{"id":362090,"date":"2026-04-29T12:06:12","date_gmt":"2026-04-29T12:06:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/362090\/"},"modified":"2026-04-29T12:06:12","modified_gmt":"2026-04-29T12:06:12","slug":"seguro-critico-dos-eua-de-trump-marca-posicao-junto-as-lajes-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/362090\/","title":{"rendered":"Seguro cr\u00edtico dos EUA de Trump marca posi\u00e7\u00e3o junto \u00e0s Lajes \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro tem defendido que o mundo precisa de paz em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, o que j\u00e1 lhe valeu, junto de advers\u00e1rios pol\u00edticos, a alcunha de \u201cmiss mundo\u201d. Mas, nas entrelinhas das palavras do Presidente, est\u00e1 uma <strong>demarca\u00e7\u00e3o<\/strong> da pol\u00edtica seguida pela Administra\u00e7\u00e3o Trump, numa posi\u00e7\u00e3o que, de forma intencional, pretende ser <strong>mais cr\u00edtica e distante<\/strong> do que a seguida pelo Governo de Montenegro. A escolha da Ilha Terceira para as comemora\u00e7\u00f5es do 10 de Junho n\u00e3o tem apenas como motiva\u00e7\u00e3o assinalar os 50 anos das autonomias regionais, mas tamb\u00e9m ser uma afirma\u00e7\u00e3o da<b> posi\u00e7\u00e3o portuguesa<\/b>, e da sua soberania, na ilha onde est\u00e1 localizada a Base das Lajes.<\/p>\n<p>A base norte-americana motivou, ali\u00e1s, o primeiro <strong>arrufo<\/strong> entre Seguro e o Governo em mat\u00e9ria de Pol\u00edtica Externa. Ainda como candidato, no Debate da R\u00e1dio, o atual Presidente <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=o3-LYrAx0AA\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">defendeu<\/a> que o Acordo de Coopera\u00e7\u00e3o e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos devia ser \u201c<strong>revisto<\/strong> \u00e0 luz da nova geopol\u00edtica atual e das rela\u00e7\u00f5es transatl\u00e2nticas que mantemos e devemos manter com os EUA\u201d. O agora chefe de Estado dizia ainda: \u201c\u00c9 preciso distinguir a nossa coopera\u00e7\u00e3o com os EUA da nossa <strong>rela\u00e7\u00e3o conjuntural com o atual Presidente dos EUA<\/strong>, Donald Trump. S\u00e3o coisas distintas.\u201d<\/p>\n<p>J\u00e1 depois da tomada de posse de Seguro e do in\u00edcio da Guerra do Ir\u00e3o, o ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros afastava a revis\u00e3o do acordo, mas desvalorizava, na\u00a0R\u00e1dio Renascen\u00e7a, a <a href=\"https:\/\/rr.pt\/especial\/escala-global\/2026\/03\/13\/rangel-descarta-revisao-das-lajes-politica-externa-e-competencia-do-governo\/462710\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">dessintonia<\/a> entre Bel\u00e9m em S\u00e3o Bento: \u201cSempre houve posi\u00e7\u00f5es do Presidente da Rep\u00fablica diferentes da posi\u00e7\u00e3o do Governo.\u201d Paulo Rangel deixava, por\u00e9m, um aviso ao Presidente: \u201cS\u00e3o muito claras as esferas de compet\u00eancia de cada um. E a defini\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa, obviamente, que \u00e9 uma <strong>compet\u00eancia<\/strong> do Governo\u201d. Ficava o aviso do Governo.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 Guerra no Ir\u00e3o, Lu\u00eds Montenegro disse sempre, desde a primeira hora, que Portugal \u201cn\u00e3o acompanhou, n\u00e3o subscreveu e n\u00e3o esteve envolvido nessa a\u00e7\u00e3o militar\u201d. Mas o Executivo \u2014 quer pelo primeiro-ministro, quer pelo ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros \u2014 evitou sempre express\u00f5es (como atropelos ou viola\u00e7\u00e3o das regras do Direito Internacional) que pudessem ser lidas em Washington como uma cr\u00edtica direta.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro tem sido mais vocal nessa cr\u00edtica aos EUA. Logo no discurso de tomada de posse advertia que se tinham desmoronado \u201cpilares da nossa organiza\u00e7\u00e3o internacional\u201d e que \u201ca<strong> for\u00e7a da lei foi substitu\u00edda pela poder dos mais fortes<\/strong>\u201c. Acrescentava ainda que era necess\u00e1rio n\u00e3o desistir do \u201cmultilateralismo e da <strong>resolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica<\/strong> dos conflitos internacionais.\u201d<\/p>\n<p>Quando foi anunciado o cessar-fogo no Ir\u00e3o, j\u00e1 em plena Presid\u00eancia Aberta, Seguro deixava nova cr\u00edtica velada aos EUA, ao dizer que uma coisa tinha ficado \u201cmuito evidente: que <strong>as guerras n\u00e3o s\u00e3o solu\u00e7\u00e3o<\/strong>. <strong>N\u00e3o resolvem os conflitos.<\/strong> Agravam-nos. E \u00e9 precisamente a diplomacia e o di\u00e1logo que encontram solu\u00e7\u00f5es para que as pessoas possam viver me paz.\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no Dia do Combatente, na Batalha, Seguro voltou a refor\u00e7ar que as tropas portuguesas t\u00eam a tradi\u00e7\u00e3o de integrar miss\u00f5es \u201c<strong>n\u00e3o para glorificar o conflito<\/strong>, mas para contribuir para a sua resolu\u00e7\u00e3o. A presen\u00e7a de Portugal nessas miss\u00f5es \u00e9 a presen\u00e7a de um pa\u00eds que acredita que a paz se defende (\u2026) e que nenhuma na\u00e7\u00e3o pode ficar indiferente ao sofrimento humano.\u201d Fica um aviso futuro de que, tal como Jorge Sampaio fez com o Iraque, Seguro estar\u00e1 particularmente atento \u00e0 forma como Portugal ir\u00e1 intervir em conflitos onde est\u00e3o envolvidos aliados como os EUA.<\/p>\n<p>Dias depois, na sess\u00e3o dos 50 anos da Constitui\u00e7\u00e3o, o Presidente insistiu que o ADN de \u201cna\u00e7\u00e3o livre\u201d tem \u201cuma voca\u00e7\u00e3o universalista e respeitadora do direito internacional.\u201d J\u00e1 na primeira visita ao estrangeiro, a Madrid, Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro fez quest\u00e3o de se reunir com Pedro S\u00e1nchez, que \u00e9 o grande cr\u00edtico da atua\u00e7\u00e3o dos EUA, e, quando questionado sobre o que tinha conversado com o presidente do Governo espanhol, o Presidente portugu\u00eas limitou-se a dizer que quis \u201ccompreender melhor o que s\u00e3o <strong>as din\u00e2micas na Uni\u00e3o Europeia<\/strong> e em termos globais, designadamente <strong>no \u00e2mbito tamb\u00e9m da NATO\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o ficou por aqui. No dia seguinte, quando Lula da Silva foi muito cr\u00edtico de Donald Trump na resid\u00eancia oficial do primeiro-ministro, em S\u00e3o Bento, Lu\u00eds Montenegro manteve a pose e nem sequer concedeu um sorriso ao presidente brasileiro quando este ironizou sobre dar o Pr\u00e9mio Nobel da Paz a Donald Trump para o presidente dos EUA iniciar mais guerras. Apesar de o encontro com Lula ser \u00e0 porta fechada Seguro escreveria numa nota no final a dar conta que estava alinhado (\u201cconverg\u00eancia\u201d foi a palavra) com o presidente do Brasil na \u201cdefesa da paz, do desenvolvimento sustent\u00e1vel, do\u00a0<strong>respeito pelo Direito Internacional<\/strong>, incluindo pelos direitos humanos e por uma\u00a0ordem internacional <strong>baseada em regras<\/strong>.\u201d<\/p>\n<p>Quando Trump foi alvo de uma tentativa de ataque no jantar de correspondentes, Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro manifestou a sua \u201csolidariedade\u201d com o \u201chom\u00f3logo norte-americano\u201d e defendeu que a \u201cviol\u00eancia n\u00e3o tem lugar em democracia. Qualquer ataque contra as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas ou a liberdade de imprensa merece forte condena\u00e7\u00e3o\u201d. Esse apontameento de solidariedade nada tem a ver com o distanciamento, que \u00e9 evidente, entre Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro e Donald Trump.<\/p>\n<p>A Ilha Terceira como palco (nacional) do 10 de Junho foi uma escolha pessoal de Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro. Para celebrar os 50 anos das autonomias regionais, o Presidente podia faz\u00ea-lo em qualquer uma das nove ilhas, n\u00e3o precisava de escolher aquela onde h\u00e1 uma base dos EUA. Da\u00ed o simbolismo da escolha.<\/p>\n<p>Uma fonte diplom\u00e1tica ouvida pelo Observador admite que pode \u201cn\u00e3o fazer muito sentido\u201d a escolha, tendo em conta que, se houver uma reativa\u00e7\u00e3o da guerra, a cerim\u00f3nia vai decorrer com movimenta\u00e7\u00f5es militares muito pr\u00f3ximas. A mesma fonte admite, no entanto, que \u201ch\u00e1 uma perspetiva em que poderia fazer sentido, caso isso estivesse em causa, que era a afirma\u00e7\u00e3o da <strong>soberania no territ\u00f3rio<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>O Observador sabe que, o facto de decorrer perto da Base das Lajes, vai<strong> limitar a cerim\u00f3nia militar<\/strong>, que dever\u00e1 ser mais curta do que em anos anteriores. O grau de limita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estar\u00e1 relacionado com a atividade que a base tiver na altura (que, por sua vez, depende da continuidade do cessar fogo). A atividade est\u00e1 bem presente. Ainda esta ter\u00e7a-feira soube-se que os EUA pediram autoriza\u00e7\u00e3o, v\u00e1lida pelo menos at\u00e9 junho, para passarem pelas Lajes quatro \u201cdrones assassinos\u201d\u00a0MQ-9 Reaper.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro decidiu manter a tradi\u00e7\u00e3o de fazer o 10 de Junho em dois tempos: uma parte em territ\u00f3rio nacional; outra no estrangeiro, junto da di\u00e1spora. Al\u00e9m da ida aos A\u00e7ores (ir\u00e1 pouco depois, fora destas comemora\u00e7\u00f5es, \u00e0 Madeira celebrar as autonomias), o Presidente da Rep\u00fablica estar\u00e1 tamb\u00e9m junto da comunidade portuguesa no Luxemburgo, onde esteve durante a campanha, em novembro. Para presidir \u00e0s comemora\u00e7\u00f5es, o Presidente da Rep\u00fablica escolheu o Miguel Monjardino, que \u00e9 professor de Geopol\u00edtica e Geoestrat\u00e9gia no Instituto de Estudos Pol\u00edticos da Universidade Cat\u00f3lica e analista politico-militar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro tem defendido que o mundo precisa de paz em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, o que j\u00e1 lhe&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":362091,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[55352,27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,57,302,589,23,24,58,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-362090","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-10-de-junho","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-pau00eds","tag-polu00edtica","tag-presidente-da-repu00fablica","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-sociedade","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116487912612983288","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/362090","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=362090"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/362090\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/362091"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=362090"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=362090"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=362090"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}