{"id":373416,"date":"2026-05-08T09:26:11","date_gmt":"2026-05-08T09:26:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/373416\/"},"modified":"2026-05-08T09:26:11","modified_gmt":"2026-05-08T09:26:11","slug":"queda-acelerada-do-consumo-de-gas-pressiona-precos-e-sines-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/373416\/","title":{"rendered":"Queda acelerada do consumo de g\u00e1s pressiona pre\u00e7os e Sines \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>A procura de g\u00e1s natural em Portugal est\u00e1 em queda estrutural, sobretudo por causa do corte na produ\u00e7\u00e3o de eletricidade nas centrais de ciclo combinado. No entanto, a queda da procura total de g\u00e1s entre 2022 e 2024 recuou para n\u00edveis que s\u00f3 estavam previstos para a d\u00e9cada de 2035, entre os 3 e os 3,5 mil milh\u00f5es de metros c\u00fabicos, diz a Ag\u00eancia Internacional de Energia (AIE). Foi a segunda maior queda na procura de g\u00e1s entre os pa\u00edses membros desta organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Num relat\u00f3rio onde avalia a pol\u00edtica energ\u00e9tica portuguesa, o organismo refere que a queda sustentada da procura \u00e9 necess\u00e1ria para cumprir as metas clim\u00e1ticas, mas implica ajustamentos operacionais nas rede de transporte e distribui\u00e7\u00e3o. E avisa que \u201cuma baixa utiliza\u00e7\u00e3o ir\u00e1 tamb\u00e9m afetar a recupera\u00e7\u00e3o de custos e aumentar o custo por unidade de g\u00e1s entregue ao consumidor\u201d.<\/p>\n<p>O impacto da redu\u00e7\u00e3o do consumo j\u00e1 \u00e9 ali\u00e1s vis\u00edvel na evolu\u00e7\u00e3o das tarifas de g\u00e1s natural para o ano que come\u00e7a em setembro. Ao propor um aumento de 6,3% nas tarifas, <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2026\/03\/31\/erse-propoe-subida-do-preco-do-gas-de-63-a-partir-de-outubro\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">o regulador justifica-o <\/a>com a manuten\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o da procura de g\u00e1s natural. \u201cAs tarifas de acesso \u00e0s redes recuperam principalmente os proveitos permitidos para as atividades de opera\u00e7\u00e3o das infraestruturas do sistema nacional de g\u00e1s, em grande parte associados a custos fixos. Assim, uma diminui\u00e7\u00e3o da procura de g\u00e1s nessas infraestruturas contribui para um aumento dos custos por unidade de g\u00e1s natural consumida e uma varia\u00e7\u00e3o no mesmo sentido das respetivas tarifas\u201d.<\/p>\n<p>Este quadro, avisa a AIE, \u00e9 \u201cparticularmente relevante para o terminal de g\u00e1s natural de Sines, que \u00e9 atualmente a \u00fanica porta de entrada de g\u00e1s em Portugal. O Governo e a ERSE (Entidade Reguladora dos Servi\u00e7os Energ\u00e9ticos) devem rever os compromissos comerciais e contratuais atuais associados a Sines e assegurar que continuam compat\u00edveis com o projetado decl\u00ednio da procura de forma a que os custos de fornecimento e da seguran\u00e7a de abastecimento sejam minimizados\u201d. Inaugurado no in\u00edcio do s\u00e9culo, o terminal gerido pela REN \u00e9 uma infraestrutura estrat\u00e9gica no abastecimento energ\u00e9tico, tendo permitido diversificar a origem do g\u00e1s recebido por Portugal que inicialmente tinha origem na Arg\u00e9lia.<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Internacional de Energia assinala que o sistema de g\u00e1s natural portugu\u00eas, um investimento realizado sobretudo nos anos de 1990, foi concebido para uma procura est\u00e1vel por parte das centrais de ciclo combinado \u00e0s quais estavam ligados os contratos a longo prazo de fornecimento de g\u00e1s \u2014 como o da Nig\u00e9ria. Mas com a queda acentuada de produ\u00e7\u00e3o nestas unidades nos anos recentes, o sistema est\u00e1 a operar com um rendimento muito inferior. As<a href=\"https:\/\/observador.pt\/2026\/04\/01\/precos-muito-baixos-e-ate-negativos-na-eletricidade-iberica-disfarcam-custos-do-sistema-que-estao-a-subir-e-preocupam-setor\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> centrais a g\u00e1s est\u00e3o a funcionar<\/a> sobretudo para fornecer servi\u00e7os ao sistema el\u00e9trico, de disponibilidade de aumento ou redu\u00e7\u00e3o de inje\u00e7\u00e3o ou apoio ao controlo de tens\u00e3o.<\/p>\n<p>Paralelamente, cresce o n\u00famero de ind\u00fastrias com projetos de descarboniza\u00e7\u00e3o do processo industrial, o que significa sobretudo substituir g\u00e1s natural por eletricidade, e, em menor escala, por gases renov\u00e1veis. Tamb\u00e9m no segmento residencial t\u00eam sido <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/11\/04\/transicao-eletrica-dos-eletrodomesticos-programa-e-lar-reabre-a-2-de-dezembro-com-mais-516-milhoes\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">dados apoios p\u00fablicos<\/a>, nomeadamente via Fundo Ambiental, para os clientes substitu\u00edrem equipamentos a g\u00e1s por el\u00e9tricos.<\/p>\n<p>Em 2025, houve alguma retoma na procura, estimulada pela resposta do sistema el\u00e9trico ao apag\u00e3o, mas a eletrifica\u00e7\u00e3o dos edif\u00edcios e da ind\u00fastria vai contribuir para uma nova redu\u00e7\u00e3o do consumo de g\u00e1s, diz a Ag\u00eancia Internacional de Energia. E estas tend\u00eancias \u201ccolocam grandes desafios \u00e0s redes de g\u00e1s, nomeadamente o decr\u00e9scimo do caudal de g\u00e1s transportado, o aumento dos custos unit\u00e1rios, as press\u00f5es tarif\u00e1rias e o risco de ativos irrecuper\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 mais agudo quando est\u00e3o em discuss\u00e3o <a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/o-gas-vai-continuar-a-ser-importante-nao-podemos-viver-so-de-renovaveis-eolicas-solar-e-agua-avisa-presidente-da-ren\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">novos investimentos na rede de g\u00e1s. C<\/a>omo assinala o relat\u00f3rio, os operadores das redes de transporte \u2014 a REN \u2014 e distribui\u00e7\u00e3o \u2014 Floene, entre outros \u2014fizeram propostas para expandir. A REN pediu aprova\u00e7\u00e3o para investir 225 milh\u00f5es de euros para adotar o sistema \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o de 10% de hidrog\u00e9nio verde para construir duas cavernas de armazenamento. A ERSE considerou que estes planos n\u00e3o eram compat\u00edveis com o decl\u00ednio da procura.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"S5r5Wm9C1f\">\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/o-gas-vai-continuar-a-ser-importante-nao-podemos-viver-so-de-renovaveis-eolicas-solar-e-agua-avisa-presidente-da-ren\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">O g\u00e1s vai continuar a ser importante. \u201cN\u00e3o podemos viver s\u00f3 de renov\u00e1veis, e\u00f3licas, solar e \u00e1gua\u201d, avisa presidente da REN<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A Ag\u00eancia Internacional de Energia aponta para exemplos internacionais na gest\u00e3o do equil\u00edbrios entre a necessidade de investir e a retra\u00e7\u00e3o da procura. Por outro lado, a AIE reconhece que a integra\u00e7\u00e3o do hidrog\u00e9nio nas redes exige investimentos avultados em upgrade das infraestruturas e equipamentos industriais, al\u00e9m de novos requisitos regulat\u00f3rios e de seguran\u00e7a, numa altura em que j\u00e1 h\u00e1 grandes desafios na expans\u00e3o das energias renov\u00e1veis e eletrifica\u00e7\u00e3o dos consumos.<\/p>\n<p>A AIE defende antes investimentos dirigidos e localizados em instala\u00e7\u00f5es que s\u00e3o grandes consumidoras de g\u00e1s, dando como exemplo o projeto em curso para um eletrolisador na refinaria de Sines. Outra via apontada \u00e9 o <a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/a-molecula-e-a-mesma-biometano-podia-substituir-ate-60-do-gas-que-consumimos-mas-portugal-esta-atrasado\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o de biometano<\/a> a partir de res\u00edduos urbanos e de explora\u00e7\u00f5es agropecu\u00e1rias, destacando o papel das pol\u00edticas p\u00fablicas na expans\u00e3o deste mercado, em pa\u00edses como Dinamarca, Fran\u00e7a e It\u00e1lia. Lan\u00e7ado em 2024, o plano de a\u00e7\u00e3o para o biometano s\u00f3 recentemente teve desenvolvimentos no sentido de se definir um modelo de remunera\u00e7\u00e3o para esta produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"cYtsZDjbJS\">\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/a-molecula-e-a-mesma-biometano-podia-substituir-ate-60-do-gas-que-consumimos-mas-portugal-esta-atrasado\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">\u201cA mol\u00e9cula \u00e9 a mesma\u201d. Biometano podia substituir at\u00e9 60% do g\u00e1s que consumimos, mas Portugal est\u00e1 atrasado<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>No relat\u00f3rio\u00a0j\u00e1 referido, a AIE conclui que, para assegurar que o g\u00e1s desempenha o seu papel na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, \u00e9 preciso atualizar o regime remunerat\u00f3rio dos operadores de rede de g\u00e1s, de forma a apoiar um modo de funcionamento da rede eficiente durante este per\u00edodo de contra\u00e7\u00e3o do consumo, mas tamb\u00e9m efetuar um planeamento da desativa\u00e7\u00e3o da rede. A AIE defende que neste esfor\u00e7o deve ser valorizada a experi\u00eancia e compet\u00eancia dos profissionais que trabalham na opera\u00e7\u00e3o de g\u00e1s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A procura de g\u00e1s natural em Portugal est\u00e1 em queda estrutural, sobretudo por causa do corte na produ\u00e7\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":373417,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[11509,964,88,442,2271,476,89,90,2270,20447,32,33],"class_list":{"0":"post-373416","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-alterau00e7u00f5es-climu00e1ticas","9":"tag-ambiente","10":"tag-business","11":"tag-ciu00eancia","12":"tag-clima","13":"tag-economia","14":"tag-economy","15":"tag-empresas","16":"tag-energia","17":"tag-gu00e1s-natural","18":"tag-portugal","19":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116538244341955575","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/373416","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=373416"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/373416\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/373417"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=373416"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=373416"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=373416"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}