{"id":366725,"date":"2026-05-03T03:52:22","date_gmt":"2026-05-03T03:52:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/366725\/"},"modified":"2026-05-03T03:52:22","modified_gmt":"2026-05-03T03:52:22","slug":"meteorito-ajuda-a-explicar-a-composicao-quimica-de-mercurio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/366725\/","title":{"rendered":"Meteorito ajuda a explicar a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica de Merc\u00fario"},"content":{"rendered":"<p>Um artigo publicado sexta-feira (1) na revista cient\u00edfica <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0016703726001249\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener sponsored nofollow\">Geochimica et Cosmochimica Acta <\/a>apresenta novas <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/04\/01\/ciencia-e-espaco\/pousar-na-lua-pode-contaminar-pistas-sobre-o-surgimento-da-vida-na-terra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">pistas <\/a>sobre a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica de Merc\u00fario, o planeta mais pr\u00f3ximo do <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/04\/29\/ciencia-e-espaco\/misterio-das-montanhas-de-fogo-no-sol-e-finalmente-desvendado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Sol<\/a>.\u00a0<\/p>\n<p>Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>Apesar de integrar o grupo dos mundos rochosos do Sistema Solar, ele apresenta caracter\u00edsticas bem diferentes das encontradas na <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/04\/30\/ciencia-e-espaco\/ferramenta-mostra-onde-sua-casa-estava-localizada-na-terra-ha-320-milhoes-de-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Terra<\/a>, em V\u00eanus e em Marte.<\/p>\n<p><strong>Em resumo:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Estudo revela novas pistas sobre composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica incomum de Merc\u00fario;<\/li>\n<li>Planeta \u00e9 rochoso, mas difere da Terra, V\u00eanus e Marte;<\/li>\n<li>Superf\u00edcie pobre em ferro, rica em enxofre e magn\u00e9sio;<\/li>\n<li>Ambiente reduzido forma sulfetos, carbetos e silicietos, n\u00e3o \u00f3xidos;<\/li>\n<li>Cientistas usaram meteorito Indarch para simular condi\u00e7\u00f5es de Merc\u00fario;<\/li>\n<li>Experimentos mostram que o enxofre altera magma e prolonga estado l\u00edquido;<\/li>\n<li>Resultados explicam a evolu\u00e7\u00e3o \u00fanica e diversidade dos planetas rochosos.\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n<p>Dados de miss\u00f5es espaciais mostram que a superf\u00edcie de Merc\u00fario \u00e9 pobre em ferro, mas rica em enxofre e magn\u00e9sio. Essa combina\u00e7\u00e3o incomum tem impacto direto na estrutura interna do planeta. Al\u00e9m disso, Merc\u00fario \u00e9 considerado pelos cientistas o planeta mais \u201creduzido\u201d do Sistema Solar, o que significa que seus elementos qu\u00edmicos n\u00e3o est\u00e3o ligados ao oxig\u00eanio, como ocorre na Terra.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/planeta-mercrio-2-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1215333\"  \/>Merc\u00fario \u00e9 totalmente diferente dos outros tr\u00eas planetas rochosos do Sistema Solar (V\u00eanus, Terra e Marte) \u2013 Cr\u00e9dito: NASA images \u2013 Shutterstock<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, isso quer dizer que, em vez de \u00f3xidos, predominam compostos como sulfetos, carbetos e silicietos. Essa diferen\u00e7a muda completamente a forma como as rochas se comportam no interior do planeta. Compreender esse ambiente qu\u00edmico \u00e9 essencial para explicar como Merc\u00fario se formou e evoluiu ao longo de bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p><strong>Pesquisadores analisam meteorito que caiu na Terra<\/strong><\/p>\n<p>Sem acesso direto a rochas do planeta, pesquisadores da Universidade Rice, em Houston, no Texas, EUA, precisaram buscar alternativas para estudar essas condi\u00e7\u00f5es. A solu\u00e7\u00e3o foi recorrer a um <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/04\/16\/ciencia-e-espaco\/cientistas-encontram-tinta-de-caneta-em-meteorito-vindo-de-marte\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">meteorito <\/a>raro chamado Indarch, que caiu na Terra em 1891, no Azerbaij\u00e3o. Esse material apresenta caracter\u00edsticas qu\u00edmicas semelhantes \u00e0s inferidas para Merc\u00fario.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>O meteorito Indarch \u00e9 classificado como um condrito de enstatita do tipo EH4, um grupo raro que se formou nas regi\u00f5es mais internas do Sistema Solar primitivo, pr\u00f3ximas ao Sol. Esses meteoritos s\u00e3o ricos em ferro e cont\u00eam sulfetos incomuns, compostos ricos em enxofre, o que os torna especialmente valiosos para esse tipo de estudo.<\/p>\n<p>An\u00e1lises anteriores j\u00e1 indicavam que a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do Indarch se aproxima bastante da de Merc\u00fario. Por isso, os cientistas decidiram us\u00e1-lo como modelo para simular processos que ocorreram no planeta. A ideia era reproduzir, em laborat\u00f3rio, condi\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s enfrentadas por Merc\u00fario durante sua forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Indarch_meteorite_UCLA_Meteorite_Gallery-1024x683.jpg\" alt=\"meteorito\" class=\"wp-image-1318210\"  \/>Meteorito Indarch, condrito de enstatita \u2013 Cr\u00e9ditos: Vahe Martirosyan\/Galeria de Meteoritos da UCLA<\/p>\n<p>Para isso, os pesquisadores criaram uma mistura baseada na composi\u00e7\u00e3o do meteorito e a submeteram a altas temperaturas em forno especializado. O objetivo era simular o comportamento do magma em Merc\u00fario, observando como ele se forma, evolui e se solidifica ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p><strong>Magmas de Merc\u00fario podem permanecer l\u00edquidos por mais tempo<\/strong><\/p>\n<p>Os resultados mostraram que o enxofre desempenha um papel fundamental nesse processo. Em ambientes com pouco ferro, como em Merc\u00fario, o enxofre se liga a outros elementos, como magn\u00e9sio e c\u00e1lcio. Na Terra, esses elementos normalmente se combinam com oxig\u00eanio, formando silicatos, que s\u00e3o a base das rochas terrestres.<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a tem consequ\u00eancias importantes. Quando o enxofre substitui o oxig\u00eanio na estrutura das rochas, a rede mineral se torna mais fr\u00e1gil e cristaliza em temperaturas mais baixas. Isso significa que os magmas de Merc\u00fario podem permanecer l\u00edquidos por mais tempo, mesmo em condi\u00e7\u00f5es mais frias do que as encontradas na Terra.<\/p>\n<p>Esse comportamento ajuda a explicar por que Merc\u00fario apresenta uma composi\u00e7\u00e3o t\u00e3o distinta. O planeta possui baixo teor de ferro, alta concentra\u00e7\u00e3o de enxofre e um ambiente quimicamente reduzido. Esses fatores influenciam diretamente sua geologia e sua evolu\u00e7\u00e3o interna.<\/p>\n<p>Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/news.rice.edu\/news\/2026\/rice-researchers-find-sulfur-rich-mercury-magmas-behave-differently-earths\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener sponsored nofollow\">Os cientistas acreditam<\/a> que, no in\u00edcio de sua hist\u00f3ria, Merc\u00fario passou por um est\u00e1gio semelhante ao de outros planetas rochosos, com grandes volumes de rocha derretida. Esse per\u00edodo, conhecido como oceano de magma, teria ocorrido logo ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o do planeta, h\u00e1 cerca de 4,5 bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Com o tempo, o planeta come\u00e7ou a se diferenciar, formando camadas internas distintas, como n\u00facleo, manto e crosta. No entanto, devido \u00e0 sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica \u00fanica, esse processo ocorreu de maneira diferente em compara\u00e7\u00e3o com a Terra e outros planetas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/estudo-meteorito-mercurioo-1024x1024.jpeg\" alt=\"meteorito mercurio\" class=\"wp-image-1318208\"  \/>Canto superior esquerdo: Merc\u00fario. Canto superior direito: Misturas qu\u00edmicas usadas para criar rochas de merc\u00fario, antes do cozimento. Canto inferior esquerdo: Man\u00f4metros nas instala\u00e7\u00f5es. Canto inferior direito: Rocha de merc\u00fario cozida \u2013 Cr\u00e9dito: Jared Jones\/Universidade Rice<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<p>Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p><strong>Estrutura interna do planeta parece complexa<\/strong><\/p>\n<p>Estudos sugerem que Merc\u00fario pode ter uma estrutura interna complexa, com um n\u00facleo externo s\u00f3lido envolvendo uma camada l\u00edquida mais profunda, al\u00e9m de um pequeno n\u00facleo s\u00f3lido no centro. Essas caracter\u00edsticas ainda est\u00e3o sendo investigadas, mas indicam uma evolu\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica singular.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m traz novas perspectivas sobre o processo de diferencia\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria, respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o das camadas internas dos planetas. Entender como esse processo ocorre em diferentes condi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas ajuda os cientistas a reconstruir a hist\u00f3ria dos corpos rochosos do Sistema Solar.<\/p>\n<p>Tradicionalmente, muitos estudos usam a Terra como refer\u00eancia para entender outros planetas. No entanto, Merc\u00fario mostra que essa abordagem tem limita\u00e7\u00f5es. Sua qu\u00edmica peculiar exige modelos pr\u00f3prios, que considerem ambientes com pouco oxig\u00eanio e alto teor de enxofre.<\/p>\n<p>Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>Os experimentos com o meteorito Indarch refor\u00e7am essa ideia. Eles mostram que o enxofre pode desempenhar um papel semelhante ao da \u00e1gua ou do carbono na Terra, influenciando diretamente a forma\u00e7\u00e3o e a evolu\u00e7\u00e3o dos magmas.<\/p>\n<p>Esse novo entendimento permite aos cientistas enxergar Merc\u00fario n\u00e3o como uma vers\u00e3o \u201cdiferente\u201d da Terra, mas como um planeta com regras pr\u00f3prias. Isso amplia o conhecimento sobre como mundos rochosos se formam em diferentes regi\u00f5es do Sistema Solar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os resultados ajudam a interpretar melhor os dados obtidos por miss\u00f5es espaciais, que muitas vezes s\u00e3o dif\u00edceis de analisar sem amostras diretas do planeta. Simula\u00e7\u00f5es em laborat\u00f3rio, como essa, se tornam ferramentas essenciais para avan\u00e7ar nesse tipo de pesquisa.<\/p>\n<p>Em resumo, o estudo mostra que o enxofre foi um elemento-chave na hist\u00f3ria de Merc\u00fario, influenciando desde a forma\u00e7\u00e3o de suas rochas at\u00e9 a din\u00e2mica de seu interior. Essa descoberta contribui para uma vis\u00e3o mais completa sobre a diversidade qu\u00edmica dos planetas rochosos e seus processos de evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um artigo publicado sexta-feira (1) na revista cient\u00edfica Geochimica et Cosmochimica Acta apresenta novas pistas sobre a composi\u00e7\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":366726,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-366725","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116508619631105286","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/366725","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=366725"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/366725\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/366726"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=366725"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=366725"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=366725"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}