{"id":370334,"date":"2026-05-05T22:20:16","date_gmt":"2026-05-05T22:20:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/370334\/"},"modified":"2026-05-05T22:20:16","modified_gmt":"2026-05-05T22:20:16","slug":"ombro-congelado-atinge-mais-mulheres-na-menopausa-05-05-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/370334\/","title":{"rendered":"Ombro congelado atinge mais mulheres na menopausa &#8211; 05\/05\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>A turism\u00f3loga Camila Gil, 43, lembra exatamente quando percebeu que algo estava errado. A dor no ombro come\u00e7ou discreta, como um<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2026\/02\/treino-de-forca-para-idosos-deve-focar-potencia-nao-a-massa-muscular-dizem-medicos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> cansa\u00e7o muscular <\/a>ap\u00f3s um dia comum. Em poucas semanas, por\u00e9m, tarefas simples passaram a ser um desafio.<\/p>\n<p>&#8220;Vestir uma blusa, colocar o bra\u00e7o para tr\u00e1s, pentear e lavar o cabelo e at\u00e9 dirigir passaram a ser <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2026\/01\/entrar-em-forma-pode-ser-mais-facil-e-rapido-do-que-voce-imagina.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">tarefas dolorosas<\/a>&#8220;, conta. &#8220;Levantar o bra\u00e7o acima da cabe\u00e7a ou alcan\u00e7ar algo em uma prateleira se tornou imposs\u00edvel. Uma dor insuport\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s meses de consultas e exames, veio o diagn\u00f3stico: capsulite adesiva, conhecida popularmente como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/06\/ombro-congelado-o-que-e-doenca-enfrentada-por-eliana-que-exigiu-cirurgia.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">&#8220;ombro congelado&#8221;<\/a>. A condi\u00e7\u00e3o ocorre quando a c\u00e1psula que envolve a articula\u00e7\u00e3o do ombro, um tecido normalmente flex\u00edvel, passa por um processo inflamat\u00f3rio e se torna grossa e r\u00edgida.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 como se essa c\u00e1psula estivesse toda retra\u00edda. Por isso, o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/05\/entenda-a-cirurgia-no-ombro-pela-qual-passou-bolsonaro.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">ombro<\/a> vai perdendo o movimento e restringindo a mobilidade&#8221;, explica o ortopedista Sandro da Silva Reginaldo, especialista em ombro, do Einstein Hospital Israelita em Goi\u00e2nia.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de ignorar: dor intensa e limita\u00e7\u00e3o progressiva dos movimentos. Estima-se que essa condi\u00e7\u00e3o afete entre 2% e 5% da popula\u00e7\u00e3o, segundo a <a href=\"https:\/\/www.aafp.org\/pubs\/afp\/issues\/2019\/0301\/p297.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Academia Americana de M\u00e9dicos de Fam\u00edlia<\/a>.<\/p>\n<p>Embora possa afetar qualquer pessoa, a doen\u00e7a aparece com mais frequ\u00eancia em mulheres entre 40 e 60 anos, justamente a faixa et\u00e1ria da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/10\/mulheres-no-climaterio-e-na-menopausa-comecam-a-receber-atencao-de-empresas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">transi\u00e7\u00e3o menopausal<\/a>. Da\u00ed por que, na \u00faltima d\u00e9cada, cientistas v\u00eam investigando cada vez mais se as mudan\u00e7as hormonais t\u00edpicas dessa fase da vida podem ter participa\u00e7\u00e3o direta no problema.<\/p>\n<p>Estrog\u00eanio, o suspeito<\/p>\n<p>Apesar de ainda n\u00e3o haver evid\u00eancia definitiva de causa e efeito, diversos estudos sugerem uma conex\u00e3o biol\u00f3gica plaus\u00edvel entre <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/menopausa\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">menopausa<\/a> e capsulite adesiva. A principal suspeita envolve o estrog\u00eanio: durante a menopausa, os <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2026\/02\/treino-de-forca-para-idosos-deve-focar-potencia-nao-a-massa-muscular-dizem-medicos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">n\u00edveis desse horm\u00f4nio caem de forma acentuada<\/a>, o que pode desencadear uma s\u00e9rie de efeitos nos tecidos do corpo, inclusive nas articula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pesquisas indicam que a defici\u00eancia de estrog\u00eanio pode aumentar citocinas inflamat\u00f3rias, estimular a atividade de fibroblastos (c\u00e9lulas que produzem tecido fibroso) e favorecer o espessamento da c\u00e1psula do ombro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a queda hormonal pode reduzir o l\u00edquido sinovial, respons\u00e1vel por lubrificar as articula\u00e7\u00f5es, contribuindo para dor e rigidez. Uma <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC12564958\/#abstract1\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">revis\u00e3o publicada<\/a> em 2025 no peri\u00f3dico Journal of Clinical Medicine sugere que falhas na sinaliza\u00e7\u00e3o do estrog\u00eanio podem enfraquecer mecanismos anti-inflamat\u00f3rios e antifibr\u00f3ticos, deixando mulheres na peri e p\u00f3s-menopausa mais vulner\u00e1veis \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/obgyn.duke.edu\/blog\/hormone-therapy-appears-reduce-risk-shoulder-pain-older-women\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Por outro lado<\/a>, um estudo conduzido com 2.000 participantes com idades entre 45 e 60 anos concluiu que o uso da terapia de reposi\u00e7\u00e3o hormonal pode reduzir o risco de ombro congelado. Ao mesmo tempo, a n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o desse tratamento foi associada a um risco maior de ter o problema.<\/p>\n<p>Ainda assim, os especialistas mant\u00eam cautela. &#8220;Acredita-se que altera\u00e7\u00f5es hormonais possam influenciar na fisiopatologia da capsulite, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 comprova\u00e7\u00e3o direta dessa rela\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Sandro Reginaldo.<\/p>\n<p>Outros poss\u00edveis fatores de risco<\/p>\n<p>A capsulite adesiva tem causas bem definidas quando \u00e9 resultante de imobiliza\u00e7\u00e3o prolongada do bra\u00e7o devido a cirurgias e fraturas, por exemplo. Mas sua origem como doen\u00e7a prim\u00e1ria ainda n\u00e3o \u00e9 totalmente conhecida.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de horm\u00f4nios ligados \u00e0 menopausa, fatores como diabetes, dist\u00farbios da tireoide e estresse aparecem em estudos relacionados \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Uma <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/27331029\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">metan\u00e1lise <\/a>brit\u00e2nica de 2016 constatou que pacientes com diabetes apresentavam probabilidade cinco vezes maior de desenvolver capsulite adesiva do que o grupo controle e estimou a preval\u00eancia de diabetes em pacientes com a condi\u00e7\u00e3o no ombro em 30%.<\/p>\n<p>J\u00e1 um<a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/27424251\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> estudo caso-controle<\/a> realizado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) em parceria com o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia relatou que a preval\u00eancia de diagn\u00f3stico de hipotireoidismo foi significativamente maior no grupo com capsulite adesiva em compara\u00e7\u00e3o ao grupo controle.<\/p>\n<p>    Todas<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Discuss\u00f5es, not\u00edcias e reflex\u00f5es pensadas para mulheres<\/p>\n<p>Outra <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-024-66360-y\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">pesquisa<\/a> coloca tamb\u00e9m como fator de risco o baixo \u00cdndice de Massa Corp\u00f3rea (IMC) e o colesterol alto. Por isso, alguns pesquisadores come\u00e7am a encarar o ombro congelado n\u00e3o apenas como um problema ortop\u00e9dico isolado, mas parte de um quadro sist\u00eamico, envolvendo metabolismo, inflama\u00e7\u00e3o e horm\u00f4nios.<\/p>\n<p>Tr\u00eas fases e um processo longo<\/p>\n<p>A doen\u00e7a costuma evoluir em etapas relativamente previs\u00edveis: a primeira \u00e9 a fase dolorosa, de dor intensa nos ombros sem necessariamente perder movimento; a segunda \u00e9 a etapa do congelamento, marcada pela perda progressiva de mobilidade; por fim vem o processo de &#8220;descongelamento&#8221;, em que o movimento retorna lentamente.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas vezes, essas fases se sobrep\u00f5em. O paciente come\u00e7a com dor, depois passa a ter dor com limita\u00e7\u00e3o e, mais adiante, a dor diminui enquanto o movimento vai voltando aos poucos&#8221;, explica o ortopedista do Einstein em Goi\u00e2nia.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n<p>Camila Gil viveu isso na pr\u00e1tica. &#8220;A primeira fase \u00e9 a pior, a dor \u00e9 intensa o tempo todo&#8221;, relata. &#8220;Depois fica sem movimento e d\u00f3i absurdamente se tentar levantar o bra\u00e7o. S\u00f3 na \u00faltima fase o movimento vai voltando e as dores ao mover v\u00e3o diminuindo.&#8221;<\/p>\n<p>A progress\u00e3o natural da capsulite adesiva \u00e9 tipicamente autolimitada, ou seja, tende a desaparecer sozinha. O ciclo completo pode durar meses ou levar de dois a tr\u00eas anos, depende do organismo de cada paciente.<\/p>\n<p>Como tratar (e aliviar a dor)<\/p>\n<p>Na maioria dos casos, o tratamento pode incluir fisioterapia, analg\u00e9sicos e anti-inflamat\u00f3rios, al\u00e9m de bloqueios anest\u00e9sicos e exerc\u00edcios de mobilidade. A fisioterapia costuma ser essencial, mas o momento certo faz diferen\u00e7a. &#8220;Se o paciente ainda est\u00e1 na fase de dor intensa, for\u00e7ar movimento pode piorar a inflama\u00e7\u00e3o&#8221;, alerta o m\u00e9dico. &#8220;Depois que o ombro j\u00e1 est\u00e1 congelado e a dor diminui, a fisioterapia \u00e9 fundamental para recuperar o movimento.&#8221;<\/p>\n<p>Como muitas vezes a fase de dor \u00e9 intensa e at\u00e9 prolongada, analg\u00e9sicos e bloqueios anest\u00e9sicos para regular a a\u00e7\u00e3o do nervo costumam ser recomendados para melhorar a qualidade de vida do paciente. J\u00e1 a op\u00e7\u00e3o por cirurgia \u00e9 rara e, geralmente, reservada para casos que n\u00e3o respondem ao tratamento cl\u00ednico.<\/p>\n<p>Camila, que teve a doen\u00e7a nos dois ombros, um na sequ\u00eancia do outro, passou por um ano de fisioterapia em cada um deles. &#8220;Foi um processo lento, mas essencial para recuperar os movimentos e reduzir a dor&#8221;, conta. Hoje ela diz estar praticamente recuperada. &#8220;Depois dessa experi\u00eancia, passei a olhar a menopausa com mais aten\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A turism\u00f3loga Camila Gil, 43, lembra exatamente quando percebeu que algo estava errado. 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