{"id":372636,"date":"2026-05-07T18:12:14","date_gmt":"2026-05-07T18:12:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/372636\/"},"modified":"2026-05-07T18:12:14","modified_gmt":"2026-05-07T18:12:14","slug":"hotel-em-leiria-manteve-clientes-durante-a-tempestade-sem-luz-e-agua-nao-tinhamos-pao-usamos-o-que-havia-no-frigorifico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/372636\/","title":{"rendered":"Hotel em Leiria manteve clientes durante a tempestade sem luz e \u00e1gua: \u201cN\u00e3o tinhamos p\u00e3o, us\u00e1mos o que havia no frigor\u00edfico\u201d"},"content":{"rendered":"<p>A viol\u00eancia da tempestade Kristin na noite de 27 para 28 de janeiro continua na mem\u00f3ria dos funcion\u00e1rios do Tryp Leiria como se tivessem vivido um filme de terror. \u201cO hotel ficou todo a abanar, os vidros das paredes estremeceram, os h\u00f3spedes vieram a correr para a rece\u00e7\u00e3o e ajudaram a p\u00f4r sof\u00e1s junto \u00e0s portas, para evitar que os vidros partissem e houvesse uma trag\u00e9dia\u201d, descreve Jo\u00e3o Pacheco, diretor do hotel. \u201cFoi uma hora assustadora, houve clientes a rezar, ouviu-se uma roda de gritos e de choros\u201d, recorda Micaela Francisco, rececionista.<\/p>\n<p>\u201cEsta zona ficou logo sem comunica\u00e7\u00f5es, sem luz e sem \u00e1gua. Estivemos 72 horas sem eletricidade e sem parar o servi\u00e7o, e dez dias com gerador. Mesmo \u00e0s escuras, os clientes n\u00e3o arredaram p\u00e9\u201d, adianta o diretor do hotel de quatro estrelas, do grupo portugu\u00eas Hoti, que estava \u201cpraticamente cheio\u201d na noite da intemp\u00e9rie, sobretudo com clientes de neg\u00f3cios, \u201cpois temos muitas ind\u00fastrias \u00e0 volta, em Leiria praticamente n\u00e3o se sente a \u00e9poca baixa\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Pacheco n\u00e3o estava no hotel na noite da tempestade, e para chegar na manh\u00e3 seguinte foi uma aventura. O seu carro tinha ficado entalado entre \u00e1rvores derrubadas, teve de apanhar boleia de uma vizinha, e apesar da dist\u00e2ncia relativamente curta, a circula\u00e7\u00e3o foi dif\u00edcil. \u201cA cada 100 metros tinhamos de sa\u00edr do carro e arredar destro\u00e7os da estrada\u201d. N\u00e3o tendo meios para comunicar, preparou-se para o pior. \u201cEstava convencido que ia chegar e ver o hotel sem fachada\u201d.<\/p>\n<p>Sem \u00e1gua ou luz durante tr\u00eas dias, a equipa do hotel mobilizou-se como podia para providenciar servi\u00e7os b\u00e1sicos aos clientes, como o pequeno-almo\u00e7o, numa altura em que faltava tudo. \u201cNem tinhamos p\u00e3o, a nossa fornecedora ficou com a f\u00e1brica destru\u00edda e nem sequer conseguiu chegar\u201d, conta o diretor. \u201cFomos utilizando tudo o que estava no frigor\u00edfico, tinhamos frutas e outros alimentos, nessa altura, sem eletricidade, tudo o que n\u00e3o ia ao fogo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNo primeiro dia fizemos saladas de atum, mas chegou um ponto em que os stocks entraram em ruptura, e j\u00e1 n\u00e3o havia grande coisa\u201d. Em rela\u00e7\u00e3o aos banhos, \u201caguent\u00e1mos enquanto havia \u00e1gua nos dep\u00f3sitos\u201d.<\/p>\n<p>Mas at\u00e9 nas alturas cr\u00edticas surgem momentos de alegria. \u201cA chefe de rece\u00e7\u00e3o trouxe um camping gaz de casa e conseguimos fazer caf\u00e9. Tanto os clientes como os funcion\u00e1rios estavam a desesperar por caf\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>Sem comunica\u00e7\u00f5es, o diretor do hotel ia regularmente \u00e0 loja Leroy Merlin, um dos poucos pontos da cidade onde havia rede. \u201cIa l\u00e1 v\u00e1rias vezes ao dia, era a \u00fanica forma de comunicar com Lisboa, e quando chegava ao hotel trazia not\u00edcias aos clientes\u201d.<\/p>\n<p>\u201cFoi num corredor do Leroy Merlin, onde podia fazer chamadas, que consegui alugar um gerador, \u00e0 pressa, e assim p\u00f4r o hotel a funcionar\u201d, conta Jo\u00e3o Pacheco. E a 29 de janeiro pouco antes da meia-noite, o hotel conseguiu ter eletricidade providenciada por gerador.<\/p>\n<p>\u201cA partir da\u00ed, funcion\u00e1mos quase na normalidade\u201d, refere o diretor, frisando que, ainda assim, houve muitas conting\u00eancias. \u201dN\u00e3o tinhamos p\u00e3o fresco, mas havia outras op\u00e7\u00f5es de fornecedores. Deslig\u00e1mos tudo o que n\u00e3o era essencial, como minibares, elevadores ou ar condicionado. A lou\u00e7a ia-se acumulando e s\u00f3 era lavada quando o tabuleiro estava cheio&#8221;.<\/p>\n<p>O diretor do Tryp Leiria, Jo\u00e3o Pacheco, lembra que &#8220;foi num corredor do Leroy Merlin, onde tinha rede, que consegui um gerador e p\u00f4r o hotel a funcionar&#8221;<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Fonseca Fernandes<\/p>\n<p>   O hotel funcionou com gerador pr\u00f3prio durante dez dias, e a partir da\u00ed ligou-se \u00e0 rede p\u00fablica. \u201cConsumimos tr\u00eas mil litros de gas\u00f3leo, o que pag\u00e1mos em combust\u00edvel nestes dias n\u00e3o pagar\u00edamos num m\u00eas inteiro\u201d.  <\/p>\n<p>   Se conseguir um gerador foi uma conquista, outra dificuldade era obter combust\u00edvel para o p\u00f4r a funcionar. E tamb\u00e9m aqui se destacou a entreajuda. \u201cA solu\u00e7\u00e3o foi a lavandaria que contratamos para tratar das roupas, e estava fora da zona de impacto, trazer-nos jericans de gas\u00f3leo, foram muito simp\u00e1ticos\u201d, reconhece o diretor do Tryp Leiria.  <\/p>\n<p>    <strong>\u201cOs vizinhos vinham c\u00e1, tomavam banho, bebiam o seu caf\u00e9\u201d<\/strong>  <\/p>\n<p class=\"x_elementToProof\">Todos os funcion\u00e1rios do hotel sofreram estragos nas suas casas. \u201cAcho que n\u00e3o houve um telhado em Leiria que n\u00e3o tivesse danos\u201d, refere Jo\u00e3o Pacheco. Mas, vivendo nas proximidades, e mantendo condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de habitabilidade, os 23 trabalhadores conseguiram remediar-se sem ter de dormir no hotel.<\/p>\n<p class=\"x_elementToProof\">\u201cTiv\u00e9mos sempre a porta aberta para ajudar as pessoas no que fosse preciso, mas acabou por n\u00e3o ser necess\u00e1rio alojar trabalhadores. E a equipa conseguiu vir trabalhar todos os dias\u201d, nota o diretor.<\/p>\n<p class=\"x_elementToProof\">\u201cTamb\u00e9m tiv\u00e9mos solidariedade com as pessoas do quarteir\u00e3o, fomos o primeiro edif\u00edcio do bairro a ter luz, os vizinhos vinham c\u00e1, tomavam banho, traziam as crian\u00e7as, tomavam o seu caf\u00e9 e pequeno-almo\u00e7o, disponibiliz\u00e1mos isso \u00e0 comunidade\u201d.<\/p>\n<p class=\"x_elementToProof\">Um caso mais s\u00e9rio foi o da a rececionista Micaela Francisco, que ficou com graves estragos na sua casa em Casal da Quinta, na freguesia de Milagres. \u201cVivo numa zona de pinhal e ca\u00edram muitas \u00e1rvores, nas aldeias tiv\u00e9mos esse tipo de destro\u00e7os. Tive danos no telhado, e al\u00e9m disso um carro da casa ao lado numa zona alta destrancou-se e veio por a\u00ed abaixo, partiu-me as paredes\u201d, conta.<\/p>\n<p class=\"x_elementToProof\">A rececionista do hotel ficou com danos \u201cde milhares, que tivemos de suportar, e ainda estamos \u00e0 espera que o perito do seguro v\u00e1 l\u00e1 avaliar as coisas\u201d. Ficou mais de um m\u00eas sem luz \u201ce s\u00f3 h\u00e1 duas semanas consegui ter internet\u201d. Mas destaca o \u00edmpeto que prevaleceu \u201cem ajudar o pr\u00f3ximo, na aldeia h\u00e1 sempre algu\u00e9m que tem tratores e moto-serra, e todas as repara\u00e7\u00f5es que se fizeram foi com a ajuda dos vizinhos\u201d. Micaela Francisco continuou a ir trabalhar ao hotel, apesar de a terem liberto das suas fun\u00e7\u00f5es para acudir aos estragos na sua casa e de familiares.<\/p>\n<p>  <strong>Desalojados no hotel iam \u00e0s suas casas fazer repara\u00e7\u00f5es<\/strong>  <\/p>\n<p>   Se n\u00e3o foi preciso alojar funcion\u00e1rios, o hotel teve a ocupa\u00e7\u00e3o preenchida com outros h\u00f3spedes pouco habituais, tendo-se disponibilizado para acolher pessoas deslocadas por terem as suas casas inabit\u00e1veis.  <\/p>\n<p class=\"x_elementToProof\">\u201cTiv\u00e9mos aqui pessoas desalojadas a partir de seguradoras, da c\u00e2mara, e tamb\u00e9m atrav\u00e9s do pr\u00f3prio projeto Reerguer Leiria\u201d, refere Jo\u00e3o Pacheco. \u201cEstas pessoas ficaram em regime de pens\u00e3o completa, mas era um mundo diferente: vinham c\u00e1 almo\u00e7ar e jantar, mas durante o dia iam \u00e0s suas casas fazer repara\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p class=\"x_elementToProof\">\u201cO hotel encheu nessa altura em que demos apoio \u00e0 Prote\u00e7\u00e3o Civil, bombeiros, tiv\u00e9mos aqui especialistas nacionais e estrangeiros (como irlandeses, espanh\u00f3is, mexicanos ou franceses), al\u00e9m de peritos de seguradoras\u201d, narra o diretor do Tryp Leiria. \u201cAs seguradoras fizeram um campo de opera\u00e7\u00f5es em Leiria e ficaram c\u00e1 no hotel\u201d.<\/p>\n<p class=\"x_elementToProof\">Empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es, como a MEO, continuam a trazer pessoal ao hotel.&#8221;Estas equipas est\u00e3o em estadia longa, ficam durante a semana e v\u00e3o a casa ao fim-de-semana. Passados tr\u00eas meses, ainda est\u00e3o a fazer repara\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>   Ao contr\u00e1rio de outros alojamentos, o hotel Tryp Leiria conseguiu resistir \u00e0s intemp\u00e9ries sem estragos de maior. \u201cOs danos na cobertura foram dispendiosos, tiv\u00e9mos de substituir os pain\u00e9is fotovoltaicos, mas felizmente n\u00e3o houve danos no edif\u00edcio que afetassem a parte operacional\u201d.  <\/p>\n<p class=\"x_elementToProof\">\u201cA reconstru\u00e7\u00e3o vai ainda demorar muito tempo\u201d, nota o diretor do hotel em Leiria, que tem perspetivas positivas para a \u00e9poca alta e o resto do ano. \u201cJ\u00e1 aconteceu tanta coisa depois da tempestade, e est\u00e1 tudo a entrar no normal. O efeito de solidariedade pode ajudar \u00e0 visita de muitos portugueses, e Leiria est\u00e1 sempre pronta a receber\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A viol\u00eancia da tempestade Kristin na noite de 27 para 28 de janeiro continua na mem\u00f3ria dos funcion\u00e1rios&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":372637,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-372636","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-news","18":"tag-noticias","19":"tag-noticias-principais","20":"tag-noticiasprincipais","21":"tag-portugal","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-pt","25":"tag-top-stories","26":"tag-topstories","27":"tag-ultimas","28":"tag-ultimas-noticias","29":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/372636","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=372636"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/372636\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/372637"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=372636"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=372636"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=372636"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}