{"id":369453,"date":"2026-05-05T07:53:23","date_gmt":"2026-05-05T07:53:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/369453\/"},"modified":"2026-05-05T07:53:23","modified_gmt":"2026-05-05T07:53:23","slug":"sementes-ouvem-chuva-antes-de-germinar-indica-estudo-04-05-2026-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/369453\/","title":{"rendered":"Sementes &#8216;ouvem&#8217; chuva antes de germinar, indica estudo &#8211; 04\/05\/2026 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>O som da chuva pode funcionar como um sinal de alerta para sementes \u00e0 espera de germinar. \u00c9 o que indica o trabalho de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, \u00e9 como se as sementes sentissem ou ouvissem a chuva por meio das vibra\u00e7\u00f5es que ela produz. Os cientistas descobriram que algumas delas germinam, inclusive, mais rapidamente.<\/p>\n<p>Para chegar \u00e0 conclus\u00e3o, os pesquisadores do MIT realizaram testes com sementes de arroz. Eles descobriram que as vibra\u00e7\u00f5es ac\u00fasticas das gotas de chuva tiraram as sementes do estado de dorm\u00eancia e fizeram com que brotassem mais cedo do que ocorreria em outras condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os resultados foram publicados no dia 22 do m\u00eas passado na <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-026-44444-1\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">revista cient\u00edfica Scientific<\/a> <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-026-44444-1\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Reports<\/a>, oferecendo a primeira evid\u00eancia direta de que sementes podem perceber sons e agir com base neles.<\/p>\n<p>Como &#8216;motor de jato no ar&#8217;<\/p>\n<p>Os pesquisadores expuseram milhares de sementes de arroz a gotas de \u00e1gua controladas, simulando chuvas de diferentes intensidades, de leves a fortes. As sementes ficaram submersas em \u00e1gua rasa, condi\u00e7\u00e3o t\u00edpica do cultivo de arroz.<\/p>\n<p>Sementes expostas ao som da queda das gotas germinaram de 30% a 40% mais r\u00e1pido do que sementes mantidas em um ambiente silencioso.<\/p>\n<p>Tudo se resume \u00e0 f\u00edsica. Quando uma gota de chuva atinge a \u00e1gua ou o solo, a press\u00e3o que ela provoca cria vibra\u00e7\u00f5es \u2014ou ondas de press\u00e3o\u2014 que se propagam e podem ser percebidas como som. Na \u00e1gua, essas vibra\u00e7\u00f5es podem ser particularmente intensas.<\/p>\n<p>Nicholas Makris, pesquisador do MIT e coautor do estudo, compara as ondas de press\u00e3o captadas pelas sementes, a apenas alguns cent\u00edmetros do impacto de uma gota de chuva, ao som que uma pessoa ouve &#8220;a poucos metros de um motor a jato no ar&#8221;.<\/p>\n<p>Est\u00edmulos ambientais<\/p>\n<p>Sabe-se que as plantas respondem a uma variedade de est\u00edmulos ambientais. Algumas reagem ao toque, outras a subst\u00e2ncias qu\u00edmicas, e a maioria, \u00e0 luz. A <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/ciencia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ci\u00eancia<\/a> tamb\u00e9m j\u00e1 estabeleceu que elas podem ser capazes de perceber a gravidade.<\/p>\n<p>No caso das gotas de chuva, a ideia de que as plantas &#8220;ouvem&#8221; sugere que existe uma parte da planta que est\u00e1 &#8220;escutando&#8221; e agindo de forma cognitiva com base no que &#8220;ouve&#8221;. E h\u00e1 um certo fundo de verdade.<\/p>\n<p>Outros estudos sugerem que sementes de plantas podem ter centros de decis\u00e3o, que funcionam como pequenos c\u00e9rebros vegetais.<\/p>\n<p>&#8220;Sabemos que as plantas s\u00e3o verdadeiros organismos vivos&#8221;, afirma Frantisek Baluska, professor em\u00e9rito de fisiologia vegetal e biologia celular vegetal da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/universidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade<\/a> de Bonn (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/alemanha\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Alemanha<\/a>). &#8220;As plantas est\u00e3o emergindo como organismos cognitivos.&#8221;<\/p>\n<p>Assim como na ideia de plantas ouvirem a chuva, as plantas n\u00e3o pensam da mesma forma que n\u00f3s, humanos, entendemos o &#8220;pensar&#8221;. Mas \u00e9 poss\u00edvel, segundo Baluska, que as sementes decidam sobre a germina\u00e7\u00e3o com base numa forma de avalia\u00e7\u00e3o cognitiva.<\/p>\n<p>Sensibilidade \u00e0 gravidade<\/p>\n<p>Os autores do estudo dizem acreditar que as vibra\u00e7\u00f5es atuam sobre pequenas estruturas internas conhecidas como estat\u00f3litos. As organelas densas, semelhantes a gr\u00e3os de areia, est\u00e3o presentes dentro das c\u00e9lulas vegetais e ajudam a detectar a gravidade.<\/p>\n<p>Os estat\u00f3litos se depositam no fundo das c\u00e9lulas, permitindo que a semente saiba qual \u00e9 o sentido de cima e de baixo \u2014assim, as ra\u00edzes crescem para baixo e os caules crescem para cima.<\/p>\n<p>No entanto, a pesquisa da equipe sugere que a energia das vibra\u00e7\u00f5es induzidas pela chuva interfere no funcionamento normal dos estat\u00f3litos.<\/p>\n<p>Sementes que respondem a essas vibra\u00e7\u00f5es provavelmente est\u00e3o pr\u00f3ximas da superf\u00edcie, onde h\u00e1 umidade dispon\u00edvel, mas n\u00e3o t\u00e3o profundas a ponto de os brotos emergentes n\u00e3o conseguirem alcan\u00e7ar a luz. Isso significa que o som da chuva pode ajud\u00e1-las a avaliar se est\u00e3o em uma posi\u00e7\u00e3o ideal para crescer.<\/p>\n<p>&#8220;A audi\u00e7\u00e3o humana \u00e9 adaptada para ser vantajosa aos seres humanos&#8221;, diz Makris. &#8220;O que descobrimos \u00e9 que as sementes e mudas das plantas fazem algo que aparentemente tamb\u00e9m \u00e9 vantajoso para elas.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo ele, \u00e9 prov\u00e1vel que sementes de outras plantas respondam ao som da chuva de maneira semelhante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O som da chuva pode funcionar como um sinal de alerta para sementes \u00e0 espera de germinar. \u00c9&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":369454,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[1305,109,107,108,236,3536,9767,9560,32,33,105,103,104,52285,106,110,3062],"class_list":["post-369453","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-alemanha","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-folha","tag-pesquisa-cientifica","tag-planta","tag-plantas","tag-portugal","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-semente","tag-technology","tag-tecnologia","tag-universidade"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116520891730346947","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/369453","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=369453"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/369453\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/369454"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=369453"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=369453"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=369453"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}