{"id":35822,"date":"2025-08-19T12:33:07","date_gmt":"2025-08-19T12:33:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/35822\/"},"modified":"2025-08-19T12:33:07","modified_gmt":"2025-08-19T12:33:07","slug":"o-livro-em-que-a-miseria-falou-a-uniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/35822\/","title":{"rendered":"O livro em que \u201ca mis\u00e9ria falou\u201d \u2014 A Uni\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"normal\" style=\"text-align: justify; \">Negra, m\u00e3e solo, moradora de favela e catadora de papel que virou escritora. H\u00e1 65 anos, a dura rotina de Carolina Maria de Jesus (1914-1977) vinha a lume em uma das obras mais marcantes da literatura feminina brasileira do s\u00e9culo XX, o autobiogr\u00e1fico Quarto de Despejo &#8211; Di\u00e1rio de uma Favelada. Para celebrar a data, o Diret\u00f3rio Acad\u00eamico Unificado de Letras Carolina Maria de Jesus (Daule-UFPB) promove hoje, a partir das 7h30, o ciclo de palestras on-line e presencial Entre a Favela e o Papel &#8211; 65 Anos de Quarto de Despejo, no campus 1 da UFPB, dedicado a discutir a atualidade do livro e o legado da escritora, com entrada gratuita. As inscri\u00e7\u00f5es para o evento (que d\u00e1 direito a certificado de participa\u00e7\u00e3o) acontecem pela plataforma da institui\u00e7\u00e3o, a SIGEventos.<\/p>\n<p class=\"normal\" style=\"text-align: justify; \">A doutora Eliane Silva, professora do Departamento de Ci\u00eancias Sociais da UFPB, abre os trabalhos \u00e0s 7h30, no audit\u00f3rio do Centro de Tecnologia (tamb\u00e9m conhecido como \u201cBolo de Noiva\u201d). \u00c0s 14h30, atrav\u00e9s da plataforma Google Meet, a filha de Carolina, Vera Eunice de Jesus, compartilha sua hist\u00f3ria de vida e mem\u00f3rias vinculadas \u00e0 m\u00e3e. E a partir das 18h30, no audit\u00f3rio 411 do CCHLA, Bruna Cassiano, mestra e pesquisadora da obra de Carolina de Jesus, encerra o dia de atividades com a palestra \u201cQuarto de despejo: a atualidade de um Brasil invis\u00edvel\u201d.\u00a0<\/p>\n<dl style=\"width:305px;\" class=\"image-right captioned\">\n<dt><a rel=\"lightbox nofollow noopener\" href=\"https:\/\/auniao.pb.gov.br\/noticias\/caderno_cultura\/o-livro-em-que-201ca-miseria-falou201d\/CarolinaMariadeJesusQuartodeDespejo.jpg\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/87bbf68d-6d1f-455f-bbc5-64726e81c2d4.jpeg\" alt=\"\" title=\"\" height=\"468\" width=\"305\"\/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\" style=\"width:305px;\">Em cadernos, encontrados no lixo, Carolina Maria de Jesus registrou sua vida e suas ideias, o que virou um cl\u00e1ssico | Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/\u00c1tica <\/dd>\n<\/dl>\n<p class=\"normal\" style=\"text-align: justify; \">Joabe Macedo, presidente do diret\u00f3rio acad\u00eamico, aponta que o objetivo das palestras \u00e9 resgatar o impacto social e liter\u00e1rio de Carolina de Jesus. \u201cEla transformou a experi\u00eancia de vida em den\u00fancia social. Sua escrita segue inspirando lutas e reflex\u00f5es sobre g\u00eanero, ra\u00e7a e classe, al\u00e9m de dialogar com a realidade brasileira at\u00e9 hoje\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"normal\" style=\"text-align: justify; \"><b>Di\u00e1rios da hist\u00f3ria<\/b><\/p>\n<p class=\"normal\" style=\"text-align: justify; \">A obra sexagen\u00e1ria articula experi\u00eancia social e registros rotineiros escritos em meados de 1955 e o in\u00edcio de 1960, per\u00edodo em que a autora mineira (nascida em Sacramento) viveu na Favela do Canind\u00e9, comunidade pobre da Zona Norte de S\u00e3o Paulo que foi desocupada na d\u00e9cada de 1960 para a constru\u00e7\u00e3o da Marginal Tiet\u00ea, e sentiu na pele as tormentas da viol\u00eancia, da mis\u00e9ria e da fome.<\/p>\n<p class=\"normal\" style=\"text-align: justify; \">Vista de dentro, a favela \u00e9 descortinada em linguagem coloquial, por vezes contr\u00e1ria \u00e0 norma culta da l\u00edngua \u2013 os di\u00e1rios de observa\u00e7\u00e3o de Carolina foram depostos \u00e0 letra em dezenas de cadernos por ela recolhidos do lixo \u2013 o que foi preservado como um marcador identit\u00e1rio da obra. Afinal, em sua prec\u00e1ria condi\u00e7\u00e3o, a autora s\u00f3 conseguiu cursar dois anos de estudo formal, mas em mat\u00e9ria de diagn\u00f3stico emp\u00edrico da realidade de seu tempo, mostrou-se das mais eloquentes narradoras das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnicas e da desumana situa\u00e7\u00e3o de vida de catadores e moradores da favela, drama tristemente reeditado pelas desigualdades sociais at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p class=\"normal\" style=\"text-align: justify; \">Quem primeiro \u201cdescobriu\u201d os escritos de Carolina de Jesus foi o jornalista Aud\u00e1lio Dantas (1929-2018), em reportagem publicada na Folha da Noite, em 1958. O encontro rendeu mat\u00e9ria, no ano seguinte, para a revista O Cruzeiro, vindo a tornar-se livro em 1960, a despeito da relut\u00e2ncia das editoras em public\u00e1-lo.<\/p>\n<p class=\"normal\" style=\"text-align: justify; \">Quarto de Despejo \u00e9 best-seller traduzido em pelo menos 13 l\u00ednguas e se tornou um dos livros brasileiros mais conhecidos no exterior, mas n\u00e3o ficou restrito \u00e0s p\u00e1ginas impressas. Em 1961, ganhou uma adapta\u00e7\u00e3o para teatro por Edy Lima (com dire\u00e7\u00e3o de Amir Haddad e Ruth de Souza no papel principal) e um LP de 12 faixas, Quarto de Despejo &#8211; Carolina Maria de Jesus Cantando suas Composi\u00e7\u00f5es; em 1971, virou o document\u00e1rio alem\u00e3o Favela &#8211; A Vida na Pobreza (16 min.), dirigido por Christa Gottmann-Elter e impedido de passar no Brasil \u00e0 \u00e9poca por ocasi\u00e3o da Ditadura Militar, al\u00e9m de um especial da Rede Globo, em 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>*Mat\u00e9ria publicada originalmente na edi\u00e7\u00e3o impressa do dia 19 de agosto de 2025.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Negra, m\u00e3e solo, moradora de favela e catadora de papel que virou escritora. H\u00e1 65 anos, a dura&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":35823,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,32,33],"class_list":{"0":"post-35822","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35822","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35822"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35822\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35823"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35822"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35822"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35822"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}