{"id":361021,"date":"2026-04-28T17:12:18","date_gmt":"2026-04-28T17:12:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/361021\/"},"modified":"2026-04-28T17:12:18","modified_gmt":"2026-04-28T17:12:18","slug":"e-o-co2-estupido-pesca-de-arrasto-na-europa-tem-custos-de-16-mil-milhoes-de-euros-oceano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/361021\/","title":{"rendered":"\u00c9 o CO2, est\u00fapido: pesca de arrasto na Europa tem custos de 16 mil milh\u00f5es de euros | Oceano"},"content":{"rendered":"<p>A pesca de arrasto de fundo traz-nos para o prato cerca de 26% do peixe e marisco selvagem consumidos em todo o mundo. Mas um dos segredos que esconde \u00e9 que tem preju\u00edzos sociais e ambientais substanciais: entre 2016 e 2021, a actividade das empresas europeias do sector teve custos para a sociedade que podem chegar a 16 mil milh\u00f5es, conclui um novo estudo.<\/p>\n<p>\u201cO valor l\u00edquido global da pesca de arrasto \u00e9 negativo, e \u00e9 negativo por uma margem mesmo muito significativa\u201d, comentou, numa confer\u00eancia de imprensa online, Kat Milleage, a cientista norte-americana da iniciativa Pristine Seas da National Geographic Society que \u00e9 primeira autora deste estudo.<\/p>\n<p>Em Portugal, apesar de esta ind\u00fastria ter movimentado 56,3 milh\u00f5es de euros anuais e assegurar prote\u00ednas para a alimenta\u00e7\u00e3o, assim como empregos, o valor l\u00edquido global da pesca de arrasto \u2014 que se obt\u00e9m quando se somam todos os benef\u00edcios e se subtraem todos os custos \u2014 \u00e9 tamb\u00e9m negativo: pode ficar a perder 53,4 milh\u00f5es de euros, conclui o artigo publicado nesta ter\u00e7a-feira na revista cient\u00edfica Ocean and Coastal Management, por autores ligados \u00e0 iniciativa Pristine Seas.<\/p>\n<p>O estudo inclui n\u00e3o s\u00f3 os 27 Estados-membros da Uni\u00e3o Europeia, mas tamb\u00e9m alguns que n\u00e3o a integram, como a Isl\u00e2ndia ou a Noruega. Assim, a n\u00edvel europeu, a ind\u00fastria da pesca de arrasto movimentou 4410 milh\u00f5es de euros anuais no per\u00edodo observado. Mas o lucro real cai para uns mais modestos 180 milh\u00f5es de euros anuais depois de descontar os custos operacionais, os volumosos subs\u00eddios estatais que recebe (1170 milh\u00f5es de euros anuais) e alguns custos adicionais, como o desperd\u00edcio da pesca acidental de esp\u00e9cies que n\u00e3o s\u00e3o o alvo (by-catch).<\/p>\n<p>O carbono raspado do fundo<\/p>\n<p>Contudo, o maior contribuinte para que a pesca de arrasto seja ruinosa s\u00e3o os enormes custos das emiss\u00f5es de CO2 provocadas por esta actividade. \u201cAs artes da pesca de arrasto de fundo raspam os fundos marinhos, provocando a liberta\u00e7\u00e3o de carbono que esteve armazenado nos sedimentos durante s\u00e9culos\u201d, explicou Kat Milleage. Este CO2 \u00e9 o mesmo que, ao aumentar a sua concentra\u00e7\u00e3o na atmosfera, aumenta o efeito de estufa e provoca o aquecimento global.<\/p>\n<p>\u201cQuando esse carbono fica dispon\u00edvel na \u00e1gua, e se mistura com oxig\u00e9nio, uma parte transforma-se em CO2, e descobrimos que estas emiss\u00f5es submarinas s\u00e3o de uma escala equivalente \u00e0s da <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2021\/03\/29\/ciencia\/noticia\/pesca-arrasto-lancara-atmosfera-mil-milhoes-toneladas-co2-1955593\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">avia\u00e7\u00e3o global<\/a>\u201d, disse Enric Sala, explorador em resid\u00eancia da iniciativa Pristine Seas, recordando um estudo publicado em <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-021-03371-z\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">2021<\/a>.<\/p>\n<p>Esse estudo, na altura, enfrentou cepticismo. \u201cDisseram-nos que, mesmo que tiv\u00e9ssemos raz\u00e3o, estas emiss\u00f5es submarinas n\u00e3o contavam, porque o Acordo de Paris [para tentar controlar as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas] considera apenas as emiss\u00f5es atmosf\u00e9ricas de CO2\u201d, recordou o cientista espanhol. \u201cPortanto, decidimos mostrar que estas emiss\u00f5es submarinas t\u00eam um impacto semelhante \u00e0s da atmosfera\u201d.<\/p>\n<p>O estudo agora publicado \u00e9 o produto desse tira-teimas. \u201cJunt\u00e1mo-nos a outros grupos, com a ag\u00eancia espacial norte-americana NASA, e estimamos que metade das emiss\u00f5es submarinas de CO2 chegam \u00e0 atmosfera no espa\u00e7o de uma d\u00e9cada\u201d, contou Enric Sala. \u201cComo fazemos pesca de arrasto de fundo no oceano de forma industrial desde a d\u00e9cada de 1950, basicamente metade de toda as emiss\u00f5es submarinas produzidas por esta forma de pesca est\u00e3o agora na atmosfera, o que significa que t\u00eam o mesmo efeito que as emiss\u00f5es terrestres\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Os custos em Portugal<\/p>\n<p>Ao n\u00edvel europeu, a equipa calcula que 112,4 milh\u00f5es de toneladas de carbono v\u00e3o parar \u00e0 atmosfera, em m\u00e9dia, todos os anos, em resultado da pesca de arrasto de fundo. O custo social da liberta\u00e7\u00e3o deste carbono pode chegar a 18.150 milh\u00f5es de euros anuais, na estimativa mais elevada, ou 4870 milh\u00f5es, na mais conservadora.<\/p>\n<p>    &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                112,4 &#13;<br \/>\n                milh\u00f5es de toneladas de carbono v\u00e3o parar \u00e0 atmosfera, em m\u00e9dia, todos os anos, em resultado da pesca de arrasto de fundo&#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;\n        <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n        &#13;<\/p>\n<p>Em Portugal, a estimativa \u00e9 que o impacto da movimenta\u00e7\u00e3o dos sedimentos e liberta\u00e7\u00e3o de CO2 tenha custos na ordem de 61,6 milh\u00f5es de euros \u2014 ou 16,5 milh\u00f5es, na perspectiva mais optimista. Estes custos juntam-se a 19,6 milh\u00f5es de euros da captura de esp\u00e9cies que n\u00e3o s\u00e3o alvo da pesca (e que normalmente s\u00e3o deitadas fora, mortas), dos 16,3 milh\u00f5es anuais em subs\u00eddios pagos pelo Estado para apoiar a frota (foram registado 79 embarca\u00e7\u00f5es em Portugal a fazer pesca de arrasto de fundo) e ainda os 11 milh\u00f5es de euros (na estimativa mais elevada) das emiss\u00f5es de CO2 directamente relacionadas com o combust\u00edvel usado pelas embarca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disto, o CO2 que continua na \u00e1gua do mar contribui para a acidifica\u00e7\u00e3o do oceano, outra amea\u00e7a a muitas formas de vida. \u201cIsto \u00e9 muito importante em bacias oce\u00e2nicas pequenas e fechadas, como o Mar do Norte ou o Mediterr\u00e2neo\u201d, salientou Enric Sala.<\/p>\n<p>Mudar a narrativa<\/p>\n<p>S\u00f3 que, chegando aqui, n\u00e3o basta a ci\u00eancia. H\u00e1 que <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/03\/25\/azul\/noticia\/pesca-arrasto-europeia-custanos-11-mil-milhoes-euros-anuais-continua-2127212\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">enfrentar a narrativa vigente<\/a>. \u201cQuando apresent\u00e1mos estes resultados \u00e0 Comiss\u00e3o Europeia, disseram-nos que como a pesca de arrasto de fundo emprega muitas pessoas, e traz muitos benef\u00edcios econ\u00f3micos, \u00e9 boa para a Europa\u201d, relatou.<\/p>\n<p>Portanto, a equipa da Pristine Seas decidiu fazer um novo estudo para quantificar os benef\u00edcios e os custos \u2014\u200b bem como valor l\u00edquido global \u2014 da pesca de arrasto de fundo na Europa. As conclus\u00f5es, defende, s\u00e3o claras: \u201cO nosso estudo torna claro que a pesca de arrasto de fundo nas \u00e1guas europeias n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um desastre ambiental, \u00e9 tamb\u00e9m um falhan\u00e7o econ\u00f3mico\u201d, declarou Sala.<\/p>\n<p>\u00c9 uma nova narrativa que estes cientistas est\u00e3o a propor para contar o que \u00e9 e como funciona a pesca de arrasto na Europa. \u201cOs nossos resultados sugerem que as an\u00e1lises de custo-benef\u00edcio usadas na avalia\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas marinhas t\u00eam de ir al\u00e9m das estreitas m\u00e9tricas de mercado e abra\u00e7ar toda a teoria econ\u00f3mica sobre valor, para poderem capturar de forma plena as consequ\u00eancias de artes de pesca destrutivas como a pesca de arrasto de fundo\u201d, comentou Rashid Sumaila, economista das Pescas e do Oceano da Universidade da Columbia Brit\u00e2nica, no Canad\u00e1, e outro dos autores do estudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A pesca de arrasto de fundo traz-nos para o prato cerca de 26% do peixe e marisco selvagem&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":361022,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[785,27,28,8654,2271,11167,476,445,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,6760,6684,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":["post-361021","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-azul","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-carbono","tag-clima","tag-co2","tag-economia","tag-europa","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-oceano","tag-pescas","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116483453554793524","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/361021","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=361021"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/361021\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/361022"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=361021"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=361021"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=361021"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}