{"id":36963,"date":"2025-08-20T06:58:20","date_gmt":"2025-08-20T06:58:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/36963\/"},"modified":"2025-08-20T06:58:20","modified_gmt":"2025-08-20T06:58:20","slug":"trump-ou-a-nada-va-gloria-de-mandar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/36963\/","title":{"rendered":"Trump ou a (nada) v\u00e3 gl\u00f3ria de mandar"},"content":{"rendered":"<p>\t                Muito obrigado, Presidente Trump, pelo seu important\u00edssimo contributo (graxa), ficamos todos agradecidos (graxa) e s\u00f3 V. Ex.\u00aa teria esta capacidade \u00fanica de aproximar as partes desavindas (graxa, graxa e graxa). A graxa, de t\u00e3o excessiva, \u00e9 quase c\u00f3mica &#8211; mas, no fim, o elogio a Trump e a gratid\u00e3o ser\u00e3o sinceros (por Azeredo Lopes, num artigo em que cita os Ministry &#8211;  um grupo de rock industrial &#8211; e no qual lembra Carl Schmitt &#8211; que, &#8220;para quem n\u00e3o o tenha presente, foi um jurista alem\u00e3o, dos mais brilhantes que o s\u00e9c. XX produziu, e foi tamb\u00e9m um canalha, membro convicto do partido nazi&#8221;) <\/p>\n<p>1. Os factos extraordin\u00e1rios dos \u00faltimos dias t\u00eam contribu\u00eddo para consolidar a ideia de um Donald Trump omnisciente, omnipresente e omnipotente. Desde que iniciou o segundo mandato, tem sido poss\u00edvel ver elementos desta constru\u00e7\u00e3o, que agora tem um dos seus momentos altos desde que, a 15 de agosto, reuniu no Alasca com o Presidente russo, Vladimir Putin. \u00c9 um poder absoluto e quantas vezes cruel relativamente aos imigrantes ilegais e \u00e0 sua expuls\u00e3o em massa, \u00e9 a vingan\u00e7a implac\u00e1vel relativamente a quem, dentro do poder judicial ou fora dele, participou nos diferentes processos contra si dirigidos (e que resultaram, ali\u00e1s, em condena\u00e7\u00f5es), s\u00e3o as v\u00e1rias guerras comerciais que foi desencadeando contra algumas das principais pot\u00eancias, da China \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, passando pela \u00cdndia, ou a imposi\u00e7\u00e3o de uma fasquia colossal de 5% em despesas em Defesa aos pa\u00edses da NATO, n\u00e3o esquecendo os bombardeamentos \u201cobliteradores\u201d contra o Ir\u00e3o, a legitima\u00e7\u00e3o dada a Israel para a comiss\u00e3o dos crimes internacionais que lhe apete\u00e7am em Gaza ou na Cisjord\u00e2nia, o delinear da limpeza \u00e9tnica em Gaza para depois lan\u00e7ar a nova \u201cRiviera\u201d na regi\u00e3o, a paz com o I\u00e9men, a interven\u00e7\u00e3o que diz que teve para fazer cessar os conflitos entre \u00cdndia e Paquist\u00e3o, Egito e Eti\u00f3pia, Camboja e Tail\u00e2ndia, Israel e Ir\u00e3o, Arm\u00e9nia e Azerbaij\u00e3o, ou Ruanda e Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, ou a interven\u00e7\u00e3o direta em processos judiciais em terceiros pa\u00edses, com amea\u00e7as e san\u00e7\u00f5es contra os ju\u00edzes e outros atores do aparelho judicial (Brasil e o processo que envolve Jair Bolsonaro; Israel e os v\u00e1rios processos contra Bibi Netanyahu), ou o assalto aos tribunais internacionais (com destaque para o TPI), ou a interven\u00e7\u00e3o direta em apoio de partidos de extrema-direita em processos eleitorais na Europa, e por a\u00ed adiante. A enumera\u00e7\u00e3o deixa sem f\u00f4lego, mas \u00e9 muito incompleta, e reflete pouco mais de meio ano de poder.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"667\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755673095_709_1000.jpg\" width=\"1000\"\/><\/p>\n<p>2. Esta interpreta\u00e7\u00e3o imperial dos poderes de que est\u00e1 investido, quantas vezes com o respetivo exerc\u00edcio determinado por raz\u00f5es pessoais ou assim por si interpretadas (que o diga o Brasil) apanhou de surpresa e a destempo, pela envergadura e brutalidade, a maioria dos atores internacionais. Necessariamente, e sem serem necess\u00e1rias especiais elucubra\u00e7\u00f5es sist\u00e9micas, Donald Trump ataca aquela que considera ser uma ordem velha e caduca, ultrapassada porque juridicamente sustentada, contr\u00e1ria, no seu entender (do ponto de vista das regras que se lhe aplicam e do modelo de organiza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es internacionais), aos interesses fundamentais dos Estados Unidos. Esta ideia est\u00e1 profundamente arreigada na sua forma de pensar e de agir, em que se intui o pressuposto de uma superioridade americana sobre todos os outros povos. N\u00e3o s\u00f3 uma superioridade de poder (por ora, indiscut\u00edvel), mas superioridade mesmo, como povo com um des\u00edgnio superior que, por for\u00e7a de sucessivos Presidentes t\u00edbios (com um \u00f3dio de estima\u00e7\u00e3o por Obama), se tem visto privado do seu estatuto de dom\u00ednio internacional incontestado e que agora ele vai trazer de novo para a grandeza. A forma como Trump e o seu s\u00e9quito descrevem os europeus, e da mesma sorte reverenciam a autoridade viril do agressor Vladimir Putin ou do sanguin\u00e1rio Netanyahu, diz muito sobre a reinterpreta\u00e7\u00e3o em curso da ordem internacional e dos seus novos \u00edcones. O esquisso desta nova arquitetura que nos tem sido dada a provar desde janeiro assenta, por conseguinte, na tentativa de reinstala\u00e7\u00e3o de um modelo de tipo feudal tardio (com um monarca rodeado pelos tr\u00eas estamentos, todos submissos) ou, sendo poss\u00edvel, de reconstitui\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea de um Sacro Imp\u00e9rio Americano \u2013 um Sacro Trump\u00e9rio, portanto, com alcance potencialmente universal.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"563\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755673095_823_1000.jpg\" width=\"1000\"\/><\/p>\n<p>3. Trump, \u00e9 verdade, nunca escondeu ao que vinha. J\u00e1 durante o primeiro mandato, que alguns tentaram descrever como uma v\u00edrgula irritante da Hist\u00f3ria pol\u00edtica norte-americana (n\u00e3o era), as suas interven\u00e7\u00f5es sucessivas e, nomeadamente, perante a Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, foram meridianamente claras. O interesse nacional prevalecia sobre o internacional, mesmo que este estivesse sustentado em normas imperativas. Assim, s\u00f3 para dar um exemplo, Trump podia romper com uma tradi\u00e7\u00e3o de muitas d\u00e9cadas e reconhecer, porque sim, a anexa\u00e7\u00e3o israelita dos Montes Gol\u00e3. Ora, se os europeus sempre recusaram dar passos desse tipo, nem por isso deixaram de utilizar o jarg\u00e3o que, perto do juridiqu\u00eas mais b\u00e1sico, deixava de falar em direito internacional e integrava-o, apenas como uma das vari\u00e1veis poss\u00edveis num processo de decis\u00e3o, numa geringon\u00e7a batizada de forma tr\u00f4pega em \u201cordem internacional baseada em regras\u201d. Esse tem sido o nosso fado: falta de vontade pol\u00edtica para realizar o des\u00edgnio da autonomia estrat\u00e9gica perante o nosso amigo do outro lado do Atl\u00e2ntico, pregui\u00e7a pol\u00edtica, pregui\u00e7a na procura real de uma estrat\u00e9gia comum em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a e defesa, a\u00e7\u00e3o timorata quando somos encostados \u00e0s cordas. Trump, por ora, l\u00ea-nos como quase ningu\u00e9m: a sua \u00e9 a linguagem do poder pelo poder, para roubar o t\u00edtulo da obra not\u00e1vel de Alexandre Franco de S\u00e1, j\u00e1 com uns anos, mas mais do que atual.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"667\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755673096_525_1000.jpg\" width=\"1000\"\/><\/p>\n<p>4. A Hist\u00f3ria, gra\u00e7as a Deus, n\u00e3o acaba aqui. N\u00e3o \u00e9 que a prociss\u00e3o ainda v\u00e1 no adro, uma vez que, infelizmente, as a\u00e7\u00f5es brutais que Trump tem levado a cabo no plano interno cont\u00eam j\u00e1, para muitos, alguns aspetos \u201cirrevers\u00edveis\u201d (a palavra \u00e9 colocada entre aspas). Por outro lado, no plano internacional, estamos entrados num estado de guerra permanente. O termo n\u00e3o \u00e9 meu, foi criado em 2013 pelos Ministry (um grupo de rock industrial de Chicago). Neste quadro, procura refletir a polariza\u00e7\u00e3o internacional, a destrui\u00e7\u00e3o de um princ\u00edpio geral de coopera\u00e7\u00e3o negociada e de aproxima\u00e7\u00e3o entre diferentes ou o ataque direto a regimes fundamentais do direito internacional, desde o direito dos tratados \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o do uso da for\u00e7a ou ao direito internacional humanit\u00e1rio. Significa, por outro lado, um regresso \u00e0 teoria fundamental de Carl Schmitt sobre a ess\u00eancia da pol\u00edtica, constru\u00edda em torno da oposi\u00e7\u00e3o permanente, hobbesiana e pessimista, entre amizade-inimizade, at\u00e9 que o inimigo seja eliminado (logo a seguir se recriando novas rela\u00e7\u00f5es desta natureza). Tudo em torno desta rela\u00e7\u00e3o, toda a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica determinada por ela. Perante n\u00f3s, portanto, uma de duas: ou \u00e9 inimigo, e tem de ser destru\u00eddo sem piedade, ou \u00e9 amigo, e tem de ser protegido, quaisquer que sejam as circunst\u00e2ncias. Schmitt, para quem n\u00e3o o tenha presente, foi um jurista alem\u00e3o, dos mais brilhantes que o s\u00e9c. XX produziu. Foi tamb\u00e9m um canalha, membro convicto do partido nazi desde 1933 e antissemita grotesco. E n\u00e3o deixa de ser interessante verificar como o per\u00edodo de grande polariza\u00e7\u00e3o que vivemos, no interior dos Estados como, depois, nas rela\u00e7\u00f5es entre estes, vai beber (certamente que, o mais das vezes, de forma n\u00e3o consciente) \u00e0 doutrina Schmittiana, que tanto fundamento deu ao nazismo. Que fique claro, n\u00e3o se est\u00e1 a estabelecer um paralelismo entre o atual inquilino da Casa Branca e o infame Adolfo. Trata-se, apenas, de verificar como a constru\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica por Carl Schmitt tem hoje, outra vez, muitos e muitos seguidores e putativos praticantes.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"666\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755673096_548_1000.jpg\" width=\"1000\"\/><\/p>\n<p>5. N\u00e3o foi Trump, por outro lado, o primeiro impulsionador deste retrocesso, embora a sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica defina como pilares os fi\u00e9is e os incr\u00e9us, aqueles que se protegem e aqueloutros que podem e devem ser destru\u00eddos, no sentido mais figurado como noutros bem mais prosaicos. Assim, por exemplo, quando Trump diz a Netanyahu para fazer o que tiver de ser feito (em Gaza), \u00e9 na oposi\u00e7\u00e3o atr\u00e1s referida que deve procurar-se o fundamento da legitima\u00e7\u00e3o para a viol\u00eancia sem limites. O inimigo, por isso, \u00e9 desumanizado, n\u00e3o est\u00e1 protegido pelo Direito (coisa para fracos) e depende da decis\u00e3o de vida ou de morte tomada pelo l\u00edder. Isso explica, por exemplo, que quase em tom de chacota Donald Trump se tivesse dirigido ao l\u00edder iraniano, Khamenei, dizendo-lhe que s\u00f3 estava vivo porque, com generosidade, essa tinha sido a sua decis\u00e3o (o polegar virado para cima) perante a vontade israelita de o eliminar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"666\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/999.jpg\" width=\"999\"\/><\/p>\n<p>6. De uma outra forma, repete-se, estes processos foram-se desenvolvendo com outros atores, num passado recente ou um pouco menos recente. Putin \u00e9 um praticante muito competente desta abordagem do poder pol\u00edtico, n\u00e3o sendo nada surpreendente o fasc\u00ednio, a admira\u00e7\u00e3o, que suscita a Trump. Mas, quando por c\u00e1 nesta Europa se v\u00e3o desenvolvendo reinterpreta\u00e7\u00f5es dos quadros mentais aplic\u00e1veis \u00e0s rela\u00e7\u00f5es internacionais, n\u00e3o se fica muito longe daquilo que se vai criticando ao atual Presidente dos Estados Unidos. O ovo da serpente j\u00e1 est\u00e1 entre n\u00f3s h\u00e1 bastante tempo, e os europeus s\u00e3o bons aprendizes de feiticeiro. Aderiu-se gulosamente \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o entre \u201cocidente alargado\u201d e \u201csul global\u201d, como se esta fosse a senda inelut\u00e1vel que passaria a regular a nossa interpreta\u00e7\u00e3o das alian\u00e7as e modelos de coopera\u00e7\u00e3o internacional. Inventaram-se as democracias \u201ciliberais\u201d, tanto para justificar ataques diretos \u00e0 democracia enquanto tal como para justificar por que raz\u00e3o ag\u00edamos de forma diferente consoante os casos e a proximidade geogr\u00e1fica do objeto de an\u00e1lise (por exemplo, \u201cdemocracias iliberais\u201d dentro da UE passam a ser, fora dela, autocracias ou, para empregar um termo agora na moda, \u201cautocracias eleitorais\u201d). E mesmo Joe Biden, quando lan\u00e7ou a sua cruzada, a guerra santa das democracias contra as autocracias, acabou por aderir a esta simplifica\u00e7\u00e3o ad absurdum da realidade, por tornar evidente o duplo standard e, finalmente, por agregar e refor\u00e7ar como bloco aqueles que se sentem amea\u00e7ados por terem sido inclu\u00eddos na categoria dos \u201cmaus\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"563\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755673096_499_1000.jpg\" width=\"1000\"\/><\/p>\n<p>7. Falemos agora, como caso pr\u00e1tico, dos tais dias extraordin\u00e1rios a que se faz refer\u00eancia no in\u00edcio do texto e que t\u00eam como centralidade a vontade de Trump, o imperador Trump, p\u00f4r termo \u00e0 guerra na Ucr\u00e2nia. A recordat\u00f3ria poder\u00e1 parecer rid\u00edcula, mas, ainda assim, aqui vai. H\u00e1 guerra na Ucr\u00e2nia desde fevereiro de 2022, ou at\u00e9 desde 2014, porque a R\u00fassia ocupou e anexou territ\u00f3rios ucranianos (a Crimeia e partes do leste do Pa\u00eds) e, mais tarde, lan\u00e7ou uma invas\u00e3o militar em larga escala contra aquele Pa\u00eds, com a destrui\u00e7\u00e3o tremenda do Pa\u00eds e um n\u00famero de mortos e feridos incalcul\u00e1vel, entre combatentes dos dois lados e a popula\u00e7\u00e3o civil. Nestas quest\u00f5es, h\u00e1 sempre quem d\u00ea um peso dominante ao poder (corrige-se: em rela\u00e7\u00e3o ao poder dos \u201cnossos\u201d), num fasc\u00ednio quase er\u00f3tico que resvala, com frequ\u00eancia, para clich\u00e9s como o sofr\u00edvel e bem conhecido \u201cfor\u00e7a do direito e direito da for\u00e7a\u201d. A melhor forma de enfrentar estas tenta\u00e7\u00f5es \u00e9 insistir num facto que mesmo os mais empedernidos apoiantes de Putin aceitar\u00e3o, mesmo que a contragosto: a Ucr\u00e2nia foi invadida, a R\u00fassia foi, e \u00e9, o invasor, ponto final.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"672\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755673097_392_1000.jpg\" width=\"1000\"\/><\/p>\n<p>8. Clarificado o ponto de partida, ficam a for\u00e7a e o poder completamente arredados quando de discuss\u00f5es sobre a tentativa de acabar este conflito cruento que dura h\u00e1 tr\u00eas anos e meio? N\u00e3o, pela natureza das coisas humanas, e correndo o risco da afirma\u00e7\u00e3o v\u00e1cua, direito e poder dialogam em perman\u00eancia. Mas as viola\u00e7\u00f5es do Direito, sobretudo estas que, como a proibi\u00e7\u00e3o da agress\u00e3o, ocupam um lugar de preemin\u00eancia no sistema jur\u00eddico internacional, n\u00e3o s\u00e3o apagadas por factos de poder, n\u00e3o s\u00e3o justificadas com o correr dos dias, dos meses ou dos anos. At\u00e9 ao fim dos tempos, a R\u00fassia ser\u00e1 o agressor de 2022. \u00c9 por isso dif\u00edcil de aceitar que, desde o in\u00edcio deste seu segundo mandato, Trump tenha procurado redefinir a realidade, apresentando em alturas sucessivas os seus factos \u201calternativos\u201d, para utilizar o termo lan\u00e7ado por Kellyanne Conway, uma sua conselheira logo no in\u00edcio do primeiro mandato que ficou c\u00e9lebre como grande praticante da p\u00f3s-verdade (que \u00e9 o termo suave para a mentira mais escandalosa).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"667\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755673097_685_1000.jpg\" width=\"1000\"\/><\/p>\n<p>9. De forma imperial, Trump compreendia as raz\u00f5es de Putin; e era a Ucr\u00e2nia que, com a obsess\u00e3o de n\u00e3o ser escrava, impedia o fim das hostilidades. Ali\u00e1s, o l\u00edder russo n\u00e3o era verdadeiramente o agressor, porque, fosse Trump o Presidente, a guerra nunca teria sequer come\u00e7ado. A culpa era, por isso, de Joe Biden, como ali\u00e1s a anexa\u00e7\u00e3o da Crimeia, em 2014, s\u00f3 tinha acontecido porque\u2026sim, adivinharam, Barack Obama era Presidente. \u201cThis is not our war\u201d, diz agora Marco Rubio. Leia-se: esta \u00e9 a guerra de Joe Biden, e s\u00f3 por ser Grande \u00e9 que Donald Trump aceita envolver-se, entregar-se de forma desinteressada \u00e0 causa do restabelecimento da paz (com o Nobel da Paz no horizonte).\u00a0<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"667\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755673097_910_1000.jpg\" width=\"1000\"\/><\/p>\n<p>10. \u00c9 sabido que Trump gosta de ser adulado, mais do que respeitado ou gostado. A palavra-chave do seu segundo mandato n\u00e3o \u00e9, por isso, poder, autoridade, tarifas ou guerra: \u00e9 \u201cgraxa\u201d. Que o diga Volodymir Zelensky, o Presidente da Ucr\u00e2nia, que em fevereiro esqueceu duas coisas fundamentais quando foi a Washington: era preciso estar permanentemente a agradecer ao nov\u00edssimo Imperador a sua maravilhosa e deslumbrante a\u00e7\u00e3o, e era preciso deixar claro que quem pode, manda; e quem deve, obedece, mesmo que para as coisas mais abjetas (por exemplo, ouvir que a guerra n\u00e3o acabava por sua exclusiva responsabilidade). Pelo caminho, at\u00e9 a farpela verde que o Presidente costuma usar foi objeto de ataque direto, tudo vindo a culminar na expuls\u00e3o da Casa Branca da delega\u00e7\u00e3o ucraniana: a porta da rua \u00e9 a serventia da casa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"668\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755673098_345_1000.jpg\" width=\"1000\"\/><\/p>\n<p>11. Meses depois, agora em agosto de 2025, outra vez na Sala Oval, outra vez os mesmos atores. Zelensky foi de fato, e a sua rebeldia ter\u00e1 sido n\u00e3o usar gravata; e disse tantas vezes obrigado que at\u00e9 cansou. \u00c9 o que \u00e9, o mesmo fizeram os l\u00edderes europeus (Fran\u00e7a, Finl\u00e2ndia, It\u00e1lia, Alemanha, Reino Unido) que participaram nas conversa\u00e7\u00f5es promovidas por Trump. Duas coisas sobressaem: a graxa, de t\u00e3o excessiva, \u00e9 quase c\u00f3mica, mas, e este \u00e9 o ponto mais relevante, o destinat\u00e1rio adora. E assim vamos andando aplicando-se a velha m\u00e1xima do palha\u00e7o Tiririca quando se apresentou a elei\u00e7\u00f5es: pior do que est\u00e1 n\u00e3o fica.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"707\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755673098_913_1000.jpg\" width=\"1000\"\/><\/p>\n<p>12. E o encontro com Putin? E as reuni\u00f5es de ontem? A primeira coisa de que deve ser dada nota \u00e9 a de que Trump pode ter dado um contributo de algum relevo para nos irmos encaminhando para o fim do conflito, embora quase sempre por raz\u00f5es tortuosas. A reuni\u00e3o com Putin, \u00e9 certo, fica marcada, mais uma vez, pela leitura est\u00e9tica do acontecimento. Aquelas duas aeronaves enormes na mesma pista (o Air Force One \u00e9 de certeza maior), o tapete vermelho para ambos, Trump \u00e0 espera de Putin a bater palmas, Putin a acelerar em dire\u00e7\u00e3o a Trump, a intimidade entre ambos, a partilha da mesma viatura, tudo contribuiu para que se tratasse de um momento inesquec\u00edvel. Trump, como sempre, mais trapalh\u00e3o, como se percebeu na confer\u00eancia de imprensa conjunta e, como de costume, a mudar de opini\u00e3o a uma velocidade estonteante. O cessar-fogo, disse nos dias que antecederam Anchorage, era obrigat\u00f3rio, e a reuni\u00e3o acabaria ao fim de 2, 3, 4 ou 5 minutos se, com a sua tal infinita arg\u00facia, o Presidente americano percebesse que o seu cong\u00e9nere russo n\u00e3o estava disposto a tal. N\u00e3o havendo cessar-fogo, as consequ\u00eancias seriam graves para Putin e, em geral, para a R\u00fassia. Excelente, ter\u00e3o dito os mais cr\u00e9dulos, desta feita h\u00e1 outra vez um alinhamento entre Ucr\u00e2nia (a v\u00edtima), os Estados Unidos e os europeus.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"679\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755673098_417_999.jpg\" width=\"999\"\/><\/p>\n<p>13. N\u00e3o tinham sequer passado duzentos minutos de reuni\u00e3o, e nada disso. O cessar-fogo j\u00e1 era, tratava-se agora \u2013 como sempre foi a posi\u00e7\u00e3o russa \u2013 de um acordo compreensivo e alargado de paz. Mais uma semana, e Trump negar\u00e1 que alguma vez tenha defendido um qualquer cessar-fogo.\u00a0<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"765\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755673098_710_1000.jpg\" width=\"1000\"\/><\/p>\n<p>14. O mesmo aconteceu com os ultimatos a Putin. Trump anunciava estar a come\u00e7ar a estar zangado, depois estava zangado, depois estava zangad\u00edssimo, e a certa altura zangad\u00e9rrimo. Pois, e? Vieram a seguir os ultimatos, antecipando consequ\u00eancias \u201cgraves\u201d para a R\u00fassia e a sua economia, nomeadamente, atrav\u00e9s das hoje c\u00e9lebres san\u00e7\u00f5es \u201csecund\u00e1rias\u201d, que poderiam atingir os 500%. A coisa afigurava-se um pouco estranha, considerando por exemplo que, na brutal guerra das tarifas em abril, a R\u00fassia (!) tinha escapado entre os pingos da chuva. Primeiro ultimato, a terminar algures no in\u00edcio de setembro. Depois, perdendo a paci\u00eancia e inspirado na t\u00e1tica seguida contra o Ir\u00e3o, o encurtamento do prazo, para 8 de agosto. Chega a data fat\u00eddica, e anuncia-se o encontro no Alasca. San\u00e7\u00f5es, prim\u00e1rias ou secund\u00e1rias? Nenhumas, enquanto os europeus, grandes seguidores da doutrina Kallas, preparam o incr\u00edvel 19.\u00ba pacote de san\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"666\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755673099_10_1000.jpg\" width=\"1000\"\/><\/p>\n<p>15. Perante o nov\u00edssimo Imperador, os europeus t\u00eam aprendido muito, \u00e0s vezes \u00e0 sua custa, como aconteceu com a NATO e com o acordo comercial doloroso que se viram coagidos a aceitar. Pagamos um pre\u00e7o, e muito elevado, por termos feito de cigarra durante demasiado tempo, e por acreditarmos que os Estados Unidos, apesar de um pouco cansados de n\u00f3s, sempre diriam, parafraseando o di\u00e1logo entre Bogart e a enorme Ingrid Bergman no filme Casablanca, \u201cWe\u2019ll always have Europe\u201d. Pela positiva, no entanto, os europeus est\u00e3o a construir o seu caminho mais depressa do que desde a cria\u00e7\u00e3o daquela que \u00e9 hoje a Uni\u00e3o Europeia, embora ainda n\u00e3o consigam ser olhados como \u201centidade\u201d com a autoridade necess\u00e1ria para uma verdadeira media\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, como est\u00e3o a demonstrar neste processo recent\u00edssimo de negocia\u00e7\u00f5es \u201cucranianas\u201d, t\u00eam agora a no\u00e7\u00e3o de duas coisas muito importantes. A primeira \u00e9 a de que Trump adora dinheiro e, ainda mais, poder dizer nas redes que sacou bilh\u00f5es a este ou \u00e0quele. N\u00e3o \u00e9 muito t\u00edpico, e que o digam os europeus, que j\u00e1 est\u00e3o a pagar quase toda a ajuda \u00e0 Ucr\u00e2nia (e, pelo caminho, a comprarem paletes de armamento aos Estados Unidos), que o diga a pr\u00f3pria Ucr\u00e2nia. J\u00e1 n\u00e3o se trata de um \u201cajude-nos, \u00e9 o Estado mais poderoso e estamos a ser agredidos pela R\u00fassia\u201d, isso \u00e9 coisa de velho e do sistema anterior. Agora, outrossim, \u00e9 mais um \u201cat\u00e9 sei que gosta muito de Putin e, por isso, quanto tenho de pagar para ter acesso ao seu armamento?\u201d. \u00c9 menos po\u00e9tico, \u00e9 menos jur\u00eddico e at\u00e9 se aproxima da coer\u00e7\u00e3o? \u00c9, mas \u00e9 a vida. Assim se compreende o \u201cacordo\u201d das terras raras ucranianas, assim se explica a espantosa proposta de ontem, na Casa Branca, sobre as famos\u00edssimas garantias de seguran\u00e7a. Os Estados Unidos v\u00e3o participar? V\u00e3o \u201cparticipar\u201d com um pequeno incentivo de cem mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, o pre\u00e7o a pagar para entrarem no barco. Portanto, e em s\u00edntese: europeus, \u00e9 necess\u00e1rio gastar dinheiro, acabaram os almo\u00e7os gr\u00e1tis. Seja, mas alguma vez ter\u00e1 havido almo\u00e7os gr\u00e1tis para o que quer que seja?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"563\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755673099_649_1000.jpg\" width=\"1000\"\/><\/p>\n<p>16. Os europeus est\u00e3o, em segundo lugar (europeus, porque haver\u00e1 que incluir o cada vez mais novoeuropeu Reino Unido), a compreender as maravilhosas virtudes da resist\u00eancia passiva, ou, para recorrer ao termo mais vulgar, da ronha. Acordo de paz? Muito obrigado, Presidente Trump, pelo seu important\u00edssimo contributo (graxa), ficamos todos agradecidos (graxa) e s\u00f3 V. Ex.\u00aa teria esta capacidade \u00fanica de aproximar as partes desavindas (graxa, graxa e graxa). Sucede, no entanto, que continuamos a defender a necessidade de um cessar-fogo, e que este dever\u00e1 ser imediatamente aplicado depois da eventual reuni\u00e3o entre Zelensky e Putin, e que a press\u00e3o sobre a R\u00fassia deve aumentar, e que continuamos a defender a integridade territorial da Ucr\u00e2nia. Ou seja, sobre as ced\u00eancias de territ\u00f3rio, nada, nicles. Sobre as garantias de seguran\u00e7a, as vers\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es s\u00e3o tantas que j\u00e1 ningu\u00e9m sabe a quantas estamos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"563\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755673099_269_1000.jpg\" width=\"1000\"\/><\/p>\n<p>17. A forma como os europeus (e, veja-se l\u00e1, at\u00e9 Mark Rutte) reinterpretaram a cl\u00e1usula, que teria de ficar consagrada no tratado de paz a ser celebrado, do tipo do artigo 5.\u00ba do Tratado NATO, \u00e9 um poema. O modo como est\u00e3o a afirmar a necessidade de \u201cboots on the ground\u201d na Ucr\u00e2nia, com contingentes europeus, outro poema \u00e9. Talvez tenhamos a barriga um pouco mole, certamente que ainda temos de fazer muito para nunca mais dependermos de outrem em quest\u00f5es vitais da nossa vida coletiva, e talvez tenhamos gerido mal, politicamente, o conflito, pois que destru\u00edmos todas a pontes e estamos agora numa posi\u00e7\u00e3o muito mais reativa do que de iniciativa. Mas temos a capacidade multisecular (e muito jur\u00eddica) de impedir aquilo que n\u00e3o queremos, embora n\u00e3o saibamos como impor aquilo que consideramos ser a melhor solu\u00e7\u00e3o. Uma coisa \u00e9 certa, Putin agora tenta passar a ideia de que s\u00f3 n\u00e3o h\u00e1 paz por causa dos europeus, ou, como disse na confer\u00eancia de imprensa no Alasca, esperemos que agora algumas capitais europeias n\u00e3o venham perturbar este esfor\u00e7o comum que (Putin e Trump) estamos a tentar relativamente \u00e0 paz na Ucr\u00e2nia. Putin a dizer que os europeus \u00e9 que n\u00e3o querem a paz na Ucr\u00e2nia? Estamos decerto a fazer alguma coisa bem, e isso parece confirmar-se pelas declara\u00e7\u00f5es ainda mais recentes do MNE russo, Sergei Lavrov, e da porta-voz do Kremlin, Maria Zakharova (por sinal, outro personagem).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"666\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755673100_15_999.jpg\" width=\"999\"\/><\/p>\n<p>18. \u00c9 tempo de acabar. Se descontarmos o acess\u00f3rio, este processo negocial confirma v\u00e1rias coisas. De entre elas, chamaria a aten\u00e7\u00e3o apenas para duas. A primeira \u00e9 a de que nunca, desde a Segunda Guerra Mundial, um l\u00edder pol\u00edtico concentrou nas suas m\u00e3os um tal poder de facto, com uma interpreta\u00e7\u00e3o praticamente sem limites das condi\u00e7\u00f5es do seu exerc\u00edcio, em que a coisa p\u00fablica se confunde com interesses privados e \u00e9 profundamente influenciada, para o bem e para o mal, por rela\u00e7\u00f5es pessoais. \u00c9 ver-se, no amor e no desamor, o que foi a rela\u00e7\u00e3o intensa entre o Presidente e Elon Musk. Trump aproxima-se, por isso, da figura do imperador, de algu\u00e9m cujo poder encontra a legitima\u00e7\u00e3o nele pr\u00f3prio e que corr\u00f3i os diferentes sistemas de checks and balances, aproximando-nos da autocracia. Mas tamb\u00e9m se pode reconhecer algo: nos nossos dias, ningu\u00e9m que n\u00e3o fosse Trump teria o poder de desbloquear um conflito enquistado como o da Ucr\u00e2nia. N\u00e3o \u00e9 pelas melhores e mais nobres raz\u00f5es? Talvez n\u00e3o, mas, no fim do dia, se for poss\u00edvel uma paz justa e duradoura, temos a obriga\u00e7\u00e3o de ser compradores. E, se for esse o caso, nem precisamos da graxa: o elogio e gratid\u00e3o ser\u00e3o sinceros.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"563\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755673100_173_1000.jpg\" width=\"1000\"\/><\/p>\n<p>19. Em segundo lugar, numa nota mais positiva (mas apenas referida ao sistema internacional), a processos imperiais desta natureza sempre se segue uma rea\u00e7\u00e3o. O mundo \u00e9 demasiado aberto, competitivo e em rede, e pura e simplesmente n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel regressar ao tempo dos Czares, de Carlos V ou de Napole\u00e3o. A adapta\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 por isso em curso, os blocos est\u00e3o a reconstituir-se, e mesmo os Estados Unidos v\u00e3o perceber, mais tarde ou mais cedo, que no s\u00e9culo XXI os imp\u00e9rios antigos n\u00e3o s\u00e3o reconstitu\u00edveis. Ou, ent\u00e3o, \u00e9 o autor destas linhas que quer acreditar nisso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Muito obrigado, Presidente Trump, pelo seu important\u00edssimo contributo (graxa), ficamos todos agradecidos (graxa) e s\u00f3 V. 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