{"id":363232,"date":"2026-04-30T06:43:12","date_gmt":"2026-04-30T06:43:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/363232\/"},"modified":"2026-04-30T06:43:12","modified_gmt":"2026-04-30T06:43:12","slug":"humanidade-tenta-fugir-de-areas-com-mosquitos-ha-74-mil-anos-mostra-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/363232\/","title":{"rendered":"Humanidade tenta fugir de \u00e1reas com mosquitos h\u00e1 74 mil anos, mostra estudo"},"content":{"rendered":"\n<p>A hist\u00f3ria de onde os primeiros humanos viveram e por onde se deslocaram costuma ser explicada por fatores como clima, disponibilidade de \u00e1gua e tipo de vegeta\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Mas um novo estudo aponta para um fator menos vis\u00edvel e igualmente decisivo: as doen\u00e7as. A\u00a0mal\u00e1ria, em especial, pode ter influenciado onde essas popula\u00e7\u00f5es conseguiram se estabelecer ao longo de milhares de anos.<\/p>\n<p>Publicado na revista <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.aea2316\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Science Advances<\/a>, o trabalho indica que a doen\u00e7a, transmitida por mosquitos, afetou a ocupa\u00e7\u00e3o humana na \u00c1frica ao longo dos \u00faltimos 74 mil anos.\u00a0<\/p>\n<p>Em vez de ocupar livremente regi\u00f5es quentes e \u00famidas \u2013 que oferecem \u00e1gua e alimento \u2013 grupos humanos parecem ter evitado \u00e1reas onde o risco de infec\u00e7\u00e3o era alto.<\/p>\n<p><b>Abordagem diferente<\/b><\/p>\n<p>Doen\u00e7as desse per\u00edodo quase n\u00e3o deixam vest\u00edgios diretos preservados. Em geral, o DNA de pat\u00f3genos n\u00e3o resiste por milhares de anos, e a maioria das infec\u00e7\u00f5es n\u00e3o deixa marcas nos ossos.<\/p>\n<p>Para contornar isso, os pesquisadores inverteram o problema. Em vez de procurar a doen\u00e7a diretamente, decidiram estudar quem a transmite.\u00a0<\/p>\n<p>Mapearam onde vivem hoje os principais mosquitos respons\u00e1veis pela mal\u00e1ria na \u00c1frica e usaram modelos clim\u00e1ticos para reconstruir onde esses insetos poderiam ter vivido no passado.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>Esses modelos s\u00e3o semelhantes aos usados para prever mudan\u00e7as clim\u00e1ticas futuras, mas aplicados ao passado. Eles permitem estimar temperatura, chuva e vegeta\u00e7\u00e3o em diferentes regi\u00f5es ao longo do tempo.\u00a0<\/p>\n<p>A partir disso, d\u00e1 para inferir onde os mosquitos encontrariam condi\u00e7\u00f5es ideais para sobreviver e, portanto, onde a doen\u00e7a teria maior probabilidade de circular.<\/p>\n<p>O passo seguinte foi comparar esses mapas de risco com evid\u00eancias arqueol\u00f3gicas de onde os humanos viviam no mesmo per\u00edodo. O resultado chamou aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Longe do risco<\/b><\/p>\n<p>Durante dezenas de milhares de anos, os assentamentos humanos quase n\u00e3o coincidiam com \u00e1reas onde a mal\u00e1ria seria mais intensa.\u00a0<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer com certeza se os nossos ancestrais evitavam conscientemente essas regi\u00f5es ou se tentavam ocup\u00e1-las e acabavam dizimados. Mas o padr\u00e3o geral \u00e9 que popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o conseguiam se estabelecer de forma duradoura em \u00e1reas de alto risco de mal\u00e1ria.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, muitos cientistas acreditavam que a mal\u00e1ria s\u00f3 teria se tornado um grande problema ap\u00f3s o surgimento da agricultura, h\u00e1 cerca de 8 mil anos. A l\u00f3gica era que planta\u00e7\u00f5es e assentamentos fixos criam \u00e1gua parada, ambiente ideal para mosquitos.<\/p>\n<p>O novo estudo sugere que a hist\u00f3ria \u00e9 mais antiga. Mesmo antes da agricultura, quando humanos eram ca\u00e7adores-coletores, a doen\u00e7a j\u00e1 influenciava decis\u00f5es b\u00e1sicas, como onde viver e por onde se deslocar.<\/p>\n<p>Ao evitar certas regi\u00f5es, popula\u00e7\u00f5es humanas acabaram se separando ao longo do territ\u00f3rio africano.\u00a0Em alguns momentos, \u00e1reas de baixo risco funcionavam como rotas de passagem, permitindo deslocamentos e encontros entre grupos. Em outros, zonas de alto risco atuavam como barreiras invis\u00edveis.<\/p>\n<p>Isso ajuda a explicar por que popula\u00e7\u00f5es humanas antigas eram relativamente fragmentadas, com pouca mistura gen\u00e9tica entre si. \u201cA mal\u00e1ria contribuiu para a estrutura populacional que vemos hoje\u201d, disse Andrea Manica, uma das principais autoras do estudo, em <a href=\"https:\/\/www.nhm.ac.uk\/press-office\/press-releases\/malaria-shaped-distribution-of-early-human-populations.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">comunicado<\/a>.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m uma pista gen\u00e9tica importante que refor\u00e7a essa hip\u00f3tese. Por volta de 15 mil anos atr\u00e1s, na \u00c1frica Ocidental, surgiu uma muta\u00e7\u00e3o que altera o formato das c\u00e9lulas vermelhas do sangue, conhecida como anemia falciforme.\u00a0<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a provavelmente se espalhou porque oferecia uma vantagem em regi\u00f5es com mal\u00e1ria \u2013 j\u00e1 que o parasita que causa a doen\u00e7a tem mais dificuldade para se desenvolver nessas c\u00e9lulas alteradas. <\/p>\n<p>Quem herda duas c\u00f3pias do gene desenvolve uma condi\u00e7\u00e3o grave, mas quem tem apenas uma carrega uma prote\u00e7\u00e3o parcial contra a mal\u00e1ria.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, o padr\u00e3o come\u00e7ou a mudar. Popula\u00e7\u00f5es humanas passam a ocupar com mais frequ\u00eancia \u00e1reas que antes eram evitadas, e a adapta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica abriu caminho para a expans\u00e3o em regi\u00f5es antes hostis.<\/p>\n<p>\nPor que n\u00e3o podemos extinguir todos os mosquitos?<\/p>\n<p>Os resultados ajudam a reinterpretar a pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o humana. Cada vez mais evid\u00eancias indicam que nossa esp\u00e9cie surgiu a partir de intera\u00e7\u00f5es entre popula\u00e7\u00f5es espalhadas pelo continente africano, e n\u00e3o de um \u00fanico ponto de origem.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>A presen\u00e7a da doen\u00e7a pode ter influenciado esse processo. Ao separar grupos e, em outros momentos, permitir reencontros, ela teria afetado como genes circularam.\u00a0<\/p>\n<p>A descoberta tamb\u00e9m lan\u00e7a um olhar para o presente. Mosquitos transmissores de doen\u00e7as est\u00e3o expandindo seu alcance com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas atuais.\u00a0<\/p>\n<p>Para o antrop\u00f3logo Simon Underdown, que n\u00e3o participou da pesquisa, \u201co artigo demonstra que as doen\u00e7as sempre foram um problema para os humanos\u201d, disse \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.npr.org\/2026\/04\/23\/g-s1-118443\/mosquitoes-malaria-human-civilization\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">NPR<\/a>. \u201cElas moldam a forma como vivemos.\u201d<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 que, hoje, a resposta humana n\u00e3o depende apenas da gen\u00e9tica. \u201cN\u00e3o se pode desenvolver anemia falciforme de repente\u201d, afirmou Underdown. \u201cIsso leva tempo. Mas o que os humanos fazem bem \u00e9 encontrar solu\u00e7\u00f5es culturais para problemas biol\u00f3gicos.\u201d<\/p>\n<p>Vacinas, medicamentos e pol\u00edticas de sa\u00fade p\u00fablica s\u00e3o exemplos dessa resposta. E se no passado nossos ancestrais fugiam, hoje a humanidade tenta enfrentar o problema de frente.<\/p>\n<p>AS MAIS LIDAS DA SEMANA<\/p>\n<p>\n                            Toda sexta, uma sele\u00e7\u00e3o das reportagens que mais bombaram no site da Super ao longo da semana.<br \/>\n                                <strong><br \/>\n                                    Inscreva-se aqui<br \/>\n                                <\/strong><\/p>\n<p>                            Cadastro efetuado com sucesso!<\/p>\n<p>Voc\u00ea receber\u00e1 nossas newsletters pela manh\u00e3 de segunda a sexta-feira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A hist\u00f3ria de onde os primeiros humanos viveram e por onde se deslocaram costuma ser explicada por fatores&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":363233,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[2713,4357,116,39796,11486,6541,32,33,117],"class_list":["post-363232","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-africa","tag-doenca","tag-health","tag-humanidade","tag-malaria","tag-mosquito","tag-portugal","tag-pt","tag-saude"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116492304840312472","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/363232","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=363232"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/363232\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/363233"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=363232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=363232"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=363232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}