{"id":35735,"date":"2025-08-19T11:28:07","date_gmt":"2025-08-19T11:28:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/35735\/"},"modified":"2025-08-19T11:28:07","modified_gmt":"2025-08-19T11:28:07","slug":"criancas-vulneraveis-e-de-grupos-minoritarios-recebem-mais-antibioticos-para-pneumonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/35735\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7as vulner\u00e1veis e de grupos minorit\u00e1rios recebem mais antibi\u00f3ticos para pneumonia"},"content":{"rendered":"\n<p>Crian\u00e7as de popula\u00e7\u00f5es minorit\u00e1rias que vivem em bairros com pior condi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica receberam significativamente mais antibi\u00f3ticos do que crian\u00e7as brancas n\u00e3o latinas durante a interna\u00e7\u00e3o por pneumonia, segundo dados de quase 50 mil pacientes.<\/p>\n<p>Os resultados foram apresentados no congresso <a href=\"https:\/\/www.medscape.com\/viewcollection\/37836?src=rss\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Pediatric Hospital Medicine (PHM)<\/a> de 2025.<\/p>\n<p>Pesquisas anteriores j\u00e1 apontaram uso excessivo de antibi\u00f3ticos no tratamento da <a href=\"https:\/\/emedicine.medscape.com\/article\/967822-overview?_gl=1*a08orh*_gcl_au*MTUzMDg5NzEzMC4xNzUzODgwMDU3\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">pneumonia<\/a> em crian\u00e7as, o que pode exp\u00f4-las a riscos desnecess\u00e1rios, afirmou a Dra. Jillian Cotter, m\u00e9dica do Children&#8217;s Hospital Colorado, nos Estados Unidos. Segundo ela, embora as disparidades na prescri\u00e7\u00e3o ambulatorial sejam conhecidas, ainda h\u00e1 poucos dados sobre essas diferen\u00e7as em pacientes internados, especialmente em casos de pneumonia.<\/p>\n<p>Para avaliar a rela\u00e7\u00e3o entre ra\u00e7a\/etnia, \u00cdndice de Oportunidade na Inf\u00e2ncia (COI, sigla do ingl\u00eas Childhood Opportunity Index) e padr\u00f5es de prescri\u00e7\u00e3o de antibi\u00f3ticos, a autora e colaboradores revisaram dados de 49.332 crian\u00e7as de tr\u00eas meses a 18 anos hospitalizadas com pneumonia entre 2022 e 2024 em 43 hospitais do Pediatric Health Information System.<\/p>\n<p>O COI considera aspectos como disponibilidade e qualidade da educa\u00e7\u00e3o, fatores de sa\u00fade e ambientais (como proximidade a supermercados) e fatores socioecon\u00f4micos (como emprego e fam\u00edlias monoparentais). O \u00edndice foi dividido em quintis, sendo o mais alto referente a \u00e1reas com mais recursos. A mediana de idade foi de quatro anos, e o tempo m\u00e9dio de interna\u00e7\u00e3o, de 1,8 dias. A amostra foi composta por 43% de crian\u00e7as brancas n\u00e3o latinas, 27% de latinas, 17% de negras n\u00e3o latinas e 5% de orientais.<\/p>\n<p>Ao todo, 81% das crian\u00e7as receberam antibi\u00f3ticos, 48% receberam antibi\u00f3ticos de amplo espectro e 75% receberam antibi\u00f3ticos intravenosos. Crian\u00e7as orientais ou negras n\u00e3o latinas tiveram probabilidade significativamente maior de receber um antibi\u00f3tico em compara\u00e7\u00e3o a crian\u00e7as brancas n\u00e3o latinas (asi\u00e1ticas: 86% versus 80%; raz\u00e3o de chances ajustada [RCa] = 1,45; negras n\u00e3o latinas: 83% vs. 80%; RCa = 1,59).<\/p>\n<p>Crian\u00e7as latinas apresentaram probabilidade significativamente maior de receber antibi\u00f3ticos de amplo espectro do que crian\u00e7as brancas n\u00e3o latinas (52% vs. 46%; RCa = 1,30). Al\u00e9m disso, todos os outros grupos \u00e9tnicos tiveram maior probabilidade de receber antibi\u00f3ticos intravenosos do que antibi\u00f3ticos orais, quando comparados \u00e0s crian\u00e7as brancas n\u00e3o latinas.<\/p>\n<p>Em um modelo ajustado, crian\u00e7as no quintil mais baixo do COI, quando comparadas \u00e0s do quintil mais alto, apresentaram maior probabilidade de receber ao menos um antibi\u00f3tico vs. aus\u00eancia de antibi\u00f3ticos e maior chance de receber antibi\u00f3ticos de amplo espectro vs. de espectro estreito.<\/p>\n<p>Os achados podem n\u00e3o refletir a realidade de todos os hospitais que atendem crian\u00e7as. As limita\u00e7\u00f5es foram relacionadas ao efeito de vari\u00e1veis de confus\u00e3o n\u00e3o mensuradas, ao uso do c\u00f3digo postal em vez de dados do setor censit\u00e1rio para determinar o COI e \u00e0s intera\u00e7\u00f5es complexas entre ra\u00e7a, etnia e COI, que est\u00e3o al\u00e9m do escopo do estudo, observou a Dra. Jillian.<\/p>\n<p>Os pesquisadores ficaram surpresos ao constatar que a dire\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as na prescri\u00e7\u00e3o era oposta \u00e0 observada em grande parte da literatura cient\u00edfica sobre administra\u00e7\u00e3o de antibi\u00f3ticos em ambulat\u00f3rios, afirmou a autora ao Medscape. \u201cA literatura [cient\u00edfica no cen\u00e1rio] ambulatorial geralmente descreve que a administra\u00e7\u00e3o de mais antibi\u00f3ticos e de antibi\u00f3ticos de amplo espectro tende a ser mais frequente em crian\u00e7as brancas n\u00e3o latinas e nas que residem em bairros com melhores oportunidades\u201d, declarou. \u201cPoss\u00edveis raz\u00f5es para essas diferen\u00e7as envolvem fatores sist\u00eamicos e preconceitos impl\u00edcitos do m\u00e9dico, que podem ser mais evidentes em ambientes de interna\u00e7\u00e3o, em compara\u00e7\u00e3o a ambientes ambulatoriais, devido \u00e0 maior gravidade da doen\u00e7a, \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o com a maior gravidade ou \u00e0 aus\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o pr\u00e9via entre m\u00e9dico e paciente\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p> <b>Considera\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas e lacunas na pesquisa<\/b> <\/p>\n<p>\u201cComo profissionais de sa\u00fade, precisamos refletir sobre nossos preconceitos inconscientes e como eles podem influenciar a prescri\u00e7\u00e3o de antibi\u00f3ticos\u201d, afirmou a pesquisadora ao Medscape. Al\u00e9m disso, \u201cas v\u00e1rias disparidades observadas entre pacientes internados e ambulatoriais mostram que os achados do contexto ambulatorial podem n\u00e3o ser generaliz\u00e1veis para o ambiente de interna\u00e7\u00e3o\u201d, concluiu.<\/p>\n<p> <b>Preconceito pode influenciar a tomada de decis\u00e3o<\/b> <\/p>\n<p>\u201cAcredito que os m\u00e9dicos, com ou sem raz\u00e3o, percebem pacientes de minorias \u00e9tnicas como vulner\u00e1veis e tendem a trat\u00e1-los em excesso\u201d, sugeriu o Dr. Tim Joos, m\u00e9dico de uma cl\u00ednica de medicina interna e pediatria do sistema de sa\u00fade Neighborcare Health em Seattle, nos EUA.<\/p>\n<p>Segundo ele, que n\u00e3o participou do estudo, pacientes de minorias frequentemente enfrentam mais dificuldades de acesso inicial aos cuidados de sa\u00fade; ent\u00e3o, os m\u00e9dicos podem perceb\u00ea-los como atrasados no atendimento e se sentir menos seguros em conduzir o acompanhamento.<\/p>\n<p>Em consultas nas quais h\u00e1 barreiras lingu\u00edsticas ou culturais, os m\u00e9dicos podem se sentir menos confort\u00e1veis e mais propensos a prescrever tratamentos excessivos, em vez de observar e reavaliar, cogitou.<\/p>\n<p>O estudo refor\u00e7a a necessidade de os m\u00e9dicos refletirem sobre potenciais preconceitos no atendimento a pacientes de diferentes grupos \u00e9tnicos e socioecon\u00f4micos, afirmou o Dr. Tim ao Medscape. \u201cPr\u00e1ticas que eram v\u00e1lidas para gera\u00e7\u00f5es anteriores podem n\u00e3o ser apropriadas em uma sociedade estadunidense cada vez mais diversa\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p> O estudo n\u00e3o recebeu financiamento externo. A Dra. Jillian Cotter informou ter recebido financiamento da Pfizer para um estudo n\u00e3o relacionado. O Dr. Tim Joos informou n\u00e3o ter conflitos de interesse financeiros. <\/p>\n<p> Este conte\u00fado foi traduzido do  <a href=\"https:\/\/www.medscape.com\/viewarticle\/minority-and-low-coi-children-receive-more-antibiotics-2025a1000knl\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Medscape<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Crian\u00e7as de popula\u00e7\u00f5es minorit\u00e1rias que vivem em bairros com pior condi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica receberam significativamente mais antibi\u00f3ticos do que&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":35736,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[11204,116,2879,32,33,117],"class_list":{"0":"post-35735","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-aspiracao","9":"tag-health","10":"tag-pneumonia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35735","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35735"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35735\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35736"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35735"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35735"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35735"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}