{"id":357124,"date":"2026-04-25T15:53:26","date_gmt":"2026-04-25T15:53:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/357124\/"},"modified":"2026-04-25T15:53:26","modified_gmt":"2026-04-25T15:53:26","slug":"irrupcao-silenciosa-de-magma-elevou-ilha-acoriana-635-cm-e-parou-de-subito-sob-a-superficie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/357124\/","title":{"rendered":"Irrup\u00e7\u00e3o silenciosa de magma elevou ilha a\u00e7oriana 6,35 cm e parou de s\u00fabito sob a superf\u00edcie"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/depositphotos.com\/photo\/morro-grande-caldera-sao-jorge-azores-portugal-564285928.html\" rel=\"nofollow noopener\" data-wpel-link=\"external\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Dudlajzov \/ Depositphotos <\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-738975\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/c4ca4238a0b923820dcc509a6f75849b-37-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Morro Grande, caldeira na ilha de Sao Jorge, nos A\u00e7ores<\/p>\n<p><strong>Uma s\u00e9rie de sismos na ilha de S\u00e3o Jorge, nos A\u00e7ores, revelou magma acumulado a apenas 1,6 quil\u00f3metros de profundidade. Segundo um novo estudo, falhas subterr\u00e2neas impediram a erup\u00e7\u00e3o. Tratou-se de uma quase-erup\u00e7\u00e3o, que nunca chegou a concretizar-se.<br \/><\/strong><\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2022, a pequena ilha a\u00e7oriana de S\u00e3o Jorge foi subitamente atingida por uma <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/atividade-sismica-em-sao-jorge-ja-provocou-1800-eventos-desde-sabado-autoridades-estudam-retirada-das-populacoes-469016\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">s\u00e9rie de sismos<\/a>, ap\u00f3s quase 60 anos sem atividade s\u00edsmica significativa.<\/p>\n<p>Os tremores prolongaram-se durante meses, com micro-sismos a persistirem ao longo de<strong> dois anos<\/strong>, mas o que se estava a passar nas profundezas do subsolo da ilha a\u00e7oriana continuava a ser<strong> um mist\u00e9rio<\/strong>.<\/p>\n<p>Num novo estudo, uma equipa internacional de investigadores acredita ter clarificado a cadeia de eventos que na altura teve lugar.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-026-71668-6\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">estudo<\/a>, publicado na quinta-feira na revista Nature Communications, descreve como o magma<strong> irrompeu em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 superf\u00edcie<\/strong> em apenas dois dias, num volume equivalente a aproximadamente <strong>32.000 piscinas ol\u00edmpicas.<\/strong><\/p>\n<p>Ao analisarem dados s\u00edsmicos recolhidos em terra e no fundo do mar, juntamente com imagens de sat\u00e9lite, os investigadores conclu\u00edram que o magma subiu a partir de mais de 19 km de profundidade, <strong>acabando por estancar a cerca de 1,6 km<\/strong> abaixo da superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Resumindo, <strong>tratou-se de uma quase-erup\u00e7\u00e3o<\/strong> que nunca chegou a concretizar-se, dizem os autores do estudo.<\/p>\n<p>\u201cEsta foi uma intrus\u00e3o furtiva\u201d, afirmou <strong>Stephen Hicks<\/strong>, investigador da University College London e autor principal do estudo, num comunicado publicado no <a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/1125005\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">EurekAlert<\/a>.<\/p>\n<p>\u201c<strong>O magma deslocou-se rapidamente atrav\u00e9s da crosta<\/strong>, mas grande parte do seu percurso <strong>foi silenciosa, o que dificultou a previs\u00e3o<\/strong> sobre se ocorreria ou n\u00e3o uma erup\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta o investigador.<\/p>\n<p>Acumula\u00e7\u00e3o subterr\u00e2nea de magma fez a ilha crescer<\/p>\n<p>Quando o magma empurra para cima atrav\u00e9s das camadas da crosta terrestre, frequentemente provoca erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas. Mas nem sempre. Por vezes, <strong>estanca a diversas profundidades, sem conseguir romper<\/strong> a superf\u00edcie, explica a <a href=\"https:\/\/www.discovermagazine.com\/silent-magma-surge-lifted-azorean-island-2-5-inches-then-stopped-abruptly-below-the-surface-49014\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Discover Magazine<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Foi exatamente o que aconteceu sob S\u00e3o Jorge<\/strong>. Os A\u00e7ores situam-se ao longo do <strong>Rift da Terceira<\/strong>, onde as placas tect\u00f3nicas euroasi\u00e1tica e africana se afastam lentamente uma da outra, tornando a<strong> atividade s\u00edsmica relativamente comum<\/strong>.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria ilha, com apenas cerca de 56 km de comprimento e e cerca de 6,4 km de largura<strong>, tem um historial de sismos poderosos<\/strong>, incluindo um evento de magnitude <strong>7,5 em 1757, um dos maiores sismos registados nos A\u00e7ore<\/strong>s.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o in\u00edcio dos sismos de 2022, os investigadores reconstitu\u00edram a atividade subterr\u00e2nea recorrendo a uma combina\u00e7\u00e3o de registos s\u00edsmicos, medi\u00e7\u00f5es por GPS e dados de sat\u00e9lite<\/p>\n<p>Estes instrumentos revelaram que<strong> o solo se tinha elevado cerca de 6,35 cm<\/strong> \u2014 uma evid\u00eancia forte de que <strong>o magma tinha penetrado na crosta<\/strong> superficial. Em escalas temporais longas, este tipo de <strong>soerguimento<\/strong> \u00e9, na verdade, uma das formas como as ilhas ganham altitude.<\/p>\n<p>Os autores do estudo descobriram ainda que <strong>o magma se deslocou<\/strong> ao longo de um importante sistema de falhas que atravessa a ilha, conhecido como a Zona de <strong>Falha do Pico do Carv\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>As falhas podem guiar o magma e reduzir a press\u00e3o<\/p>\n<p>As falhas e fraturas na crosta terrestre podem funcionar como <strong>vias de passagem<\/strong> para o magma ascendente, embora os cientistas continuem a trabalhar para compreender plenamente esta rela\u00e7\u00e3o. No caso de S\u00e3o Jorge, o sistema de falhas parece ter desempenhado um <strong>papel surpreendentemente complexo<\/strong>.<\/p>\n<p>Estudos anteriores j\u00e1 tinham demonstrado que esta zona de falha era capaz de <strong>produzir grandes sismos no passado<\/strong>. Durante a crise s\u00edsmica de 2022, em vez de um grande sismo, os investigadores observaram numerosos sismos de menor magnitude, <strong>agrupados ao longo da falha<\/strong>, desencadeados pelo movimento do magma em profundidade.<\/p>\n<p>Segundo os investigadores, <strong>a falha funcionou como uma esp\u00e9cie de guia<\/strong>, facilitando a irrup\u00e7\u00e3o do magma. Ao mesmo tempo, poder\u00e1 ter permitido que gases e fluidos escapassem lateralmente, reduzindo a press\u00e3o no interior do magma e impedindo, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a erup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA falha funcionou simultaneamente <strong>como uma autoestrada e como uma fuga<\/strong>\u201c, explica <strong>Pablo Gonz\u00e1lez<\/strong>, investigador do Conselho Superior de Investiga\u00e7\u00f5es Cient\u00edficas de Espanha e o coautor\u00a0 do estudo, no comunicado. \u201cAjudou o magma a subir, mas pode tamb\u00e9m ter impedido uma erup\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Compreender como o magma se desloca abaixo da superf\u00edcie \u00e9 fundamental para interpretar a agita\u00e7\u00e3o vulc\u00e2nica e <strong>prever o que poder\u00e1 acontecer a seguir<\/strong>.<\/p>\n<p>Os A\u00e7ores <strong>s\u00e3o um raro laborat\u00f3rio natural<\/strong>, onde sistemas magm\u00e1ticos ativos se cruzam com grandes falhas geradoras de sismos, o que facilita o estudo, por parte dos cientistas, da intera\u00e7\u00e3o em tempo real entre estruturas tect\u00f3nicas e rocha fundida.<\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es dos eventos de S\u00e3o Jorge sugerem que irrup\u00e7\u00f5es maci\u00e7as de magma <strong>podem desenvolver-se rapidamente e sem aviso pr\u00e9vio<\/strong>, mas revelam tamb\u00e9m de que forma as falhas geol\u00f3gicas influenciam se esse magma atinge a superf\u00edcie <strong>ou fica retido em profundidade<\/strong>.<\/p>\n<p>Ambas as conclus\u00f5es s\u00e3o cruciais para tornar a atividade vulc\u00e2nica mais previs\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cEste estudo apoiou as autoridades locais na avalia\u00e7\u00e3o de uma potencial amea\u00e7a vulc\u00e2nica\u201d, explica\u00a0 <strong>Ricardo Ramalho<\/strong>, investigador da Universidade de Cardiff e tamb\u00e9m coautor do estudo, no comunicado.<\/p>\n<p>\u201cO estudo evidencia o<strong> valor de combinar dados geof\u00edsicos em terra e no mar<\/strong> para uma dete\u00e7\u00e3o e localiza\u00e7\u00e3o precisas de eventos s\u00edsmicos e de deforma\u00e7\u00e3o do solo\u201d, conclui o investigador portugu\u00eas<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1776780142_642_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1776780143_579_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1776780143_455_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dudlajzov \/ Depositphotos Morro Grande, caldeira na ilha de Sao Jorge, nos A\u00e7ores Uma s\u00e9rie de sismos na&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":357125,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[351,27,28,15,16,7833,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,349,17,18,29,30,31,11166],"class_list":["post-357124","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-acores","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-geologia","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-sismo","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-vulcoes"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116466156479551371","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357124","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=357124"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357124\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/357125"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=357124"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=357124"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=357124"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}