{"id":36214,"date":"2025-08-19T16:58:12","date_gmt":"2025-08-19T16:58:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/36214\/"},"modified":"2025-08-19T16:58:12","modified_gmt":"2025-08-19T16:58:12","slug":"menos-pessoas-mais-calor-ha-muitos-mais-megaincendios-em-portugal-e-duas-explicacoes-para-isso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/36214\/","title":{"rendered":"Menos pessoas, mais calor: h\u00e1 muitos mais megainc\u00eandios em Portugal e duas explica\u00e7\u00f5es para isso"},"content":{"rendered":"<p>\t                Hoje chove muito menos numa zona que deixou de ser economicamente interessante. Mas isso \u00e9 apenas parte da explica\u00e7\u00e3o para o problema<\/p>\n<p>O s\u00e9culo XXI em Portugal tem assistido a um aumento constante de megainc\u00eandios e o per\u00edodo de 2020 a 2023 teve quase tantos inc\u00eandios como todo o per\u00edodo de 2000 a 2019. De acordo com o portal <a href=\"https:\/\/florestas.pt\/conhecer\/fogo-a-evolucao-dos-incendios-rurais-em-portugal\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">floresta.pt<\/a>, de 2000 a 2009 registaram-se 11 megainc\u00eandios; de 2010 a 2019 registaram-se 16 e de 2020 a 2023 registaram-se 24 megainc\u00eandios, que s\u00e3o fogos que consomem uma \u00e1rea que supera os 10 mil hectares.<\/p>\n<p>\u201cTemos uma floresta que, em muitos s\u00edtios, deixou de ser gerida\u201d, afirma Filipe Duarte Santos, professor catedr\u00e1tico de Ci\u00eancias do Mar e do Ambiente na Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa. \u201cDeixou de ser gerida de uma forma sistem\u00e1tica por quest\u00f5es socioecon\u00f3micas\u201d, acrescenta o tamb\u00e9m presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (CNADS), que aponta o \u00eaxodo rural como um dos principais fatores para o aumento de megainc\u00eandios, uma vez que a floresta \u201cacumula biomassa\u201d &#8211; \u201cplantas, herb\u00e1ceas e pequenos arbustos, que depois ardem com grande facilidade\u201d &#8211; com a \u201cida da popula\u00e7\u00e3o para zonas costeiras\u201d.<\/p>\n<p>A este, junta-se outro fator: \u201cum clima diferente&#8221;. O presidente do CNADS considera que o clima \u00e9 uma das principais raz\u00f5es para o aumento de megainc\u00eandios no s\u00e9culo XXI: \u201cTemos um clima mais quente e, portanto, temperaturas m\u00e9dias anuais mais altas e mais ondas de calor. Por outro lado, uma diminui\u00e7\u00e3o da precipita\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual. Chove menos do que chovia nos anos 40 e 50 do s\u00e9culo XX e, em geral, do que no s\u00e9culo XIX. E quando chove, chove com grande abund\u00e2ncia, causando inunda\u00e7\u00f5es\u201d. O que faz retornar o professor catedr\u00e1tico \u00e0 biomassa acumulada nas florestas, que est\u00e1 \u201cmuito seca, com muito pouca humidade no ar e no solo, porque este ano choveu no inverno, mas depois n\u00e3o choveu mais, praticamente\u201d.<\/p>\n<p>Filipe Duarte Santos olha ainda para as raz\u00f5es de uma desloca\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o para o litoral e para ainda mais quest\u00f5es que ajudam a explicar o aumento do n\u00famero de inc\u00eandios que lavram um \u00e1rea igual ou superior a 10 mil hectares: \u201cAs pessoas v\u00e3o agora para as zonas costeiras do territ\u00f3rio porque n\u00e3o t\u00eam as condi\u00e7\u00f5es de vida que desejavam ter, em termos de rendimento, no interior do pa\u00eds. No passado, a popula\u00e7\u00e3o fixava-se no interior do pa\u00eds pela via da agricultura e da pecu\u00e1ria. Em termos sociais, s\u00f3 pela presen\u00e7a de uma maior densidade populacional nas florestas e no espa\u00e7o rural, estas zonas do territ\u00f3rio tinham mais acompanhamento das popula\u00e7\u00f5es. No que diz respeito \u00e0 atividade agr\u00edcola e pecu\u00e1ria, a limpeza dos terrenos era feita pelas pr\u00f3prias atividades: o gado comia a tal biomassa que se acumula nas florestas atualmente e, por isso, n\u00e3o restavam grandes quantidades de pastagem que pudesse arder\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Embora a \u00e1rea de cerca de 4,8 milh\u00f5es de hectares usados para explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas tenha aumentado desde 2007, diminuiu face aos mais de 5 milh\u00f5es de hectares em 1999, de acordo com os <a href=\"https:\/\/florestas.pt\/conhecer\/fogo-a-evolucao-dos-incendios-rurais-em-portugal\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">dados<\/a> do Gabinete de Planeamento, Pol\u00edticas e Administra\u00e7\u00e3o Geral (GPP) referentes a Portugal Continental. De acordo com a mesma fonte, durante o mesmo per\u00edodo, a \u00e1rea utilizada para culturas tempor\u00e1rias passou de cerca de 1,4 milh\u00f5es de hectares para 744 mil hectares e o n\u00famero de produtores agr\u00edcolas passou de cerca de 375 mil para cerca de 222 mil. Ainda no mesmo per\u00edodo, a popula\u00e7\u00e3o agr\u00edcola familiar passou praticamente para metade em Portugal Continental, de cerca de 1,1 milh\u00f5es para cerca de 559 mil (a popula\u00e7\u00e3o agr\u00edcola familiar \u00e9 constitu\u00edda pelas pessoas que trabalham e\/ou vivem em explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas familiares, com pelo menos um familiar que trabalhe nessa explora\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Hoje, \u201ch\u00e1 um grande abandono das regi\u00f5es rurais, n\u00e3o s\u00f3 em Portugal\u201d, explica Filipe Duarte Santos, que admite haver um efeito de domin\u00f3 que se inverteu \u00e0 medida que o \u00eaxodo rural se acentuou. Antes, mais pessoas e mais animais e, portanto, menos risco de megainc\u00eandios. Hoje, menos pessoas e menos animais distribu\u00eddos pela paisagem e, portanto, maior risco de megainc\u00eandios: \u201cPor exemplo, agora n\u00e3o temos muitos pastores, que antes levavam o gado \u00e0s serras, onde o cen\u00e1rio, em certas regi\u00f5es do pa\u00eds, est\u00e1 \u00e0 vista. Esses pastores quase deixaram de existir, fruto destas mudan\u00e7as socioecon\u00f3micas\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Do \u00eaxodo rural, alimentado pelo contexto socioecon\u00f3mico, ao contexto clim\u00e1tico que Portugal vive: esta \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o que, de acordo com Filipe Duarte Santos, pode ajudar a explicar o aumento de megainc\u00eandios desde o in\u00edcio do novo s\u00e9culo. \u201cEst\u00e1 a haver essa mudan\u00e7a socioecon\u00f3mica profunda que, combinada com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, traz os resultados que temos assistido\u201d, refere-se o presidente do CNADS aos mais de 170 mil hectares ardidos em Portugal este ano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Hoje chove muito menos numa zona que deixou de ser economicamente interessante. 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