{"id":374757,"date":"2026-05-09T10:21:16","date_gmt":"2026-05-09T10:21:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/374757\/"},"modified":"2026-05-09T10:21:16","modified_gmt":"2026-05-09T10:21:16","slug":"doenca-hepatica-alcoolica-cresce-no-brasil-entenda-09-05-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/374757\/","title":{"rendered":"Doen\u00e7a hep\u00e1tica alco\u00f3lica cresce no Brasil; entenda &#8211; 09\/05\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>A doen\u00e7a hep\u00e1tica associada ao<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/02\/maleficios-do-alcool-nao-sao-novidade-mas-ganham-folego-com-novas-recomendacoes.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> consumo de \u00e1lcool<\/a> tem avan\u00e7ado no Brasil e provocado aumento cont\u00ednuo de interna\u00e7\u00f5es e<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2021\/08\/mortes-por-transtornos-ligados-ao-alcool-crescem-156-em-sp-diz-relatorio.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> mortes <\/a>nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, com crescimento mais acelerado nas regi\u00f5es Norte, Nordeste e Centro-Oeste.<\/p>\n<p>\u00c9 o que aponta um estudo da UFTM (Universidade Federal do Tri\u00e2ngulo Mineiro), baseada em dados do SUS entre 2000 e 2022, que identificou 344 mil interna\u00e7\u00f5es e 214 mil mortes por DHA (doen\u00e7a hep\u00e1tica alco\u00f3lica) no pa\u00eds, condi\u00e7\u00e3o que inclui <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2023\/10\/quais-sao-os-sintomas-da-esteatose-hepatica-saiba-como-prevenir.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">esteatose (gordura no f\u00edgado)<\/a>, hepatite alco\u00f3lica e cirrose.<\/p>\n<p>Os dados mostram tend\u00eancia de alta em todas as regi\u00f5es brasileiras. O Norte apresentou o maior crescimento anual de interna\u00e7\u00f5es (2,57%) e de mortalidade (4,95%), enquanto o Nordeste teve o segundo maior avan\u00e7o nos \u00f3bitos.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Sul, embora com crescimento mais discreto, concentra taxas de interna\u00e7\u00e3o e mortalidade acima da m\u00e9dia nacional: 10,5 e 5,6 por cem mil habitantes, respectivamente, ante m\u00e9dias nacionais de 7,8 e 4,9.<\/p>\n<p>Segundo a hepatologista Geisa Gomide, professora e coordenadora do departamento de cl\u00ednica m\u00e9dica da UFTM, o aumento anual da doen\u00e7a \u00e9 maior do que a m\u00e9dia mundial, o que chama a aten\u00e7\u00e3o e levanta indaga\u00e7\u00f5es. &#8220;\u00c9 aumento real, melhora no diagn\u00f3stico ou sistemas de informa\u00e7\u00e3o mais bem alimentados?&#8221;<\/p>\n<p>Para o hepatologista Roberto Jos\u00e9 de Carvalho Filho, professor-adjunto da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, o cen\u00e1rio reflete um problema antigo e subestimado. &#8220;O Brasil n\u00e3o bebe necessariamente mais do que a m\u00e9dia mundial, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/09\/ferramenta-que-monitora-consumo-de-alcool-em-sp-mostra-que-25-tem-risco-alto-ou-muito-alto-de-dependencia.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">mas quem bebe, bebe muito<\/a>. O consumo epis\u00f3dico excessivo \u00e9 muito frequente.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo ele, cerca de 15% da popula\u00e7\u00e3o brasileira apresenta padr\u00e3o de consumo abusivo. &#8220;N\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o rara. E existe um lobby muito forte da ind\u00fastria de bebidas para manter essa aceita\u00e7\u00e3o social do \u00e1lcool&#8221;, diz.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, em 2021, as doen\u00e7as do f\u00edgado foram a principal causa de \u00f3bitos relacionados ao \u00e1lcool no Brasil. Para Gomide, as diferen\u00e7as regionais refletem tanto padr\u00f5es culturais quanto desigualdades no acesso \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>&#8220;No Sul, o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/01\/oms-cobra-alta-de-impostos-para-conter-avanco-do-consumo-de-alcool-e-bebidas-acucaradas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">consumo de \u00e1lcool <\/a>historicamente j\u00e1 \u00e9 maior, com influ\u00eancia cultural, inclusive desde a inf\u00e2ncia em algumas comunidades. J\u00e1 no Norte e Nordeste, pode haver melhora recente na notifica\u00e7\u00e3o e no diagn\u00f3stico&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ela destaca ainda as dificuldades de acesso em \u00e1reas remotas: &#8220;H\u00e1 popula\u00e7\u00f5es em que o deslocamento at\u00e9 um servi\u00e7o de sa\u00fade pode levar dias. Muitos \u00f3bitos podem nem ser corretamente registrados.&#8221;<\/p>\n<p>No estudo, homens responderam por 82% das interna\u00e7\u00f5es e 88% dos \u00f3bitos registrados no per\u00edodo analisado. Entre os internados, a maioria tem entre 40 e 59 anos (55,6%) e h\u00e1 a mesma propor\u00e7\u00e3o de brancos (35,8%) e pretos e pardos (35,8%).<\/p>\n<p>Entre os mortos, a faixa et\u00e1ria de 40 a 59 anos tamb\u00e9m predomina (56,3%), mas a fatia de pretos e pardos \u00e9 maior (49,8%). A maior parte tinha sete anos ou menos de escolaridade (58,1%).<\/p>\n<p>A faixa et\u00e1ria mais atingida, de meia-idade, indica o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2026\/01\/entenda-por-que-a-tolerancia-ao-alcool-diminui-com-a-idade-e-a-ressaca-piora.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">efeito acumulado do consumo cr\u00f4nico sobre o f\u00edgado<\/a>. &#8220;\u00c9 uma doen\u00e7a que depende do tempo de uso. S\u00e3o pessoas que muitas vezes chegam ao sistema de sa\u00fade j\u00e1 em est\u00e1gio avan\u00e7ado, quando h\u00e1 pouco a fazer al\u00e9m de tratar complica\u00e7\u00f5es&#8221;, diz Gomide.<\/p>\n<p>Embora outras pesquisas mostrem alta do consumo de \u00e1lcool entre adolescentes, com 5,7% deles fazendo uso abusivo, isso n\u00e3o se reflete nas doen\u00e7as hep\u00e1ticas. &#8220;Antes dos 40 \u00e9 muito dif\u00edcil, a hist\u00f3ria natural da doen\u00e7a precisa de tempo de evolu\u00e7\u00e3o&#8221;, explica a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Para a m\u00e9dica, \u00e9 poss\u00edvel que outros agravos associados ao alcoolismo, como acidentes de tr\u00e2nsito, ocorram em faixas et\u00e1rias mais jovens, mas eles n\u00e3o foram objeto do estudo.<\/p>\n<p>Ainda que as <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/12\/por-que-mulheres-ficam-embriagadas-mais-rapidamente-que-homens.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">mulheres sejam biologicamente mais vulner\u00e1veis aos danos hep\u00e1ticos causados pelo \u00e1lcool<\/a>, elas responderam por 21,5% do total de interna\u00e7\u00f5es e 11% das mortes.<\/p>\n<p>O trabalho tamb\u00e9m revela desigualdades regionais e sociais. No Norte, Nordeste e Centro-Oeste, pretos e pardos predominam entre os casos e mortes. No Sul e Sudeste, h\u00e1 maior propor\u00e7\u00e3o de pessoas brancas, o que acompanha o perfil demogr\u00e1fico dessas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Para Gomide, a combina\u00e7\u00e3o de fatores sociais agrava o cen\u00e1rio. Baixa escolaridade e dificuldade de acesso ao sistema de sa\u00fade pesam muito. &#8220;E h\u00e1 falhas importantes nos dados hospitalares, com muitos campos n\u00e3o preenchidos, o que dificulta entender melhor quem s\u00e3o esses pacientes.&#8221;<\/p>\n<p>Cerca de 90% dos usu\u00e1rios cr\u00f4nicos de \u00e1lcool desenvolvem algum grau de gordura no f\u00edgado, e entre 10% e 20% podem evoluir para quadros, como hepatite alco\u00f3lica e cirrose. Nos casos mais graves, a taxa de mortalidade chega a 50%.<\/p>\n<p>&#8220;O f\u00edgado \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o silencioso. Quando o paciente interna, geralmente j\u00e1 est\u00e1 muito grave&#8221;, afirma Gomide. &#8220;Esse diagn\u00f3stico precisa acontecer antes, na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria.&#8221;<\/p>\n<p>Carvalho Filho refor\u00e7a que o problema \u00e9 agravado pelo estigma. &#8220;Existe preconceito at\u00e9 dentro da classe m\u00e9dica. O paciente com depend\u00eancia alco\u00f3lica ainda \u00e9 visto como algu\u00e9m sem for\u00e7a de vontade, quando na verdade estamos falando de uma depend\u00eancia qu\u00edmica&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ele destaca ainda que a doen\u00e7a hep\u00e1tica alco\u00f3lica \u00e9 hoje a principal causa de cirrose no Brasil e no mundo ocidental, respondendo por cerca de 65% dos casos nos centros especializados. Apesar disso, recebe <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/11\/pesquisadores-descobrem-nova-molecula-capaz-de-tratar-vicio-em-alcool.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">menos aten\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e menos investimento<\/a>. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 o mesmo interesse da ind\u00fastria farmac\u00eautica, como houve com hepatite C ou h\u00e1 hoje com doen\u00e7as metab\u00f3licas.&#8221;<\/p>\n<p>No ambulat\u00f3rio de doen\u00e7a hep\u00e1tica alco\u00f3lica da Unifesp, a proposta \u00e9 abordar os pacientes nas formas mais precoces, at\u00e9 mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 sintomas, o que ocorre em um quarto dos casos.<\/p>\n<p>Segundo Carvalho Filho, os pacientes s\u00e3o tratados com psicoterapia e medicamentos para tentar resolver ou minimizar a depend\u00eancia qu\u00edmica e evitar a progress\u00e3o da doen\u00e7a hep\u00e1tica. Ao menos 500 pacientes s\u00e3o acompanhados no local, com uma taxa de ades\u00e3o de 70%.<\/p>\n<p>As abordagens contemplam tanto a redu\u00e7\u00e3o de danos quanto a abstin\u00eancia total. &#8220;A gente v\u00ea os benef\u00edcios das redu\u00e7\u00f5es de consumo nesses pacientes mais graves. Eu tenho paciente com cirrose que faz acompanhamento h\u00e1 quase 20 anos. S\u00f3 est\u00e1 vivo porque a gente conseguiu que ele reduzisse muito.&#8221;<\/p>\n<p>Luiz Cl\u00e1udio da Silva Cardoso, 57, desempregado, \u00e9 acompanhado no ambulat\u00f3rio h\u00e1 tr\u00eas anos. Ele faz tratamento de cirrose, que inclui medica\u00e7\u00f5es, psicoterapia, orienta\u00e7\u00f5es para uma dieta equilibrada com baixo teor de sal para controlar o ac\u00famulo de l\u00edquidos, entre outras.<\/p>\n<p>Cardoso diz que come\u00e7ou a beber muito cedo, aos 14 anos, e desde ent\u00e3o j\u00e1 sofreu muitas perdas devido ao alcoolismo. &#8220;A maior delas foi perder o amor dos meus filhos e da minha mulher.&#8221; Ele diz que ainda enfrenta reca\u00eddas, mas tem esperan\u00e7a de abandonar de vez a bebida. &#8220;Eu sei que s\u00f3 depende mim.&#8221;<\/p>\n<p>Os pesquisadores defendem que os resultados do estudo sirvam de base para pol\u00edticas p\u00fablicas focadas em <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/10\/reduzir-uma-dose-de-alcool-por-dia-evitaria-157-mil-casos-de-cancer-no-brasil-ate-2050.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">preven\u00e7\u00e3o do uso abusivo de \u00e1lcool<\/a>, amplia\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico precoce e organiza\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia para grupos mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A doen\u00e7a hep\u00e1tica associada ao consumo de \u00e1lcool tem avan\u00e7ado no Brasil e provocado aumento cont\u00ednuo de interna\u00e7\u00f5es&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":374758,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[9933,63064,236,116,32,4802,33,117,896],"class_list":{"0":"post-374757","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-alcoolismo","9":"tag-doenca-hepatica","10":"tag-folha","11":"tag-health","12":"tag-portugal","13":"tag-projeto-saude-publica","14":"tag-pt","15":"tag-saude","16":"tag-saude-publica"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116544122804253159","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/374757","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=374757"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/374757\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/374758"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=374757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=374757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=374757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}