{"id":374871,"date":"2026-05-09T12:21:13","date_gmt":"2026-05-09T12:21:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/374871\/"},"modified":"2026-05-09T12:21:13","modified_gmt":"2026-05-09T12:21:13","slug":"foi-para-a-policia-prendeu-o-assassino-do-pai-e-vai-dar-filme","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/374871\/","title":{"rendered":"Foi para a pol\u00edcia, prendeu o assassino do pai e vai dar filme"},"content":{"rendered":"<p>\u201c\u00c9 uma emo\u00e7\u00e3o enorme ver a minha hist\u00f3ria no cinema, d\u00e1 at\u00e9 um frio na barriga, parece que estou a viver um sonho de t\u00e3o surreal que \u00e9 isto tudo, e ainda conheci uma atriz t\u00e3o famosa\u201d, diz Gislayne ao DN.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 hist\u00f3rias que d\u00e3o filme, a de Gislayne Silva de Deus \u00e9 literalmente uma delas. <strong>A atriz Carol Castro, conhecida das telenovelas da Globo e de outras pel\u00edculas, vai interpretar a pol\u00edcia que prendeu o assassino do pai em <\/strong><strong>Voz de Pris\u00e3o<\/strong><strong>,<\/strong> filme produzido pela pr\u00f3pria Carol baseado no livro hom\u00f3nimo, escrito por Luciana Gnone, que assina tamb\u00e9m o argumento.<\/p>\n<p>Numa r\u00e1pida sinopse, <strong>Givaldo de Deus, o pai de Gislayne, foi morto num bar por uma d\u00edvida de 150 reais, cerca de 26 euros, por altura do carnaval de 1999, em Boa Vista, capital do estado de Roraima<\/strong>, no norte do Brasil. <\/p>\n<p><strong>Gislayne, ent\u00e3o com nove anos, cursou direito, tornou-se advogada, entrou na pol\u00edcia como escriv\u00e3 e acabou por participar decisivamente na opera\u00e7\u00e3o que levou \u00e0 deten\u00e7\u00e3o de Raimundo Gomes, o assassino do pai,<\/strong> entretanto foragido.<\/p>\n<p>\u201cComentei uma publica\u00e7\u00e3o dela e perguntei, com jeitinho, se ela gostaria de contar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria porque daria um baita roteiro de filme\u201d, contou Carol Castro nas redes sociais. E, dessa forma, a hist\u00f3ria chegou \u00e0s telas.<\/p>\n<p>Em 2024, o DN contou a hist\u00f3ria na primeira pessoa \u2013 isto \u00e9, de acordo com as mem\u00f3rias, primeiro, e a experi\u00eancia, depois, da pr\u00f3pria Gislayne. <\/p>\n<p>\u201cO meu pai era soldador mas n\u00f3s tamb\u00e9m t\u00ednhamos um mercadinho em casa, como era carnaval, ele montou uma barraquinha para vender \u00e1gua e cerveja aos foli\u00f5es na avenida\u201d, recordou Gislayne.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0s tantas, ele saiu da barraquinha e passou no bar da Vanusa, onde encontrou um amigo, o Bahia, com quem jogou \u2018sinuca\u2019 [snooker] e tomou uma cerveja, estava todo o mundo em clima de carnaval\u201d, continuava Gislayne, hoje com 37 anos, dois a mais do que o pai na hora da morte.<\/p>\n<p>Durante a \u2018sinuca\u2019, Raimundo, fornecedor de produtos para o mercado de Givaldo, apareceu no bar para lhe cobrar a d\u00edvida de 150 reais. Segundo Gislayne, o pai tentou chegar a um acordo: \u201cMeu pai disse &#8216;olha, eu n\u00e3o tenho o dinheiro agora, mas tenho um freezer [congelador], pode pegar para voc\u00ea ou, ent\u00e3o, espera uns dias at\u00e9 eu vend\u00ea-lo e te pago\u2019, Raimundo ent\u00e3o saiu, o meu pai achou que com essa garantia estava tudo certo, at\u00e9 porque ele era visita de nossa casa, e voltou a jogar sinuca com o Bahia\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, meia hora depois, <strong>Raimundo voltou ao bar com uma arma \u00e0 cintura<\/strong>, conforme depoimento de Vanusa, a dona do estabelecimento, no dia do crime. Vanusa ainda mandou Givaldo fugir mas ele n\u00e3o conseguiu, o que precipitou uma luta corporal entre ambos.<\/p>\n<p>\u201cO meu pai segurou o bra\u00e7o do Raimundo mas n\u00e3o a m\u00e3o e ele conseguiu virar a arma e atirar, acertando na regi\u00e3o do umbigo do meu pai&#8221;, contava a filha ao DN.<\/p>\n<p><strong>Ap\u00f3s o tiro, os clientes conseguiram desarmar Raimundo e obrigaram-no a levar Givaldo para o hospital. Mas a v\u00edtima n\u00e3o resistiu.<\/strong> <\/p>\n<p>De acordo com o depoimento dos agentes que atenderam o caso, Raimundo fugiu ent\u00e3o do hospital \u00e0 p\u00e9 mas foi preso a poucos metros do local, com a arma na m\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Esteve preso por 17 dias mas respondeu ao resto do processo em liberdade e s\u00f3 foi julgado 14 anos depois do ocorrido, em 2013.<\/strong> \u201cO promotor de justi\u00e7a ia at\u00e9 pedir a absolvi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o fosse a interven\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica da fam\u00edlia\u201d, diz Gislayne.<\/p>\n<p>Condenado a 12 anos de pris\u00e3o por homic\u00eddio, recorreu e ficou em liberdade at\u00e9 em 2016 ser expedido um mandado de pris\u00e3o. \u201cA partir dessa data desapareceu, <strong>ficou foragido e, como Roraima \u00e9 um lugar com muitas rotas de fuga por fazer fronteira com dois pa\u00edses, Guiana e Venezuela, as buscas foram dificultadas<\/strong>\u201d, explicava Gislayne.<\/p>\n<p>Paralelamente, Gislayne foi crescendo com uma convic\u00e7\u00e3o: \u201cn\u00e3o queria ser pol\u00edcia, advogada, ju\u00edza, nada que tivesse rela\u00e7\u00e3o com a seguran\u00e7a e a justi\u00e7a porque estava muito abalada com a forma como eles trataram o caso do meu pai ao longo dos anos\u2026 por\u00e9m, Deus tinha outros planos&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>\u201cDo nada, comecei a frequentar direito numa faculdade, em 2007, tornei-me advogada, em 2014, e membro das for\u00e7as policiais, a partir de 2022\u201d.<\/p>\n<p>Primeiro, atuou na Penitenci\u00e1ria Agr\u00edcola de Monte Cristo, onde, segundo ela, come\u00e7ou a imaginar o assassino do pai a entrar na cadeia. E, a partir de 19 de julho de 2024, a pedido da pr\u00f3pria, passou a integrar a Delegacia Geral de Homic\u00eddios, para, atrav\u00e9s da unidade, encontrar e, finalmente, prender o autor do crime.<\/p>\n<p>No departamento localizou o \u00faltimo mandado de pris\u00e3o contra Raimundo logo depois de um tio ter dito que se cruzara com o criminoso, n\u00e3o muito longe do bar da Vanuza, ao volante de um Fiat encarnado.<\/p>\n<p><strong>A 25 de setembro de 2024,<\/strong> sabendo que uma equipa da pol\u00edcia ia ao bairro, ela passou as informa\u00e7\u00f5es sobre o mandado de pris\u00e3o de Raimundo e sobre o carro \u2013 \u201ceu fiz o trabalho de intelig\u00eancia na base e eles fizeram o trabalho de campo, delimitando a \u00e1rea\u201d. <strong>Um drone localizou ent\u00e3o o Fiat por baixo de uma \u00e1rvore e o assassino de Givaldo foi, finalmente, preso, numa \u00e1rea de ch\u00e1caras, tamb\u00e9m relativamente perto do local do crime de h\u00e1 25 anos.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cFoi gra\u00e7as n\u00e3o s\u00f3 a mim mas a toda a fam\u00edlia pela determina\u00e7\u00e3o de n\u00e3o deixar ele ficar impune\u201d, diz Gislayne. \u201cIsto n\u00e3o vai trazer o nosso pai de volta, mas ele vai cumprir a pena que deveria ter cumprido h\u00e1 muitos anos: a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que a justi\u00e7a foi feita, com a pris\u00e3o dele lavei a minha alma e a da minha fam\u00edlia, hoje temos mais paz\u201d.<\/p>\n<p><strong>Na hora da deten\u00e7\u00e3o, Gislayne teve at\u00e9 um momento a s\u00f3s com Raimundo. \u201c&#8217;N\u00e3o era minha inten\u00e7\u00e3o\u2019, foi tudo o que ele me disse&#8230;<\/strong>\u201d. Uma cena que, com certeza, vai entrar no filme.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201c\u00c9 uma emo\u00e7\u00e3o enorme ver a minha hist\u00f3ria no cinema, d\u00e1 at\u00e9 um frio na barriga, parece que&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":374872,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-374871","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-mundo","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-top-stories","25":"tag-topstories","26":"tag-ultimas","27":"tag-ultimas-noticias","28":"tag-ultimasnoticias","29":"tag-world","30":"tag-world-news","31":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116544594697327447","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/374871","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=374871"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/374871\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/374872"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=374871"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=374871"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=374871"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}