{"id":372620,"date":"2026-05-07T17:57:20","date_gmt":"2026-05-07T17:57:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/372620\/"},"modified":"2026-05-07T17:57:20","modified_gmt":"2026-05-07T17:57:20","slug":"opositores-de-putin-vivem-sob-ameaca-de-morte-em-varios-paises-da-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/372620\/","title":{"rendered":"opositores de Putin vivem sob amea\u00e7a de morte em v\u00e1rios pa\u00edses da Europa"},"content":{"rendered":"<p>O ativista russo Vladimir Osechkin vive sob prote\u00e7\u00e3o policial permanente em Fran\u00e7a desde 2022, depois de as autoridades francesas terem recebido informa\u00e7\u00e3o de que a R\u00fassia estaria a tentar assassin\u00e1-lo. Tarefas simples, como levar os filhos \u00e0 escola ou ir ao supermercado, passaram a exigir escolta policial.<\/p>\n<p>A amea\u00e7a ganhou nova gravidade em abril de 2025, quando um grupo de homens russos ter\u00e1 vigiado durante v\u00e1rias horas a casa de Osechkin, no sudoeste de Fran\u00e7a, recolhendo v\u00eddeos e fotografias. De acordo com documentos judiciais citados pelo \u2018The Independent\u2019, o objetivo seria preparar um assass\u00ednio.<\/p>\n<p>Anos antes, Osechkin diz ter visto um ponto vermelho na parede da sua casa. Acreditou que pudesse tratar-se da mira laser de uma arma.<\/p>\n<p>O caso est\u00e1 longe de ser isolado. Em v\u00e1rios pa\u00edses europeus, multiplicam-se suspeitas de planos de assass\u00ednio atribu\u00eddos \u00e0 R\u00fassia contra opositores do Kremlin, ativistas russos no ex\u00edlio, apoiantes da Ucr\u00e2nia e figuras ligadas ao esfor\u00e7o militar ucraniano.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7os ocidentais falam em escalada desde a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia<\/strong><\/p>\n<p>Continue a ler ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>Tr\u00eas respons\u00e1veis de servi\u00e7os de informa\u00e7\u00f5es ocidentais, citados sob anonimato pela \u2018Associated Press\u2019, apontam para uma escalada significativa nas opera\u00e7\u00f5es de assass\u00ednio direcionado desde a invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Segundo estes respons\u00e1veis, os alvos j\u00e1 n\u00e3o se limitam a desertores militares ou antigos agentes, passando tamb\u00e9m a incluir ativistas russos e estrangeiros que apoiam a Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>\u201cEsta campanha n\u00e3o acontece por acidente ou acaso\u201d, afirmou um alto respons\u00e1vel europeu dos servi\u00e7os de informa\u00e7\u00f5es. \u201cH\u00e1 autoriza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.\u201d<\/p>\n<p>Continue a ler ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>A acusa\u00e7\u00e3o surge num quadro mais amplo de a\u00e7\u00f5es atribu\u00eddas \u00e0 R\u00fassia em territ\u00f3rio europeu, incluindo atos de sabotagem, fogo posto e outras opera\u00e7\u00f5es de perturba\u00e7\u00e3o. Segundo respons\u00e1veis ocidentais, muitas destas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o executadas por intermedi\u00e1rios recrutados a baixo custo, em vez de agentes oficiais dos servi\u00e7os russos.<\/p>\n<p>O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse \u00e0 \u2018AP\u2019 que n\u00e3o via \u201cnecessidade\u201d de comentar. As autoridades russas t\u00eam negado anteriormente qualquer envolvimento em tentativas de assassinar opositores no estrangeiro.<\/p>\n<p><strong>Da Fran\u00e7a \u00e0 Litu\u00e2nia, alvos vivem sob vigil\u00e2ncia e medo<\/strong><\/p>\n<p>Em Fran\u00e7a, quatro homens nascidos na regi\u00e3o russa do Daguest\u00e3o foram detidos no \u00e2mbito do alegado plano para matar Vladimir Osechkin. Tr\u00eas deles viajaram para Biarritz, onde o ativista vive, e ter\u00e3o vigiado a sua casa com o objetivo de o assassinar e intimidar outros opositores das autoridades russas residentes em Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Osechkin fundou h\u00e1 v\u00e1rios anos uma organiza\u00e7\u00e3o de defesa dos direitos dos presos e dirige um projeto que denuncia abusos no sistema prisional russo. As amea\u00e7as intensificaram-se, segundo o pr\u00f3prio, quando come\u00e7ou a investigar alegados crimes russos na Ucr\u00e2nia e a ajudar militares russos desertores a fugir.<\/p>\n<p>Continue a ler ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>\u201cSe n\u00e3o fosse por eles, provavelmente j\u00e1 teria sido morto\u201d, afirmou, referindo-se \u00e0 prote\u00e7\u00e3o das autoridades francesas.<\/p>\n<p>Na Litu\u00e2nia, Ruslan Gabbasov, ativista que defende a independ\u00eancia da regi\u00e3o russa do Bashkortostan, descobriu em fevereiro de 2025 um localizador Apple AirTag escondido no carro. A pol\u00edcia pediu-lhe que deixasse o dispositivo no ve\u00edculo e passou a seguir quem o seguia.<\/p>\n<p>Poucas semanas depois, Gabbasov estava com a mulher e o filho de 5 anos nas celebra\u00e7\u00f5es da independ\u00eancia da Litu\u00e2nia quando recebeu uma chamada da pol\u00edcia a dizer-lhe para n\u00e3o regressar a casa.<\/p>\n<p>No dia seguinte, segundo contou, os agentes informaram-no de que um assassino tinha sido detido perto da sua resid\u00eancia. \u201cEstava \u00e0 sua espera com uma arma\u201d, disseram-lhe. \u201cEstava preparado para esperar por si a noite toda.\u201d<\/p>\n<p><strong>A op\u00e7\u00e3o de \u201cdesaparecer\u201d<\/strong><\/p>\n<p>As autoridades lituanas ofereceram a Gabbasov a possibilidade de desaparecer por completo: mudar de nome, deslocar-se para outro local e abandonar a atividade p\u00fablica.<\/p>\n<p>O ativista recusou. Argumenta que muitas pessoas da sua regi\u00e3o de origem, de maioria mu\u00e7ulmana e situada perto do Cazaquist\u00e3o, o veem como uma refer\u00eancia pol\u00edtica. O Bashkortostan \u00e9 importante para o Kremlin, diz, pelas reservas de ouro e pelo n\u00famero elevado de homens enviados para combater na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o posso tra\u00ed-los a todos simplesmente desaparecendo, sobretudo por medo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para Gabbasov, deixar de fazer pol\u00edtica seria precisamente o que Moscovo pretende. \u201cQue diferen\u00e7a lhes faz? Podem matar-me ou eu posso esconder-me de todos e parar a atividade pol\u00edtica. \u00c9 exatamente isso que eles querem.\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o lituano Valdas Bartkevi\u010dius, ativista pr\u00f3-Ucr\u00e2nia, recebeu das autoridades a possibilidade de desaparecer depois de, segundo contou, ter sido descoberto um plano para o matar com uma bomba colocada na caixa de correio.<\/p>\n<p>Bartkevi\u010dius, conhecido por angariar fundos para a Ucr\u00e2nia e por a\u00e7\u00f5es anti-R\u00fassia, recusou a proposta. Para ele, abandonar a vida p\u00fablica seria uma \u201cmorte social\u201d.<\/p>\n<p><strong>Litu\u00e2nia acusa 13 pessoas em dois planos de assass\u00ednio<\/strong><\/p>\n<p>Os procuradores lituanos acusaram 13 pessoas de pelo menos sete pa\u00edses de envolvimento em dois planos de assass\u00ednio. No total, pelo menos 20 pessoas foram detidas, acusadas ou identificadas na Europa ao longo do \u00faltimo ano em casos deste tipo.<\/p>\n<p>Segundo as autoridades lituanas, os envolvidos nos dois planos ter\u00e3o recebido ordens diretas dos servi\u00e7os de informa\u00e7\u00f5es militares russos. Alguns tinham liga\u00e7\u00f5es ao crime organizado russo e poder\u00e3o estar associados a outros casos de fogo posto e espionagem na Europa.<\/p>\n<p>Esta utiliza\u00e7\u00e3o de intermedi\u00e1rios \u00e9 vista por antigos respons\u00e1veis de seguran\u00e7a brit\u00e2nicos como uma consequ\u00eancia direta da resposta ocidental ao ataque de Salisbury, em 2018.<\/p>\n<p>Nesse ano, o antigo espi\u00e3o russo Sergei Skripal foi envenenado com um agente nervoso no Reino Unido. Londres acusou a R\u00fassia de ter realizado o ataque atrav\u00e9s de oficiais dos servi\u00e7os militares russos. Em resposta, o Reino Unido e outros pa\u00edses ocidentais expulsaram centenas de diplomatas e suspeitos de espionagem, tornando mais dif\u00edcil a atua\u00e7\u00e3o direta de agentes russos na Europa.<\/p>\n<p><strong>A estrat\u00e9gia dos intermedi\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>Com menos margem para operar atrav\u00e9s de agentes oficiais, Moscovo ter\u00e1 passado a recorrer com mais frequ\u00eancia a intermedi\u00e1rios, muitos deles recrutados como executantes baratos para tarefas de vigil\u00e2ncia, sabotagem, intimida\u00e7\u00e3o ou viol\u00eancia.<\/p>\n<p>O facto de muitos dos planos conhecidos desde 2022 terem sido travados pode mostrar que \u00e9 mais dif\u00edcil para Moscovo concretizar estas opera\u00e7\u00f5es com intermedi\u00e1rios do que com agentes pr\u00f3prios. Ainda assim, os servi\u00e7os ocidentais alertam que estas tentativas t\u00eam outros efeitos: assustam opositores, tentam silenciar ativistas e consomem recursos das pol\u00edcias europeias.<\/p>\n<p>O caso de Maxim Kuzminov continua a ser visto como aviso. O piloto russo de helic\u00f3ptero que desertou foi assassinado em Espanha, depois de ter sido amea\u00e7ado de morte na televis\u00e3o estatal russa por homens mascarados em uniforme militar. Os servi\u00e7os russos s\u00e3o considerados os principais suspeitos.<\/p>\n<p>Para um alto respons\u00e1vel europeu dos servi\u00e7os de informa\u00e7\u00f5es, a conclus\u00e3o \u00e9 simples: os alvos nunca estar\u00e3o completamente seguros.<\/p>\n<p>\u201cMesmo que se consiga travar uma opera\u00e7\u00e3o uma vez, \u00e9 preciso estar preparado para a possibilidade de voltarem a atacar.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O ativista russo Vladimir Osechkin vive sob prote\u00e7\u00e3o policial permanente em Fran\u00e7a desde 2022, depois de as autoridades&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":91764,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-372620","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-mundo","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-top-stories","25":"tag-topstories","26":"tag-ultimas","27":"tag-ultimas-noticias","28":"tag-ultimasnoticias","29":"tag-world","30":"tag-world-news","31":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116534591369494001","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/372620","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=372620"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/372620\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/91764"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=372620"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=372620"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=372620"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}