Sp\u00ednola assumiria a transi\u00e7\u00e3o do poder.<\/p>\n<p>Dias antes, por\u00e9m,\u00a0Correia da Silva n\u00e3o tinha como imaginar a dimens\u00e3o hist\u00f3rica do que estava prestes a acontecer. No entanto, desde a Intentona das Caldas &#8211; o golpe falhado\u00a0a 16 de mar\u00e7o do mesmo ano contra o Governo, que resultou na pris\u00e3o de dezenas de oficiais &#8211; que o ambiente no pa\u00eds tornara-se &#8220;pesado&#8221;, uma &#8220;paz podre&#8221; que deixava antever o que viria, refere.<\/p>\n<p>Na semana anterior, o furriel foi abordado por um oficial, que \u00e0 \u00e9poca funcionava como elo de liga\u00e7\u00e3o entre os capit\u00e3es do movimento e os restantes militares do quadro. &#8220;Disse-nos que t\u00ednhamos de preparar clandestinamente as viaturas para sair na noite de 24 para 25 de abril. Tinham de estar municiadas e preparadas&#8221;. No in\u00edcio, tudo parecia um exerc\u00edcio noturno normal, como tantos outros. Mas rapidamente perceberam que n\u00e3o se tratava disso. &#8220;N\u00f3s sab\u00edamos mais ou menos. Percebemos que alguma coisa estava para arrancar&#8221;, afirma.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"637\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/69eb7734d34edcee7c636aa4.webp\" width=\"400\"\/> <\/p>\n<p>   O furriel miliciano era respons\u00e1vel pelas chaimites na Escola Pr\u00e1tica de Cavalaria de Santar\u00e9m (Cortesia Manuel Correia da Silva) <\/p>\n<p>Naquela noite, Correia da Silva permaneceu no quartel \u00e0 espera das senhas. Primeiro, &#8220;E Depois do Adeus&#8221;, de Paulo de Carvalho, que marcaria o in\u00edcio da prepara\u00e7\u00e3o; depois &#8220;Gr\u00e2ndola Vila Morena&#8221;, de Zeca Afonso, que seria o sinal definitivo para avan\u00e7ar. Mas nem tudo correu como o esperado. &#8220;A senha devia ter passado por volta da meia-noite, meia-noite e cinco, mas s\u00f3 foi para o ar \u00e0 meia-noite e vinte e dois&#8221;. Os minutos de atraso pareceram uma eternidade: &#8220;Foi muito dif\u00edcil passar aqueles vinte minutos, foram como anos porque est\u00e1vamos com medo que aquilo borregasse&#8221;, admite.<\/p>\n<p>Quando a m\u00fasica finalmente soou no r\u00e1dio do quartel, Salgueiro Maia reuniu os homens na parada e fez um discurso que ficaria para sempre gravado na mem\u00f3ria dos que o ouviram: &#8220;Meus senhores, como todos sabem, h\u00e1 diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que cheg\u00e1mos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que cheg\u00e1mos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for volunt\u00e1rio, sai e forma. Quem n\u00e3o quiser sair, fica aqui!&#8221;<\/p>\n<p>Dos 244 homens, nenhum ficou para tr\u00e1s. &#8220;N\u00e3o houve um \u00fanico que n\u00e3o quisesse ir&#8221;, lembra Correia da Silva.<\/p>\n<p>A coluna partiu da Escola Pr\u00e1tica de Cavalaria de Santar\u00e9m rumo a Lisboa ainda de madrugada. A chaimite em que seguia &#8211; a &#8220;Bula&#8221; &#8211; transportava dez militares: sete atiradores, o condutor, o apontador e o comandante &#8211; o pr\u00f3prio Correia da Silva. &#8220;\u00cdamos todos num sil\u00eancio absoluto porque, claro, havia receio que fosse outro 16 de Mar\u00e7o.&#8221;<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m sabia ao certo o que os esperava \u00e0 chegada a Lisboa. Existia a consci\u00eancia clara de que poderiam ser travados pelo caminho ou enfrentar for\u00e7as fi\u00e9is ao regime.\u00a0&#8220;Mas a primeira paragem que fizemos, at\u00e9 d\u00e1 vontade de rir. Quando cheg\u00e1mos ao Campo Grande, estava o sinal vermelho e o condutor do jipe de comando, onde ia o Salgueiro Maia com o Tenente Assun\u00e7\u00e3o, parou. \u00cdamos logo a seguir \u00e0 viatura do comando, e ent\u00e3o, s\u00f3 ouvimos o Maia aos berros: &#8216;Op\u00e1, \u00e9 para andar. Onde \u00e9 que numa revolu\u00e7\u00e3o se para num sinal vermelho?'&#8221;, recorda 52 anos depois o furriel miliciano.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"426\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/69eb6ee7d34edcee7c636a2b.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Correia da Silva destaca a forma como Salgueiro Maia lidava com os subordinados: &#8220;Era um homem impec\u00e1vel no trato com as pessoas. E era um militar a s\u00e9rio, um operacional do melhor que t\u00ednhamos em Santar\u00e9m.&#8221; (Cortesia Manuel Correia da Silva) <\/p>\n<p>Seguiram Campo Grande abaixo at\u00e9 ao Terreiro do Pa\u00e7o, um dos pontos estrat\u00e9gicos definidos desde o in\u00edcio. &#8220;A nossa miss\u00e3o, era tomar os minist\u00e9rios, a R\u00e1dio Marconi e o Banco de Portugal&#8221;. \u00c0 chegada, a cidade come\u00e7ava a acordar e milhares de pessoas enchiam j\u00e1 as ruas, ignorando os avisos da r\u00e1dio. &#8220;Era gente ali a chegar que n\u00e3o imagina. A r\u00e1dio come\u00e7ou a transmitir que as pessoas ficassem em casa, mas as pessoas vieram todas para a rua&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>Pouco depois, a tens\u00e3o atingiu o ponto m\u00e1ximo quando\u00a0quatro carros de combate avan\u00e7aram na dire\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de Santar\u00e9m, com ordens diretas de Marcello Caetano para esmagar a revolta e fragatas da Marinha aproximavam-se do Terreiro do Pa\u00e7o. &#8220;Quando vimos aqueles &#8216;bichos&#8217; a avan\u00e7ar, percebemos que a situa\u00e7\u00e3o podia acabar ali. Foi terr\u00edvel. As muni\u00e7\u00f5es deles tinham mais de um metro. As nossas, das chaimites, eram muito mais pequenas. Se algu\u00e9m tivesse disparado, aquilo tinha sido um massacre&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que ocorreu o momento em que Correia da Silva considera que &#8220;se ganhou o 25 de Abril&#8221;: o cabo Jos\u00e9 Alves Costa recusou cumprir a ordem do brigadeiro Junqueira dos Reis de abrir fogo, mesmo tendo uma pistola apontada \u00e0 cabe\u00e7a, e trancou-se dentro da viatura. &#8220;Quando vimos que n\u00e3o dispararam e ainda passaram para o nosso lado, percebemos que o 25 de Abril estava ganho&#8221;, conta Correia da Silva. Mais tarde, o pr\u00f3prio Salgueiro Maia escreveria nas suas mem\u00f3rias que esse momento foi a &#8220;insubordina\u00e7\u00e3o mais bela do 25 de Abril&#8221;.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"401\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/69eb724fd34e28842c834a3e.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   O momento em que a fragata F-743 deixou de constituir amea\u00e7a para as tropas de Santar\u00e9m.\u00a0Fotografia de Alfredo Cunha publicada no livro &#8220;Os Rapazes dos Tanques&#8221;, editado pela Porto Editora (Cortesia Porto Editora) <\/p>\n<p>&#8220;Subimos todos para as viaturas e come\u00e7\u00e1mos a fazer o V de vit\u00f3ria porque, de facto, foi a\u00ed que se evitou o que poderia ter sido uma matan\u00e7a com milhares de v\u00edtimas no Terreiro do Pa\u00e7o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Com a amea\u00e7a neutralizada, consolidou-se o controlo do Terreiro do Pa\u00e7o e a chaimite &#8220;Bula&#8221; recebeu ordens para seguir para o Largo do Carmo, onde o governo se refugiara. A subida pela Baixa de Lisboa &#8220;foi uma loucura&#8221;,\u00a0recorda,\u00a0com pessoas a juntarem-se por todo o lado, at\u00e9 chegarem a um Carmo completamente tomado por milhares de manifestantes. &#8220;As pessoas iam-se juntando por todo o lado. Eu nunca tinha visto tanta gente junta&#8221;.<\/p>\n<p>No entanto, durante horas, a situa\u00e7\u00e3o manteve-se num impasse, com negocia\u00e7\u00f5es prolongadas e uma multid\u00e3o cada vez mais impaciente. A certa altura, Correia da Silva recebeu ordens para disparar rajadas de intimida\u00e7\u00e3o com a\u00a0metralhadora HK21 da &#8220;Bula&#8221; contra a fachada do Quartel &#8211; &#8220;para mostrar que n\u00e3o est\u00e1vamos ali a brincar&#8221; &#8211; deixando marcas que permaneceriam vis\u00edveis durante d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s longas horas de negocia\u00e7\u00f5es, Marcello Caetano acabou por aceitar entregar o poder, mas apenas a um general. Com a chegada de Sp\u00ednola, foi dada ordem para a chaimite entrar de marcha-atr\u00e1s no Quartel e preparar a retirada dos detidos em seguran\u00e7a.\u00a0&#8220;Depois eu sa\u00ed fora e abri a porta do lado esquerdo&#8221;, descreve.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"888\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/69eb7251d34edcee7c636a58.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   A &#8220;Bula&#8221; a entrar no Quartel do Carmo.\u00a0Fotografia de Alfredo Cunha publicada no livro &#8220;Os Rapazes dos Tanques&#8221;, editado pela Porto Editora (Cortesia Porto Editora) <\/p>\n<p>O que se seguiu ficou gravado na mem\u00f3ria de Correia da Silva como um choque quase f\u00edsico. &#8220;Eu fiquei como se fosse um cubo de gelo. Parece que n\u00e3o tinha rea\u00e7\u00e3o ao ver um homem daqueles, que antes tinha o pa\u00eds todo nas m\u00e3os, a ser preso mais os ministros&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O 25 de Abril foi o dia mais feliz da minha vida&#8221; <\/p>\n<p>Mais de cinquenta anos depois, o antigo furriel miliciano n\u00e3o tem d\u00favidas: &#8220;o 25 de Abril foi o dia mais feliz da minha vida&#8221;. &#8220;Foi o dia em que o nosso povo recebeu aquilo que lhe tinha sido negado durante 48 anos: a liberdade&#8221;. Para Correia da Silva, a Revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi apenas o fim de um regime autorit\u00e1rio: &#8220;Foi o fim da censura, das pris\u00f5es pol\u00edticas, do medo constante e de uma guerra que marcou gera\u00e7\u00f5es inteiras.&#8221;<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/69eb7409d34edcee7c636a72.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Manuel Correia da Silva e Celeste Caeiro &#8211;\u00a0a mulher que distribuiu os cravos pelos militares no 25 de Abril &#8211; voltaram a reencontrar-se 50 anos depois (Foto: Patr\u00edcia de Melo Moreira\/AFP) <\/p>\n<p>Sempre que fala desses dias, sublinha o papel essencial da popula\u00e7\u00e3o. Na sua mem\u00f3ria, a Revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o se fez apenas com militares e ordens, mas sobretudo com pessoas comuns que sa\u00edram \u00e0 rua e decidiram apoiar quem arriscava tudo. &#8220;O povo de Lisboa foi o verdadeiro her\u00f3i do 25 de Abril. As tropas que podiam vir contra n\u00f3s acabavam por desistir porque o povo rodeava as viaturas&#8221;.<\/p>\n<p>Com orgulho, recorda ter estado presente em todos os momentos decisivos da Revolu\u00e7\u00e3o &#8211; Santar\u00e9m, Terreiro do Pa\u00e7o, Largo do Carmo e Pontinha. &#8220;Estive em todos os s\u00edtios onde se deram os principais acontecimentos. Tive essa felicidade e estou aqui vivo para contar.&#8221; E conclui: &#8220;A liberdade \u00e9 o bem supremo de qualquer ser humano. E eu tive a felicidade de ajudar a conquist\u00e1\u2011la.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"No interior de uma chaimite fechada a ferros, cercada por uma multid\u00e3o em f\u00faria, a Hist\u00f3ria portuguesa fez-se&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":357045,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[2534,609,611,27,28,60839,607,608,604,60840,610,539,15,16,14,603,25,26,570,21,22,60843,606,60841,12,13,19,20,602,32,23,24,33,60842,60714,58,605,17,18,29,30,31],"class_list":["post-357044","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-25-de-abril","tag-alerta","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-chaimite-bula","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-crime","tag-detencao-marcello-caetano","tag-direto","tag-educacao","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-justica","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-live","tag-main-news","tag-mainnews","tag-manuel-correia-da-silva","tag-meteorologia","tag-mfa","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-pais","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-quartel-do-carmo","tag-revolucao-dos-cravos","tag-sociedade","tag-tempo","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357044","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=357044"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357044\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/357045"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=357044"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=357044"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=357044"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}