{"id":368758,"date":"2026-05-04T18:52:14","date_gmt":"2026-05-04T18:52:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/368758\/"},"modified":"2026-05-04T18:52:14","modified_gmt":"2026-05-04T18:52:14","slug":"a-solucao-obvia-para-o-choque-global-do-petroleo-comeca-finalmente-a-fazer-sentido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/368758\/","title":{"rendered":"A solu\u00e7\u00e3o \u00f3bvia para o choque global do petr\u00f3leo come\u00e7a finalmente a fazer sentido"},"content":{"rendered":"<p>\t                Crise do petr\u00f3leo reacende investimento na perfura\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Se o petr\u00f3leo est\u00e1 em falta, porque n\u00e3o perfurar mais?<\/p>\n<p>A resposta, nos \u00faltimos meses, tem sido consistente: os produtores est\u00e3o a operar no limite da capacidade, n\u00e3o h\u00e1 onde armazenar o crude extra\u00eddo, as refinarias est\u00e3o no m\u00e1ximo ou perto disso e simplesmente n\u00e3o compensa explorar e perfurar novos po\u00e7os.<\/p>\n<p>O problema de fundo \u00e9 que a perfura\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo \u00e9 um processo complexo e caro que demora anos a dar resultados. Po\u00e7os perfurados em 2026 podem s\u00f3 come\u00e7ar a produzir em 2036. Um investimento desta dimens\u00e3o s\u00f3 faz sentido se os pre\u00e7os se mantiverem acima dos 90 d\u00f3lares por barril (cerca de 83 euros).<\/p>\n<p>Pois bem.<\/p>\n<p>O petr\u00f3leo voltou a ultrapassar os 110 d\u00f3lares (cerca de 102 euros) depois do fracasso das negocia\u00e7\u00f5es entre os Estados Unidos e o Ir\u00e3o. O Estreito de Ormuz continua sem sinais de reabertura para breve. O Goldman Sachs afirmou no m\u00eas passado que espera que os pre\u00e7os se mantenham acima dos 90 d\u00f3lares at\u00e9, pelo menos, ao final do ano.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 altura de \u201cperfurar, perfurar, perfurar\u201d?<\/p>\n<p>Talvez. Mas n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o simples.<\/p>\n<p>Olhar para al\u00e9m do M\u00e9dio Oriente <\/p>\n<p>As grandes petrol\u00edferas querem diversificar opera\u00e7\u00f5es. A guerra com o Ir\u00e3o mostrou que empresas com produ\u00e7\u00e3o espalhada pelo mundo t\u00eam uma vantagem estrat\u00e9gica face \u00e0s que dependem de uma \u00fanica regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA guerra com o Ir\u00e3o dever\u00e1 levar a uma reavalia\u00e7\u00e3o do valor geopol\u00edtico da produ\u00e7\u00e3o fora do M\u00e9dio Oriente\u201d, afirma Luisa Palacios, antiga presidente da Citgo e atual diretora do Center on Global Energy Policy da Universidade de Columbia. \u201cNo entanto, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples como os pre\u00e7os elevados podem sugerir.\u201d<\/p>\n<p>A diversifica\u00e7\u00e3o exige tempo, dinheiro e planeamento. O atual bloqueio hist\u00f3rico e a falta de capacidade de armazenamento podem resolver o problema financeiro a longo prazo, mantendo os pre\u00e7os elevados. Mas as empresas querem garantir que haver\u00e1 procura quando os novos po\u00e7os entrarem em funcionamento.<\/p>\n<p>A capacidade de refina\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos tem sido um problema h\u00e1 anos. Quatro refinarias fecharam na Calif\u00f3rnia nesta d\u00e9cada devido a regulamenta\u00e7\u00e3o ambiental e custos elevados. A \u00faltima grande refinaria constru\u00edda no pa\u00eds foi a instala\u00e7\u00e3o da Marathon em Garyville, Louisiana, em 1977.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"534\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/69f8b3bcd34edcee7c63c2e6.webp\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Refinaria da Marathon em Garyville, Louisiana (Callaghan O&#8217;Hare\/Bloomberg\/Getty Images) <\/p>\n<p>Algumas empresas poder\u00e3o ignorar a volatilidade atual e a falta de refina\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que muitos po\u00e7os de xisto nos EUA est\u00e3o a esgotar o chamado petr\u00f3leo \u201ctier 1\u201d \u2014 o mais f\u00e1cil e rent\u00e1vel de extrair.<\/p>\n<p>A KPMG estima que, em 2027, os Estados Unidos possam atingir o pico da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo de xisto, impulsionada pelo boom do fracking [t\u00e9cnica de extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo] das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u201cEstamos a ficar sem reservas de topo\u201d, diz Angie Gildea, respons\u00e1vel global de petr\u00f3leo e g\u00e1s da KPMG. \u201cSem nova tecnologia, ser\u00e1 necess\u00e1rio encontrar crude noutros locais.\u201d<\/p>\n<p>Os EUA n\u00e3o est\u00e3o sozinhos: as 30 maiores empresas mundiais de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o enfrentam uma queda m\u00e9dia de quase 40% entre 2025 e 2040, criando um d\u00e9fice de 300 mil milh\u00f5es de barris face ao bili\u00e3o de barris que o mundo dever\u00e1 precisar at\u00e9 2050, segundo a Wood Mackenzie.<\/p>\n<p>Am\u00e9rica Latina <\/p>\n<p>Tudo isto abre uma grande oportunidade \u2014 especialmente para a Am\u00e9rica Latina. A regi\u00e3o j\u00e1 representa 10% da produ\u00e7\u00e3o mundial e n\u00e3o enfrenta os riscos geogr\u00e1ficos do M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do enorme potencial de exporta\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural liquefeito, sobretudo no M\u00e9xico e na Venezuela, s\u00e3o esperados cerca de 750.000 barris di\u00e1rios adicionais de produ\u00e7\u00e3o este ano no Brasil, Guiana e Argentina, segundo Ehsan ul-Haq, analista da Petroleum Economist. Trata-se de um destino relativamente acess\u00edvel para investimento.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"533\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/69f8b3bcd34edcee7c63c2e4.webp\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Petroleiro atracado no cais da refinaria El Palito, em Puerto Cabello, Venezuela. (Ronaldo Schemidt\/AFP\/Getty Images) <\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"474\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/69f8b3bcd34e28842c83a3b4.webp\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Trabalhador numa refinaria no Rio de Janeiro, Brasil, a 25 de mar\u00e7o de 2026. (F\u00e1bio Teixeira\/Anadolu\/Getty Images) <\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina poder\u00e1 duplicar as exporta\u00e7\u00f5es de g\u00e1s natural liquefeito at\u00e9 ao final da d\u00e9cada, refere Palacios. E o Brasil poder\u00e1 aumentar a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em 30% nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de regime na Venezuela trouxe de volta ao radar um pa\u00eds com enormes reservas \u2014 e muitos problemas. \u00c9 um investimento exigente, mas potencialmente rent\u00e1vel a longo prazo. A Chevron j\u00e1 est\u00e1 a avan\u00e7ar no terreno.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m espera que a Venezuela volte aos 3,5 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios anteriores aos governos de Ch\u00e1vez e Maduro. Mas aumentar a produ\u00e7\u00e3o de menos de 1 milh\u00e3o de barris por dia para 1,5 milh\u00f5es nos pr\u00f3ximos anos \u00e9 considerado poss\u00edvel, segundo Palacios.<\/p>\n<p>Os entraves <\/p>\n<p>A procura de novo petr\u00f3leo \u00e9 sempre um risco. Nem todos os po\u00e7os produzem resultados.<\/p>\n<p>\u201cOs primeiros quatro grandes po\u00e7os que acompanh\u00e1mos em 2026 n\u00e3o encontraram petr\u00f3leo \u2014 faz parte do jogo e os operadores conhecem os riscos\u201d, explica Andrew Latham, vice-presidente s\u00e9nior de investiga\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica da Wood Mackenzie.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, persiste tamb\u00e9m ceticismo quanto \u00e0 sustentabilidade dos pre\u00e7os elevados \u2014 e ainda est\u00e3o frescas as mem\u00f3rias da queda do petr\u00f3leo na \u00faltima d\u00e9cada, que levou \u00e0 fal\u00eancia centenas de empresas de fracking. Desde ent\u00e3o, muitas foram adquiridas por gigantes mais conservadores, como a ExxonMobil e a Chevron.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"533\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/69f8b3bcd34edcee7c63c2e2.webp\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Plataformas petrol\u00edferas num campo em Pyote, Texas, a 17 de mar\u00e7o de 2026. (Brandon Bell\/Getty Images) <\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera caiu no \u00faltimo ano para cerca de 16 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares (cerca de 14,7 mil milh\u00f5es de euros), abaixo da m\u00e9dia anual de 19 mil milh\u00f5es (cerca de 17,5 mil milh\u00f5es de euros) entre 2021 e 2024, segundo a Wood Mackenzie.<\/p>\n<p>A chamada <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/guerra-irao\/guerra\/destruicao-da-procura-ou-como-a-guerra-com-o-irao-podera-abalar-ou-arruinar-a-economia-dos-eua\/20260430\/69f36620d34e28842c83850d\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">\u201cdestrui\u00e7\u00e3o da procura\u201d<\/a> tamb\u00e9m pode limitar os pre\u00e7os \u2014 acontece quando os valores sobem tanto que consumidores e empresas deixam de comprar petr\u00f3leo. Por exemplo, os pre\u00e7os elevados de petr\u00f3leo e g\u00e1s est\u00e3o a acelerar a transi\u00e7\u00e3o para energias renov\u00e1veis: a procura por pain\u00e9is solares chineses disparou no \u00faltimo m\u00eas.<\/p>\n<p>Assim, as empresas norte-americanas poder\u00e3o optar por ganhos de curto prazo, explorando po\u00e7os j\u00e1 perfurados mas inativos, em vez de investir em novas explora\u00e7\u00f5es, explica Dan Pickering, fundador da Pickering Energy Partners.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Crise do petr\u00f3leo reacende investimento na perfura\u00e7\u00e3o Se o petr\u00f3leo est\u00e1 em falta, porque n\u00e3o perfurar mais? A&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":368759,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[609,836,611,27,88,607,608,333,832,604,30019,135,610,476,89,90,301,830,603,570,831,833,62362,62,834,13,835,602,6153,53935,52,32,57330,33,29],"class_list":{"0":"post-368758","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-alerta","9":"tag-analise","10":"tag-ao-minuto","11":"tag-breaking-news","12":"tag-business","13":"tag-cnn","14":"tag-cnn-portugal","15":"tag-comentadores","16":"tag-costa","17":"tag-crime","18":"tag-crise-energetica","19":"tag-desporto","20":"tag-direto","21":"tag-economia","22":"tag-economy","23":"tag-empresas","24":"tag-governo","25":"tag-guerra","26":"tag-justica","27":"tag-live","28":"tag-mais-vistas","29":"tag-marcelo","30":"tag-mercado-petroleo","31":"tag-mundo","32":"tag-negocios","33":"tag-noticias","34":"tag-opiniao","35":"tag-pais","36":"tag-petroleo","37":"tag-petroleo-medio-oriente","38":"tag-politica","39":"tag-portugal","40":"tag-precos-do-petroleo","41":"tag-pt","42":"tag-ultimas"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116517820962352276","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368758","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=368758"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368758\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/368759"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=368758"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=368758"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=368758"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}