{"id":37497,"date":"2025-08-20T15:26:29","date_gmt":"2025-08-20T15:26:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/37497\/"},"modified":"2025-08-20T15:26:29","modified_gmt":"2025-08-20T15:26:29","slug":"maternidades-abertas-com-partos-geridos-por-enfermeiros-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/37497\/","title":{"rendered":"&#8220;Maternidades abertas com partos geridos por enfermeiros&#8221; \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p><strong>Algumas unidades em particular?<br \/><\/strong>Temos a liderar esta car\u00eancia o hospital de Vila Franca de Xira, com uma car\u00eancia extrema de enfermeiros. N\u00e3o conseguem atrair enfermeiros para este hospital. Depois temos, por exemplo, o hospital de Faro, tamb\u00e9m muito parecido. E o hospital de Santar\u00e9m. Tamb\u00e9m devido ao facto da pr\u00f3pria habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 impens\u00e1vel que um enfermeiro que receba 1.200 ou 1.300 euros possa pagar rendas de 700, 800 ou 900 euros. N\u00e3o s\u00e3o locais atrativos para os enfermeiros ficarem a trabalhar. Mas h\u00e1 depois outras regi\u00f5es, por exemplo, no centro do pa\u00eds, como a Unidade Local de Sa\u00fade [ULS] de Leiria, tamb\u00e9m j\u00e1 com uma car\u00eancia cr\u00f3nica de enfermeiros. Temos recebido muitas <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/08\/07\/16-medicos-da-maternidade-bissaya-barreto-entregam-escusas-de-responsabilidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">escusas de responsabilidade da ULS de Coimbra<\/a>, das maternidades devido ao encerramento de outras maternidades perif\u00e9ricas. H\u00e1 aqui uma sobrecarga de trabalho com menos enfermeiros especialistas no exerc\u00edcio profissional. No norte do pa\u00eds, a unidade mais carenciada, at\u00e9 pela sua dimens\u00e3o e a popula\u00e7\u00e3o que serve, \u00e9 a ULS de T\u00e2mega e Sousa [com sede em Penafiel].<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"uTNULlkeHb\">\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/08\/07\/16-medicos-da-maternidade-bissaya-barreto-entregam-escusas-de-responsabilidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">16 m\u00e9dicos da maternidade Bissaya Barreto entregam escusas de responsabilidade<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>H\u00e1 outras unidades onde t\u00eam sido apresentadas estas escusas?<br \/><\/strong>Sim, em 2024 tivemos 1.627 escusas de responsabilidade e, contabilizadas at\u00e9 o momento, em 2025 temos 1.084 escusas. A maior parte delas tem a ver com a quest\u00e3o da falta de enfermeiros, mas n\u00e3o s\u00f3, tamb\u00e9m com as condi\u00e7\u00f5es de funcionamento dos servi\u00e7os, com a falta de material.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 algum r\u00e1cio adequado ou recomendado de doentes por enfermeiro?<br \/><\/strong>A Ordem dos Enfermeiros tem um regulamento pr\u00f3prio que define aquela que \u00e9 a dota\u00e7\u00e3o m\u00ednima para cada servi\u00e7o, dependendo da tipologia de servi\u00e7o. At\u00e9 ao momento, n\u00e3o conhe\u00e7o nenhum servi\u00e7o no pa\u00eds que tenha este r\u00e1cio adequado de enfermeiro\/doente, esta dota\u00e7\u00e3o m\u00ednima, de acordo com as recomenda\u00e7\u00f5es da Ordem.<\/p>\n<p><strong>Ou seja, h\u00e1 vagas por preencher em todos os servi\u00e7os?<br \/><\/strong>H\u00e1 vagas por preencher e h\u00e1 uma car\u00eancia muito grande de enfermeiros.<\/p>\n<p><strong> No ano passado, os sindicatos dos enfermeiros chegaram a <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2024\/09\/23\/governo-e-sindicatos-de-enfermeiros-chegam-a-acordo-sobre-valorizacao-da-carreira\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">acordo com o Governo para uma valoriza\u00e7\u00e3o salarial faseada at\u00e9 2027<\/a>. \u00c9 a primeira em muitos anos. Ainda assim, considera que os enfermeiros s\u00e3o valorizados no SNS?<br \/><\/strong>Os enfermeiros ainda n\u00e3o s\u00e3o valorizados no SNS como gostar\u00edamos, porque fazem um trabalho extraordin\u00e1rio. Se n\u00f3s um dia acord\u00e1ssemos e n\u00e3o tiv\u00e9ssemos enfermeiros, s\u00f3 assim \u00e9 que perceber\u00edamos a falta que eles fazem no SNS, no setor social e no setor privado. Ali\u00e1s, o setor social \u00e9 altamente fustigado pela falta de enfermeiros, pelas pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Os enfermeiros precisam de ser valorizados. Foi dado este passo que foi importante de valoriza\u00e7\u00e3o salarial mas n\u00e3o \u00e9, obviamente, o ideal.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"z8O47ZfYpV\">\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/2024\/09\/23\/governo-e-sindicatos-de-enfermeiros-chegam-a-acordo-sobre-valorizacao-da-carreira\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Governo e sindicatos de enfermeiros chegam a acordo sobre valoriza\u00e7\u00e3o da carreira<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>H\u00e1 outros passos que v\u00e3o ser dados com os sindicatos, como a regulamenta\u00e7\u00e3o de um Acordo Coletivo de Trabalho, \u00a0que os enfermeiros nunca tiveram, no sentido de se conseguir igualar as condi\u00e7\u00f5es do exerc\u00edcio profissional entre os contratos em fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e os contratos individuais de trabalho. S\u00e3o enfermeiros que trabalham lado a lado nos mesmos servi\u00e7os e que t\u00eam condi\u00e7\u00f5es diferentes, o que n\u00e3o faz sentido nenhum. E este acordo coletivo de trabalho, para al\u00e9m desta quest\u00e3o, h\u00e1 de regular outras, nomeadamente a pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o do trabalho e a quest\u00e3o da avalia\u00e7\u00e3o de desempenho.<\/p>\n<p><strong>Falava h\u00e1 pouco da quest\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o. H\u00e1 muitos enfermeiros que n\u00e3o querem ir trabalhar para Lisboa, por exemplo, porque o custo da habita\u00e7\u00e3o \u00e9 muito elevado. Deveria ser criado um subs\u00eddio, algum tipo de apoio nestes casos?<br \/><\/strong>Deveria ser criado um subs\u00eddio de apoio \u00e0 renda. Na regi\u00e3o de Lisboa e Vale do Tejo, nalgumas regi\u00f5es do Alentejo e no Algarve, abrem concursos e muitas vezes terminam sem preencherem as vagas, porque os enfermeiros n\u00e3o concorrem para esses locais. Portanto, devia haver aqui um apoio, claro, por parte do Estado para que se consiga fixar enfermeiros nestas regi\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 tamb\u00e9m muitos enfermeiros ainda com contratos a termo, contratos prec\u00e1rios, tempor\u00e1rios. Em alguns casos est\u00e3o a preencher vagas que precisariam de ser ocupadas de forma permanente. Conseguiria dar alguns exemplos com os quais tenha contactado nas visitas que faz os hospitais?<br \/><\/strong>Temos muitos enfermeiros, ali\u00e1s, todos os enfermeiros que s\u00e3o rec\u00e9m-licenciados passam por um cont\u00ednuo de contratos a termo de seis meses, que s\u00f3 tem fim com o limite que a lei imp\u00f5e e muitos deles t\u00eam que sair do hospital, e t\u00eam de ficar um tempo fora para depois poderem voltar. \u00c9 inacredit\u00e1vel como \u00e9 que um pa\u00eds consegue tratar um bem t\u00e3o escasso como os enfermeiros desta forma. J\u00e1 o dissemos ao minist\u00e9rio da Sa\u00fade, n\u00e3o faz sentido nenhum, que, para necessidades que s\u00e3o permanentes, estejamos sempre a propor contratos de seis meses que n\u00e3o trazem estabilidade nenhuma. E isto a que \u00e9 que leva? Leva a que depois os enfermeiros procurem outros locais que lhe d\u00eaem a estabilidade de que necessitam.<\/p>\n<p>A remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 importante e o pa\u00eds n\u00e3o vai conseguir competir nos pr\u00f3ximos anos com pa\u00edses que tenham pol\u00edticas de remunera\u00e7\u00e3o altamente atrativas, mas h\u00e1 outras medidas que pod\u00edamos implementar no pa\u00eds, nomeadamente esta, e acabar de uma vez por todas com esta situa\u00e7\u00e3o de contratos sistem\u00e1ticos de seis meses, que \u00e9 a \u00fanica coisa que oferecemos aos rec\u00e9m-licenciados.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 que os hospitais justificam essa pol\u00edtica? Consideram que aquele lugar n\u00e3o \u00e9 uma necessidade permanente?<br \/><\/strong>Eu diria que a pr\u00f3pria rotina, do ponto de vista da contrata\u00e7\u00e3o, tem sido esta. Enquanto n\u00e3o houver uma orienta\u00e7\u00e3o clara por parte do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, n\u00e3o vamos conseguir ultrapassar esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Outro problema que o pa\u00eds enfrenta h\u00e1 v\u00e1rios anos \u00e9 a quest\u00e3o da emigra\u00e7\u00e3o massiva de enfermeiros. \u00c9 um fen\u00f3meno que se est\u00e1 a agravar? O que \u00e9 que justifica este fen\u00f3meno: formamos enfermeiros a mais e, portanto, temos excesso de enfermeiros ou esta situa\u00e7\u00e3o prende-se com a falta de condi\u00e7\u00f5es que os enfermeiros t\u00eam em Portugal e com os baixos sal\u00e1rios?<br \/><\/strong>\u00c9 exatamente isso. Tivemos um pico de emigra\u00e7\u00e3o em 2019, com 4.500 pedidos de declara\u00e7\u00f5es para poderem emigrar. Depois tivemos os anos da pandemia e depois estabiliz\u00e1mos mais ou menos entre os 1.400 e 1.600 pedidos por ano de declara\u00e7\u00f5es para trabalhar fora do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 um n\u00famero excessivo?<br \/><\/strong>\u00c9 um n\u00famero excessivo porque se formam anualmente 2.800 a 3.000 enfermeiros. Relembro que a forma\u00e7\u00e3o em Portugal \u00e9 das melhores que existem e por isso \u00e9 que muitos pa\u00edses v\u00eam a Portugal tentar captar enfermeiros portugueses. Estamos a falar de uma percentagem de 50% a 60% do n\u00famero que formamos, que estamos a exportar para outros pa\u00edses quando precisamos que todos fiquem em Portugal \u2014 com melhores condi\u00e7\u00f5es, obviamente.<\/p>\n<p>Pa\u00edses como a Su\u00ed\u00e7a, a Fran\u00e7a, a B\u00e9lgica e, neste momento, tamb\u00e9m a Ar\u00e1bia Saudita conseguem oferecer quatro a cinco vezes mais de vencimento em rela\u00e7\u00e3o ao que recebem em Portugal.<\/p>\n<p><strong> Mas seria poss\u00edvel ao SNS competir com essas condi\u00e7\u00f5es?<br \/><\/strong>Neste caso, do ponto de vista da remunera\u00e7\u00e3o, \u00e9 dif\u00edcil que nos pr\u00f3ximos anos se consiga subir vencimentos a este n\u00edvel. S\u00e3o pa\u00edses que t\u00eam um poder econ\u00f3mico muito mais alto, com pol\u00edticas muito mais agressivas do ponto de vista da atra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong> Ent\u00e3o onde \u00e9 que poder\u00edamos intervir?<br \/><\/strong>Podemos intervir nas quest\u00f5es de maior estabilidade, na quest\u00e3o dos contratos, na quest\u00e3o dos pacotes de incentivos, que \u00e9 aquilo que muitos pa\u00edses est\u00e3o a produzir no sentido de conseguirem atrair enfermeiros. Este movimento migrat\u00f3rio est\u00e1 associado a v\u00e1rios fatores. \u00c0 quest\u00e3o das diferen\u00e7as salariais, mas h\u00e1 tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, com o excesso de trabalho que temos nos servi\u00e7os, pela falta de enfermeiros, as pr\u00f3prias oportunidades de progress\u00e3o que t\u00eam em termos de carreira l\u00e1 fora. Em Portugal, um enfermeiro precisa de quase de 100 anos para poder chegar ao topo da carreira, isto \u00e9 inacredit\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Algumas unidades em particular?Temos a liderar esta car\u00eancia o hospital de Vila Franca de Xira, com uma car\u00eancia&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37498,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,4571,15,16,301,14,2648,25,26,21,22,4570,12,13,19,20,11622,57,302,32,23,24,33,2946,1209,58,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-37497","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-enfermeiros","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-governo","14":"tag-headlines","15":"tag-hospitais","16":"tag-latest-news","17":"tag-latestnews","18":"tag-main-news","19":"tag-mainnews","20":"tag-ministu00e9rio-da-sau00fade","21":"tag-news","22":"tag-noticias","23":"tag-noticias-principais","24":"tag-noticiasprincipais","25":"tag-ordem-dos-enfermeiros","26":"tag-pau00eds","27":"tag-polu00edtica","28":"tag-portugal","29":"tag-principais-noticias","30":"tag-principaisnoticias","31":"tag-pt","32":"tag-sau00fade","33":"tag-serviu00e7o-nacional-de-sau00fade","34":"tag-sociedade","35":"tag-top-stories","36":"tag-topstories","37":"tag-ultimas","38":"tag-ultimas-noticias","39":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37497","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37497"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37497\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37498"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}