{"id":357069,"date":"2026-04-25T14:52:26","date_gmt":"2026-04-25T14:52:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/357069\/"},"modified":"2026-04-25T14:52:26","modified_gmt":"2026-04-25T14:52:26","slug":"ramses-a-europa-assume-a-lideranca-na-defesa-planetaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/357069\/","title":{"rendered":"Ramses: a Europa assume a lideran\u00e7a na defesa planet\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">ESA Science Office <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-739028\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/aab3238922bcc25a6f606eb525ffdc56-2-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Ilustra\u00e7\u00e3o art\u00edstica da miss\u00e3o Rapid Apophis da ESA para a seguran\u00e7a espacial (Ramses).<\/p>\n<p><strong>A miss\u00e3o Ramses ao asteroide Apophis dever\u00e1 ser lan\u00e7ada em 2028. Ser\u00e1 a pedra angular de um programa de defesa planet\u00e1ria da ESA, concebido para proteger o nosso planeta do risco de colis\u00e3o com objetos pr\u00f3ximos da Terra.<\/strong><\/p>\n<p>Come\u00e7ou a contagem decrescente para o lan\u00e7amento, no in\u00edcio de 2028, da nova miss\u00e3o cient\u00edfica da Ag\u00eancia Espacial Europeia (ESA), <a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Space_Safety\/Planetary_Defence\/Ramses_ESA_s_mission_to_asteroid_Apophis\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Ramses<\/a>.<\/p>\n<p>O objetivo do projeto, conduzido pela ESA em colabora\u00e7\u00e3o com a ag\u00eancia espacial japonesa JAXA, \u00e9 estudar um dos acontecimentos astron\u00f3micos mais aguardados da pr\u00f3xima d\u00e9cada: a <strong>passagem extremamente pr\u00f3xima<\/strong> do asteroide <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/tag\/Apophis\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Apophis<\/a> pela Terra, na sexta-feira, 13 de abril de 2029.<\/p>\n<p>Nesse dia, o \u201c<a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/atencao-apophis-a-osiris-apex-vai-a-caminho-574742\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Asteroide do Caos<\/a>\u201d passar\u00e1 pelo nosso planeta a uma dist\u00e2ncia m\u00ednima de <strong>apenas 31.600 km, inferior \u00e0 altitude dos sat\u00e9lites<\/strong> de telecomunica\u00e7\u00f5es em \u00f3rbita geoestacion\u00e1ria, situada aproximadamente nos 36.000 km.<\/p>\n<p>Este <strong>encontro sem precedentes<\/strong> n\u00e3o passar\u00e1 despercebido. O Apophis ser\u00e1 vis\u00edvel a olho nu em grande parte da Europa e de \u00c1frica, permitindo a mais de dois mil milh\u00f5es de pessoas observ\u00e1-lo, desde que o c\u00e9u noturno esteja limpo, nota a <a href=\"https:\/\/news.cnrs.fr\/articles\/europe-takes-the-lead-in-planetary-defence\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">CNRS<\/a>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de espetacular, \u201cesta passagem pela Terra \u00e9 tamb\u00e9m uma experi\u00eancia natural crucial, que <strong>ajudar\u00e1 a melhorar as defesas do nosso planeta<\/strong> contra asteroides que possam vir a atingi-lo\u201d, explica <strong>Patrick Michel<\/strong>, astrof\u00edsico no laborat\u00f3rio JL Lagrange, em Nice, e investigador principal da nova miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma primeira miss\u00e3o<\/p>\n<p>Durante muito tempo confinadas ao <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/plano-de-armageddon-para-salvar-a-terra-funciona-722724\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">dom\u00ednio da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/a>, as medidas preventivas contra o risco de colis\u00e3o entre o nosso planeta e um asteroide <strong>tornaram-se agora realidade<\/strong>.<\/p>\n<p>A ESA est\u00e1 a desenvolver desde 2019 o seu Programa de Seguran\u00e7a Espacial, parte do qual \u00e9 dedicada \u00e0 <strong>previs\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o de impactos<\/strong> de asteroides. O objetivo \u00e9 monitorizar e estudar corpos potencialmente perigosos e conceber estrat\u00e9gias capazes de afastar essas amea\u00e7as.<\/p>\n<p>O programa j\u00e1 conta com uma <strong>primeira miss\u00e3o<\/strong>:<strong> a Hera<\/strong>. Lan\u00e7ada em 2024, servir\u00e1 como teste \u00e0 escala real da deflex\u00e3o do asteroide <a href=\"https:\/\/youtu.be\/N-OvnVdZP_8\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Dimorphos<\/a>, situado a cerca de 11 milh\u00f5es de quil\u00f3metros da Terra, provocada pelo <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/relatorio-de-danos-impacto-da-dart-mudou-a-orbita-e-deformou-o-astreoide-dimorphos-591878\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">impacto da nave DART<\/a>, da NASA. Ramses \u00e9 a segunda miss\u00e3o do programa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da Ramses, tamb\u00e9m a miss\u00e3o OSIRIS, da NASA, marcou encontro com o Apophis. A sonda OSIRIS-Rex, que foi visitar o asteroide Bennu, n\u00e3o perdeu tempo, e <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/atencao-apophis-a-osiris-apex-vai-a-caminho-574742\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">j\u00e1 est\u00e1 a caminho do Asteroide do Caos<\/a> \u2014 agora com o nome de <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=qD69u87kz4g\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">OSIRIS-APEX<\/a>.<\/p>\n<p>Um asteroide do tamanho da Torre Eiffel<\/p>\n<p>O Apophis \u00e9 um objeto pr\u00f3ximo da Terra, um asteroide cuja \u00f3rbita em torno do Sol cruza ocasionalmente a \u00f3rbita terrestre.<\/p>\n<p>\u201cObjetos deste tipo <strong>podem, potencialmente, colidir com o nosso planeta<\/strong>\u201d, afirma <strong>Benoit Carry<\/strong>, astr\u00f3nomo assistente e especialista em asteroides no Observatoire de la C\u00f4te d\u2019Azur, tamb\u00e9m em Nice.<\/p>\n<p>Outra<strong> caracter\u00edstica distintiva do Apophis<\/strong> \u00e9 o facto de ser um asteroide relativamente grande. Tem cerca de <strong>330 metros de di\u00e2metro<\/strong>, equivalente \u00e0 altura da Torre Eiffel, e uma massa estimada entre 40 e 50 milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>\u201cA aproxima\u00e7\u00e3o de um corpo t\u00e3o grande ao nosso planeta \u00e9 um acontecimento <strong>raro, que s\u00f3 ocorre uma vez a cada poucos milhares de anos<\/strong>\u201d, sublinha o astr\u00f3nomo. Al\u00e9m disso, o Apophis desloca-se a uma <strong>velocidade muito elevada<\/strong>: cerca de 12 km por segundo.<\/p>\n<p>Se um objeto deste tipo atingisse a Terra, \u201cformaria uma cratera oito a dez vezes maior do que o seu pr\u00f3prio tamanho, ou seja, com cerca de <strong>2,5 km de di\u00e2metro<\/strong>\u201d, explica Carry.<\/p>\n<p>\u201c<strong>Seria suficiente para causar uma grande cat\u00e1strofe<\/strong> se atingisse uma zona urbana, ou um tsunami devastador se ca\u00edsse no oceano. Isto sem contar com a enorme quantidade de poeiras que seria projetada para a atmosfera e provocaria um arrefecimento do clima\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Michel, \u201cos danos teriam a escala de um pa\u00eds inteiro\u201d.<\/p>\n<p>\u201cUma oportunidade cient\u00edfica \u00fanica\u201d<\/p>\n<p>Pouco depois de o Apophis ter sido descoberto, em 2004, por investigadores da Universidade do Havai, nos EUA, especializados no estudo de asteroides, os astr\u00f3nomos calcularam que havia uma <strong>probabilidade de 1 em 37, ou 2,7%<\/strong>, de o asteroide atingir a Terra em 2029.<\/p>\n<p>Foi \u201c<strong>a maior probabilidade de colis\u00e3o alguma vez estimada<\/strong> para um asteroide\u201d, afirma Carry, <strong>raz\u00e3o pela qual recebeu o nome de Apophis<\/strong>, o deus eg\u00edpcio do caos e da destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Felizmente, nas semanas seguintes, observa\u00e7\u00f5es e c\u00e1lculos mais precisos <strong>afastaram qualquer risco de colis\u00e3o<\/strong> do asteroide, n\u00e3o apenas em 2029, mas tamb\u00e9m durante pelo menos mais um s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Assim, se a passagem muito pr\u00f3xima de Apophis pela Terra em 2029 j\u00e1 n\u00e3o representa perigo, <strong>por que raz\u00e3o estud\u00e1-lo?<\/strong><\/p>\n<p>\u201cPorque nos oferece uma oportunidade cient\u00edfica \u00fanica para compreender melhor as <strong>propriedades f\u00edsicas do asteroide<\/strong> (a sua massa, densidade, porosidade, estrutura interna, entre outras) <strong>e a forma como estas evoluem<\/strong> em resultado da atra\u00e7\u00e3o gravitacional da Terra\u201d, explica Michel.<\/p>\n<p>Na verdade, os investigadores esperam que, quando os dois corpos estiverem muito pr\u00f3ximos, as <strong>for\u00e7as de mar\u00e9<\/strong> provocadas pela gravidade terrestre estiquem e <strong>comprimam o Apophis<\/strong>.<\/p>\n<p>Isto poder\u00e1 desencadear <strong>deslizamentos na superf\u00edcie do asteroide<\/strong>, ou at\u00e9 vibra\u00e7\u00f5es internas. Al\u00e9m disso, a sua \u00f3rbita e o seu per\u00edodo de rota\u00e7\u00e3o dever\u00e3o sofrer ligeiras altera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m de melhorar a nossa compreens\u00e3o dos asteroides, o estudo das propriedades e do comportamento de Apophis no ponto de maior aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra poder\u00e1 tamb\u00e9m ajudar a<strong> definir as melhores estrat\u00e9gias<\/strong> para neutralizar estes objetos potencialmente perigosos\u201d, acrescenta Michel.<\/p>\n<p>\u201cPor exemplo, medir a sua resposta a for\u00e7as externas, neste caso representadas pelas for\u00e7as de mar\u00e9 da Terra,\u2014 e determinar o seu grau de porosidade, ou seja, perceber <strong>se o seu interior cont\u00e9m muito espa\u00e7o vazio ou n\u00e3o<\/strong>, ajudar\u00e1 a calcular a <strong>for\u00e7a necess\u00e1ria para atingir um corpo semelhante e desvi\u00e1-lo<\/strong> eficazmente da trajet\u00f3ria da Terra\u201d.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, a miss\u00e3o assentar\u00e1 numa <strong>nave espacial com 2 metros de largura<\/strong>, cujo desenho ser\u00e1 inspirado no da sonda Hera.<\/p>\n<p>\u201cTal como a Hera, a Ramses ser\u00e1 composta por uma nave principal e 2 sat\u00e9lites miniaturizados <strong>cubesat<\/strong>, cada um com 12 quilos, um dos quais ser\u00e1 colocado perto de Apophis, enquanto o outro aterrar\u00e1 no asteroide\u201d, explica Michel.<\/p>\n<p>Para atingir os seus objetivos, a Ramses transportar\u00e1 <strong>v\u00e1rios instrumentos<\/strong>. Um deles \u00e9 uma <strong>c\u00e2mara hiperespectral<\/strong>, capaz de captar imagens utilizando um grande n\u00famero de bandas espectrais adjacentes, o que permitir\u00e1 determinar a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do asteroide.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m um <strong>espectr\u00f3metro de plasma<\/strong> analisar\u00e1 o ambiente de part\u00edculas carregadas em torno do asteroide, associado \u00e0 sua passagem pela magnetosfera terrestre, a regi\u00e3o do espa\u00e7o sob influ\u00eancia do campo magn\u00e9tico do nosso planeta.<\/p>\n<p>O cubesat concebido para ser colocado perto de Apophis transportar\u00e1 um detetor e analisador de poeiras capaz de <strong>determinar a sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica<\/strong>, bem como um radar de baixa frequ\u00eancia, que sondar\u00e1 o interior do asteroide.<\/p>\n<p>J\u00e1 o cubesat destinado a aterrar no asteroide ser\u00e1 equipado com um grav\u00edmetro, para<strong> medir o seu campo gravitacional<\/strong>, e com um sism\u00f3grafo, para analisar a propaga\u00e7\u00e3o de ondas s\u00edsmicas e revelar a estrutura interna deste corpo celeste.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o DART, da NASA, j\u00e1 demonstrou que <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/fez-se-historia-nasa-confirma-sucesso-da-missao-de-defesa-planetaria-dart-502164\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">\u00e9 poss\u00edvel desviar um asteroide<\/a> numa potencial rota de colis\u00e3o com a Terra. A Ramses, da ESA, vai agora tentar determinar se, e de que forma, poder\u00edamos faz\u00ea-lo com um monumental corpo celeste, como \u00e9 o caso do \u201cAsteroide do Caos\u201d.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1776780142_642_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1776780143_579_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1776780143_455_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"ESA Science Office Ilustra\u00e7\u00e3o art\u00edstica da miss\u00e3o Rapid Apophis da ESA para a seguran\u00e7a espacial (Ramses). 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