{"id":369424,"date":"2026-05-05T07:11:16","date_gmt":"2026-05-05T07:11:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/369424\/"},"modified":"2026-05-05T07:11:16","modified_gmt":"2026-05-05T07:11:16","slug":"descoberta-atmosfera-impossivel-num-mundo-alem-de-neptuno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/369424\/","title":{"rendered":"Descoberta atmosfera &#8220;imposs\u00edvel&#8221; num mundo al\u00e9m de Neptuno"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/www.nao.ac.jp\/en\/news\/science\/2026\/20260505-prc.html\" rel=\"nofollow noopener\" data-wpel-link=\"external\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Ko Arimatsu \/ NAOJ<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-740966\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/bbe76e0e385aee45dec7735754e8157d-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica do eclipse do 2002 XV93<\/p>\n<p><strong>Uma equipa de cientistas descobriu uma amostra \u201cimposs\u00edvel\u201d num mundo para al\u00e9m da \u00f3rbita de Neptuno.<\/strong><\/p>\n<p>O objeto mede cerca de <strong>500 quil\u00f3metros de di\u00e2metro<\/strong>, sendo demasiado pequeno para que a sua gravidade consiga reter uma atmosfera por muito tempo. \u00c9 chamado<strong> (612533) 2002 XV93 <\/strong>e, apesar de n\u00e3o parecer grande, pode mudar o que se sabe sobre a reten\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica.<\/p>\n<p>Num novo <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-026-02846-1\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">estudo<\/a>, publicado esta segunda-feira na Nature Astronomy, os astr\u00f3nomos utilizaram t\u00e9cnicas de ponta para detetar fen\u00f3menos t\u00e9nues a longas dist\u00e2ncias.<\/p>\n<p>2002 XV93 \u00e9 um tipo de objeto conhecido como <strong>plutino<\/strong>. Trata-se de um pequeno corpo que partilha uma \u00f3rbita semelhante ao ritmo orbital de <strong>Plut\u00e3o<\/strong>, a cerca de 40 vezes a dist\u00e2ncia da Terra ao Sol, em resson\u00e2ncia com a \u00f3rbita de <strong>Neptuno<\/strong>.<\/p>\n<p>Segundo o <a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/scientists-found-an-impossible-atmosphere-on-a-tiny-world-beyond-neptune\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Science Alert<\/a>, acredita-se que estes pequenos mundos gelados representem um <strong>registo f\u00f3ssil do in\u00edcio do Sistema Solar<\/strong>, registando informa\u00e7\u00f5es sobre a sua composi\u00e7\u00e3o e sobre como as coisas se moviam nele.<\/p>\n<p>A resson\u00e2ncia com Neptuno, por exemplo, revela que planeta se deslocou para fora, varrendo tudo \u00e0 sua passagem.<\/p>\n<p>No caso do 2002 XV93, o m\u00e9todo de observa\u00e7\u00e3o dependia em grande medida do acaso. Em 2024, os astr\u00f3nomos encontravam-se exatamente no local certo para o observar a passar\u00a0\u00e0 frente de uma estrela distante \u2014 um fen\u00f3meno conhecido como <strong>oculta\u00e7\u00e3o estelar<\/strong>.<\/p>\n<p>Os investigadores captaram a oculta\u00e7\u00e3o a partir de <strong>tr\u00eas locais diferentes no Jap\u00e3o<\/strong>, registando ao detalhe o momento em que a luz da estrela foi temporariamente extinta pelo plutino.<\/p>\n<p>No caso de uma rocha nua, a forma como a luz da estrela se alteraria ao longo da oculta\u00e7\u00e3o seria bastante acentuada e direta, desaparecendo repentinamente quando 2002 XV93 passasse \u00e0 sua frente e reaparecendo assim que a oculta\u00e7\u00e3o terminasse.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o foi isso que os astr\u00f3nomos observaram. Todo o evento durou apenas <strong>15 a 20 segundos<\/strong>, dependendo do local de observa\u00e7\u00e3o, e durante cerca de <strong>1,5 segundos<\/strong> antes e depois da totalidade, a curva de luz mostrou um <strong>escurecimento <\/strong>e um<strong> clareamento <\/strong>graduais, respetivamente.<\/p>\n<p>Este tipo de desvanecimento gradual s\u00f3 pode ser explicado se a luz da estrela tiver atravessado uma atmosfera, refratando-se \u00e0 medida que avan\u00e7ava.<\/p>\n<p>Com base neste escurecimento e clareamento, os investigadores constru\u00edram <strong>modelos de refra\u00e7\u00e3o<\/strong> para compreender que tipo de atmosfera poderia ter produzido o sinal.<\/p>\n<p>Utilizando a atmosfera de Plut\u00e3o como base, assumiram uma estrutura de temperatura espec\u00edfica e uma composi\u00e7\u00e3o constitu\u00edda principalmente por <strong>metano, azoto ou mon\u00f3xido de carbono<\/strong>. Em seguida, simularam a densidade dessa atmosfera a diferentes altitudes e a forma como a luz se curvaria ao atravess\u00e1-la.<\/p>\n<p>Os resultados sugeriram uma atmosfera com apenas <strong>100 a 200 nanobares<\/strong>, cerca de 5 a 10 milh\u00f5es de vezes mais rarefeita do que a densidade atmosf\u00e9rica da Terra ao n\u00edvel do mar.<\/p>\n<p>Isto revela que existem instrumentos suficientemente sens\u00edveis para detetar a refra\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de uma atmosfera quase inexistente, proveniente dos confins do Sistema Solar, e ainda que os modelos da equipa sugerem que tal atmosfera se perderia em apenas algumas centenas a milhares de anos.<\/p>\n<p>A forma mais plaus\u00edvel de poder ter uma atmosfera agora \u00e9 se essa atmosfera estiver a ser reabastecida de alguma forma.<\/p>\n<p>Dado que existem muitos objetos no <strong>Cintur\u00e3o de Kuiper<\/strong>, um cen\u00e1rio que os investigadores prop\u00f5em \u00e9 que um cometa colidiu com 2002 XV93, libertando g\u00e1s que formou uma atmosfera tempor\u00e1ria que em breve se dissipar\u00e1.<\/p>\n<p>A outra possibilidade \u00e9 que, tal como Plut\u00e3o, o 2002 XV93 tenha <strong>criovulc\u00f5es ativos<\/strong>, que libertam lama gelada e subst\u00e2ncias vol\u00e1teis do interior do plutino, reabastecendo uma atmosfera em constante fuga.<\/p>\n<p>\u201cAssim, a ideia tradicional de que atmosferas densas globais se formam apenas em torno de planetas maiores deve ser revista\u201d, referem os investigadores.<\/p>\n<p>Estas descobertas sugerem que uma fra\u00e7\u00e3o dos pequenos planetas gelados pode apresentar atmosferas, potencialmente sustentadas por <strong>atividade criovulc\u00e2nica<\/strong> cont\u00ednua ou produzidas pelo impacto recente de um objeto gelado.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter 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