{"id":367212,"date":"2026-05-03T15:24:11","date_gmt":"2026-05-03T15:24:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/367212\/"},"modified":"2026-05-03T15:24:11","modified_gmt":"2026-05-03T15:24:11","slug":"guerra-no-irao-condena-cartel-de-petroleo-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/367212\/","title":{"rendered":"Guerra no Ir\u00e3o condena cartel de petr\u00f3leo \u00e0 morte"},"content":{"rendered":"<p>        Emirados \u00c1rabes fartaram-se dos sauditas e abandonaram o cartel. Est\u00e3o apostados em produzir mais petr\u00f3leo para conseguir mais dinheiro. A guerra continua a mudar a regi\u00e3o e o mundo.    <\/p>\n<p>A guerra no Ir\u00e3o vai ter impactos duradouros no M\u00e9dio Oriente e no mundo. Se \u00e9 certo que muitos efeitos s\u00f3 ser\u00e3o conhecidos nos pr\u00f3ximos anos, muitas das r\u00e9plicas j\u00e1 se fazem sentir, ao fim de apenas dois meses de conflito, especialmente ao n\u00edvel da arquitetura de rela\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses da zona.<\/p>\n<p>Apesar dos pre\u00e7os elevados do barril, acima dos 110 d\u00f3lares, esta semana, houve novidades: chegou ao fim uma era, com a sa\u00edda dos Emirados \u00c1rabes Unidos (EAU) da Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo (OPEP). <\/p>\n<p>O temido cartel chegou a dominar por completo os pre\u00e7os de petr\u00f3leo a n\u00edvel mundial, mas o seu poder anda h\u00e1 muito pelas ruas da amargura, em boa parte pela ascens\u00e3o dos EUA ao trono de maior produtor mundial.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um paradoxo profundo que a retirada da EAU aconte\u00e7a com os pre\u00e7os de petr\u00f3leo num n\u00edvel recorde. Isto sugere que mesmo as subidas de pre\u00e7os significativas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o suficientes para resolver o d\u00e9fice de confian\u00e7a entre produtores\u201d, reagiu o especialista em energia Francesco Sassi.<\/p>\n<p>Os Emirados \u00c1rabes juntaram-se ao cartel em 1967. Com a sua sa\u00edda, ficam 11 membros na OPEP. J\u00e1 a OPEP+ junta outros 10 pa\u00edses, incluindo a R\u00fassia. A OPEP foi criada em 1960 pelo Ir\u00e3o, Iraque, Kuwait, Venezuela e Ar\u00e1bia Saudita com a miss\u00e3o de defender os interesses dos exportadores de petr\u00f3leo. A ideia foi procurar equilibrar produ\u00e7\u00e3o com a procura, para garantir receitas est\u00e1veis aos pa\u00edses, muitos deles ultra-dependentes do crude.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o princ\u00edpio do fim\u201d da OPEP, que vai perder 15% da sua capacidade e um dos seus membros \u201cmais cumpridores\u201d, segundo o analista Saul Kavonic da MST Financial, citado pela \u201cBBC\u201d.<\/p>\n<p>A monarquia liderada pelo Xeque Mohamed bin Zayed Al Nahyan (MBZ) \u00e9 a quarta maior produtora de petr\u00f3leo da OPEP: quase 3 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios. O p\u00f3dio \u00e9 liderado pela Ar\u00e1bia Saudita com quase 9 milh\u00f5es, o Iraque com quase 4 milh\u00f5es e o Ir\u00e3o com mais de 3 milh\u00f5es, dados de 2024.<\/p>\n<p>\u201cA Ar\u00e1bia Saudita vai ter dificuldades para manter o resto da OPEP junta. Isto representa uma mudan\u00e7a geopol\u00edtica fundamental no M\u00e9dio Oriente e mercados petrol\u00edferos\u201d, segundo Saul Kavonic prevendo que outros membros possam sair do cartel.<\/p>\n<p>A Ar\u00e1bia Saudita e os EAU s\u00e3o dos poucos membros da OPEP com capacidade adicional, isto \u00e9, conseguem aumentar a produ\u00e7\u00e3o para responder a choques de procura. Mas as duas monarquias do Golfo P\u00e9rsico t\u00eam vindo a afastar-se cada vez mais em termos geopol\u00edticos, em particular devido \u00e0 suas posi\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao I\u00e9men. <\/p>\n<p>\u201cIsto vai ter consequ\u00eancias duradouras nas estrat\u00e9gias energ\u00e9ticas do p\u00f3s-guerra e vai injetar nova volatilidade nos mercados. A era de uma pol\u00edtica petrol\u00edfera unificada no Golfo P\u00e9rsico chegou ao fim. A geopol\u00edtica energ\u00e9tica est\u00e1 a tornar-se cr\u00edtica para perceber o futuro do poder global\u201d, segundo Francesco Sassi, investigador da Universidade de Oslo.<\/p>\n<p>V\u00e1rios pa\u00edses j\u00e1 abandonaram a organiza\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos, incluindo Angola, Qatar, Equador, Indon\u00e9sia ou o Gab\u00e3o, em desacordo com a imposi\u00e7\u00e3o de quotas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A OPEP controla 30% da produ\u00e7\u00e3o global. Em conjunto com a OPEP+, controla mais de 40%.<\/p>\n<p>\u201cA decis\u00e3o foi tomada ap\u00f3s uma an\u00e1lise cuidada \u00e0s pol\u00edticas atuais e futuras relacionadas com o n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o, disse \u00e0 \u201cReuters\u201d o ministro emirati da Energia Mohamed al-Mazrouei.<\/p>\n<p>Na sua perspectiva, o mundo precisa de mais energia, com a EAU a acreditar que est\u00e1 na posi\u00e7\u00e3o de entregar mais petr\u00f3leo e g\u00e1s.<br \/>Esta \u00e9 uma vit\u00f3ria para o presidente norte-americano que j\u00e1 chegou a acusar a OPEP de inflacionar os pre\u00e7os do petr\u00f3leo, \u201croubando o resto do mundo\u201d. Considerando que os EUA defendem os membros da OPEP, estes em troca \u201cexploram-nos ao impor pre\u00e7os elevados de petr\u00f3leo\u201d.<\/p>\n<p>Para a consultora Rystad, fora do grupo os EAU \u201ct\u00eam o incentivo e a capacidade para aumentar a produ\u00e7\u00e3o, levantando quest\u00f5es sobre o papel da Ar\u00e1bia Saudita como estabilizador central do mercado\u201d, segundo Jorge Leon.<\/p>\n<p>Os Emirados \u00c1rabes Unidos t\u00eam estado focados em tornarem-se num centro regional de neg\u00f3cios e de finan\u00e7as. T\u00eam tamb\u00e9m refor\u00e7ado as suas rela\u00e7\u00f5es com os EUA e Israel, considerando a rela\u00e7\u00e3o com Tel Aviv como crucial para ter acesso a Washington.<\/p>\n<p>A monarquia tem tamb\u00e9m apostado em aumentar a sua esfera de influ\u00eancia tanto no M\u00e9dio Oriente como em \u00c1frica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Emirados \u00c1rabes fartaram-se dos sauditas e abandonaram o cartel. 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