{"id":370780,"date":"2026-05-06T10:00:23","date_gmt":"2026-05-06T10:00:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/370780\/"},"modified":"2026-05-06T10:00:23","modified_gmt":"2026-05-06T10:00:23","slug":"lidia-conhece-o-mundo-a-trabalhar-e-o-salario-cobre-os-custos-de-combustivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/370780\/","title":{"rendered":"Lidia conhece o mundo a trabalhar e o sal\u00e1rio &#8220;cobre os custos de combust\u00edvel&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Hist\u00f3rias de trabalho fora do comum continuam a captar a aten\u00e7\u00e3o num mercado cada vez mais diverso. H\u00e1 pouco tempo tivemos o caso de <a href=\"https:\/\/versa.iol.pt\/trabalho\/eletricista\/carolina-ganha-2-500-euros-liquidos-por-trabalho-num-setor-que-tanto-precisa-de-profissionais\/20260429\/69f1be9bd34e28842c83750e\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Carolina, uma eletricista que optou por uma \u00e1rea tradicionalmente masculina<\/a> e hoje consegue rendimentos l\u00edquidos de cerca de 2.500 euros por trabalho. Tal como ela, h\u00e1 quem procure caminhos alternativos, cedendo \u00e0 coragem de mudar de vida.<\/p>\n<p>Foi precisamente o que aconteceu com Lidia Sol\u00eds, de 32 anos, natural de Cardo, em Goz\u00f3n, nas Asturias, Espanha. Lidia cresceu com o som dos motores e aos s\u00e1bados acompanhava o pai, Jos\u00e9 Ram\u00f3n, na recolha de leite num cami\u00e3o-cisterna para a Central Lechera Asturiana. Contudo, apesar desse fasc\u00ednio desde crian\u00e7a, Lidia seguiu inicialmente um percurso mais convencional.<\/p>\n<p>Estudou para se tornar assistente administrativa e chegou a trabalhar na \u00e1rea em Baldajos, no entanto, a estabilidade do escrit\u00f3rio n\u00e3o foi suficiente. \u201cQueria uma mudan\u00e7a na minha vida\u201d, recorda no <a href=\"https:\/\/amp.elperiodico.com\/es\/sociedad\/20260503\/lidia-solis-camionera-32-anos-gasto-7000-euros-mes-gasolina-dv-129775787\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">El Periodico<\/a>.<\/p>\n<p>O impulso decisivo surgiu atrav\u00e9s do irm\u00e3o, Alejandro, tamb\u00e9m camionista, que a alertou para a venda de um cami\u00e3o. Lidia n\u00e3o hesitou: comprou o ve\u00edculo, contratou um motorista temporariamente e tratou de obter as licen\u00e7as necess\u00e1rias, incluindo a carta profissional e a autoriza\u00e7\u00e3o para transporte de materiais perigosos.<\/p>\n<p>Desde abril de 2023, a estrada passou a ser a sua rotina. Come\u00e7ou com trajetos regionais e rapidamente avan\u00e7ou para rotas nacionais. Hoje, percorre cerca de 15 mil quil\u00f3metros por m\u00eas, atravessando Espanha de uma ponta \u00e0 outra. Este ritmo implica custos elevados,\u00a0cerca de 7.000 euros mensais em combust\u00edvel, valor que chegou aos 9.000 euros com a guerra no Ir\u00e3o. \u201cNo in\u00edcio, sentimos muito o impacto\u201d, admite.<\/p>\n<p>Mas como \u00e9 um dia na vida de Lidia? Sai de casa \u00e0 segunda-feira e regressa ao s\u00e1bado. Durante a semana, dorme no cami\u00e3o, um atrelado de 16 metros baptizado de \u201cReguerina\u201d, em homenagem \u00e0 sua terra natal. Para muitos, esta rotina poderia parecer exigente, mas Lidia encara-a com naturalidade. \u201cO que mais gosto \u00e9 de viajar o dia todo e descobrir novos lugares.\u201d Para descansar, procura \u00e1reas de servi\u00e7o com condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas, como chuveiros e restaurantes, onde possa jantar tranquilamente.<\/p>\n<p>Trabalha como motorista independente para a transportadora C\u00e1rcava, assegurando entregas sobretudo na Catalunha, Val\u00eancia, Castela-Mancha e Andaluzia. Transporta de tudo um pouco: alimentos, materiais de constru\u00e7\u00e3o e outras mercadorias. O seu dia de trabalho \u00e9 regulado pelo tac\u00f3grafo, que limita as horas de condu\u00e7\u00e3o. Ainda assim, procura gerir o tempo de forma a garantir paragens seguras, consciente de um risco comum no setor: furtos de carga. At\u00e9 hoje, nunca teve problemas.<\/p>\n<p>E quanto ao rendimento? Lidia responde de forma pragm\u00e1tica: \u201cO dinheiro que ganho cobre os custos de combust\u00edvel, repara\u00e7\u00f5es, seguro, seguran\u00e7a social\u2026 N\u00e3o tenho raz\u00f5es de queixa. N\u00e3o vivo de sal\u00e1rio em sal\u00e1rio.\u201d Mais do que lucros elevados, valoriza a autonomia e a estabilidade que conseguiu construir.<\/p>\n<p>Num setor historicamente dominado por homens, a presen\u00e7a feminina come\u00e7a a ganhar visibilidade. Lidia confirma essa mudan\u00e7a: \u201c\u00c9 raro passar um dia sem ver outra mulher.\u201d Ao longo do seu percurso, garante nunca ter enfrentado situa\u00e7\u00f5es de sexismo. Pelo contr\u00e1rio, sente apoio e at\u00e9 alguma admira\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c0s vezes ficam surpreendidos, mas isso motiva-me ainda mais.\u201d<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Lidia Sol\u00eds \u00e9 mais uma prova de que o trabalho pode ser, acima de tudo, uma extens\u00e3o daquilo que nos move (mesmo que isso implique milhares de quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia de casa e uma vida vivida entre paragens e destinos).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Hist\u00f3rias de trabalho fora do comum continuam a captar a aten\u00e7\u00e3o num mercado cada vez mais diverso. 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