{"id":360931,"date":"2026-04-28T16:02:14","date_gmt":"2026-04-28T16:02:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/360931\/"},"modified":"2026-04-28T16:02:14","modified_gmt":"2026-04-28T16:02:14","slug":"com-redes-sociais-e-dependencia-gnr-multa-57-condutores-ao-telemovel-por-dia-seguranca-rodoviaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/360931\/","title":{"rendered":"Com redes sociais e depend\u00eancia, GNR multa 57 condutores ao telem\u00f3vel por dia | Seguran\u00e7a Rodovi\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p class=\"resumo-p3\"><b>Resumo<\/b><br \/><b>&#8211;<\/b> Numa an\u00e1lise a 22 pa\u00edses europeus, Portugal \u00e9 4.\u00ba pa\u00eds onde mais condutores admitem usar redes sociais ou ler mensagens ao volante<br \/><b>&#8211;<\/b> GNR registou 208 mil infrac\u00e7\u00f5es entre 2015 e 2025 e PSP mais de 33 mil desde 2021, apesar de tend\u00eancia ligeira de descida<br \/><b>&#8211;<\/b> Especialistas alertam que o telem\u00f3vel ao volante provoca forte distrac\u00e7\u00e3o cognitiva e esteve associado a mais de 12 mil acidentes recentes<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Vaz estava a voltar para casa de carro quando, na entrada para a Ponte 25 de Abril, se assustou ao reparar que a condutora \u00e0 sua frente estava a trocar de faixa \u201csem se aperceber\u201d. O desvio inesperado da traject\u00f3ria foi motivado por algo que v\u00ea com cada vez mais frequ\u00eancia ao volante: o telem\u00f3vel. \u201cFoi dos maiores sustos que tive na estrada, felizmente n\u00e3o aconteceu nada\u201d, conta o engenheiro inform\u00e1tico de 29 anos, em conversa com o P3.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o tamb\u00e9m j\u00e1 viu amigos e outros condutores a espreitarem as redes sociais enquanto est\u00e3o no tr\u00e2nsito. \u201cN\u00e3o \u00e9 uma coisa que me admire muito, temos uma toler\u00e2ncia muito reduzida a ficar aborrecidos\u201d, diz, notando que h\u00e1 mais esta \u201cdepend\u00eancia com o telem\u00f3vel\u201d nas gera\u00e7\u00f5es mais novas.<\/p>\n<p>Apesar de saber que \u00e9 proibido e de conhecer os perigos de usar o telem\u00f3vel enquanto se conduz, Jo\u00e3o diz que tem sempre tend\u00eancia a olhar quando recebe uma notifica\u00e7\u00e3o e reconhece que j\u00e1 escreveu mensagens enquanto estava \u00e0 espera, no sem\u00e1foro ou no tr\u00e2nsito. Ter o telem\u00f3vel ao lado em momentos de tr\u00e2nsito \u201c\u00e9 muito tentador\u201d. E sabe que n\u00e3o \u00e9 caso \u00fanico: \u201c\u00c9 bastante comum, mas n\u00e3o acho que seja um bom princ\u00edpio porque conv\u00e9m estar sempre o m\u00e1ximo atento \u00e0 estrada\u201d.<\/p>\n<p>            &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<\/p>\n<p>Quando anda de Uber ou outros servi\u00e7os do g\u00e9nero, o engenheiro inform\u00e1tico que mora na Costa da Caparica j\u00e1 chegou a sentir uma \u201ccerta ansiedade\u201d quando os condutores se distraem a mexer na aplica\u00e7\u00e3o. J\u00e1 lhe aconteceu um motorista de Uber estar a conduzir &#8220;algo agressivamente enquanto mexia no telem\u00f3vel&#8221;.<\/p>\n<p>Bernardo, de 30 anos, conta ao P3 que chegou a usar o telem\u00f3vel para ver jogos de futebol enquanto conduzia, embora reconhe\u00e7a que o tenha feito poucas vezes e s\u00f3 quando estava parado ou n\u00e3o tinha tr\u00e2nsito \u00e0 volta. Antes de ter o telem\u00f3vel ligado ao ecr\u00e3 do autom\u00f3vel, tamb\u00e9m o utilizava para ver o GPS e para fazer chamadas.<\/p>\n<p>Para quem anda na estrada, estes cen\u00e1rios t\u00eam-se tornado mais frequentes: condutores que fazem scroll nas redes sociais enquanto conduzem ou esperam nos sem\u00e1foros, condutores que respondem a mensagens ou fazem chamadas no tr\u00e2nsito ou mesmo com o carro em andamento. Nas redes sociais, h\u00e1 tamb\u00e9m pessoas (sobretudo influencers) que se filmam enquanto falam e conduzem.<\/p>\n<p>            &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<\/p>\n<p><strong>Mais de 200 mil infrac\u00e7\u00f5es em dez anos<\/strong><\/p>\n<p>Este comportamento de risco est\u00e1 espelhado nos dados: entre 2015 e 2025, foram registadas pela Guarda Nacional Republicana (GNR) 208 mil infrac\u00e7\u00f5es por uso indevido de telem\u00f3vel ao volante \u2013 o que d\u00e1 uma m\u00e9dia de 57 condutores por dia. S\u00f3 nos \u00faltimos <a href=\"https:\/\/www.gnr.pt\/comunicado.aspx?linha=9463\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">tr\u00eas anos<\/a> foram registadas mais de 40 mil infrac\u00e7\u00f5es. Ainda assim, tem havido uma \u201ctend\u00eancia geral de decr\u00e9scimo\u201d que a GNR admite poder estar relacionada com uma maior sensibiliza\u00e7\u00e3o e com o agravamento de san\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos dados da GNR, a Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica (PSP) registou 33.882 infrac\u00e7\u00f5es por uso de telem\u00f3vel ao volante entre 2021 e 2025. Destes cinco anos, o ano de 2021 foi aquele com mais registos (9260), havendo uma diminui\u00e7\u00e3o nos anos seguintes.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>Se circularmos a 50km\/hora, percorremos 14 metros por segundo. \u201cSe tivermos um pe\u00e3o a 27 metros e perdermos dois segundos a olhar para o telem\u00f3vel, vai-se embater no pe\u00e3o sem travar sequer.\u201d<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\nAlain Areal                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>S\u00f3 que o n\u00famero de pessoas que usam o telem\u00f3vel diariamente nas estradas portuguesas dever\u00e1 ser bem mais elevado do que o n\u00famero de infrac\u00e7\u00f5es, diz ao P3 o presidente da associa\u00e7\u00e3o Preven\u00e7\u00e3o Rodovi\u00e1ria Portuguesa, Alain Areal. \u201cN\u00e3o tenho d\u00favidas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Numa <a href=\"https:\/\/prp.pt\/atitudes-e-comportamentos-dos-portugueses-seguranca-rodoviaria-em-portugal-esra3-overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">an\u00e1lise<\/a> feita a 22 pa\u00edses europeus, Portugal \u00e9 o quarto em que mais pessoas assumiram que leram uma mensagem ou utilizaram as redes sociais enquanto conduziam.<\/p>\n<p>De qualquer forma, a GNR considera estes n\u00fameros \u201cpreocupantes\u201d. S\u00f3 nos tr\u00eas primeiros meses de 2026 j\u00e1 se contabilizam mais de 4000 infrac\u00e7\u00f5es por uso de dispositivos electr\u00f3nicos durante a condu\u00e7\u00e3o. Este continua a ser, portanto, \u201cum desafio cr\u00edtico\u201d. \u00c9 no Porto e em Lisboa que se registam mais infrac\u00e7\u00f5es. S\u00f3 no primeiro trimestre de 2026, a <a href=\"https:\/\/www.psp.pt\/Pages\/comunicados-imprensa.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">PSP registou<\/a> tamb\u00e9m 1430 infrac\u00e7\u00f5es por manuseio de telem\u00f3vel durante a condu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>            &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<\/p>\n<p>Al\u00e9m das infrac\u00e7\u00f5es, o uso de telem\u00f3vel ao volante esteve na origem de mais de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/02\/23\/sociedade\/noticia\/uso-telemovel-durante-conducao-provocou-12-mil-acidentes-tres-anos-2165669\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">12 mil acidentes de via\u00e7\u00e3o<\/a> entre 2023 e 2025, em que \u201cpelo menos um dos condutores circulava distra\u00eddo\u201d, refere a PSP.<\/p>\n<p>No estrangeiro, t\u00eam sido noticiados acidentes fatais causados pela distrac\u00e7\u00e3o do telem\u00f3vel, como o de um <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/uk-england-manchester-66247471\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">homem no Reino Unido<\/a> que se estava a filmar a conduzir a alta velocidade quando se despistou e embateu num outro carro, matando uma mulher gr\u00e1vida que seguia com tr\u00eas crian\u00e7as na viatura.<\/p>\n<p><strong>Que perigos h\u00e1? <\/strong><\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de telem\u00f3vel ao volante \u201ctem impacto nas nossas fun\u00e7\u00f5es executivas, sobretudo na aten\u00e7\u00e3o, na concentra\u00e7\u00e3o e na mem\u00f3ria\u201d, afirma a psic\u00f3loga cl\u00ednica Ivone Patr\u00e3o, que estuda as depend\u00eancias dos ecr\u00e3s. \u201cH\u00e1 menos aten\u00e7\u00e3o \u00e0 estrada pela distrac\u00e7\u00e3o visual e mental e menos destreza manual, com reac\u00e7\u00f5es mais lentas.\u201d \u00c9 por isso que o risco de acidente \u00e9 muito maior quando se usa o telem\u00f3vel durante a condu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tirar os olhos da estrada por dois segundos para espreitar uma mensagem ou uma notifica\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o parecer muito. Mas Alain Areal d\u00e1 um exemplo: se circularmos a 50km\/hora, percorremos 14 metros por segundo. \u201cSe tivermos um pe\u00e3o a 27 metros e perdermos dois segundos a olhar para o telem\u00f3vel, vai-se embater no pe\u00e3o sem travar sequer.\u201d Quanto mais alta a velocidade, maior a probabilidade de o acidente ser fatal para o pe\u00e3o. \u201cS\u00e3o pequenas coisas que t\u00eam, normalmente, consequ\u00eancias enormes\u201d.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>Segundo a GNR, a utiliza\u00e7\u00e3o de telem\u00f3veis \u201ccausa uma distrac\u00e7\u00e3o cognitiva profunda, que reduz drasticamente a capacidade de reac\u00e7\u00e3o e o campo visual do condutor, produzindo efeitos de perda de percep\u00e7\u00e3o semelhantes \u00e0 condu\u00e7\u00e3o sob influ\u00eancia do \u00e1lcool\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO c\u00e9rebro saltita de uma tarefa para a outra\u201d, complementa Alain Areal. \u201cQuando a tarefa da condu\u00e7\u00e3o passa para secund\u00e1ria, h\u00e1 muito impacto na recolha de informa\u00e7\u00e3o, no tipo de decis\u00f5es que se toma, nos tempos de reac\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma s\u00e9rie de impactos que prejudicam a tarefa da condu\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Numa altura em que \u201caumentou a depend\u00eancia do telem\u00f3vel, tanto em jovens como adultos\u201d, o facto de as redes sociais serem t\u00e3o apelativas pode tamb\u00e9m ser um chamariz para quem est\u00e1 sozinho ou aborrecido no carro: \u201cJ\u00e1 sabemos que [a depend\u00eancia] condiciona outras \u00e1reas como a socializa\u00e7\u00e3o, o sono, a alimenta\u00e7\u00e3o\u2026 A condu\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00f3 mais uma\u201d, alerta Ivone Patr\u00e3o. Nos casos de depend\u00eancia, um dos crit\u00e9rios \u00e9 mesmo \u201ca necessidade de estar conectado e com o dispositivo na m\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O uso de ecr\u00e3s integrados nos tabliers dos carros \u201ctamb\u00e9m \u00e9 um factor de distrac\u00e7\u00e3o\u201d porque \u201cestamos a tirar os olhos da estrada na mesma\u201d, reconhece o presidente da PRP.<\/p>\n<p>Apesar de haver milhares de condutores com estes comportamentos perigosos, h\u00e1 tamb\u00e9m boas not\u00edcias: a esmagadora maioria dos condutores portugueses n\u00e3o manuseiam qualquer dispositivo m\u00f3vel enquanto est\u00e3o a conduzir, segundo um <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/07\/08\/sociedade\/noticia\/estudo-lnec-98-condutores-portugueses-nao-usam-telemovel-autoestrada-ate-surpreendeu-investigadores-2095680\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">estudo<\/a> desenvolvido pelo Laborat\u00f3rio Nacional de Engenharia Civil (LNEC).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Resumo&#8211; Numa an\u00e1lise a 22 pa\u00edses europeus, Portugal \u00e9 4.\u00ba pa\u00eds onde mais condutores admitem usar redes sociais&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":360932,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[1455,538,27,28,15,16,2002,14,3176,25,26,21,22,12,13,19,20,534,542,32,23,24,4740,1306,33,548,117,6897,4057,17,18,29,30,31],"class_list":["post-360931","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-acidentes","tag-bem-estar","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-gnr","tag-headlines","tag-jovens","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-p3","tag-para-redes","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-psicologia","tag-psp","tag-pt","tag-redes-sociais","tag-saude","tag-seguranca-rodoviaria","tag-telemoveis","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360931","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=360931"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360931\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/360932"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=360931"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=360931"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=360931"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}