{"id":37463,"date":"2025-08-20T14:58:14","date_gmt":"2025-08-20T14:58:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/37463\/"},"modified":"2025-08-20T14:58:14","modified_gmt":"2025-08-20T14:58:14","slug":"entre-o-negro-das-cinzas-e-as-cores-de-uma-borboleta-o-pouco-que-resta-do-vazio-da-bio-reserva-do-vale-da-aveleira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/37463\/","title":{"rendered":"Entre o negro das cinzas e as cores de uma borboleta: o pouco que resta do \u201cvazio\u201d da Bio-Reserva do Vale da Aveleira"},"content":{"rendered":"<p class=\"category\"><a href=\"https:\/\/sicnoticias.pt\/especiais\/incendios-em-portugal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Inc\u00eandios em Portugal<\/a><\/p>\n<p class=\"status custom exclusivo-online\">Exclusivo online<\/p>\n<p>Entre o negro das cinzas e o sil\u00eancio que tomou conta da Bio-Reserva Integral do Vale da Aveleira, na Serra da Lous\u00e3, sobressai-se uma borboleta. O fogo preservou-lhe as asas, mas n\u00e3o a vida. \u00c9 dos poucos vest\u00edgios onde ainda h\u00e1 cor numa paisagem reduzida \u00e0 \u201ctristeza\u201d e \u00e0 \u201cfragilidade\u201d, descreve \u00e0 SIC Not\u00edcias o bi\u00f3logo Manuel Malva. O que foi outrora um ref\u00fagio de vida, transformou-se num &#8220;vazio&#8221;, numa \u201cmortandade gigantesca\u201d agora eternizada numa fotografia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755701893_175_original.webp\" alt=\"Entre o negro das cinzas e as cores de uma borboleta: o pouco que resta do \u201cvazio\u201d da Bio-Reserva do Vale da Aveleira\"\/><\/p>\n<p>Reprodu\u00e7\u00e3o\/\/ Manuel Malva<\/p>\n<p><strong>Um inc\u00eandio devastador consumiu, na passada sexta-feira, grande parte da <\/strong><strong>Bio-Reserva Integral do Vale da Aveleira<\/strong><strong>, situada na encosta norte da Serra da Lous\u00e3, no distrito de Coimbra. <\/strong><strong>Manuel Malva, bi\u00f3logo e vice-presidente da <\/strong><a href=\"https:\/\/www.milvoz.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\"><strong>Milvoz<\/strong><\/a><strong> &#8211; <\/strong><strong>Associa\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o e Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza &#8211;<\/strong><strong>, revela e<\/strong><strong>m entrevista \u00e0 SIC Not\u00edcias, <\/strong><strong>que arderam entre <\/strong><strong>55 a 60 hectares<\/strong><strong> de um total de 70 hectares que comp\u00f5em a \u00e1rea total da reserva.<\/strong><\/p>\n<p>Reconhecida pela \u201celevada import\u00e2ncia de conserva\u00e7\u00e3o\u201d e integrada na rede Natura 2000, a Bio-Reserva Integral do Vale da Aveleira \u201ctem, ou tinha\u201d (como Manuel Malva ainda hesita em afirmar), uma <strong>vegeta\u00e7\u00e3o representativa de s\u00e9culos, tornando-se um <\/strong><strong>bosque raro,<\/strong><strong> <\/strong>uma vez que s\u00e3o cada vez menos aqueles que conseguem resistir.<\/p>\n<p>O fogo come\u00e7ou no dia 14 de agosto no Candal, uma aldeia de xisto no cora\u00e7\u00e3o da Serra da Lous\u00e3, e \u201cem poucas horas, assumiu uma dimens\u00e3o e viol\u00eancia avassaladoras\u201d. Ao final da manh\u00e3 do dia seguinte, a Bio-Reserva j\u00e1 se encontrava cercada pelas chamas, \u201cnum cen\u00e1rio marcado por temperaturas muito elevadas e fen\u00f3menos extremos de vento\u201d, descreve o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo?fbid=1068110928820705&amp;set=a.556601913304945\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">comunicado da Milvoz<\/a>.<\/p>\n<p>Ainda numa primeira avalia\u00e7\u00e3o, foi poss\u00edvel perceber que se preservaram algumas das zonas mais nucleares do bosque, mas \u201cuma percentagem muito grande, na sua totalidade, foi completamente perdida ou est\u00e1 severamente afetada\u201d, lamenta o bi\u00f3logo.<\/p>\n<p> Previous<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/2025-08-20-bio-reserva-integral-do-vale-da-aveleira-30c222bb.webp\" alt=\"Bio-Reserva Integral do Vale da Aveleira ap\u00f3s o inc\u00eandio \"\/><\/p>\n<p>Bio-Reserva Integral do Vale da Aveleira ap\u00f3s o inc\u00eandio <\/p>\n<p>Manuel Malva<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/2025-08-20-bio-reserva-integral-do-vale-da-aveleira-30c222bb.webp\" alt=\"Bio-Reserva Integral do Vale da Aveleira ap\u00f3s o inc\u00eandio \"\/><\/p>\n<p>Bio-Reserva Integral do Vale da Aveleira ap\u00f3s o inc\u00eandio <\/p>\n<p>Manuel Malva<\/p>\n<p> Next<\/p>\n<p>Num cen\u00e1rio de <strong>\u201cverdadeira calamidade ecol\u00f3gica\u201d<\/strong>, como descreve a associa\u00e7\u00e3o, \u201cgrande parte dos habitats maduros sucumbiu ao fogo&#8221;, incluindo os in\u00fameros castanheiros centen\u00e1rios, o medronhal clim\u00e1cico, os azinhais, os adernais e parte dos bosques de azereiro.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAs dezenas de castanheiros centen\u00e1rios que t\u00ednhamos eram absolutamente monumentais. Eram uma das joias da Bio-Reserva. \u00cdamos iniciar um projeto para datar algumas dessas \u00e1rvores, que poderiam ter 400 ou at\u00e9 500 anos, mas apesar de ainda n\u00e3o termos conseguimos contabilizar, perdemos a maioria\u201d, antecipa o vise-presidente da Milvoz.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00a0<strong>\u201cFoi uma mortandade gigantesca\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O fogo avan\u00e7ou a uma \u201cvelocidade assustadora\u201d e <strong>\u201cgrande parte dos animais n\u00e3o conseguiu escapar\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p>Ainda sem conseguir avan\u00e7ar n\u00fameros, o bi\u00f3logo explica que, durante as visitas ao terreno, viu muitos animais \u201ccansados, queimados ou feridos\u201d, que ter\u00e3o agora de \u201cdispersar para \u00e1reas da serra que n\u00e3o arderam, embora muitos provavelmente n\u00e3o o conseguir\u00e3o fazer\u201d.<\/p>\n<p>Logo no primeiro dia em que foi \u00e0 Bio-Reserva verificar os estragos do inc\u00eandio, Manuel Malva captou em fotografia uma das &#8220;tristezas&#8221; que lhe passou pelas m\u00e3os: <strong>uma borboleta morta, perdida no meio do cinzento que ainda h\u00e1 poucos dias tinha sido verde.<\/strong><\/p>\n<p>Reprodu\u00e7\u00e3o\/\/ Manuel Malva<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 uma tristeza muito profunda caminhar numa paisagem em que tudo foi reduzido a cinzas e, de repente, encontrar uma borboleta t\u00e3o singela, t\u00e3o fr\u00e1gil, que de alguma maneira \u00e9 um dos poucos elementos que resistiu ao local, al\u00e9m do negro e das cinzas\u201d, descreve.<\/p><\/blockquote>\n<p>O vice-presidente da Milvoz acredita que a borboleta noturna quadripunctaria tenha morrido devido \u00e0 onda de calor enquanto voava, caindo depois no solo j\u00e1 ardido.<\/p>\n<p><strong>\u201c\u00c9 uma trag\u00e9dia que j\u00e1 estava anunciada, mas os culpados ir\u00e3o ser chamados \u00e0 sua responsabilidade\u201d<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>&#8220;A invas\u00e3o biol\u00f3gica por ac\u00e1cias foi ignorada durante anos, e ningu\u00e9m demonstrou interesse em controlar a situa\u00e7\u00e3o quando ainda havia tempo\u201d, aponta.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cO Estado Portugu\u00eas acumula mais de 10 anos de incumprimento. Ao longo desse tempo deveriam ter sido implementadas medidas de gest\u00e3o ativa para a preserva\u00e7\u00e3o desta Zona Especial de Conserva\u00e7\u00e3o e para evitar trag\u00e9dias como as que acabam de acontecer\u201d, salienta o comunicado da Milvoz.<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo considera tratar-se de uma <strong>&#8220;trag\u00e9dia que j\u00e1 estava anunciada\u201d<\/strong>, sobretudo pelo \u201cenorme desleixo\u201d por parte das entidades estatais face \u00e0 \u201cgest\u00e3o da paisagem da serra, que nunca foi feita devidamente\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Temos extens\u00edssimas \u00e1reas da serra que est\u00e3o cobertas por eucaliptos, por ac\u00e1cias, por pinhal n\u00e3o gerido e esse tipo de floresta \u00e9 um aut\u00eantico barril de p\u00f3lvora\u201d, acrescenta em entrevista, salientando que &#8220;esta situa\u00e7\u00e3o da Lous\u00e3 \u00e9 representativa de um cen\u00e1rio que se multiplica por toda a paisagem do Norte e Centro de Portugal&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o, conclui o o vice-presidente da Milvoz, passa por atuar na base do problema:<strong> \u201ctornar a paisagem muito mais resistente e resiliente a estas cat\u00e1strofes&#8221;<\/strong>. <\/p>\n<p>Para j\u00e1, fica a sensa\u00e7\u00e3o de \u201cdesilus\u00e3o\u201d e \u201cvazio\u201d naqueles que conheciam bem a Bio-Reserva Integral do Vale da Aveleira e a viram, em quest\u00e3o de horas, passar de um local &#8220;t\u00e3o pujante de vida\u2019 para um &#8220;cen\u00e1rio lunar, completamente negro\u201d, retrata Manuel Malva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Inc\u00eandios em Portugal Exclusivo online Entre o negro das cinzas e o sil\u00eancio que tomou conta da Bio-Reserva&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37464,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-37463","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-news","18":"tag-noticias","19":"tag-noticias-principais","20":"tag-noticiasprincipais","21":"tag-portugal","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-pt","25":"tag-top-stories","26":"tag-topstories","27":"tag-ultimas","28":"tag-ultimas-noticias","29":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37463","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37463"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37463\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37464"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37463"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37463"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37463"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}