{"id":37216,"date":"2025-08-20T11:22:17","date_gmt":"2025-08-20T11:22:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/37216\/"},"modified":"2025-08-20T11:22:17","modified_gmt":"2025-08-20T11:22:17","slug":"fardos-flocos-e-farinha-de-plastico-fomos-conhecer-uma-unidade-de-reciclagem-reportagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/37216\/","title":{"rendered":"Fardos, flocos e farinha de pl\u00e1stico: fomos conhecer uma unidade de reciclagem | Reportagem"},"content":{"rendered":"<p>Os fardos de pl\u00e1stico formam parte da paisagem da unidade de reciclagem da Micronipol Becomes Veolia, em Freixianda, no concelho de Our\u00e9m: s\u00e3o estruturas altas, com uma geometria algo rectangular, de diferentes aspectos, conforme o tipo de pl\u00e1stico que agregam. Alguns s\u00e3o formados por embalagens \u2013 detergentes v\u00e1rios, iogurtes, boi\u00f5es \u2013 esmagadas e apertadas entre si. Outros fardos parecem ser feitos de sacos de pl\u00e1stico. Outros s\u00e3o um amontoado de redes de pesca, sem grande forma.<\/p>\n<p>Quem caminha ao lado destas estruturas apercebe-se do seu car\u00e1cter comprimido, onde objectos individuais se diluem numa nova textura, embrulhada em sujidade e cheiro, que revela algo sobre a materialidade artificial do pl\u00e1stico, o uso banal que os humanos fazem de muito deste material e o problema inc\u00f3modo deste res\u00edduo enquanto poluente em massa.<\/p>\n<p>S\u00f3 em 2023, o mundo produziu 374,2 milh\u00f5es de toneladas de novo pl\u00e1stico (mais 140 milh\u00f5es de toneladas do que em 2000) e 36,2 milh\u00f5es de toneladas de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/04\/03\/azul\/noticia\/tamanho-importa-hora-separar-plasticos-reciclagem-2128323\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">pl\u00e1stico reciclado<\/a> atrav\u00e9s de t\u00e9cnicas mec\u00e2nicas (as mais usadas), o equivalente a 8,75% do total de pl\u00e1stico produzido. Para se ter uma ideia da evolu\u00e7\u00e3o da reciclagem nos \u00faltimos anos, entre 2018 e 2023 houve mais 6,2 milh\u00f5es de toneladas de pl\u00e1stico reciclado produzido. No entanto, durante o mesmo per\u00edodo, produziram-se mais 34,8 milh\u00f5es de toneladas de novo pl\u00e1stico, n\u00e3o reciclado. Ou seja, a dist\u00e2ncia entre o que \u00e9 produzido e o que \u00e9 reciclado vai sendo cada vez maior.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Fardos de pl\u00e1stico prontos para irem para a reciclagem&#13;<br \/>\nMIGUEL A. LOPES\/Lusa                    &#13;<\/p>\n<p>Estes n\u00fameros mostram algo sobre o desafio de travar a polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1stico, um problema que foi discutido na segunda parte da 5.\u00aa sess\u00e3o do Comit\u00e9 Intergovernamental de Negocia\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (INC-5.2, na sigla em ingl\u00eas) para a elabora\u00e7\u00e3o de um <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/12\/01\/azul\/noticia\/nao-tratado-plasticos-dia-atraso-dia-humanidade-2114028\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">tratado sobre os pl\u00e1sticos<\/a>, que se realizou em Genebra, na Su\u00ed\u00e7a, entre 5 e 14 de Agosto. No entanto, os pa\u00edses n\u00e3o atingiram um consenso sobre o tratado.<\/p>\n<p>Uma nova vida<\/p>\n<p>Mas os fardos \u00e0 nossa volta integram um esfor\u00e7o que quer fazer parte da solu\u00e7\u00e3o. \u00c0 sua frente, estar\u00e1 um processo de lavagem, tritura\u00e7\u00e3o e extrus\u00e3o, que vai dar uma nova vida a este material.<\/p>\n<p>\u201cCada quilo de pl\u00e1stico que reciclamos \u00e9 um quilo que n\u00e3o est\u00e1 algures no ambiente\u201d, resume Sandra Silva, directora de res\u00edduos da Veolia Portugal, dando o tom \u00e0 visita dos jornalistas feita h\u00e1 alguns meses \u00e0quela unidade. A visita foi promovida pela Electr\u00e3o, entidade gestora de res\u00edduos.<\/p>\n<p>A Veolia \u00e9 uma empresa de gest\u00e3o de \u00e1gua e de res\u00edduos, e de servi\u00e7os de energia. Nascida em Fran\u00e7a, a multinacional tem v\u00e1rias sucursais, incluindo a portuguesa que foi criada em 1992. Em 2024, a sucursal portuguesa comprou a Micronipol, que agora se chama \u201cMicronipol Becomes Veolia\u201d. \u201cA aquisi\u00e7\u00e3o da Micronipol veio p\u00f4r a Veolia em Portugal no mapa do ciclo fechado do pl\u00e1stico da Veolia a n\u00edvel do grupo e refor\u00e7a a posi\u00e7\u00e3o da Veolia em termos de mercado europeu\u201d, diz Sandra Silva.<\/p>\n<p>Naquela unidade, s\u00e3o reciclados tr\u00eas dos v\u00e1rios tipos de pl\u00e1sticos existentes: o polietileno de alta densidade, mais resistente e usado para produzir v\u00e1rios tipos de embalagens, de champ\u00f4s a detergentes; o polietileno de baixa densidade, de onde v\u00eam os sacos de pl\u00e1stico; o polipropileno, que serve para produzir canos e tampas de garrafa, por exemplo.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>Quanto mais reciclagem tivermos, menos mat\u00e9ria-prima virgem \u00e9 reintegrada [na produ\u00e7\u00e3o de pl\u00e1stico]<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\nSandra Silva, directora de res\u00edduos da Veolia Portugal                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>\u201cProduzimos anualmente do nosso produto granulado cerca de 15 mil toneladas por ano, 40% \u00e9 para exporta\u00e7\u00e3o\u201d, explica aos jornalistas Paulo Ferreira, director comercial da Micronipol Becomes Veolia. A origem destes res\u00edduos vem do sector urbano \u2013 neste caso, a empresa compra \u00e0s entidades gestoras de res\u00edduos, como a Electr\u00e3o \u2013, e do sector n\u00e3o urbano, como a ind\u00fastria e o com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Lixo em portugu\u00eas<\/p>\n<p>Em 2023, os portugueses produziram 5,34 milh\u00f5es de toneladas res\u00edduos urbanos, dos quais 10,8% s\u00e3o pl\u00e1stico, o equivalente a 576 mil toneladas, de acordo com a Ag\u00eancia Portuguesa do Ambiente. J\u00e1 o sector n\u00e3o urbano produziu no mesmo ano 15 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos, adianta Sandra Silva.<\/p>\n<p>\u201cIsto significa que, por cada tonelada de res\u00edduos urbanos que produzimos, deixamos na produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o dos produtos que deram origem aos nossos res\u00edduos tr\u00eas vezes aquilo que vai sair da nossa produ\u00e7\u00e3o de res\u00edduos\u201d, aponta a respons\u00e1vel. \u201cTemos atr\u00e1s de n\u00f3s uma pegada de res\u00edduos que foram necess\u00e1rios para a produ\u00e7\u00e3o dos produtos que n\u00f3s temos.\u201d<\/p>\n<p>A n\u00edvel pessoal, cada cidad\u00e3o em Portugal produz em m\u00e9dia 505 quilos de res\u00edduos urbanos por ano, cerca de 50 quilos ser\u00e3o pl\u00e1sticos. Em 2024, entraram 100.552 toneladas de embalagens de pl\u00e1stico nos ecopontos, segundo o sistema integrado de gest\u00e3o de res\u00edduos de embalagens (SIGRE), o equivalente a 13 quilos por capita. Ou seja, longe de todos os res\u00edduos urbanos de pl\u00e1stico produzidos.<\/p>\n<p>\u201cA nossa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 de incentivo \u00e0 reciclagem. Quanto mais reciclagem tivermos, menos mat\u00e9ria-prima virgem \u00e9 reintegrada [na nova produ\u00e7\u00e3o de pl\u00e1stico]\u201d, defende Sandra Silva.<\/p>\n<p>O som da reciclagem<\/p>\n<p>Na unidade da Micronipol, os processos que o pl\u00e1stico atravessa para ser reciclado s\u00e3o mec\u00e2nicos e t\u00e9rmicos. Ocorre a fragmenta\u00e7\u00e3o do pl\u00e1stico, a lavagem, o aquecimento para ele se fundir, mas n\u00e3o h\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o qu\u00edmica. Ou seja, as mol\u00e9culas que comp\u00f5em o pl\u00e1stico n\u00e3o s\u00e3o transformadas em novas mol\u00e9culas.<\/p>\n<p>Dentro da unidade, o resultado imediato daqueles processos \u00e9 um ru\u00eddo constante de m\u00e1quinas a fazerem o seu trabalho ao longo de v\u00e1rios sal\u00f5es. O material come\u00e7a por passar primeiro numa guilhotina, para ser cortado em peda\u00e7os mais pequenos, e de seguida no tromel, que \u00e9 um crivo rotativo que deixa cair pedras e outros materiais pesados. A seguir vem a triagem manual, em que s\u00e3o retirados outros materiais contaminantes: papel, cart\u00e3o, metais e pl\u00e1sticos de outras categorias que n\u00e3o v\u00e3o ser reciclados.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>Estes passos s\u00e3o importantes, \u00e9 necess\u00e1rio evitar ao m\u00e1ximo que o pl\u00e1stico reciclado esteja contaminado com outros materiais. \u00c9 dessa forma que se garante a sua qualidade e pureza, para se poder transformar em algo novo. Justamente por nunca ser 100% puro, o pl\u00e1stico reciclado tem de ser usado numa determinada percentagem com pl\u00e1stico novo quando \u00e9 usado na produ\u00e7\u00e3o de muitos dos objectos.<\/p>\n<p>Depois da descontamina\u00e7\u00e3o, o material passa pela primeira lavagem e sofre um processo de decanta\u00e7\u00e3o: os polietilenos s\u00e3o menos densos do que a \u00e1gua e sobrenadam, podendo ser retirados. Nos passos seguintes, os polietilenos passam por uma moagem, uma segunda lavagem (foi recordado aos jornalistas que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio lavar os pl\u00e1sticos antes de serem colocados na reciclagem, j\u00e1 que eles s\u00e3o lavados durante o processo) e s\u00e3o desidratados, para entrarem na segunda fase.<\/p>\n<p>Pl\u00e1stico, poesia e polui\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a secagem, uma mangueira comprida deixa cair um amontoado de pequenos flocos numa passadeira rolante. Alguns deles, brancos, voam para fora e caem leves como se fossem neve, numa poesia misteriosa e descontextualizada da paisagem sonora envolvente.<\/p>\n<p>A materialidade do pl\u00e1stico reveste-se desse mist\u00e9rio que chama a aten\u00e7\u00e3o para uma contradi\u00e7\u00e3o. Ao longo da visita, os objectos sujos e empilhados s\u00e3o transformados em diferentes formas: cortados em peda\u00e7os, depois mo\u00eddos em flocos, moldados como se fossem uma massa (j\u00e1 l\u00e1 vamos), cortados em granulado. Parte deles \u00e9 micronizada \u2013 ou seja, mo\u00edda em gr\u00e3os microsc\u00f3picos. \u00c9 assim que fica pronta para ser moldada, de novo, em objectos.<\/p>\n<p>Assim, o pl\u00e1stico vai-se parecendo com neve, com contas, com farinha, como se fizesse parte dos grandes ciclos da natureza. Mas permanece imut\u00e1vel na sua constitui\u00e7\u00e3o molecular, possibilitando uma vantagem pl\u00e1stica, um potencial pr\u00e1tico, que permitiu que se tenha introduzido em todos os recantos do mundo dos objectos humanos. No entanto, \u00e9 essa mesma resist\u00eancia que o torna um composto n\u00e3o degrad\u00e1vel. O pl\u00e1stico fragmenta-se, sim, transformando-se em micropl\u00e1stico, mas tem uma enorme dificuldade em se integrar na constitui\u00e7\u00e3o natural da vida. E por isso vai penetrando <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/06\/05\/azul\/entrevista\/oceano-novo-filme-david-attenborough-alerta-lideres-mundiais-2135257\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">nos ecossistemas<\/a> da Terra, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2021\/07\/20\/ciencia\/noticia\/estudo-revela-presenca-microplasticos-pinguins-antarctida-ha-15-anos-1971047\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">da Ant\u00e1rctida<\/a> ao <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/02\/05\/azul\/noticia\/cientistas-encontraram-niveis-alarmantes-fragmentos-plasticos-cerebro-humano-2121203\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">c\u00e9rebro humano<\/a>, poluindo e causando danos, sem qualquer poesia.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Os flocos de pl\u00e1stico j\u00e1 passaram por um processo de limpeza e corte, agora est\u00e3o prontos para a fase de extrus\u00e3o&#13;<br \/>\nMIGUEL A. LOPES\/Lusa                    &#13;<\/p>\n<p>\u00c9 esse problema que muitos pa\u00edses querem come\u00e7ar a resolver com um tratado sobre os pl\u00e1sticos, que est\u00e1 a ser discutido desde Novembro de 2022, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/12\/01\/azul\/noticia\/nao-tratado-plasticos-dia-atraso-dia-humanidade-2114028\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sem grande sucesso<\/a>. Na Confer\u00eancia do Oceano das Na\u00e7\u00f5es Unidas, ocorrida em Junho, na Fran\u00e7a, 95 pa\u00edses assinaram a <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/06\/10\/azul\/noticia\/nice-sai-declaracao-pressionar-criacao-tratado-plasticos-2136236\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Declara\u00e7\u00e3o de Nice<\/a>, numa tentativa para pressionar a redu\u00e7\u00e3o global da produ\u00e7\u00e3o e consumo de pl\u00e1sticos para n\u00edveis sustent\u00e1veis e eliminar progressivamente qu\u00edmicos problem\u00e1ticos durante aquela produ\u00e7\u00e3o, entre outras demandas. Esta vontade <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/11\/29\/azul\/noticia\/tratado-plasticos-reduzir-producao-inutil-andar-esfregona-torneira-aberta-2113899\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">vai contra<\/a> a ind\u00fastria petrol\u00edfera e muitos pa\u00edses produtores de petr\u00f3leo, que querem apenas regular os res\u00edduos. Em Agosto, perante o bloqueio dos Estados Unidos e de outras na\u00e7\u00f5es produtoras de petr\u00f3leo, as negocia\u00e7\u00f5es para um tratado vinculativo voltaram a falhar.<\/p>\n<p>Equil\u00edbrio ambiental<\/p>\n<p>Sandra Silva defende a import\u00e2ncia dos pl\u00e1sticos para muitas situa\u00e7\u00f5es, como na manuten\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias dos hospitais. \u201cN\u00e3o queremos andar para tr\u00e1s neste progresso\u201d, defende, adiantando que o problema pode ser enfrentado com novas formas de pl\u00e1stico, como o biol\u00f3gico. Mas n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o linear.<\/p>\n<p>\u201cTemos de arranjar materiais alternativos que n\u00e3o sejam piores para o ambiente, porque temos de ter sempre um compromisso entre de onde \u00e9 que vem a mat\u00e9ria-prima para fazer este novo pl\u00e1stico\u201d e o impacto que tem no ambiente, diz. \u201cN\u00e3o podemos come\u00e7ar a ocupar campos agr\u00edcolas para produzir pl\u00e1stico biol\u00f3gico em vez de alimentos\u201d, exemplifica a empres\u00e1ria.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>Os nossos clientes fazem os sacos do lixo de res\u00edduo hospitalar, cordas, os vasos, os tubos de rega gota a gota, embalagens, detergentes<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\nPaulo Ferreira, director comercial da Micronipol Becomes Veolia                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>Este equil\u00edbrio estreito, que se estende a outros tipos de consumo, como o da energia e de alimentos, n\u00e3o parece f\u00e1cil de ser alcan\u00e7ado num planeta com mais de oito mil milh\u00f5es de humanos. De qualquer forma, no caso da polui\u00e7\u00e3o por micropl\u00e1sticos, a Veolia acredita que a tecnologia pode dar respostas.<\/p>\n<p>\u201cUma das barreiras que podemos ter para evitar que os micropl\u00e1sticos cheguem ao ambiente \u00e9 no saneamento e nas \u00e1guas residuais\u201d, defende Sandra Silva. \u201cA probabilidade de os micropl\u00e1sticos entrarem numa ETAR [esta\u00e7\u00e3o de tratamento de \u00e1guas residuais] \u00e9 elevad\u00edssima. Estamos a trabalhar em investiga\u00e7\u00e3o e desenvolvimento para, ao n\u00edvel do tratamento dos efluentes, conseguir fazer a reten\u00e7\u00e3o dos micropl\u00e1sticos.\u201d<\/p>\n<p>Diferentes cores<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 unidade de reciclagem, o amontoado de flocos de pl\u00e1stico na passadeira rolante destina-se ao processo de extrus\u00e3o, onde \u00e9 submetido a uma temperatura em que o pl\u00e1stico se torna pastoso. No caso do polietileno de baixa densidade, a temperatura atinge os 140 graus Celsius, no de alta densidade, tem de ir at\u00e9 aos 260 graus.<\/p>\n<p>O estado pastoso permite o material ser empurrado por uma fieira, como se fosse esparguete, para depois atravessar uma estrela com l\u00e2minas, que transforma \u201co esparguete\u201d no tal granulado. Por fim, o granulado \u00e9 arrefecido com \u00e1gua para solidificar e \u00e9 centrifugado para retirar o excesso de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Enquanto o pl\u00e1stico de polietileno de baixa densidade \u00e9 branco, o de alta densidade \u00e9 de v\u00e1rias cores e \u00e9 poss\u00edvel separ\u00e1-las durante o processo. H\u00e1 granulado azul, vermelho, roxo, amarelo, preto e branco. J\u00e1 o polipropileno \u00e9 s\u00f3 de cor preta. Estas varia\u00e7\u00f5es podem ter import\u00e2ncia para o destino final deste material.<\/p>\n<p>Depois, o material est\u00e1 pronto para ser usado, nas suas variadas formas, entrando de novo no ciclo do consumo e evitando alguma produ\u00e7\u00e3o de pl\u00e1stico novo. \u201cOs nossos clientes fazem os sacos do lixo de res\u00edduo hospitalar, cordas, os vasos, os tubos de rega gota a gota, embalagens, detergentes\u201d, enumera Paulo Ferreira, exemplificando algumas das finalidades do pl\u00e1stico produzido ali. \u201cAs embalagens j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam aquela cor branca, branca. J\u00e1 come\u00e7am a ser um bocadinho acinzentadas \u2013 porque t\u00eam a integra\u00e7\u00e3o de material reciclado.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os fardos de pl\u00e1stico formam parte da paisagem da unidade de reciclagem da Micronipol Becomes Veolia, em Freixianda,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37217,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[785,27,28,15,16,14,25,26,21,22,5630,12,13,19,20,5818,119,32,23,24,33,11566,6267,3204,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-37216","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-azul","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-headlines","14":"tag-latest-news","15":"tag-latestnews","16":"tag-main-news","17":"tag-mainnews","18":"tag-microplasticos","19":"tag-news","20":"tag-noticias","21":"tag-noticias-principais","22":"tag-noticiasprincipais","23":"tag-plastico","24":"tag-poluicao","25":"tag-portugal","26":"tag-principais-noticias","27":"tag-principaisnoticias","28":"tag-pt","29":"tag-reciclagem","30":"tag-residuos","31":"tag-sustentabilidade","32":"tag-top-stories","33":"tag-topstories","34":"tag-ultimas","35":"tag-ultimas-noticias","36":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37216"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37216\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37217"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}