{"id":359218,"date":"2026-04-27T11:15:48","date_gmt":"2026-04-27T11:15:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/359218\/"},"modified":"2026-04-27T11:15:48","modified_gmt":"2026-04-27T11:15:48","slug":"chega-usa-simbolo-lgbt-no-25-de-abril-redes-sociais-nao-perdoam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/359218\/","title":{"rendered":"Chega usa s\u00edmbolo LGBT no 25 de Abril? Redes sociais n\u00e3o perdoam"},"content":{"rendered":"<p>O debate sobre o uso, ou n\u00e3o, do cravo vermelho nas cerim\u00f3nias evocativas do <strong>25 de Abril<\/strong> em Portugal \u00e9 antigo. Se o cravo \u00e9 visto como um s\u00edmbolo universal do golpe que p\u00f4s fim a 48 anos de ditadura em 1974, nem todos adotaram o seu uso. \u00c0 esquerda, praticamente todos o usam. J\u00e1 a direita parece dividida e uma parte dos pol\u00edticos dessa \u00e1rea prefere n\u00e3o ostentar o cravo vermelho, por v\u00e1rias raz\u00f5es: por um lado, a conota\u00e7\u00e3o que a cor vermelha sempre teve com o comunismo. Por outro, o distanciamento dos excessos que marcaram o per\u00edodo revolucion\u00e1rio. Exemplo disso s\u00e3o os dois antecessores do atual presidente <a href=\"https:\/\/pt.euronews.com\/my-europe\/2026\/04\/25\/seguro-estreia-se-no-25-de-abril-perigo-para-a-democracia-nao-chega-como-nos-filmes\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro<\/strong><\/a> &#8211; Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa, ambos oriundos do Partido Social-Democrata (PSD). Cavaco nunca usou o cravo nas cerim\u00f3nias, enquanto Marcelo costumava us\u00e1-lo na m\u00e3o, mas n\u00e3o na lapela.<\/p>\n<p>          <img decoding=\"async\" class=\"c-ad__placeholder__logo\" src=\"https:\/\/static.euronews.com\/website\/images\/logos\/logo-euronews-stacked-outlined-72x72-grey-9.svg\" width=\"72\" height=\"72\" alt=\"\" loading=\"lazy\"\/><br \/>\n          PUBLICIDADE<\/p>\n<p>          <img decoding=\"async\" class=\"c-ad__placeholder__logo\" src=\"https:\/\/static.euronews.com\/website\/images\/logos\/logo-euronews-stacked-outlined-72x72-grey-9.svg\" width=\"72\" height=\"72\" alt=\"\" loading=\"lazy\"\/><br \/>\n          PUBLICIDADE<\/p>\n<p>Nas cerim\u00f3nias de s\u00e1bado, o Chega abriu um novo cap\u00edtulo no debate, com toda a bancada parlamentar a aparecer com cravos de pano verdes e pretos. O partido de direita radical apresentou a novidade como uma homenagem \u00e0 di\u00e1spora portuguesa, tendo estes adere\u00e7os sido fabricados por uma mulher emigrante em Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Aquilo que os deputados do Chega e o l\u00edder Andr\u00e9 Ventura apresentaram como arrojo acabou, no entanto, por dar lugar \u00e0 risota nas redes sociais, quando v\u00e1rios utilizadores notaram a hist\u00f3ria do cravo verde como s\u00edmbolo LGBT introduzido por Oscar Wilde na \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo XIX, o que n\u00e3o deixa de ser caricato, tendo em conta o historial da ret\u00f3rica do partido nesta \u00e1rea.<\/p>\n<p>Como Wilde lan\u00e7ou a moda do cravo verde<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria est\u00e1 contada num artigo assinado pela escritora Tara Isabella Burton num <a href=\"https:\/\/lithub.com\/how-oscar-wilde-created-a-queer-mysterious-symbol-in-green-carnations\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer nofollow noopener\"><strong>artigo publicado em junho de 2023 no site Literary Hub<\/strong><\/a>. Citando as mem\u00f3rias do pintor Cecil Robertson, Oscar Wilde ter\u00e1 come\u00e7ado a usar este adere\u00e7o em 1892, replicando uma personagem criada para a ent\u00e3o mais recente pe\u00e7a O Leque de Lady Windermere. A personagem, um dandy, ter\u00e1 sido criada \u00e0 imagem do pr\u00f3prio Wilde. Usado inicialmente para publicitar a pe\u00e7a, o cravo verde acabaria por tornar-se parte da indument\u00e1ria habitual do dramaturgo brit\u00e2nico.<\/p>\n<p>Nesse ano, a popularidade de Wilde acabaria por transformar o cravo verde num acess\u00f3rio muito usado e comentado no jet-set londrino. Escreve Burton: &#8220;Em Londres, em 1892, toda a gente \u2014 ou, pelo menos, toda a gente que era algu\u00e9m \u2014 falava de uma coisa: cravos verdes. Ningu\u00e9m sabia ao certo o que significava usar um cravo verde, nem por que raz\u00e3o se tinha tornado, de repente, uma declara\u00e7\u00e3o de moda t\u00e3o deliciosamente escandalosa e deslumbrantement. Tudo o que se sabia era que, um dia, num teatro de Londres, algu\u00e9m importante (as hist\u00f3rias divergiam quanto a quem era exatamente) usou um cravo verde, ou talvez azul&#8221;.<\/p>\n<p>Duas semanas ap\u00f3s a estreia da pe\u00e7a, a moda parece ter pegado, sobretudo junto de um grupo de homens que rodeava Wilde: &#8220;Em poucos dias, os cravos estavam por todo o lado. Apenas duas semanas depois, um jornal que cobria a estreia de outra pe\u00e7a, desta vez de Th\u00e9odore de Banville, relatou um fen\u00f3meno bizarro: Wilde na plateia, rodeado por um \u00abgrupo de jovens cavalheiros, todos usando o cravo tingido de cores vivas que substituiu o l\u00edrio e o girassol\u00bb, duas flores que anteriormente tinham sido associadas a Wilde e, de forma mais geral, a jovens elegantes, extravagantes e sexualmente amb\u00edguos&#8221;, prossegue a autora do artigo. <\/p>\n<p>O cravo ter-se-\u00e1 tornado assim um c\u00f3digo entre homossexuais da elite intelectual londrina, segundo o artigo. Wilde, cuja homossexualidade era amplamente conhecida numa \u00e9poca em que esta era reprimida por lei e ningu\u00e9m a assumia abertamente, acabaria preso por &#8220;indec\u00eancia&#8221; em 1895, privado de dinheiro e exilado em Paris, onde morreria pouco depois. Burton acrescenta que, por essa altura, o cravo verde tinha-se tornado um acess\u00f3rio usado e reconhecido pelos gays de Paris.<\/p>\n<p>Em sua homenagem, foi publicado de forma an\u00f3nima um livro chamado The Green Carnation (O Cravo Verde), cuja autoria soube-se depois ser do cr\u00edtico musical londrino Robert Hichens, retratando a rela\u00e7\u00e3o de Wilde com Lord Alfred \u201cBosie\u201d Douglas.<\/p>\n<p>O cravo e o 25 de Abril<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o do cravo vermelho com o 25 de Abril n\u00e3o tem nada a ver com Oscar Wilde, nem sequer com cores pol\u00edticas. A hist\u00f3ria nasce quando <strong>Celeste Caeiro<\/strong>, ent\u00e3o com 40 anos, chega ao restaurante onde trabalhava na manh\u00e3 do dia 25 de abril de 1974. A sala estava toda enfeitada com flores, destinadas a serem oferecidas \u00e0s clientes por ocasi\u00e3o do anivers\u00e1rio do restaurante. No entanto, devido \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o, o estabelecimento n\u00e3o abriu nesse dia e Celeste regressa a casa com um molho de cravos vermelhos na m\u00e3o. \u00c9 ent\u00e3o que um soldado lhe pede um cigarro. Como n\u00e3o fuma, Celeste oferece um cravo e o soldado coloca-o na ponta da espingarda. Outro soldado pede tamb\u00e9m um cravo e repete o gesto. O resto \u00e9 Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Celeste Caeiro morreu aos 91 anos em 2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O debate sobre o uso, ou n\u00e3o, do cravo vermelho nas cerim\u00f3nias evocativas do 25 de Abril em&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":359219,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[3386,27,28,1736,9041,15,16,14,25,26,24395,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,61102,17,18,29,30,31],"class_list":["post-359218","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-andre-ventura","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-chega","tag-extrema-direita","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-lgbt","tag-main-news","tag-mainnews","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-revolucao-25-de-abril","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116476387892628059","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/359218","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=359218"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/359218\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/359219"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=359218"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=359218"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=359218"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}