{"id":37192,"date":"2025-08-20T11:03:08","date_gmt":"2025-08-20T11:03:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/37192\/"},"modified":"2025-08-20T11:03:08","modified_gmt":"2025-08-20T11:03:08","slug":"pessoas-com-menos-tracos-de-ancestralidade-asiatica-ou-africana-tem-mais-risco-de-cancer-colorretal-ceara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/37192\/","title":{"rendered":"Pessoas com menos tra\u00e7os de ancestralidade asi\u00e1tica ou africana t\u00eam mais risco de c\u00e2ncer colorretal &#8211; Cear\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>Uma pesquisa cient\u00edfica revelou que a <strong>ancestralidade gen\u00e9tica<\/strong>\u00a0de brasileiros est\u00e1 associada ao risco de desenvolvimento de c\u00e2ncer colorretal. Indiv\u00edduos com uma menor propor\u00e7\u00e3o de ascend\u00eancia asi\u00e1tica e africana apresentam mais chances de serem acometidos pela enfermidade.\u00a0<\/p>\n<p>O estudo foi realizado no interior de S\u00e3o Paulo, no Hospital de Amor, tamb\u00e9m conhecido como Hospital de C\u00e2ncer de Barretos. Entre os pesquisadores, est\u00e1 o cearense\u00a0Howard Ribeiro Lopes Junior,\u00a0servidor t\u00e9cnico-administrativo do Departamento de Morfologia da Faculdade de Medicina da <strong>Universidade Federal do Cear\u00e1<\/strong> (Famed\/UFC).<\/p>\n<p>A an\u00e1lise descobriu que existem quatro marcadores gen\u00e9ticos do DNA humano \u2014 chamados <strong>polimorfismos de nucleot\u00eddeo \u00fanico<\/strong>, ou SNPs \u2014 associados a riscos na popula\u00e7\u00e3o brasileira. Duas das varia\u00e7\u00f5es foram ligadas a uma chance significativamente maior de desenvolver a doen\u00e7a, enquanto outras duas oferecem um efeito protetor.<\/p>\n<p>No Brasil, a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 caracterizada por quatro grandes <strong>grupos \u00e9tnicos<\/strong> a n\u00edvel gen\u00e9tico: europeu, africano, asi\u00e1tico e amer\u00edndio. O efeito protetor foi associado \u00e0 ancestralidade amer\u00edndia intermedi\u00e1ria.\u00a0<\/p>\n<p>Howard reitera que esse resultado n\u00e3o determina que, necessariamente, os indiv\u00edduos que possuem variantes gen\u00e9ticas ter\u00e3o c\u00e2ncer. H\u00e1bitos de vida e fatores ambientais podem influenciar nas chances do diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>Atualmente, o c\u00e2ncer colorretal \u00e9 o <strong>terceiro tipo mais comum<\/strong> entre homens e mulheres no Brasil, sem considerar os tumores de pele n\u00e3o melanoma, aponta o Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca). Para o tri\u00eanio 2023 a 2025, o Inca estima um n\u00famero de 45.630 casos anuais.\u00a0<\/p>\n<p>Em entrevista ao Di\u00e1rio do Nordeste, o pesquisador Howard Lopes explica que a maioria dos estudos gen\u00f4micos do c\u00e2ncer colorretal tem como base a popula\u00e7\u00e3o europeia. Por isso, a pesquisa buscou entender se a doen\u00e7a diagnosticada em um paciente europeu \u00e9 genomicamente similar a uma enfermidade na popula\u00e7\u00e3o brasileira, que possui m\u00faltiplas ancestralidades no genoma.\u00a0<\/p>\n<p>\u201c95% dos resultados gen\u00e9ticos, definidos em medicina personalizada para toda a popula\u00e7\u00e3o mundial, \u00e9 baseado no sequenciamento gen\u00f4mico de participantes de pesquisas cient\u00edficas prioritariamente europeus\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Howard acrescenta que uma das bases do texto foi um grande <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/nrc.2017.82\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">estudo de risco gen\u00e9tico para c\u00e2ncer colorretal<\/a> publicado pelo doutor e PhD Amit Sud, em 2017. O estudioso identificou 85 marcadores gen\u00e9ticos do DNA humano que estavam associados ao risco de ter a doen\u00e7a. Ou seja, pessoas saud\u00e1veis nasciam com uma caracter\u00edstica gen\u00e9tica que gerava um maior risco de ser acometida pela enfermidade. \u201c\u00c9 um risco gen\u00e9tico simplesmente por estar viva\u201d, diz.\u00a0<\/p>\n<p>Para o estudo, foi considerada uma amostra de 906 pacientes com diagn\u00f3stico de <a href=\"https:\/\/diariodonordeste.verdesmares.com.br\/ser-saude\/o-que-e-cancer-de-colon-doenca-que-levou-pele-a-ser-internado-1.3318021\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">c\u00e2ncer colorretal<\/a>, e outras 906 pessoas foram consideradas como grupo de controle, ou seja, n\u00e3o possu\u00edam a enfermidade. Os grupos foram pareados por g\u00eanero e idade para que a compara\u00e7\u00e3o fosse mais precisa. Al\u00e9m disso, foram exclu\u00eddas pessoas que tinham um hist\u00f3rico familiar de c\u00e2ncer colorretal heredit\u00e1rio.\u00a0<\/p>\n<p>\n\t\t<img decoding=\"async\" alt=\"Howard Ribeiro Lopes Junior, homem de cabelo preto vestido com jaleco branco na frente de pr\u00e9dio com caracter\u00edsticas hist\u00f3ricas\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/professor.png\" loading=\"lazy\" width=\"530\" height=\"352\"\/><\/p>\n<p>\n\t\t\t\tLegenda:<br \/>\n\t\t\t\t O estudo foi realizada no interior de S\u00e3o Paulo, no Hospital de Amor, tamb\u00e9m conhecido como Hospital de C\u00e2ncer de Barretos. Entre os pesquisadores, est\u00e1 o cearense Howard Ribeiro Lopes Junior, servidor t\u00e9cnico-administrativo do Departamento de Morfologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Cear\u00e1 (Famed\/UFC)\n\t\t\t<\/p>\n<p>\n\t\t\t\tFoto:<br \/>\n\t\t\t\t Divulga\u00e7\u00e3o UFC\n\t\t\t<\/p>\n<\/p>\n<p>De cada um dos volunt\u00e1rios, foram coletados aproximadamente <strong>5 ml de sangue<\/strong>, posteriormente processados e armazenados no Biobanco do Hospital de C\u00e2ncer de Barretos, em S\u00e3o Paulo. A partir desse material, os estudiosos se debru\u00e7aram em apenas 35 dos 85 marcadores, por quest\u00f5es financeiras e tecnol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s temos uma limita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e principalmente or\u00e7ament\u00e1ria para realizar esses experimentos. S\u00e3o pesquisas muito caras que demandam muito recurso financeiro e muita tecnologia que, \u00e0s vezes, no Brasil n\u00f3s nem temos\u201d, diz.\u00a0<\/p>\n<p>Os autores do estudo s\u00e3o os cientistas Ana Carolina de Carvalho e Ana Carolina Laus, do Centro de Pesquisa em Oncologia Molecular (CPOM) do Hospital do C\u00e2ncer de Barretos, em S\u00e3o Paulo, Rui Manuel Reis, diretor do CPOM e professor da Universidade do Minho, em Portugal, e Howard Lopes.<\/p>\n<p><strong>Carga gen\u00e9tica e fatores ambientais<\/strong><\/p>\n<p>Um dos pontos desse resultado, segundo Howard, \u00e9 que \u00e9 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o a carga gen\u00e9tica para se pensar no tratamento de doen\u00e7as. \u201cCada indiv\u00edduo tem sua caracter\u00edstica gen\u00e9tica e deve ser avaliada na resposta terap\u00eautica para diversos tipos de doen\u00e7as, como \u00e9 o c\u00e2ncer colorretal\u201d, diz.\u00a0<\/p>\n<blockquote class=\"blockquote border-accent not-italic\">\n<p>\n\t\t\tUma pessoa obesa, que fuma e bebe, que n\u00e3o faz atividade f\u00edsica, n\u00e3o se alimenta de forma saud\u00e1vel, toma refrigerante todos os dias, n\u00e3o tem um estilo de vida saud\u00e1vel e possui dist\u00farbios hormonais tem mais chances de ter c\u00e2ncer do que uma pessoa que n\u00e3o tem as variantes gen\u00e9ticas\n\t\t<\/p>\n<p>\t\t\t\t<b class=\"text-accent\"><br \/>\n\t\t\t\t\tHoward Ribeiro Lopes Junior<br \/>\n\t\t\t\t<\/b><\/p>\n<p>\n\t\t\t\t\t\tservidor t\u00e9cnico-administrativo do Departamento de Morfologia da Famed\/UFC\n\t\t\t\t\t<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A pesquisa sugere, por exemplo, que medicamentos testados e validados em popula\u00e7\u00f5es europeias podem n\u00e3o ter a mesma resposta em brasileiros. Por isso, os testes dos f\u00e1rmacos s\u00e3o necess\u00e1rios e demandam resultados e an\u00e1lises.\u00a0<\/p>\n<p>\t\t\t\tVeja tamb\u00e9m<\/p>\n<p>Para Lopes, os desfechos do estudo mostram que, cada vez mais, a preven\u00e7\u00e3o deve ser investida e incentivada pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). \u201cFalar em preven\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simplesmente entender que a sociedade deve deixar de se expor \u00e0queles fatores de risco que j\u00e1 sabidamente conhecemos\u201d, afirma.\u00a0<\/p>\n<p>Tomar medidas para buscar h\u00e1bitos de vida que, definitivamente, j\u00e1 sabe que pode levar ao c\u00e2ncer \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o, explica o pesquisador. Para al\u00e9m de se preocupar com os fatores externos, \u00e9 preciso entender a gen\u00e9tica por tr\u00e1s das enfermidades. \u201cN\u00e3o podemos deixar de esquecer do nosso genoma, que por simplesmente nascermos, n\u00f3s j\u00e1 temos um risco\u201d, pontua.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cOs \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e o SUS precisam trazer, com ainda mais celeridade e efetividade, os testes gen\u00e9ticos para a sociedade, como um fator adjuvante para fazer com que a pessoa se expunha menos a esses fatores de risco e, claro, diminua o alto n\u00famero que estamos vivenciando de doen\u00e7as, minimizando assim o custo para a popula\u00e7\u00e3o\u201d, conclui.\u00a0<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 o c\u00e2ncer colorretal<\/strong><\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/diariodonordeste.verdesmares.com.br\/ser-saude\/entenda-o-que-e-cirurgia-no-reto-como-funciona-e-quando-deve-ser-feita-1.3559902\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">c\u00e2ncer de c\u00f3lon e reto<\/a>, ou colorretal, abrange os tumores que se iniciam na parte do intestino grosso chamada c\u00f3lon, no reto, que corresponde ao final do intestino imediatamente antes do \u00e2nus, e no \u00e2nus. Ele tamb\u00e9m pode ser conhecido como \u201cc\u00e2ncer de intestino\u201d.\u00a0<\/p>\n<blockquote class=\"blockquote border-accent text-center not-italic\">\n<p>\n\t\t\t45 mil\n\t\t<\/p>\n<p>\n\t\t\tnovos casos a cada ano, \u00e9 a estimativa do Inca para o per\u00edodo de 2024 a 2025\n\t\t<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A maioria dos casos desse c\u00e2ncer se inicia a partir de p\u00f3lipos, que s\u00e3o les\u00f5es benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso, explica o Inca. De modo geral, a retirada do p\u00f3lipo evita que ele se transforme em c\u00e2ncer. O acompanhamento das les\u00f5es \u00e9 uma forma de evitar o surgimento da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Na fase inicial, o c\u00e2ncer pode ser silencioso e n\u00e3o apresentar sintomas. Por isso, \u00e9 fundamental realizar exames de rotina \u2014 como a colonoscopia \u2014 para um poss\u00edvel diagn\u00f3stico precoce. Quanto mais r\u00e1pido o diagnosticado, maiores as chances de cura, evitando que o tumor se espalhe para outros \u00f3rg\u00e3os.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, as principais altera\u00e7\u00f5es que devem ser vistos com aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o:<\/p>\n<ul>&#13;<\/p>\n<li>sangue nas fezes;<\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>altera\u00e7\u00e3o do h\u00e1bito intestinal (diarreia e\/ou pris\u00e3o de ventre);<\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>dor, c\u00f3lica ou desconforto abdominal;<\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>fraqueza e anemia;<\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>perda de peso sem causa aparente;<\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>altera\u00e7\u00e3o na forma das fezes (fezes muito finas e compridas);<\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>massa (tumora\u00e7\u00e3o) abdominal.<\/li>\n<p>&#13;\n<\/ul>\n<p>Fatores como idade igual ou superior <strong>a 50 anos<\/strong>, sedentarismo, <strong>obesidade<\/strong>, alimenta\u00e7\u00e3o pobre em frutas, vegetais e alimentos que contenham fibras, al\u00e9m de condi\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas ou heredit\u00e1rias est\u00e3o associados ao risco maior de desenvolvimento da doen\u00e7a.\u00a0<\/p>\n<p>Outros fatores relacionados \u00e0 maior chance de desenvolvimento da doen\u00e7a s\u00e3o<strong> hist\u00f3ria familiar ou pessoal de c\u00e2ncer<\/strong> de intestino, ov\u00e1rio, \u00fatero ou mama, al\u00e9m de tabagismo e consumo de bebidas alco\u00f3licas.<\/p>\n<p>Por isso, o INCA orienta as seguintes recomenda\u00e7\u00f5es para evitar o c\u00e2ncer colorretal:<\/p>\n<ul>&#13;<\/p>\n<li>Comer at\u00e9 500 gramas de carnes vermelhas por semana;<\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>Evitar carnes processadas;<\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>Ter uma vida ativa;<\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>Evitar bebidas alco\u00f3licas;<\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>Manter o peso corporal saud\u00e1vel;<\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>Ter uma alimenta\u00e7\u00e3o rica em vegetais.<\/li>\n<p>&#13;\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma pesquisa cient\u00edfica revelou que a ancestralidade gen\u00e9tica\u00a0de brasileiros est\u00e1 associada ao risco de desenvolvimento de c\u00e2ncer colorretal.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37193,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[11557,116,32,33,117,7521],"class_list":{"0":"post-37192","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-clarice-nascimento","9":"tag-health","10":"tag-portugal","11":"tag-pt","12":"tag-saude","13":"tag-sociedade-e-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37192","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37192"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37192\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37193"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37192"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37192"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37192"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}