{"id":374234,"date":"2026-05-08T21:59:11","date_gmt":"2026-05-08T21:59:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/374234\/"},"modified":"2026-05-08T21:59:11","modified_gmt":"2026-05-08T21:59:11","slug":"a-majestade-que-transformou-papel-de-bala-em-arte-08-05-2026-cotidiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/374234\/","title":{"rendered":"A majestade que transformou papel de bala em arte &#8211; 08\/05\/2026 &#8211; Cotidiano"},"content":{"rendered":"<p>Quando menina, Efig\u00eania Ramos Rolim gostava de desenhar, fazer dobraduras e transformar retalhos em bonecas. Aos familiares, tudo isso parecia uma bobagem em meio \u00e0s dificuldades de uma fam\u00edlia na ro\u00e7a, em Abre Campo, interior de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/minas-gerais-estado\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Minas Gerais<\/a>. E assim foi por d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>A criatividade em parte desaparecida despertou apenas muito tempo depois, aos 60 anos, quando residia em <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/curitiba\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Curitiba<\/a>. Ela andava pela rua XV de Novembro, uma das mais tradicionais do centro hist\u00f3rico, quando avistou um objeto verde no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Inicialmente, Efig\u00eania pensou ter encontrado uma pedra preciosa. Logo percebeu tratar-se de um papel de bala. Mesmo assim, o encantamento n\u00e3o passou: ela dobrou a embalagem, transformando-a em um bonequinho. Encontrou, ent\u00e3o, a mat\u00e9ria-prima de sua <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/arte\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">arte<\/a>.<\/p>\n<p>Aos poucos, ela se tornou a Rainha do Papel de Bala, a multiartista que transformou o que era descartado em obras exibidas em algumas das principais institui\u00e7\u00f5es art\u00edsticas do Brasil, como o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, o Santander Cultural (atual Farol Santander), em <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/porto-alegre\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Porto Alegre<\/a>, e o Parque Lage, no <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/rio-de-janeiro\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Rio de Janeiro<\/a>.<\/p>\n<p>Com embalagens coloridas (que chamava de &#8220;m\u00edseros ca\u00eddos&#8221;) e outros materiais, Efig\u00eania criou objetos sonoros, roupas e esculturas de diferentes dimens\u00f5es. Tamb\u00e9m desenhava, escrevia e compunha can\u00e7\u00f5es, com uma habilidade autodidata, de quem foi alfabetizada apenas aos 58 anos.<\/p>\n<p>Baixa e franzina nos atributos f\u00edsicos, ela chamava a aten\u00e7\u00e3o pela alegria e pelas roupas fruto de sua arte, como uma saia de sombrinha. Sua barraca na tradicional Feira do Largo da Ordem, no centro velho curitibano, foi uma atra\u00e7\u00e3o \u00e0 parte por quase 20 anos: por suas esculturas e, tamb\u00e9m, hist\u00f3rias e versinhos.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas e muitas vezes, reunia, na frente da barraca, um monte de gente para escutar a Efig\u00eania falar&#8221;, contou \u00e0 <strong>Folha<\/strong> Dinah Ribas Pinheiro, amiga e bi\u00f3grafa da artista. Em um de seus versos mais conhecidos, dizia: &#8220;Fiz minha roupa com tanto capricho\/ Me chamam de louca\/ Porque visto lixo&#8221;.<\/p>\n<p>A artista foi tamb\u00e9m celebrada em livros, pe\u00e7as teatrais e curtas-metragens. E virou at\u00e9 mesmo quest\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/enem\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Enem<\/a>, em 2021. Recebeu a medalha da Ordem do M\u00e9rito Cultural em 2008, concedida pelo <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/mec\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Minist\u00e9rio da Cultura<\/a> em cerim\u00f4nia no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em cujo palco deu uma grande cambalhota.<\/p>\n<p>Mesmo com o sotaque mineiro mantido por tantas d\u00e9cadas, Efig\u00eania era celebrada especialmente no Paran\u00e1. Chegou a receber o t\u00edtulo de cidad\u00e3 honor\u00e1ria de Curitiba em 2015. &#8220;Ela conhecia todo mundo, do prefeito at\u00e9 o professor. Conhecia toda a cidade, se dava com todas as pessoas&#8221;, relata a amiga.<\/p>\n<p>Poeta, estilista, escultora, contadora de hist\u00f3rias e desenhista, Efig\u00eania Ramos Rolim morreu em 28 de mar\u00e7o, ap\u00f3s o agravamento de um <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/01\/entenda-o-que-e-enfisema-pulmonar-doenca-diagnosticada-em-david-lynch.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">enfisema pulmonar<\/a>. Aos 94 anos, deixou 9 filhos, 16 netos e 10 bisnetos.<\/p>\n<p>Diversos nomes e organiza\u00e7\u00f5es das artes emitiram notas de pesar, como o Museu Oscar Niemeyer, a Bienal de Curitiba e a artista Let\u00edcia Sabatella. &#8220;Deixou para n\u00f3s a inspira\u00e7\u00e3o para seguirmos adiante, com coragem, poesia e muito amor pela vida&#8221;, escreveu a atriz.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2026\/05\/mailto:coluna.obituario@grupofolha.com.br\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">coluna.obituario@grupofolha.com.br<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/mortes\/mortes.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Veja os an\u00fancios de mortes<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/mortes\/missas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Veja os an\u00fancios de missa<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quando menina, Efig\u00eania Ramos Rolim gostava de desenhar, fazer dobraduras e transformar retalhos em bonecas. 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