{"id":373896,"date":"2026-05-08T16:56:09","date_gmt":"2026-05-08T16:56:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/373896\/"},"modified":"2026-05-08T16:56:09","modified_gmt":"2026-05-08T16:56:09","slug":"manaus-registra-surto-recorde-de-oropouche-e-virus-se-espalha-pelo-brasil-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/373896\/","title":{"rendered":"Manaus registra surto recorde de oropouche e v\u00edrus se espalha pelo Brasil, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p><strong>LUIS EDUARDO DE SOUSA<br \/>FOLHAPRESS<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s quatro d\u00e9cadas de circula\u00e7\u00e3o contida, o v\u00edrus oropouche voltou a circular com for\u00e7a nas Am\u00e9ricas, tendo Manaus como um epicentro de transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 de um estudo de pesquisadores da USP, Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e da Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos, em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, publicado em mar\u00e7o na revista Nature Medicine, no bi\u00eanio 2023-2024, a popula\u00e7\u00e3o manauara com anticorpos para o v\u00edrus saltou de 11,4%, em novembro do primeiro ano, para 25,7% no mesmo m\u00eas do ano seguinte.<\/p>\n<p>Isso significa que, em apenas um ano, cerca de 14% da popula\u00e7\u00e3o da capital amazonense foi infectada, percentual recorde da s\u00e9rie hist\u00f3rica iniciada em 1960.<\/p>\n<p>O surto superou em magnitude o \u00faltimo grande evento similar, registrado na d\u00e9cada de 1980. \u00c0 \u00e9poca, a soropreval\u00eancia, isto \u00e9, a presen\u00e7a de anticorpos para o v\u00edrus em humanos, que era de 1,8% na popula\u00e7\u00e3o, foi para 14,9% em 1981.<\/p>\n<p>Manaus referenciou a pesquisa por ser uma incubadora do oropouche. O v\u00edrus \u00e9 transmitido pelo mosquito Culicoides paraensis, popularmente conhecido como mosquito-p\u00f3lvora, que depende de \u00e1reas com solo \u00famido para viver e se reproduzir.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador Jos\u00e9 Luiz Modena, professor de virologia do Instituto de Biologia da Unicamp, o surto configura um problema de sa\u00fade p\u00fablica \u00e0 medida que, com o v\u00edrus espalhado e sem monitoramento, aumenta a possibilidade de muta\u00e7\u00f5es que facilitam sua chegada aos centros urbanos. Seria como \u201cgestar uma nova dengue\u201d, segundo o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cEssa mosquinha que transmite oropouche tem circula\u00e7\u00e3o pequena. Por\u00e9m, quando uma pessoa de fora da regi\u00e3o amaz\u00f4nica vai a Manaus, \u00e9 picada e contrai a doen\u00e7a, ela leva consigo o pat\u00f3geno, que depois pode ser transmitido ao mesmo vetor (o mosquito-p\u00f3lvora) em outro local, dando in\u00edcio a uma transmiss\u00e3o pr\u00f3pria\u201d, explica Modena.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Manaus, o mosquito-p\u00f3lvora habita outras regi\u00f5es \u00famidas do Brasil. Se uma pessoa de Porto Alegre, por exemplo, viajar \u00e0 capital do Amazonas e contrair a doen\u00e7a, ela pode ser picada na sua regi\u00e3o de origem e transmitir o v\u00edrus ao mosquito, que vai, por sua vez, ampliar a transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso j\u00e1 acontece, segundo o estudo. H\u00e1 testes positivos para o v\u00edrus em todos os estados do Brasil e em outros pa\u00edses do continente, como Peru, Col\u00f4mbia, Equador, Cuba e Rep\u00fablica Dominicana.<\/p>\n<p>Trata-se da expans\u00e3o de um v\u00edrus que, at\u00e9 ent\u00e3o, era tido como circunscrito \u00e0 regi\u00e3o amaz\u00f4nica. H\u00e1 riscos associados a isso.<\/p>\n<p>Com maior circula\u00e7\u00e3o, o v\u00edrus muda e ganha resist\u00eancia \u00e0 imunidade, mesmo em pessoas que j\u00e1 tiveram a doen\u00e7a e, portanto, t\u00eam alguma resposta imunol\u00f3gica.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m o risco de adapta\u00e7\u00e3o a outros vetores, o que aceleraria mais a transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO grande receio \u00e9 esse v\u00edrus ser transmitido por mosquitos do g\u00eanero Aedes, o mesmo da dengue e chikungunya. Esses outros, diferente do mosquito-p\u00f3lvora, s\u00e3o urbanos, vivem em \u00e1reas de grande contato com humanos. Surgiria uma nova arbovirose\u201d, diz Modena.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 ind\u00edcios de transmiss\u00e3o do oropouche pelos Aedes na natureza, apenas em laborat\u00f3rio. \u201cMas v\u00edrus mudam muito r\u00e1pido\u201d, acrescenta o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>COMO O V\u00cdRUS FUGIU<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Modena, os in\u00edcios de epidemias ocorrem muitas vezes em comunidades no meio da Amaz\u00f4nia, onde h\u00e1 uma dificuldade cr\u00f4nica de acesso \u00e0 sa\u00fade e, portanto, de vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u201cEm alguns lugares, o deslocamento para um posto de sa\u00fade passa de 24 horas, e as pessoas s\u00f3 procuram se estiverem de fato muito doentes. Para arbov\u00edrus, \u00e9 fundamental o diagn\u00f3stico entre o primeiro e quinto dia de sintoma\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>A baixa testagem tamb\u00e9m \u00e9 um problema. Como a dengue \u00e9 a arbovirose predominante na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, pessoas com sintomas de oropouche s\u00e3o comumente diagnosticadas com dengue. \u201cA testagem s\u00f3 ocorre quando grande parte das pessoas com sintomas testam negativo para dengue, e a\u00ed passa-se a testar o oropouche\u201d, diz Modena.<\/p>\n<p>Diante do aumento de casos, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade emitiu nota t\u00e9cnica, em 2024, orientando testagem em todas as pessoas que tiveram negativo para dengue, zika e chikungunya.<\/p>\n<p>O Painel Epidemiol\u00f3gico da pasta notifica cinco mortes pela doen\u00e7a desde 2023, e cerca de 11 mil casos.<\/p>\n<p>Divididos entre os anos, por\u00e9m, os dados do painel refor\u00e7am a tese de epidemia silenciosa j\u00e1 que, considerando-se apenas a popula\u00e7\u00e3o de Manaus, de cerca de 2,3 milh\u00f5es, o n\u00famero de soropositivos ultrapassa 500 mil.<\/p>\n<p><strong>MEIO AMBIENTE<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o estudo, o fen\u00f4meno do aquecimento global favorece a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. Modena explica que correntes de ar quente formadas na Amaz\u00f4nia podem transportar o mosquito para dist\u00e2ncias muito superiores \u00e0 sua natural, viajando a 300 quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>Outro fator \u00e9 a atividade humana na floresta. A abertura de ramais em estradas da regi\u00e3o cresceu nos \u00faltimos anos. Esses caminhos aumentam contato da floresta com pessoas; simultaneamente, permitem circula\u00e7\u00e3o maior de pessoas de outras \u00e1reas.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 tratamento nem vacinas contra a febre oropouche, considerada uma doen\u00e7a negligenciada.<br \/>Os sintomas s\u00e3o parecidos com os da dengue e de outras arboviroses e incluem:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Febre alta<\/li>\n<li>Dor de cabe\u00e7a<\/li>\n<li>Dor muscular<\/li>\n<li>Dor articular<\/li>\n<li>Tontura<\/li>\n<li>Calafrios<\/li>\n<li>N\u00e1useas<\/li>\n<li>V\u00f4mitos<\/li>\n<li>Dor nos olhos\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, manifesta\u00e7\u00f5es hemorr\u00e1gicas e acometimento do sistema nervoso podem ocorrer.<\/p>\n<p>H\u00e1 poucos ind\u00edcios de que repelentes sejam eficazes para o mosquito-vetor da doen\u00e7a, mas o uso \u00e9 recomendado pela pasta. Outras medidas de conten\u00e7\u00e3o s\u00e3o paliativas, e incluem o uso de roupas longas, aplica\u00e7\u00e3o de telas em janelas e portas e limpeza de ambientes em regi\u00f5es com casos notificados, evitando sobretudo acumulo de material org\u00e2nico no solo.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"LUIS EDUARDO DE SOUSAFOLHAPRESS Ap\u00f3s quatro d\u00e9cadas de circula\u00e7\u00e3o contida, o v\u00edrus oropouche voltou a circular com for\u00e7a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":373897,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[726,116,4554,41017,32,33,117,63005],"class_list":["post-373896","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-brasil","tag-health","tag-manaus","tag-oropouche","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-surto-de-doenca"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/373896","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=373896"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/373896\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/373897"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=373896"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=373896"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=373896"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}