{"id":35778,"date":"2025-08-19T12:01:04","date_gmt":"2025-08-19T12:01:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/35778\/"},"modified":"2025-08-19T12:01:04","modified_gmt":"2025-08-19T12:01:04","slug":"gentrificacao-e-que-e-verdadeira-ameaca-a-lisboa-nao-os-imigrantes-diz-joao-peste-a-minha-cidade-no-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/35778\/","title":{"rendered":"\u201cGentrifica\u00e7\u00e3o \u00e9 que \u00e9 verdadeira amea\u00e7a a Lisboa, n\u00e3o os imigrantes\u201d, diz Jo\u00e3o Peste | A minha cidade no futuro"},"content":{"rendered":"<p>Pode uma cidade renegar as ra\u00edzes e tornar-se noutra coisa qualquer? \u00c9 bem poss\u00edvel. Depende \u00e9 do que se entende ser a matriz a partir da qual se far\u00e1 a avalia\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o dessa mudan\u00e7a. Jo\u00e3o Peste tem idade suficiente para se recordar de uma Lisboa onde, sob a capa de uma certa sisudez, sempre se encarou a proveni\u00eancia diversa dos seus habitantes como algo natural. <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/11\/08\/publico-brasil\/opiniao\/lisboa-facetas-2111047\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Heterogeneidade cultural<\/a> a integrar-se num corpo em constante muta\u00e7\u00e3o fazem da capital portuguesa um lugar especial, defende o cantor, que a 9 de Setembro completar\u00e1 63 anos.<\/p>\n<p>E \u00e9 assim que a gostava de a ver no futuro, apesar dos muitos desafios e de tantos medos. \u201cA nossa tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 multicultural. As origens distintas das pessoas \u00e9 que fazem Lisboa culturalmente interessante. Espero que assim continue, assimilando todas essas diferen\u00e7as\u201d, professa o <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2020\/03\/20\/culturaipsilon\/noticia\/friccao-classicismo-vanguardismo-pop-dellarte-1908278\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">vocalista dos Pop Dell\u2019Arte<\/a>, grupo que fez da heterodoxia caracter\u00edstica essencial para revolver o vocabul\u00e1rio pop-rock portugu\u00eas dos anos 1980 e faz\u00ea-lo evoluir.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1vamos a continuar uma tradi\u00e7\u00e3o de diversidade e de vanguardismo, de arriscar, que esta cidade sempre teve\u201d, recorda o artista, evocando uma \u00e9poca em que, a partir do bairro de Campo de Ourique, a banda se inseriu numa movida de renova\u00e7\u00e3o da m\u00fasica popular urbana. O que, no fundo, considera, se integrou num cont\u00ednuo de busca por coisas novas, como costuma acontecer nos s\u00edtios onde chegam pessoas vindas de proveni\u00eancias muito distintas, em busca de uma vida melhor.<\/p>\n<p>\u201cSou completamente alfacinha. O meu pai era madeirense e a minha m\u00e3e meio alentejana e meio ribatejana, mas nasci aqui e sempre tive essa liga\u00e7\u00e3o forte \u00e0 cidade\u201d, diz Peste, evocando mem\u00f3rias de uma \u00e9poca muito diferente da actual e ainda a ecoar imagens cristalizadas de uma cidade do in\u00edcio do s\u00e9culo passado. \u201cHavia um carvoeiro na rua onde viveu o Fernando Pessoa nos \u00faltimos anos da sua vida e que conviveu com ele. Ainda me lembro muito bem de falar com ele\u201d, recorda sobre a sua juventude na d\u00e9cada de 70.<\/p>\n<p>Uma reminisc\u00eancia a beber de uma era que, aos olhos de hoje, parece remota, mas na qual Peste identifica uma linhagem e a que reclama perten\u00e7a. \u201cTent\u00e1mos criar um caminho novo, algo diferente. Se o conseguimos ou n\u00e3o, isso fica para outros avaliarem. Mas sentimos que est\u00e1vamos a faz\u00ea-lo\u201d, conjectura Jo\u00e3o Peste, integrando esse gesto art\u00edstico numa bem mais antiga postura de irrever\u00eancia est\u00e9tica adoptada por alguns segmentos da sociedade lisboeta.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>\u201cEsta sempre foi uma cidade muito diversa, com grande riqueza cultural, capaz de gerar din\u00e2micas de vanguarda e novas correntes\u201d, diz, apontando como exemplos o movimento modernista surgido em torno da revista Orpheu, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, ou, um pouco mais tarde, o surrealismo portugu\u00eas, interpretado por nomes como M\u00e1rio Cesariny e Alexandre O\u2019Neill.<\/p>\n<p>\u201cOlho para a cidade sem nunca perder de vista a sua identidade cultural, que faz parte da sua matriz. Ultimamente, t\u00eam-se ouvido muitos disparates, com pessoas a dizerem \u2018vamos salvar Lisboa do multiculturalismo\u2019. Mas Lisboa sempre foi uma <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2016\/04\/17\/sociedade\/noticia\/vendese-uma-lisboa-multicultural-1729202\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">cidade multicultural<\/a>\u201d, afirma, ensaiando uma cr\u00edtica ao que v\u00ea como uma tend\u00eancia negativa, agravada nos \u00faltimos anos. \u201cH\u00e1 um discurso algo xen\u00f3fobo, contra os que v\u00eam de fora\u201d, constata, antes de sublinhar a import\u00e2ncia das <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/06\/10\/politica\/noticia\/extremismos-nacionalismos-lidia-jorge-marcelo-so-voz-ninguem-sangue-puro-2136202\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">recentes palavras da escritora L\u00eddia Jorge<\/a> sobre a origem etnicamente diversa dos portugueses.<\/p>\n<p>\u201cVejam-se as origens da cidade, os povos que a formaram, dos fen\u00edcios, aos gregos, mais tarde os romanos e todos os outros que vieram com a expans\u00e3o mar\u00edtima. Lisboa sempre teve \u00e1rabes e judeus. Tem uma identidade que foi sendo desenhada por essa diversidade de modos de vida e culturas. Gostava que assim se mantivesse\u201d, diz, lamentando o que v\u00ea como as tentativas de rasurar a identidade mult\u00edplice, substituindo-a por uma ditada estritamente pelos interesses imobili\u00e1rios internacionais. \u201cA gentrifica\u00e7\u00e3o \u00e9 que \u00e9 verdadeira amea\u00e7a a Lisboa, n\u00e3o os imigrantes\u201d, conclui o vocalista dos Pop Dell\u2019Arte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pode uma cidade renegar as ra\u00edzes e tornar-se noutra coisa qualquer? \u00c9 bem poss\u00edvel. 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