{"id":370019,"date":"2026-05-05T16:47:15","date_gmt":"2026-05-05T16:47:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/370019\/"},"modified":"2026-05-05T16:47:15","modified_gmt":"2026-05-05T16:47:15","slug":"ombro-congelado-esta-ligado-a-menopausa-estudos-indicam-que-sim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/370019\/","title":{"rendered":"&#8220;Ombro congelado&#8221; est\u00e1 ligado \u00e0 menopausa? Estudos indicam que sim"},"content":{"rendered":"<p class=\"texto\"><strong>Por L\u00e9o Marques &#8211;<\/strong>\u00a0A turism\u00f3loga Camila Gil, de 43 anos, lembra exatamente quando percebeu que algo estava errado. A dor no ombro come\u00e7ou discreta, como um <strong><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/saude-e-bem-viver\/2023\/03\/23\/interna_bem_viver,1472520\/cansaco-excessivo-quando-e-o-momento-de-investigar.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">cansa\u00e7o muscular<\/a><\/strong> ap\u00f3s um dia comum. Em poucas semanas, por\u00e9m, tarefas simples passaram a ser um desafio. \u201cVestir uma blusa, colocar o bra\u00e7o para tr\u00e1s, pentear e lavar o cabelo e at\u00e9 dirigir passaram a ser tarefas dolorosas\u201d, conta. \u201cLevantar o bra\u00e7o acima da cabe\u00e7a ou alcan\u00e7ar algo em uma prateleira se tornou imposs\u00edvel. Uma dor insuport\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p class=\"texto\">Ap\u00f3s meses de consultas e exames, veio o diagn\u00f3stico: capsulite adesiva, conhecida popularmente como \u201combro congelado\u201d. A condi\u00e7\u00e3o ocorre quando a c\u00e1psula que envolve a articula\u00e7\u00e3o do ombro, um tecido normalmente flex\u00edvel, passa por um processo inflamat\u00f3rio e se torna grossa e r\u00edgida. \u201c\u00c9 como se essa c\u00e1psula estivesse toda retra\u00edda. Por isso, o ombro vai perdendo o movimento e restringindo a mobilidade\u201d, explica o ortopedista Sandro da Silva Reginaldo, especialista em ombro, do Einstein Hospital Israelita em Goi\u00e2nia.<\/p>\n<p class=\"texto\">O resultado \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de ignorar: dor intensa e limita\u00e7\u00e3o progressiva dos movimentos. Estima-se que essa condi\u00e7\u00e3o afete entre 2% e 5% da popula\u00e7\u00e3o, segundo a <strong><a href=\"https:\/\/www.aafp.org\/pubs\/afp\/issues\/2019\/0301\/p297.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Academia Americana de M\u00e9dicos de Fam\u00edlia<\/a><\/strong>. Embora possa afetar qualquer pessoa, aparece com mais frequ\u00eancia em mulheres entre 40 e 60 anos, justamente a faixa et\u00e1ria da <strong><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/saude\/2024\/08\/6923257-menopausa-quanto-dura-e-o-que-acontece-na-fase-marcada-por-incognitas.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">transi\u00e7\u00e3o menopausal<\/a><\/strong>. Da\u00ed por que, na \u00faltima d\u00e9cada, cientistas v\u00eam investigando cada vez mais se as mudan\u00e7as hormonais t\u00edpicas dessa fase da vida podem ter participa\u00e7\u00e3o direta no problema.\u00a0<\/p>\n<p>Estrog\u00eanio, o suspeito<\/p>\n<p class=\"texto\">Apesar de ainda n\u00e3o haver evid\u00eancia definitiva de causa e efeito, diversos estudos sugerem uma conex\u00e3o biol\u00f3gica plaus\u00edvel entre menopausa e capsulite adesiva. A principal suspeita envolve o estrog\u00eanio: durante a menopausa, os n\u00edveis desse horm\u00f4nio caem de forma acentuada, o que pode desencadear uma s\u00e9rie de efeitos nos tecidos do corpo, inclusive nas articula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"texto\">Pesquisas indicam que a defici\u00eancia de estrog\u00eanio pode aumentar citocinas inflamat\u00f3rias, estimular a atividade de fibroblastos (c\u00e9lulas que produzem tecido fibroso) e favorecer o espessamento da c\u00e1psula do ombro. Al\u00e9m disso, a <strong><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/saude\/2025\/08\/7220679-menopausa-quando-os-hormonios-caem-a-pele-sente.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">queda hormonal<\/a><\/strong> tamb\u00e9m pode reduzir o l\u00edquido sinovial, respons\u00e1vel por lubrificar as articula\u00e7\u00f5es, contribuindo para dor e rigidez.\u00a0<\/p>\n<p class=\"texto\">Uma <strong><a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC12564958\/#abstract1\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">revis\u00e3o publicada em 2025 no peri\u00f3dico Journal of Clinical Medicine<\/a><\/strong> sugere que falhas na sinaliza\u00e7\u00e3o do estrog\u00eanio podem enfraquecer mecanismos anti-inflamat\u00f3rios e antifibr\u00f3ticos, deixando mulheres na peri e p\u00f3s-menopausa mais vulner\u00e1veis \u00e0 doen\u00e7a. Por outro lado, um <strong><a href=\"https:\/\/obgyn.duke.edu\/blog\/hormone-therapy-appears-reduce-risk-shoulder-pain-older-women\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">estudo conduzido com 2 mil participantes<\/a><\/strong> com idades entre 45 e 60 anos concluiu que o uso da terapia de reposi\u00e7\u00e3o hormonal pode reduzir o risco de ombro congelado. Ao mesmo tempo, a n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o desse tratamento foi associada a um risco maior de ter o problema.<\/p>\n<p class=\"texto\">Ainda assim, os especialistas mant\u00eam cautela. \u201cAcredita-se que altera\u00e7\u00f5es hormonais possam influenciar na fisiopatologia da capsulite, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 comprova\u00e7\u00e3o direta dessa rela\u00e7\u00e3o\u201d, frisa Sandro Reginaldo.<\/p>\n<p>Outros poss\u00edveis fatores de risco<\/p>\n<p class=\"texto\">A capsulite adesiva tem causas bem definidas quando \u00e9 resultante de imobiliza\u00e7\u00e3o prolongada do bra\u00e7o devido a cirurgias e fraturas, por exemplo. Mas sua origem como como doen\u00e7a prim\u00e1ria ainda n\u00e3o \u00e9 totalmente conhecida. Al\u00e9m de horm\u00f4nios ligados \u00e0 menopausa, fatores como diabetes, dist\u00farbios da tireoide e estresse tamb\u00e9m aparecem em estudos relacionados \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"texto\">Uma <strong><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/27331029\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">metan\u00e1lise brit\u00e2nica de 2016<\/a><\/strong> constatou que pacientes com diabetes apresentavam probabilidade cinco vezes maior de desenvolver capsulite adesiva do que o grupo controle, e estimou a preval\u00eancia de diabetes em pacientes com a condi\u00e7\u00e3o no ombro em 30%.<\/p>\n<p class=\"texto\">J\u00e1 um <strong><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/27424251\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">estudo caso-controle<\/a><\/strong> realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com oInstituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia relatou que a preval\u00eancia de diagn\u00f3stico de hipotireoidismo foi significativamente maior no grupo com capsulite adesiva em compara\u00e7\u00e3o ao grupo controle.<\/p>\n<p class=\"texto\">Uma <strong><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-024-66360-y\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">outra pesquisa<\/a><\/strong> coloca tamb\u00e9m como fator de risco o baixo \u00cdndice de Massa Corp\u00f3rea (IMC) e o colesterol alto. Por isso, alguns pesquisadores come\u00e7am a encarar o ombro congelado n\u00e3o apenas como um problema ortop\u00e9dico isolado, mas parte de um quadro sist\u00eamico, envolvendo metabolismo, inflama\u00e7\u00e3o e horm\u00f4nios.<\/p>\n<p>Tr\u00eas fases \u2014 e um processo longo<\/p>\n<p class=\"texto\">A doen\u00e7a costuma evoluir em etapas relativamente previs\u00edveis:\u00a0<\/p>\n<ol>&#13;<\/p>\n<li>A primeira \u00e9 a fase dolorosa, de dor intensa nos ombros sem necessariamente perder movimento<\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>A segunda \u00e9 a etapa do congelamento, marcada pela perda progressiva de mobilidade<\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>Por fim, vem o processo de \u201cdescongelamento\u201d, em que o movimento retorna lentamente<\/li>\n<p>&#13;\n<\/ol>\n<p class=\"texto\">\u201cMuitas vezes, essas fases se sobrep\u00f5em. O paciente come\u00e7a com dor, depois passa a ter dor com limita\u00e7\u00e3o e, mais adiante, a dor diminui enquanto o movimento vai voltando aos poucos\u201d, explica o ortopedista.\u00a0<\/p>\n<p class=\"texto\">Camila Gil viveu isso na pr\u00e1tica. \u201cA primeira fase \u00e9 a pior, a dor \u00e9 intensa o tempo todo\u201d, relata. \u201cDepois fica sem movimento e d\u00f3i absurdamente se tentar levantar o bra\u00e7o. S\u00f3 na \u00faltima fase o movimento vai voltando e as dores ao mover v\u00e3o diminuindo.\u201d A progress\u00e3o natural da <strong><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/saude\/2026\/01\/7343487-ombro-congelado-doenca-acontece-principalmente-na-menopausa.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">capsulite adesiva<\/a><\/strong> \u00e9 tipicamente autolimitada, ou seja, tende a desaparecer sozinha. O ciclo completo pode durar meses ou levar de dois a tr\u00eas anos, depende do organismo de cada paciente.\u00a0<\/p>\n<p>Como tratar (e aliviar a dor)<\/p>\n<p class=\"texto\">Na maioria dos casos, o tratamento pode incluir:<\/p>\n<ul>&#13;<\/p>\n<li><strong><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/saude\/2024\/09\/6941709-devo-fazer-fisioterapia-mesmo-sem-ter-nenhum-problema.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Fisioterapia<\/a><\/strong><\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>Analg\u00e9sicos e anti-inflamat\u00f3rio<\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>Bloqueios anest\u00e9sicos<\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>Exerc\u00edcios de mobilidade<\/li>\n<p>&#13;\n<\/ul>\n<p class=\"texto\">A fisioterapia costuma ser essencial, mas o momento certo faz diferen\u00e7a. \u201cSe o paciente ainda est\u00e1 na fase de dor intensa, for\u00e7ar movimento pode piorar a inflama\u00e7\u00e3o\u201d, alerta o m\u00e9dico. \u201cDepois que o ombro j\u00e1 est\u00e1 congelado e a dor diminui, a fisioterapia \u00e9 fundamental para recuperar o movimento.\u201d<\/p>\n<p class=\"texto\">Como muitas vezes a fase de dor \u00e9 intensa e at\u00e9 prolongada, analg\u00e9sicos e bloqueios anest\u00e9sicos para regular a a\u00e7\u00e3o do nervo costumam ser recomendados para melhorar a qualidade de vida do paciente. J\u00e1 a op\u00e7\u00e3o por cirurgia \u00e9 rara e, geralmente, reservada para casos que n\u00e3o respondem ao tratamento cl\u00ednico.<\/p>\n<p class=\"texto\"><a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029Va8e466AO7RPLL06EL2h\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Siga nosso canal no WhatsApp e receba not\u00edcias relevantes para o seu dia<\/strong><\/a><\/p>\n<p class=\"texto\">Camila, que teve a doen\u00e7a nos dois ombros, um na sequ\u00eancia do outro, passou por um ano de fisioterapia em cada um deles. \u201cFoi um processo lento, mas essencial para recuperar os movimentos e reduzir a dor\u201d, conta. Hoje ela diz estar praticamente recuperada. \u201cDepois dessa experi\u00eancia, passei a olhar a menopausa com mais aten\u00e7\u00e3o\u201d, relata. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por L\u00e9o Marques &#8211;\u00a0A turism\u00f3loga Camila Gil, de 43 anos, lembra exatamente quando percebeu que algo estava errado.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":370020,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[1347,116,4560,52623,32,33,117],"class_list":{"0":"post-370019","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-estudo","9":"tag-health","10":"tag-menopausa","11":"tag-ombro","12":"tag-portugal","13":"tag-pt","14":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116522991356328434","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370019","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=370019"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370019\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/370020"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=370019"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=370019"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=370019"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}