{"id":373765,"date":"2026-05-08T15:08:27","date_gmt":"2026-05-08T15:08:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/373765\/"},"modified":"2026-05-08T15:08:27","modified_gmt":"2026-05-08T15:08:27","slug":"escolas-falham-apoio-as-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/373765\/","title":{"rendered":"escolas falham apoio \u00e0s crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>A lei aplicada \u00e0s crian\u00e7as sobredotadas \u00e9 a mesma prevista para os alunos com problemas de aprendizagem. <strong>\u201cN\u00e3o h\u00e1 legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, aplica-se a Educa\u00e7\u00e3o Inclusiva, que pouco ou nada inclui quem tem mais capacidades\u201d<\/strong>, explica. <\/p>\n<p>A \u00fanica diferencia\u00e7\u00e3o legal \u00e9 a portaria n\u00ba 223-A\/2018, cujo artigo 33 prev\u00ea casos especiais de progress\u00e3o acelerada: \u201cum aluno que revele capacidade de aprendizagem excecional e um adequado grau de maturidade poder\u00e1 progredir mais rapidamente no ensino b\u00e1sico (\u2026)\u201d. <\/p>\n<p>\u201cA lei \u00e9 a mesma das crian\u00e7as com necessidades especiais. Decorrente da lei, toda a crian\u00e7a com alguma diferen\u00e7a, seja por dificuldade ou n\u00e3o, deve ser atendida na sua diferen\u00e7a. <strong>Qualquer professor, na sua aula, pode e deve preparar objetivos diferentes para os alunos, incluindo os sobredotados. Mas isto \u00e9 fic\u00e7\u00e3o pura. No terreno, quem cumpre?<\/strong>\u201d, questiona. <\/p>\n<p>E \u00e9 por falta de cumprimento, de uma lei que peca por n\u00e3o prever de forma objetiva o apoio para alunos excecionais, que a APCS sentiu necessidade de \u201cir para o terreno e fazer o trabalho que o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o devia fazer\u201d. \u201cTemos o Projeto Investir na Capacidade (PIC) e estamos semanalmente em v\u00e1rios agrupamentos do pa\u00eds para dar apoio \u00e0s crian\u00e7as e \u00e0s fam\u00edlias que se sentem completamente perdidas\u201d, conta.<\/p>\n<p>Um desses estabelecimentos \u00e9 o Agrupamento de Escolas (AE) de Pedrou\u00e7os, Maia, onde a associa\u00e7\u00e3o marca presen\u00e7a desde 2017. S\u00e9rgio Almeida, diretor do agrupamento, destaca a import\u00e2ncia do projeto para a comunidade escolar e explica o que levou a escola a querer implement\u00e1-lo. \u201cO agrupamento teve a felicidade de ter no seu quadro uma professora da Educa\u00e7\u00e3o Especial, a professora Marcela Rios, que pertencia \u00e0 associa\u00e7\u00e3o e que me prop\u00f4s a cria\u00e7\u00e3o do projeto no nosso agrupamento, uma vez que gostaria de verificar se, efetivamente, se confirmava o que a literatura cient\u00edfica determina [3% a 5% de crian\u00e7as sobredotadas em todas as escolas]\u201d, recorda. O que se pretendia, adianta, \u201cera confirmar se num Agrupamento TEIP (Territ\u00f3rios Educativos de Interven\u00e7\u00e3o Priorit\u00e1ria), tamb\u00e9m haveria essa percentagem de crian\u00e7as&#8221;. <strong>\u201cNesse caso, ap\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o, opt\u00e1mos por come\u00e7ar a desenvolver o projeto com as nossas crian\u00e7as do 1\u00ba ciclo, com atividades dirigidas para estes alunos, uma vez por semana\u201d<\/strong>, refere. <\/p>\n<p>Os objetivos destas atividades passam por \u201cdesenvolver as capacidades de cada um deles, porque existem capacidades m\u00faltiplas (ci\u00eancias, l\u00ednguas, desporto, etc.)\u201d e, por outro lado, \u201ca inten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 trabalhar as compet\u00eancias de relacionamento interpessoal porque estas crian\u00e7as t\u00eam um d\u00e9fice e por isso temos de as ajudar a lidar com os seus pares\u201d. <strong>Os pais tamb\u00e9m s\u00e3o orientados e apoiados \u201cporque n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil conseguir lidar com a intensidade de solicita\u00e7\u00e3o destas crian\u00e7as\u201d.<\/strong> <\/p>\n<p>S\u00e9rgio Almeida defende que \u201cn\u00e3o se pode apenas pensar na educa\u00e7\u00e3o inclusiva para os alunos com necessidades educativas especiais ou os alunos estrangeiros\u201d. \u201c\u00c9 preciso pensar em todas as crian\u00e7as, e estas, tamb\u00e9m precisam do nosso apoio, porque no nosso Agrupamento, ningu\u00e9m fica para tr\u00e1s\u201d, afirma. O balan\u00e7o \u00e9 \u201cextremamente positivo\u201d e, todos os anos, o agrupamento descobre mais crian\u00e7as com compet\u00eancias acima da m\u00e9dia. Com quase uma d\u00e9cada de trabalho na \u00e1rea, a escola j\u00e1 conta com os primeiros alunos do PIC a assumir fun\u00e7\u00f5es de monitores\/mentores dos mais novos.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o marginalizados, gozados, v\u00edtimas de bullying\u201d<\/p>\n<p>Segundo Helena Serra, \u00e0s quest\u00f5es pedag\u00f3gicas, acrescem os problemas emocionais, pois \u201cnormalmente s\u00e3o crian\u00e7as sozinhas e em sofrimento\u201d. <strong>Os sobredotados encontram-se, muitas vezes, em situa\u00e7\u00e3o de isolamento, \u201ctanto por parte de colegas, como por parte dos professores\u201d<\/strong>. \u201cS\u00e3o marginalizados, gozados, v\u00edtimas de bullying, incompreendidos pelos colegas e pelos docentes que, muitas vezes, partem do princ\u00edpio que aquela crian\u00e7a n\u00e3o precisa de ajuda porque sabe tudo. E isso n\u00e3o \u00e9 linear. H\u00e1 sobredotados com compet\u00eancias em determinadas \u00e1reas espec\u00edficas e noutras, n\u00e3o. Cada crian\u00e7a \u00e9 diferente e deve ser ajudada nas suas diferen\u00e7as, como qualquer outro aluno\u201d, refere. <\/p>\n<p>Sublinha ainda que, mesmo que seja brilhante numa determinada \u00e1rea, <strong>\u201ca crian\u00e7a precisa de adapta\u00e7\u00f5es na disciplina, tendo em conta a sua elevada capacidade\u201d<\/strong>. Estas crian\u00e7as t\u00eam, por vezes, descincronias, s\u00e3o muito boas em matem\u00e1tica, por exemplo, e p\u00e9ssimas na parte motora. As crian\u00e7as que t\u00eam estas descincronias devem ser ajudadas pelas escolas. \u00c9 preciso dar-lhe valor, alimentar as compet\u00eancias e criar ambiente e motiva\u00e7\u00e3o para as outras \u00e1reas\u201d, afirma. No terreno, conta, s\u00e3o poucas as escolas que est\u00e3o preparadas para este perfil de aluno, pois <strong>\u201cno caso das crian\u00e7as com dificuldades, a forma\u00e7\u00e3o \u00e9 mais ampla e h\u00e1 outra sensibilidade\u201d<\/strong>. A presidente da assembleia geral da APCS pede, por isso, uma aposta na forma\u00e7\u00e3o de professores por parte do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Inova\u00e7\u00e3o, a quem acusa de falta de resposta. A associa\u00e7\u00e3o tem alertado o Governo, apresentando estudos com resultados concretos. \u201cS\u00e3o dados a conhecer ao minist\u00e9rio, que \u00e9 aquela porta surda que raramente d\u00e1 resposta. Com Jo\u00e3o Costa, enquanto secret\u00e1rio de Estado, ainda houve reuni\u00f5es e algum interesse, mas depois diluiu-se tudo\u201d, relata.<\/p>\n<p>Estas falhas de resposta s\u00e3o sentidas de forma particular pelos pais, que desesperam com a incompreens\u00e3o e o sofrimento associado. Ao DN, o pai de uma crian\u00e7a sobredotada, faz um relato de um percurso escolar emocionalmente dif\u00edcil, \u201cfeito de altos e baixos\u201d. Pedro (nome fict\u00edcio) come\u00e7ou a ter problemas no pr\u00e9-escolar. <strong>\u201cO Pedro \u00e9 diferente dos outros\u2026 n\u00e3o sei o que fazer com ele!\u201d, foi uma das frases ouvidas<\/strong>. \u201cDepois, no ensino b\u00e1sico, come\u00e7ou mal. A primeira abordagem passou por obrigar a crian\u00e7a a seguir o mesmo ritmo dos outros at\u00e9 que, ao fim de dois meses, passou diretamente para o segundo ano, de forma informal, tendo transitado nesse mesmo ano letivo, formalmente do primeiro para o terceiro ano\u201d, conta. <strong>O Pedro \u00e9, segundo os pais, \u201cuma crian\u00e7a que tem um ritmo de aprendizagem muito acima da m\u00e9dia<\/strong>. Pensa muito depressa e, como conclui as tarefas muito depressa, acaba por ficar com tempo livre e aborrecer-se\u201d. \u201cIsso, por vezes, origina que ele perturbe a aula. E esse comportamento por vezes \u00e9 interpretado como falta de educa\u00e7\u00e3o quando, na realidade, \u00e9 algo que tem a ver com as pr\u00f3prias caracter\u00edsticas da crian\u00e7a\u201d, sublinham. <strong>Na perce\u00e7\u00e3o dos pais, \u201co ensino parece estar orientado para a m\u00e9dia, para o aluno mediano e as ferramentas que os educadores e os professores necessitam para lidar com estes alunos diferentes s\u00e3o escassas\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p>Foi atrav\u00e9s de uma associa\u00e7\u00e3o que a fam\u00edlia encontrou o apoio que precisava e onde o pequeno Pedro teve contacto com crian\u00e7as parecidas com ele, \u201conde se reconhece como um igual aos outros\u201d. Para os pais esta foi a \u00fanica forma de encontrar alguma ajuda especializada, \u201cno sentido de conseguir ajustar diversos aspetos pr\u00e1ticos relacionados com o percurso escolar do Pedro\u201d, mas, tamb\u00e9m, partilhar experi\u00eancias com outros pais. <strong>Esta fam\u00edlia da zona Norte defende a exist\u00eancia de apoios espec\u00edficos para sobredotados<\/strong>. \u201cCremos que \u00e9 um desperd\u00edcio para a comunidade n\u00e3o existirem, pelo menos que n\u00f3s conhe\u00e7amos, pol\u00edticas estruturadas que promovam o aproveitamento das potencialidades das altas habilidades dessas crian\u00e7as\u201d, concluem. Helena Serra defende a cria\u00e7\u00e3o de uma Equipa de Interven\u00e7\u00e3o em Sobredota\u00e7\u00e3o em todos os agrupamentos escolares, composta por professores, t\u00e9cnicos especializados e psic\u00f3logos. <\/p>\n<p>Cultura pedag\u00f3gica mais eficaz para responder a d\u00e9fices do que a potenciar talentos<\/p>\n<p>Filinto Lima, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas P\u00fablicas (ANDAEP), confessa que as escolas est\u00e3o hoje mais preparadas para lidar com alunos com dificuldades na aprendizagem, do que com alunos sobredotados, \u201capesar dos avan\u00e7os que o DL 54\/2018 trouxe na inclus\u00e3o\u201d. <strong>\u201cAinda predomina uma cultura pedag\u00f3gica mais eficaz para responder a d\u00e9fices do que a potenciar talentos. Apesar disso, as escolas e os professores est\u00e3o cada vez mais preparados para atender a esta realidade, atrav\u00e9s de projetos que desenvolvem, direcionados para alunos com capacidades excecionais de aprendizagem\u201d<\/strong>, explica.<\/p>\n<p>Na sua opini\u00e3o, uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica faria sentido, \u201cpara garantir respostas diferenciadas\u201d. \u201cAcelera\u00e7\u00e3o, enriquecimento, mentoria s\u00e3o algumas das exig\u00eancias estrat\u00e9gicas exigidas pela sobredota\u00e7\u00e3o, negligenciadas pela atual legisla\u00e7\u00e3o. Sem enquadramento claro, tudo depende da boa vontade das escolas, que \u00e9 imensa, e tentam trabalhar o melhor poss\u00edvel com alunos que demonstrem capacidades excecionais de aprendizagem\u201d, explica.<\/p>\n<p>O representante dos diretores escolares admite falhas na execu\u00e7\u00e3o, \u201cdevido \u00e0 escassez de orienta\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, recursos e aus\u00eancia de monitoriza\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cA tutela define princ\u00edpios, sem cuidar de assegurar meios nem acompanhamento. Algumas associa\u00e7\u00f5es tentam preencher esse vazio no terreno. A forma\u00e7\u00e3o de professores \u00e9 decisiva, mas dever\u00e1 ser cont\u00ednua, pr\u00e1tica e integrada tamb\u00e9m na forma\u00e7\u00e3o inicial de professores, \u00e1rea que carece de enorme melhoria\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A lei aplicada \u00e0s crian\u00e7as sobredotadas \u00e9 a mesma prevista para os alunos com problemas de aprendizagem. \u201cN\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":373766,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-373765","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-news","18":"tag-noticias","19":"tag-noticias-principais","20":"tag-noticiasprincipais","21":"tag-portugal","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-pt","25":"tag-top-stories","26":"tag-topstories","27":"tag-ultimas","28":"tag-ultimas-noticias","29":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116539589054064888","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/373765","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=373765"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/373765\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/373766"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=373765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=373765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=373765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}