{"id":371452,"date":"2026-05-06T19:39:18","date_gmt":"2026-05-06T19:39:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/371452\/"},"modified":"2026-05-06T19:39:18","modified_gmt":"2026-05-06T19:39:18","slug":"como-o-bloqueio-do-estreito-de-ormuz-abala-o-mercado-mundial-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/371452\/","title":{"rendered":"Como o bloqueio do Estreito de Ormuz abala o mercado mundial \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>O pipeline leste-oeste que processou 2,5 milh\u00f5es de barris por dia em 2025 tem sido uma via fundamental no redirecionamento dos volumes que antes eram escoados por navio, da refinaria saudita de Ras Tanura para Yanbu no Mar Vermelho. Estima-se que a capacidade total do terminal de Yanbu permita processar 4,8 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios de petr\u00f3leo e mais 900 mil barris de produtos petrol\u00edferos. J\u00e1 os Emirados que enviavam 2,3 milh\u00f5es de barris para o Estreito podem desviar os fluxos atrav\u00e9s do pipeline ADCPO para o terminal de Fujairah. Este Emirado tem um porto estrat\u00e9gico para o tr\u00e2nsito de produtos energ\u00e9ticos no Golfo de Om\u00e3 (que foi atacado nas primeiros dias de repres\u00e1lia iraniana).<\/p>\n<p>O Iraque pode redistribuir parte da sua produ\u00e7\u00e3o pelo pipeline de Kirkuk-Ceyan, mas a capacidade desta infraestrutura est\u00e1 limitada a 400-500 mil barris por dia devido a avarias e constrangimentos no downstream. O pr\u00f3prio Ir\u00e3o tem como via alternativa o pipeline Goreh-Jask que permite escoar para o Golfo de Om\u00e3, mas esta infraestrutura tamb\u00e9m est\u00e1 limitada a 300 mil barris di\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que se prolonga o estrangulamento, o foco dos analistas est\u00e1 centrado no tempo que ser\u00e1 necess\u00e1rio para que a produ\u00e7\u00e3o e a exporta\u00e7\u00e3o mar\u00edtima destes produtos retome os n\u00edveis pr\u00e9-conflito. Ser\u00e3o meses, estima o relat\u00f3rio do instituto para estudos de energia de Oxford. E o ritmo de recupera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 assim\u00e9trico. Quanto mais tempo durar este bloqueio, mais tempo ser\u00e1 necess\u00e1rio para repor os n\u00edveis. Vai depender do grau de destrui\u00e7\u00e3o de ativos de produ\u00e7\u00e3o e industriais que foram atingidos, mas tamb\u00e9m das mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas adotadas durante este shutdown e o impacto que a paragem teve em toda a cadeia de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos riscos assinalados \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o de sistemas em terra com complexos de produ\u00e7\u00e3o offshore (no mar) ligados por pipelines submarinos que se verifica em pa\u00edses como o Qatar e os Emirados. Uma paragem mais estendida no tempo n\u00e3o afeta apenas os campos ou po\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o, mas todo o circuito de processamento, transporte e exporta\u00e7\u00e3o. V\u00e1rias grandes refinarias da regi\u00e3o foram atingidas por ataques com graus diferenciados de gravidade \u2014 Sitra no Bahrain;\u00a0Mina Al Ahmadu e Mina Adbullah no Kuweit;\u00a0Ruwais nos Emirados \u00c1rabes Unidos; Satopr e Ras Tanura na Ar\u00e1bia Saudita. Estima-se que uma capacidade equivalente ao processamento de 3,5 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios esteja encerrada devido a danos f\u00edsicos, constrangimentos log\u00edsticos ou por precau\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Ar\u00e1bia Saudita \u00e9 o pa\u00eds mais preparado para dinamizar uma retoma r\u00e1pida da produ\u00e7\u00e3o porque consegue associar uma vasta capacidade t\u00e9cnica com elevados recursos financeiros e reservas elevadas. Os Emirados tamb\u00e9m est\u00e3o bem capacitados para recuperar, combinando uma grande capacidade operacional com uma via de exporta\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de Fujairah, no Golfo de Om\u00e3. Ali\u00e1s, com a anunciada sa\u00edda da OPEP, os Emirados ter\u00e3o como objetivo acelerar o ritmo da produ\u00e7\u00e3o sem ficar preso aos limites impostos pelo grupo liderado pela Ar\u00e1bia Saudita. O alcance desta sa\u00edda s\u00f3 ser\u00e1 contudo percet\u00edvel quando os pa\u00edses da regi\u00e3o estiverem em condi\u00e7\u00f5es de retomarem a produ\u00e7\u00e3o na plenitude.<\/p>\n<p>A insufici\u00eancia da capacidade de resposta perante a dimens\u00e3o do choque do lado da procura \u00e9 outra das li\u00e7\u00f5es a tirar desta crise, escrevem os analistas de energia do instituto de Oxford. Uma das maiores fragilidades resulta do facto dos produtores com reservas e capacidade operacional para aumentarem rapidamente a produ\u00e7\u00e3o serem precisamente os que est\u00e3o impedidos de fazer chegar essa produ\u00e7\u00e3o ao mercado \u2014 com especial \u00eanfase para a Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>Sem conseguir colocar mais oferta devido ao estrangulamento f\u00edsico em Ormuz, os membros da Ag\u00eancia Internacional de Energia decidiram <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2026\/03\/11\/agencia-internacional-de-energia-liberta-400-milhoes-de-barris-de-petroleo-portugal-contribui-com-dois-milhoes-das-suas-reservas\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">realizar a maior liberta\u00e7\u00e3o<\/a> de reservas estrat\u00e9gicas no total de 398 milh\u00f5es de barris. Mas as perdas acumulados na oferta v\u00e3o atingir em abril um valor que \u00e9 praticamente o dobro dessas reservas. Al\u00e9m de que apenas uma parte de stocks \u00e9 de petr\u00f3leo. O resto s\u00e3o produtos refinados cuja disponibiliza\u00e7\u00e3o ajuda a aliviar a escassez junto dos clientes, mas n\u00e3o resolve a falta de mat\u00e9ria prima na ind\u00fastria a n\u00edvel mundial. Existem tamb\u00e9m desequil\u00edbrios ao n\u00edvel regional e da qualidade do produto entre as reservas libertadas e o perfil das necessidades.<\/p>\n<p>Outros mecanismos de compensa\u00e7\u00e3o usados nesta crise \u00e9 a autoriza\u00e7\u00e3o de compra de petr\u00f3leo que est\u00e1 sob san\u00e7\u00f5es, em particular de produtores como a R\u00fassia e o pr\u00f3prio Ir\u00e3o. Antes dos primeiros bombardeamentos ao Ir\u00e3o, o n\u00edvel de petr\u00f3leo \u201csancionado\u201d que estava armazenado no mar (em petroleiros) atingiu o valor mais alto desde 2016, mais de 50 milh\u00f5es de barris, segundo a Kpler.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O pipeline leste-oeste que processou 2,5 milh\u00f5es de barris por dia em 2025 tem sido uma via fundamental&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":371453,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[624,27,28,476,2270,623,15,16,20447,14,11208,25,26,21,22,310,62,12,13,19,20,22970,7152,32,23,24,33,3879,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-371452","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-principais-noticias","8":"tag-amu00e9rica","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-economia","12":"tag-energia","13":"tag-estados-unidos-da-amu00e9rica","14":"tag-featured-news","15":"tag-featurednews","16":"tag-gu00e1s-natural","17":"tag-headlines","18":"tag-iru00e3o","19":"tag-latest-news","20":"tag-latestnews","21":"tag-main-news","22":"tag-mainnews","23":"tag-mu00e9dio-oriente","24":"tag-mundo","25":"tag-news","26":"tag-noticias","27":"tag-noticias-principais","28":"tag-noticiasprincipais","29":"tag-opep","30":"tag-petru00f3leo","31":"tag-portugal","32":"tag-principais-noticias","33":"tag-principaisnoticias","34":"tag-pt","35":"tag-ru00fassia","36":"tag-top-stories","37":"tag-topstories","38":"tag-ultimas","39":"tag-ultimas-noticias","40":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/371452","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=371452"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/371452\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/371453"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=371452"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=371452"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=371452"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}