{"id":361975,"date":"2026-04-29T10:19:34","date_gmt":"2026-04-29T10:19:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/361975\/"},"modified":"2026-04-29T10:19:34","modified_gmt":"2026-04-29T10:19:34","slug":"saida-dos-emirados-arabes-unidos-da-opep-e-uma-jogada-politica-que-pode-travar-a-subida-de-precos-do-petroleo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/361975\/","title":{"rendered":"Sa\u00edda dos Emirados \u00c1rabes Unidos da OPEP \u00e9 uma &#8220;jogada pol\u00edtica&#8221; que &#8220;pode travar a subida de pre\u00e7os do petr\u00f3leo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\t                Decis\u00e3o n\u00e3o vai ter &#8220;efeitos imediatos&#8221; na produ\u00e7\u00e3o e nos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, mas &#8220;no m\u00e9dio e longo prazo pode ter um grande impacto&#8221;, admite Ant\u00f3nio Costa Silva, antigo ministro da Economia. Ricardo Marques, analista de mercados, estima que esta sa\u00edda- pode mesmo &#8220;ajudar a que os pre\u00e7os baixem&#8221;<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/guerra\/petroleo\/choque-no-medio-oriente-emirados-arabes-unidos-anunciam-saida-da-opep\/20260428\/69f0ac85d34edcee7c638c23\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">sa\u00edda dos Emirados \u00c1rabes Unidos da OPEP e da OPEP+<\/a> \u00e9 sobretudo uma \u201cjogada pol\u00edtica\u201d para \u201crefor\u00e7arem a sua posi\u00e7\u00e3o\u201d no M\u00e9dio Oriente, mas que n\u00e3o ter\u00e1, para j\u00e1, impactos a n\u00edvel econ\u00f3mico, nomeadamente ao n\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o e dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, segundo especialistas ouvidos pela CNN Portugal.\u00a0<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, explica Ant\u00f3nio Costa Silva, antigo ministro da Economia, com esta decis\u00e3o, os Emirados \u00c1rabes Unidos ficam \u201clibertos do sistema de quotas\u201d da Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo (OPEP), que limitava a sua produ\u00e7\u00e3o \u201ca quatro milh\u00f5es de barris por dia\u201d.<\/p>\n<p>Sendo a Ar\u00e1bia Saudita a maior produtora de petr\u00f3leo do mundo &#8211; por compara\u00e7\u00e3o, produz 10 milh\u00f5es de barris por dia &#8211; \u00e9 ela que \u201cimp\u00f5e as regras das quotas de produ\u00e7\u00e3o para cada um\u201d dos atuais 12 membros da organiza\u00e7\u00e3o, sublinha Ricardo Marques, analista de mercados e especialista em petr\u00f3leo. \u201cE, no fundo, os Emirados querem ter liberdade de produzirem o que quiserem\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Ou seja, os Emirados \u00c1rabes Unidos deixam de estar sujeitos aos limites impostos pela Ar\u00e1bia Saudita e passam a extrair petr\u00f3leo ao seu pr\u00f3prio ritmo. \u201cEles t\u00eam capacidade para aumentar bastante mais a sua produ\u00e7\u00e3o\u201d de petr\u00f3leo, observa Ant\u00f3nio Costa Silva, apontando que s\u00f3 os Emirados det\u00eam \u201ccinco dos grandes campos produtores de petr\u00f3leo do Golfo P\u00e9rsico\u201d e, por isso, \u201cpodem aumentar bastante a sua produ\u00e7\u00e3o acima dos quatro milh\u00f5es de barris por dia\u201d.<\/p>\n<p>Nesta altura, por\u00e9m, esta decis\u00e3o \u201cvai ter pouco\u201d ou \u201cnenhum impacto\u201d a n\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, segundo os especialistas ouvidos pela CNN Portugal. \u00c9 que os ataques \u00e0s infraestruturas energ\u00e9ticas nos pa\u00edses do Golfo e o bloqueio do Estreito de Ormuz fizeram com que \u201ca cada cinco dias, faltem 100 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo no mercado mundial, com impactos brutais no custo dos combust\u00edveis\u201d, aponta Ant\u00f3nio Costa Silva.<\/p>\n<p>\u201cNesta altura, \u00e9 preciso todo o petr\u00f3leo e mais algum, e n\u00e3o adianta os Emirados produzirem a mais porque n\u00e3o conseguem escoar\u201d, acrescenta Ricardo Marques.<\/p>\n<p>O ministro da Energia dos Emirados \u00c1rabes Unidos,\u00a0Suhail Al Mazrouei, reconheceu isso mesmo <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/emirados-arabes-unidos\/opep\/saida-dos-emirados-arabes-unidos-da-opep-pode-levar-outros-paises-a-seguir-o-mesmo-caminho\/20260428\/69f0dcf7d34e28842c83713d\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 CNN<\/a>, ao referir que a decis\u00e3o foi tomada agora\u00a0porque o Estreito de Ormuz est\u00e1 fechado e o impacto desta sa\u00edda no mercado petrol\u00edfero ser\u00e1 limitado.<\/p>\n<p>\u201cO momento \u00e9 oportuno porque n\u00e3o ter\u00e1 impacto significativo no mercado e no pre\u00e7o, uma vez que o Estreito de Ormuz est\u00e1 fechado e com restri\u00e7\u00f5es\u201d, justificou. \u201cPortanto, todos est\u00e3o limitados, incluindo n\u00f3s, mas tomar a decis\u00e3o agora ajudar\u00e1 todos os nossos aliados a n\u00e3o sentirem a press\u00e3o sobre o pre\u00e7o.\u201d<\/p>\n<p>Mas o cen\u00e1rio pode mudar dentro de \u201cum ou dois anos\u201d, estima Ant\u00f3nio Costa Silva, acreditando que este \u00e9 o tempo que vai demorar at\u00e9 se \u201crestabelecer a situa\u00e7\u00e3o no Estreito de Ormuz e no Golfo P\u00e9rsico\u201d e voltarmos a assistir a um ciclo normal de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>\u201cNo m\u00e9dio e longo prazo, pode ter um grande impacto\u201d, antev\u00ea o antigo ministro da Economia. \u201cSe voltarmos a um ciclo normal de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, \u00e9 evidente que os Emirados v\u00e3o produzir bastante mais e isso vai ter reflexos no mercado mundial, no sentido de pressionar os pre\u00e7os em baixa, porque vai haver mais oferta.\u201d\u00a0<\/p>\n<p>Ricardo Marques concorda que os efeitos desta decis\u00e3o s\u00f3 ser\u00e3o sentidos \u201ca m\u00e9dio e longo prazo\u201d, estabelecendo o mesmo prazo que Ant\u00f3nio Costa Silva: \u201cDaqui a um ou dois anos, [a sa\u00edda dos Emirados da OPEP] poder\u00e1 ajudar a travar uma subida de pre\u00e7os, ou mesmo ajudar a que os pre\u00e7os baixem.\u201d<\/p>\n<p>Decis\u00e3o dos Emirados deixa OPEP numa situa\u00e7\u00e3o &#8220;fragilizada&#8221; <\/p>\n<p>Neste contexto, a OPEP fica numa situa\u00e7\u00e3o \u201cmuito mais fragilizada\u201d, acredita Ricardo Marques, considerando, tal como Ant\u00f3nio Costa Silva, de que esta parece ser \u201cuma quest\u00e3o mais de disputa regional\u201d do que propriamente econ\u00f3mica. O analista de mercados admite ter ficado surpreendido com os ataques do Ir\u00e3o contra as infraestruturas energ\u00e9ticas dos pa\u00edses parceiros da OPEP.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o que me faz alguma confus\u00e3o, que \u00e9 ter um pa\u00eds da OPEP, que \u00e9 o Ir\u00e3o, a atacar militarmente outros parceiros da OPEP, como a Ar\u00e1bia Saudita, o Kuwait, o Iraque e os Emirados. Portanto, ningu\u00e9m sabe como \u00e9 que isto vai acabar, mas eu calculo que as rela\u00e7\u00f5es entre o Ir\u00e3o e os outros membros da OPEP n\u00e3o fiquem propriamente cordiais&#8221;, antecipa Ricardo Marques.<\/p>\n<p>O antigo ministro da Economia diz mesmo que esta sa\u00edda dos Emirados \u00c1rabes Unidos da OPEP \u201cj\u00e1 era previs\u00edvel\u201d, n\u00e3o por causa dos ataques do Ir\u00e3o, mas tendo em conta os atritos com a Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>\u201cSobretudo nos \u00faltimos anos, houve um choque entre a lideran\u00e7a pol\u00edtica dos Emirados, do sheik Mohammed Bin Zayed e o pr\u00edncipe herdeiro da Ar\u00e1bia Saudita, Mohammed Bin Salman\u201d, observa.\u00a0<\/p>\n<p>Os dois pa\u00edses \u201csempre foram parceiros\u201d, mas nos \u00faltimos anos assiste-se a \u201cuma cis\u00e3o cada vez maior\u201d entre ambos, aponta Ant\u00f3nio Costa Silva, desde logo no que diz respeito aos conflitos regionais. \u201cEles est\u00e3o sempre de lados opostos da barricada &#8211; por exemplo, na L\u00edbia, no Sud\u00e3o, noutros pa\u00edses africanos. E a gota que fez transbordar o copo foi a interven\u00e7\u00e3o que os Emirados tiveram, sob a orienta\u00e7\u00e3o do sheik Mohammed Bin Zayed, na guerra do I\u00e9men\u201d, onde os Emirados \u201capoiaram um ou dois grupos de insurgentes, que, inclusive, atacaram as fronteiras da Ar\u00e1bia Saudita\u201d, explica o antigo ministro.<\/p>\n<p>\u00c9 neste contexto que Ant\u00f3nio Costa Silva acredita que esta decis\u00e3o dos Emirados \u00c1rabes Unidos \u201c\u00e9 uma jogada pol\u00edtica, para refor\u00e7ar a sua posi\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o\u201d no M\u00e9dio Oriente, de modo a estabelecer-se como \u201cum polo alternativo \u00e0 hegemonia que representa a Ar\u00e1bia Saudita\u201d.<\/p>\n<p>No meio disto tudo, o antigo ministro da Economia considera que \u201cos EUA s\u00e3o, do ponto de vista do mercado do petr\u00f3leo, um dos grandes vencedores deste conflito\u201d, porque \u201cdesestabilizaram completamente o Golfo P\u00e9rsico, que est\u00e1 paralisado na sua produ\u00e7\u00e3o\u201d, e conseguiram, assim, o estatuto de \u201cmaior produtor mundial de petr\u00f3leo\u201d atualmente.<\/p>\n<p>\u201cOs EUA est\u00e3o a produzir 14 milh\u00f5es e meio de barris por dia, muito \u00e0 frente da Ar\u00e1bia Saudita. E s\u00e3o os maiores produtores mundiais de g\u00e1s\u201d, destaca Ant\u00f3nio Costa Silva, sublinhando que nos \u00faltimos dias assistiu a um \u201cfen\u00f3meno impens\u00e1vel h\u00e1 alguns anos\u201d, quando \u201c68 navios superpetroleiros atracaram nos portos americanos para serem carregados com petr\u00f3leo e g\u00e1s\u201d, quando, antes da guerra no Ir\u00e3o, \u201ca m\u00e9dia era \u00e0 volta de 28\u201d. \u201c\u00c9 quase mais do dobro, portanto os EUA est\u00e3o a capitalizar muito com isto\u201d, argumenta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Decis\u00e3o n\u00e3o vai ter &#8220;efeitos imediatos&#8221; na produ\u00e7\u00e3o e nos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, mas &#8220;no m\u00e9dio e longo&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":335187,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[609,836,611,27,88,607,608,333,832,604,61648,135,610,476,89,5698,90,301,830,603,570,831,833,62,834,13,22970,835,602,6153,52,32,33,29],"class_list":["post-361975","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-business","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-custo-do-petroleo","tag-desporto","tag-direto","tag-economia","tag-economy","tag-emirados-arabes-unidos","tag-empresas","tag-governo","tag-guerra","tag-justica","tag-live","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-noticias","tag-opep","tag-opiniao","tag-pais","tag-petroleo","tag-politica","tag-portugal","tag-pt","tag-ultimas"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116487491827605648","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/361975","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=361975"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/361975\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/335187"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=361975"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=361975"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=361975"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}