{"id":371508,"date":"2026-05-06T20:29:16","date_gmt":"2026-05-06T20:29:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/371508\/"},"modified":"2026-05-06T20:29:16","modified_gmt":"2026-05-06T20:29:16","slug":"francisca-cria-esculturas-de-cabecas-em-miniatura-que-exploram-todas-as-emocoes-nit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/371508\/","title":{"rendered":"Francisca cria esculturas de cabe\u00e7as em miniatura que exploram todas as emo\u00e7\u00f5es \u2014 NiT"},"content":{"rendered":"<p>Quando, em idade adulta, Francisca do Vale Modesto voltou a agarrar em plasticina, notou que n\u00e3o era muito diferente daquilo que fazia com oito anos, quando \u201crecriava tudo o que via na televis\u00e3o\u201d, explica \u00e0 NiT. \u201cTal como na altura, tinha sempre o prop\u00f3sito de fazer personagens\u201d.<\/p>\n<p>Neste processo, voltou a inspirar-se em todas as refer\u00eancias mais precoces na sua vida. Com o passar das d\u00e9cadas, manteve o seu fasc\u00ednio pelo produtor de anima\u00e7\u00e3o Nick Park, respons\u00e1vel por \u201cWallace &amp; Gromit\u201d, pelos universos do Studio Ghibli e todos os livros ilustrados que tinha em casa.<\/p>\n<p>\u201cAo mesmo tempo, fui percebendo que a plasticina n\u00e3o durava. Ainda fiz algumas figuras para dar a familiares, mas ganhava imenso p\u00f3\u201d, acrescenta a artista, 39 anos, acrescentando que foi curioso acompanhar o filho, atualmente com oito anos, nestas constru\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando descobriu a pasta de modelar, encontrou a principal mat\u00e9ria-prima com a qual trabalha na Dollette. Neste projeto, lan\u00e7ado oficialmente em mar\u00e7o, a artista visual centra-se na cria\u00e7\u00e3o de esculturas contempor\u00e2neas em miniatura que captam emo\u00e7\u00f5es \u201cna sua forma mais destilada\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u201cComecei a fazer as cabe\u00e7as, depois os corpos. N\u00e3o sei o motivo, mas sempre fui mais obcecada com a parte do busto\u201d<\/strong>, continua Francisca, que explora \u201ca rela\u00e7\u00e3o entre mat\u00e9ria, emo\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria\u201d. \u201cTinha cerca de 16 anos e quase todas as minhas amigas tinham uma destas cabe\u00e7as\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Nesta marca, que desenvolve em colabora\u00e7\u00e3o com In\u00eas Caleiro, de 42 anos, a artista move-se entre o abstrato e o figurativo. Trabalhando sempre \u00e0 pequena escala, com objetos \u201cque convidam \u00e0 proximidade\u201d, reduz o rosto humano \u201ca fragmentos expressivos\u201d, com movimentos e gestos subtis a transmitir estados emocionais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1625403 size-full\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/5a17e8e5af161ab1f17a42e845ba102f-e1777977639705.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"733\"  \/>Um dos quadros tem quase 200 miniaturas.<br \/>\n<b>Como tudo come\u00e7ou<\/b><\/p>\n<p>A criativa cresceu rodeada de arte, em parte gra\u00e7as ao percurso dos pais, ambos pintores de forma\u00e7\u00e3o. O pai, Ant\u00f3nio Modesto, chegou a ser vice-diretor da Faculdade de Belas Artes e \u201cteve um papel bastante influente no mundo do design\u201d, conta \u00e0 NiT. Foi ele, ali\u00e1s, que criou a mascote oficial da Expo 98, o Gil, em colabora\u00e7\u00e3o com o escultor Artur Moreira.<\/p>\n<p>Em paralelo com uma forma\u00e7\u00e3o virada para a dan\u00e7a, Francisca passou um ano em escultura na Faculdade de Belas Artes do Porto. No entanto, quis \u201cseguir as pegadas\u201d do pai e acabou por ser transferida para a licenciatura em pintura, onde passou os quatro anos seguintes.<\/p>\n<p>\u201cOlhando para tr\u00e1s, acabei por voltar um pouco \u00e0s origens\u201d, nota, esclarecendo que \u201cn\u00e3o \u00e9 qualquer tipo de escultura\u201d que lhe interessa atualmente. <strong>\u201c\u00c9 mais um universo de pe\u00e7as pequenas. A parte da miniatura fascina-me muito desde mi\u00fada, talvez por estar exposta a isso desde cedo.\u201d<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-1625404\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/e713c8e91bcbf9ce1907166d07854f74.jpg\" alt=\"\" width=\"865\" height=\"579\"  \/>O exemplo de uma personagem.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, foi fazendo workshops de anima\u00e7\u00e3o com v\u00e1rios nomes influentes, nomeadamente na Casa da Anima\u00e7\u00e3o que existia no Porto. Todos estes desafios foram ampliando o universo criativo de Francisca.<\/p>\n<p>Apesar da vida profissional s\u00f3lida, com o seu pr\u00f3prio atelier de design, foi sendo incentivada pelas pessoas, que viam o seu trabalho, a investir na escultura. \u201cEra um interesse que ia avan\u00e7ando e morrendo, at\u00e9 que me afasto um pouco da parte do design para me dedicar a isto\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de dois anos, criou um projeto onde come\u00e7ou a explorar estas criaturas e personagens. Foi ent\u00e3o que se cruzou com In\u00eas e encontrou nela \u201co que faltava para conseguir expandir esta arte\u201d, revela, sobre a brand manager da Dollette. \u201cFal\u00e1mos sobre o que tinha em mente e, com o olhar cr\u00edtico dela, cheg\u00e1mos a este resultado.\u201d<\/p>\n<p><b>A primeira cole\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p><strong>Na primeira cole\u00e7\u00e3o da Dollette, batizada \u201cInner Head\u201d, Francisca explora \u201ca rela\u00e7\u00e3o entre a parte e o todo\u201d atrav\u00e9s de um foco cont\u00ednuo na multiplica\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a em miniatura.<\/strong> Rostos, gestos e sil\u00eancios misturam-se com o cuidado para que nenhuma figura se repita.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de materiais como massa de modelagem, acr\u00edlico, verniz mate e madeira faia, criou quatro molduras, todas elas com tamanhos e linguagens diferentes. Uma delas tem cerca de 200 personagens, o que faz com que a artista n\u00e3o as consiga desenhar uma a uma.<\/p>\n<p>\u201cO que fa\u00e7o \u00e9 visualizar a express\u00e3o que quero que tenha, depois vou adaptando e moldando\u201d, revela.<strong> \u201cNum processo inicial, tenho uma preocupa\u00e7\u00e3o maior em que n\u00e3o se repitam e sejam efetivamente diferentes. O curioso \u00e9 que realmente n\u00e3o h\u00e1 uma igual. Sai tudo muito intuitivamente.\u201d<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1625405 size-full\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4fccbff9f020dfbbacdb884b41988882-e1777977733592.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"631\"  \/>O processo criativo.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a parte da pintura \u00e9 t\u00e3o ou mais importante do que a escultura, como a pr\u00f3pria fundadora da Dollette nos revela. \u201c\u00c9 o que d\u00e1 aquele cariz distinto\u201d, explica. \u201cAcontece, muitas vezes, achar que est\u00e1 a sair uma express\u00e3o e, ao manusear o material, o dedo foge para outra emo\u00e7\u00e3o. Se gostar mais, adoto\u201d.<\/p>\n<p>Todo o processo \u00e9 intuitivo, com olhos que s\u00e3o m\u00e3os, m\u00e3os a sair da boca e at\u00e9 \u00e1rvores a sair do rosto, no caso das obras mais surrealistas.<strong> \u201cN\u00e3o sou uma pessoa que estude ou desenhe muito. Sou muito m\u00e3os na massa, de inten\u00e7\u00e3o e de levar isto para um lado muito f\u00edsico.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A pergunta que mais fazem a Francisca \u00e9 sobre a origem destas ideias. \u201cClaro que tamb\u00e9m vem de um Magritte, de um Francis Bacon ou de um Giacometti, mas n\u00e3o tenho isso tudo muito organizado. No final, acaba por ter o meu cunho e ser muito caracter\u00edstico. Por vezes, sinto-me saturada com a quantidade de ideias que tenho.\u201d<\/p>\n<p>A artista come\u00e7a por definir um plano. No caso desta cole\u00e7\u00e3o, dialogou com In\u00eas sobre as v\u00e1rias linguagens a explorar. Foi repescando v\u00e1rias refer\u00eancias que vinha a explorar, como as m\u00e1scaras sul-americanas, sobretudo as mexicanas, e decidiu fazer um pouco de cada nesta linha.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, n\u00e3o s\u00f3 pretende \u201cexplorar pe\u00e7as completas\u201d como inserir-se num universo de galeria. Francisca imagina-se tamb\u00e9m a criar murais em maior escala ou apropriar-se de espa\u00e7os culturais para fazer mini instala\u00e7\u00f5es onde a sua abordagem possa ser visualizada.<\/p>\n<p>E, acima de tudo, quer ir al\u00e9m do mercado portugu\u00eas. Em vista, tem cidades como Londres, Nova Iorque ou Seul, por exemplo. \u201cEsta plasticidade e a pr\u00f3pria hist\u00f3ria que as cabe\u00e7as contam entram facilmente nestes mercados, n\u00e3o s\u00f3 pelo detalhe, mas por todas as emo\u00e7\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es que criam em quem v\u00ea\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Todas as cria\u00e7\u00f5es da Dollette podem ser encomendadas no <a href=\"https:\/\/www.dollette.art\/shop\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">site<\/a>. Os pre\u00e7os come\u00e7am a partir dos 5.200\u20ac, no caso das molduras mais pequenas.<\/p>\n<p>Carregue na galeria para ver mais do trabalho de Francisca do Vale Modesto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quando, em idade adulta, Francisca do Vale Modesto voltou a agarrar em plasticina, notou que n\u00e3o era muito&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":371509,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[207,205,206,203,201,202,204,114,115,32,33],"class_list":{"0":"post-371508","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arte","9":"tag-arte-e-design","10":"tag-artedesign","11":"tag-arts","12":"tag-arts-and-design","13":"tag-artsanddesign","14":"tag-design","15":"tag-entertainment","16":"tag-entretenimento","17":"tag-portugal","18":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116529526539216396","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/371508","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=371508"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/371508\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/371509"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=371508"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=371508"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=371508"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}