{"id":368401,"date":"2026-05-04T13:45:30","date_gmt":"2026-05-04T13:45:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/368401\/"},"modified":"2026-05-04T13:45:30","modified_gmt":"2026-05-04T13:45:30","slug":"a-razao-pela-qual-os-atletas-do-quenia-e-da-etiopia-ganham-as-maratonas-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/368401\/","title":{"rendered":"A raz\u00e3o pela qual os atletas do Qu\u00e9nia e da Eti\u00f3pia ganham as maratonas do mundo"},"content":{"rendered":"<p data-path-to-node=\"4\">Em 1968, nas Olimp\u00edadas da Cidade do M\u00e9xico, o queniano Kip Keino ganhou os 1.500 metros com uma vantagem sobre o segundo classificado que n\u00e3o tinha precedente moderno. Os especialistas atribu\u00edram ao treino em altitude a vantagem t\u00e9cnica. O que n\u00e3o perceberam na altura foi que estavam a assistir ao in\u00edcio de uma domin\u00e2ncia que ainda n\u00e3o encontrou travagem. Os corredores do Qu\u00e9nia e da Eti\u00f3pia somam hoje setenta por cento dos cem melhores tempos de maratona de sempre. Eliud Kipchoge \u00e9 o \u00fanico ser humano a ter corrido a dist\u00e2ncia em menos de duas horas, feito conseguido em 2019. A quest\u00e3o de porqu\u00ea n\u00e3o tem uma resposta simples, o que a torna fascinante.<\/p>\n<p data-path-to-node=\"5\">A primeira hip\u00f3tese formulada foi a gen\u00e9tica. A ideia de que existiria uma vantagem evolutiva espec\u00edfica capaz de explicar a domin\u00e2ncia. D\u00e9cadas de investiga\u00e7\u00e3o chegaram a uma conclus\u00e3o que contraria o senso comum: n\u00e3o existe uma caracter\u00edstica gen\u00e9tica \u00fanica que explique o sucesso. O que existe \u00e9 uma converg\u00eancia de fatores que criam condi\u00e7\u00f5es de desenvolvimento atl\u00e9tico que o resto do mundo n\u00e3o replica facilmente.<\/p>\n<p>\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1777902328_203_thumbs.web.sapo.io.webp\"  alt=\"O queniano Eliud Kipchoge corta a meta na Maratona de Berlim\" loading=\"true\"\/><\/p>\n<p>      O queniano Eliud Kipchoge corta a meta na Maratona de Berlim<br \/>\n      Cr\u00e9ditos: Tobias SCHWARZ \/ AFP<\/p>\n<p data-path-to-node=\"6\">A altitude \u00e9 o primeiro fator. A grande maioria dos corredores de elite do Qu\u00e9nia vive e treina no Vale do Rift, entre 2.100 e 2.700 metros. Iten, a cidade que os corredores chamam &#8220;a casa dos campe\u00f5es&#8221;, fica a 2.400 metros acima do n\u00edvel do mar. A Eti\u00f3pia de elite treina em Adis Abeba e nas redondezas de Entoto. A exposi\u00e7\u00e3o a estas altitudes desde o nascimento produz adapta\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas profundas: maior concentra\u00e7\u00e3o de hemoglobina, maior densidade de capilares musculares e maior efici\u00eancia metab\u00f3lica. Algumas destas adapta\u00e7\u00f5es ocorrem durante o desenvolvimento e n\u00e3o s\u00e3o replic\u00e1veis em adulto.<\/p>\n<p data-path-to-node=\"7\">A morfologia corporal \u00e9 o segundo fator. Os corredores de elite do leste africano t\u00eam pernas mais longas em rela\u00e7\u00e3o ao tronco, o que reduz o custo energ\u00e9tico de cada passada. Estudos demonstraram que a efici\u00eancia biomec\u00e2nica dos corredores quenianos permite manter a velocidade a um custo metab\u00f3lico menor. Esta caracter\u00edstica \u00e9 influenciada pelo facto de muitas crian\u00e7as percorrerem longas dist\u00e2ncias a p\u00e9 para chegar \u00e0 escola durante os anos de maior plasticidade fisiol\u00f3gica.<\/p>\n<p>\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1777902330_942_thumbs.web.sapo.io.webp\"  alt=\"Iten, Qu\u00e9nia\" loading=\"true\"\/><\/p>\n<p>      Iten, Qu\u00e9nia<br \/>\n      Cr\u00e9ditos: edskoch | Wikimedia Commons<\/p>\n<p data-path-to-node=\"8\">A motiva\u00e7\u00e3o socioecon\u00f3mica \u00e9 o fator que a investiga\u00e7\u00e3o ocidental subestimou durante d\u00e9cadas. No Qu\u00e9nia e na Eti\u00f3pia, um maratonista de elite pode transformar a situa\u00e7\u00e3o financeira da sua fam\u00edlia. Ganhar uma grande prova internacional \u00e9 equivalente a ganhar uma lotaria. O grau de compromisso com o treino que essa perspetiva gera n\u00e3o tem paralelo no contexto ocidental.<\/p>\n<p data-path-to-node=\"9\">Iten produz regularmente campe\u00f5es mundiais. A concentra\u00e7\u00e3o de talento criou um efeito de rede onde os atletas mais promissores encontram os melhores treinadores e parceiros de treino. A presen\u00e7a de \u00eddolos funciona como prova de possibilidade. A resposta \u00e0 quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 estritamente gen\u00e9tica. \u00c9 a uni\u00e3o entre a altitude, a morfologia e uma motiva\u00e7\u00e3o que o Ocidente raramente consegue produzir com a mesma intensidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em 1968, nas Olimp\u00edadas da Cidade do M\u00e9xico, o queniano Kip Keino ganhou os 1.500 metros com uma&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":368402,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-368401","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-mundo","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-top-stories","25":"tag-topstories","26":"tag-ultimas","27":"tag-ultimas-noticias","28":"tag-ultimasnoticias","29":"tag-world","30":"tag-world-news","31":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116516613650104614","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368401","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=368401"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368401\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/368402"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=368401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=368401"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=368401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}