{"id":361936,"date":"2026-04-29T09:39:23","date_gmt":"2026-04-29T09:39:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/361936\/"},"modified":"2026-04-29T09:39:23","modified_gmt":"2026-04-29T09:39:23","slug":"corte-com-a-opep-o-que-significa-a-saida-dos-emirados-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/361936\/","title":{"rendered":"Corte com a OPEP. O que significa a sa\u00edda dos Emirados \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Em pleno conflito do Ir\u00e3o e com\u00a0a capacidade de exporta\u00e7\u00e3o do Golfo P\u00e9rsico altamente condicionada, os Emirados \u00c1rabes Unidos anunciaram a sa\u00edda da OPEP, ao fim 59 anos de perten\u00e7a ao mais famoso cartel do mundo.<\/p>\n<p>O ministro da Energia, Suhail Mohamed-al-Mazrouei, <a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/markets\/commodities\/uae-says-it-quits-opec-opec-statement-2026-04-28\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">justifica a decis\u00e3o<\/a>, efetiva a partir de 1 de maio, com uma reavalia\u00e7\u00e3o cuidadosa das estrat\u00e9gias de energia das pot\u00eancias da regi\u00e3o. \u201c\u00c9 uma decis\u00e3o de pol\u00edtica e foi tomada ap\u00f3s uma perspetiva cautelosa sobre as pol\u00edticas atuais e futuras, relacionadas com a produ\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Reuters. E que n\u00e3o foi previamente comunicada \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o cuja sede \u00e9 em Viena, na \u00c1ustria.<\/p>\n<p>Esta decis\u00e3o traz \u00e0 superf\u00edcie diverg\u00eancias antigas entre os membros da OPEP que ganhou for\u00e7a na sequ\u00eancia do bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Ir\u00e3o que est\u00e1 a estrangular um quinto da oferta mundial de petr\u00f3leo e g\u00e1s e a economia dos pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o sendo membro fundador da organiza\u00e7\u00e3o \u2014 que foi criada em 1960 por cinco grandes produtores: Iraque, Ir\u00e3o, Kuwait, Ar\u00e1bia Saudita e Venezuela \u2014, os Emirados \u00c1rabes Unidos (EAU) est\u00e3o entre os mais antigos. Entraram em 1967 e t\u00eam estado entre os mais consistentes associados da OPEP.<\/p>\n<p>Considerando o n\u00facleo duro de 12 pa\u00edses que constitui atualmente a OPEP, os Emirados eram, no final do ano passado, o terceiro principal fornecedor de petr\u00f3leo da organiza\u00e7\u00e3o, apenas atr\u00e1s da Ar\u00e1bia Saudita e do Iraque. Em novembro de 2026 produziram 3,58 milh\u00f5es de barris por dia, o que equivale a cerca de 12%. A sua produ\u00e7\u00e3o era superior a pa\u00edses com mais reservas, como a Venezuela ou o Ir\u00e3o, mas cujas exporta\u00e7\u00f5es estavam limitadas por san\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>O peso era menor, considerando o grupo pa\u00edses que fazem parte da OPEP+ que inclui outros grandes produtores como R\u00fassia, M\u00e9xico, Cazaquist\u00e3o, Om\u00e3 e Azerbaij\u00e3o. Os Emirados tamb\u00e9m v\u00e3o abandonar este agrupamento, numa decis\u00e3o que reflete uma pol\u00edtica \u201calinhada com os fundamentais do mercado a longo prazo\u201d, segundo o comunicado divulgado pela ag\u00eancia de not\u00edcas WAM.<\/p>\n<p>O pa\u00eds est\u00e1 entre os dez maiores produtores mundiais, contribuindo com o fornecimento de 3% a 4% da oferta de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>O movimento de sa\u00edda acontece depois dos Emirados terem criticado os parceiros \u00e1rabes da OPEP por n\u00e3o terem feito mais para proteger as infraestruturas energ\u00e9ticas dos ataques do Ir\u00e3o. \u201cOs pa\u00edses do Conselho de Coopera\u00e7\u00e3o do Golfo \u2014 uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f3mica regional \u2014 apoiam-se logisticamente. Mas no que toca ao apoio pol\u00edtico e militar, a sua posi\u00e7\u00e3o foi historicamente fraca\u201d, afirmou Anwar Gargash, conselheiro diplom\u00e1tico do Presidente dos Emirados numa confer\u00eancia esta segunda-feira. Os Emirados foram um alvo preferencial da retalia\u00e7\u00e3o do Ir\u00e3o que enviou mais de 2.000 m\u00edsseis e drones para a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Reuters, o ministro da Energia sinalizou que o mundo precisa agora de mais energia, deixando no ar a possibilidade da rutura com a OPEP significar que o pa\u00eds est\u00e1 disposto a responder as essas necessidades. O principal objetivo da OPEP \u00e9 controlar o pre\u00e7o do petr\u00f3leo mundial, limitando a produ\u00e7\u00e3o dos seus membros a quotas pr\u00e9-definidas.<\/p>\n<p>O Financial Times <a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/8c354f2d-3e66-47f1-aad4-9b4aa30e386d?accessToken=zwAAAZ3UoasykdOMNU8tPmZH8dOq1JtKow44bQ.MEUCIHll_H3MnpckwspbGksUmkUmjqXFf-Pc5pqDCTInbj5lAiEApFxvIOXJU4s_Oi2h0NBdSSBRf-SMclUpfLjou4nBhrI&amp;sharetype=gift&amp;token=7acf2769-a1e0-49c7-9a27-829d3636b98d&amp;syn-25a6b1a6=1\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">recorda que a frustra\u00e7\u00e3o dos Emirados<\/a> com o trav\u00e3o \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 de agora. \u201cOs Emirados n\u00e3o ficaram felizes por ter de restringir\u00a0a sua produ\u00e7\u00e3o quando queriam injetar mais petr\u00f3leo e os sauditas queriam o contr\u00e1rio\u201d, assinalou Firas Maksadm, diretor para o M\u00e9dio Oriente do Eurasia Group. Saindo da OPEP, quando a produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o normalizarem, os Emirados ficam sem amarras para poderem acelerar os investimentos na produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica de energia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da queda da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s, os Emirados t\u00eam constru\u00eddo importantes hub financeiros, imobili\u00e1rios e tur\u00edsticos (nomeadamente no Dubai), que est\u00e3o a ser muito prejudicados pelo prolongamento do conflito.<\/p>\n<p>O pa\u00eds \u00e9 ainda o mais importante aliado dos Estados Unidos na regi\u00e3o e a sa\u00edda da OPEP est\u00e1 a ser vista pelos analistas como uma vit\u00f3ria do Presidente Donald Trump. Ainda no primeiro mandato em 2018, Trump acusou a organiza\u00e7\u00e3o de explorar o resto do mundo ao impor pre\u00e7os altos do petr\u00f3leo. Mais recentemente tem associado o apoio militar americano aos pa\u00edses do Golfo com a oferta e a evolu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>De acordo com o ministro da Energia, citado pelas ag\u00eancias internacionais, a sa\u00edda do pa\u00eds da OPEP e da OPEP+ n\u00e3o ter\u00e1 um grande impacto no mercado por causa da situa\u00e7\u00e3o que se vive no Estreito de Ormuz.<\/p>\n<p>Depois do fecho desta passagem pelo Ir\u00e3o, a partir de mar\u00e7o, a produ\u00e7\u00e3o dos Emirados baixou em 1,3 milh\u00f5es de barris por dia e as exporta\u00e7\u00f5es afundaram 1,9 milh\u00f5es de barris para menos de metade do normal. Ainda assim, os Emirados conseguiram contornar o estrangulamento em Ormuz com rotas alternativas, limitando as perdas. O \u00faltimo relat\u00f3rio da Ag\u00eancia Internacional de Energia sobre o mercado de petrol\u00edfero para mar\u00e7o indica que o fornecimento de petr\u00f3leo por parte dos pa\u00edses da OPEP+ afundou 8,1 milh\u00f5es de barris por dia.<\/p>\n<p>O petr\u00f3leo estava a subir cerca de 2% no mercados de Londres para 110 d\u00f3lares por barril, depois de conhecida a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 outros pa\u00edses abandonaram a organiza\u00e7\u00e3o e os pr\u00f3prios Emirados j\u00e1 amea\u00e7aram faz\u00ea-lo no passado. Mas a concretiza\u00e7\u00e3o do adeus definitivo que agora, em plena crise energ\u00e9tica e da regi\u00e3o, est\u00e1 ser encarado como um golpe para a OPEP e para o pa\u00eds que sempre deu as cartas na organiza\u00e7\u00e3o, a Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>\u00c9 uma sa\u00edda que acontece num contexto de grande restri\u00e7\u00e3o \u00e0 oferta petrol\u00edfera que vem da regi\u00e3o do Golfo e um dos analistas ouvidos pelo Financial Times considera que <strong>o cartel vai ficar estruturalmente mais fraco<\/strong>. Em particular porque, sem os Emirados, <strong>a Ar\u00e1bia Saudita era o \u00fanico membro da OPEP com capacidade adicional de produ\u00e7\u00e3o<\/strong>, afirma Jorge Le\u00f3n, analista da Rystand Energy e antigo funcion\u00e1rio da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, <a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2026\/04\/28\/world\/live-news\/iran-war-trump-israel?post-id=cmoilqk2200003b6wp69m6x05&amp;t=1777394982068\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">outros membros podem seguir os Emirados<\/a>. \u201cSe h\u00e1 uma boa altura para sair \u00e9 esta\u201d, defende Robin Mills, presidente da Qamar Energy, uma consultora energ\u00e9tica baseada\u00a0no Dubai. O analista admite \u00e0 CNN que o Cazaquist\u00e3o pode sair tamb\u00e9m porque quer expandir o setor petrol\u00edfero, o que choca com a pol\u00edtica de quotas da OPEP.<\/p>\n<p>A OPEP controla 36% da produ\u00e7\u00e3o mundial, mas a sua for\u00e7a nas reservas provadas \u00e9 mais substancial, atinge os 80%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em pleno conflito do Ir\u00e3o e com\u00a0a capacidade de exporta\u00e7\u00e3o do Golfo P\u00e9rsico altamente condicionada, os Emirados \u00c1rabes&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":361937,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[27,28,476,50933,2270,15,16,20447,14,25,26,21,22,310,62,12,13,19,20,7152,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-361936","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-principais-noticias","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-economia","11":"tag-emirados-u00c1rabes-unidos","12":"tag-energia","13":"tag-featured-news","14":"tag-featurednews","15":"tag-gu00e1s-natural","16":"tag-headlines","17":"tag-latest-news","18":"tag-latestnews","19":"tag-main-news","20":"tag-mainnews","21":"tag-mu00e9dio-oriente","22":"tag-mundo","23":"tag-news","24":"tag-noticias","25":"tag-noticias-principais","26":"tag-noticiasprincipais","27":"tag-petru00f3leo","28":"tag-portugal","29":"tag-principais-noticias","30":"tag-principaisnoticias","31":"tag-pt","32":"tag-top-stories","33":"tag-topstories","34":"tag-ultimas","35":"tag-ultimas-noticias","36":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116487334725791337","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/361936","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=361936"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/361936\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/361937"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=361936"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=361936"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=361936"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}